14/03/2026
ATALAIAS
Na Bíblia, o atalaia era aquele que f**ava sobre os muros da cidade enquanto todos descansavam. Ele observava o horizonte, prestava atenção aos sinais e, quando percebia perigo se aproximando, tinha uma responsabilidade: avisar o povo.
Deus usa exatamente essa imagem em Ezequiel 33:7 quando diz: “Filho do homem, eu te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; ouvirás a palavra da minha boca e os avisarás da minha parte.”
O atalaia não cria a mensagem. Ele não fala para agradar. Ele não observa para julgar. O atalaia vigia porque sabe que quando ninguém está atento, uma cidade inteira pode ser surpreendida.
E aqui está algo que muitos não gostam de ouvir: nem todos querem atalaias por perto. Porque o atalaia vê aquilo que muitos preferem ignorar. Ele percebe caminhos perigosos, escolhas que levam à queda, comportamentos que parecem normais, mas que, mais cedo ou mais tarde, trarão consequências.
Por isso, muitas vezes, quem alerta é rejeitado. Não porque esteja errado, mas porque tocar na verdade incomoda quem decidiu viver distraído.
Mas existe algo ainda mais perigoso do que rejeitar um atalaia. A Bíblia também fala de atalaias que se tornaram cegos e silenciosos, que deveriam vigiar, mas dormem, que deveriam alertar, mas preferem se calar. Quando quem deveria estar atento se acomoda, o povo caminha sem perceber o risco.
Toda geração precisa de pessoas que permaneçam nos muros. Pessoas que não vivem distraídas, que não negociam a verdade, que não se calam quando percebem que algo está fora do caminho.
Porque quando os atalaias dormem, a cidade f**a vulnerável. E quando todos estão distraídos, alguém precisa estar disposto a vigiar.
E a pergunta permanece:
Se todos estiverem olhando para qualquer coisa… quem ainda está olhando para o que realmente importa?
Mércia Dumont