18/04/2017
Dizem os mais entendidos que o futebol não é apenas um jogo no qual onze jogadores de uma equipe enfrentam outros onze jogadores de um time adversário qualquer. Dizem, inclusive, que a paixão pelo futebol extrapola os limites das famosas quatro linhas. Pra qualquer apaixonado, os jogos da TV podem servir puramente de inspiração pras próximas peladas da rua ou do campinho de terra batida que f**a na rua de trás. Pra quem não pode segurar nas mãos a Taça Jules Rimet ou minimamente uma réplica dela, qualquer Tubaína, Tobi, Convenção ou Coca-Cola serve de troféu pra um campeonato que dura dez minutos ou dois gols ou, se a coisa f**ar séria, cinco gols sem que se marque o tempo da partida. Nesses campeonatinhos mais emocionantes que as partidas do Campeonato Carioca, não tem lei nem juiz; "Pediu? É falta". Pra quem não pode comprar uma Mercurial (talvez o modelo equiavalente das Total 90 na minha época de moleque), não tem problema; usa-se um pé de cada chuteira, ou mesmo aquela Penalty surrada e esburacada que estava enfurnada num dos cantos mais escuros do armário. A geração, como se diz, "mi-mi-mi", "Nutella", "Gourmet" e afins não tem vez na pelada do sábado de manhã. Só dá dentro quem aguenta jogar mais de 90 minutos num chão de concreto, sem chuteiras ou com as já citadas chuteiras surradas e com o tampão do dedão aberto. Não tem essa de Periscope ou transmissão ao vivo; o que se viveu na pelada, na pelada f**a. No máximo (e o que é mais legal), as memórias de cada jogo f**am na ponta da língua de um ou de outro, o que se verif**a numa fala como "E aquele ovinho que eu te dei!?". Pra não deixar incompleta a sacralidade do momento, nada melhor que compor a armadura da "guerra" com as camisas dos ídolos ou do time do coração. Hoje, o cara usa uma blusa do Cristiano Ronaldo e f**a irritado de jogar na defesa; jogador de pelada "Nutella". Craque raiz não tem essa porque usa a camisa do Ronaldinho e joga até no gol quando precisa. O pior é quando dizem que futebol é coisa de gente alienada; ledo engano. Numa pelada de domingo estão reunidos os garotos mais criativos e imaginativos do bairro; nas mãos deles, os trapos de meia viram bolas, os pares de chinelo viram balizas e luvas de goleiro, o cordão do short vira instrumento pra prender o meião na perna, e por aí vai.
Eu não sei vocês, mas acho que esse tipo de coisa um peladeiro "Nutella" nunca vai entender. E ainda dizem que é só um jogo.
📝Thiago Marques