Todos nós já ouvimos falar do Carmelo Descalço...Até mesmo pessoas não católicas sabem da existência das “carmelitas” (nossas queridas monjas). Suas vidas oferecidas totalmente a Deus, a opção pela clausura como meio especial para doar-se a esse Deus, sua vida de oração, rica e fecunda, causam ao mundo espanto e admiração. Será que não causam também um certo “temor”? Óbvio que não me refiro a “ter
medo delas”. Falo do constante testemunho e apelo que suas vidas nos fazem: queiram ser santos como nós desejamos ser santas! O olhar e o sorriso de monja carmelita descalça são convites constantes, para nós leigos e leigas. Elas nos convidam à mesma espiritualidade, só que vivida de forma diferente, sem clausura, no meio da sociedade, mas com igual oração (ou, quem sabe, maior)! Assim, buscamos o Carmelo Descalço, por ser ele um belo “jardim de ricas flores para o Amado” e por ser ele também um fortíssimo farol de fé e caridade que ilumina nosso caminho. Tem lugar para mim, leigo e leiga, no Carmelo Descalço? Sim! O Carmelo é esse grande e belo monte, onde todos encontramos jardins para nosso encontro com o Amado! Os frades encontraram a Ordem Primeira, de vida religiosa consagrada e/ou sacerdotal. As monjas encontraram a Ordem Segunda, de vida religiosa consagrada e clausura, para, de forma “mais íntima” estarem com o Esposo. Para nós, leigos e leigas, Deus suscitou a Ordem Secular (antiga Ordem Terceira), isto é, “Ordem em meio ao mundo” (é o sentido da palavra “secular”), para que nós, leigos e leigas, vivendo no mundo, plantemos, nesse mundo, as mesmas “flores” encontradas pelos frades e monjas: a oração, o amor a Deus e à Sua Palavra, a meditação, a contemplação, a vida fraterna e o apostolado. Temos uma única Regra (de Santo Alberto de Jerusalém), igual à dos frades e monjas, portanto pertencemos ao tronco da Ordem Carmelita Descalça, não somos apenas um ramo ou um “agregado”. Somos carmelitas tais e quais os frades e monjas, só que temos um “estilo” nosso (relatado em nossas Constituições e Estatutos), próprio do leigo e da leiga. Bebemos da mesma fonte: espiritualidade mariana-carmelitana-teresiana-sanjuanista. Vivemos, porém, “plantados” em “lugares” (situações de vida) diferentes. O Carmelo Descalço Secular é uma vocação no seio da Igreja. Não é apenas um “movimento de espiritualidade”, mas uma vocação, um chamado de Deus. Claro que é uma espiritualidade, porém, que não é diversa da dos frades e monjas (temos, inclusive, a mesma Regra). Em resumo: queremos ser carmelitas descalços seculares por querermos ser carmelitas descalços, porém, permanecendo no mundo, em nossos lares, no trabalho, no lazer, etc. (Giovani Carvalho Mendes)