Tattwa Nirmanakaia

Tattwa Nirmanakaia O Tattwa Nirmanakaia é uma instituição que visa o aprimoramento espiritual do ser humano. Proporc

A Verdade.Eu pondero que a Verdade realizada plenamente é a Justiça.E a Justiça é como o Sol, o céu pode ficar nublado p...
27/10/2025

A Verdade.

Eu pondero que a Verdade realizada plenamente é a Justiça.

E a Justiça é como o Sol, o céu pode ficar nublado por algum tempo, ocultando o Sol, mas, mais cedo ou mais tarde o Sol brilhará sobre tudo e todos.

Estipula-se que Platão escreveu uma de suas obras-primas, A República, no século quarto antes de Cristo, algo como 375 a.C.. A temática deste verdadeiro monumento literário, em linhas gerais, é uma profunda reflexão sobre o que é a Justiça. Platão escrevia sob a forma de diálogo, e neste contexto os personagens debatem sobre uma questão importante e seus desdobramentos. A Justiça é um tema tão significativo, que neste diálogo sobre ela, inúmeras situações vão se ramificar. Hoje vamos tratar de um aspecto em especial, que anuncio como: a mulher guerreira ou guardiã.

Na República, Platão, com a intenção de descobrir o que é a Justiça para um ser humano, entende que se ele pegar o exemplo de uma cidade, que é muito maior do que um indivíduo, será mais fácil analisar a questão, então se cria uma cidade imaginária e vão sendo tecidos diversos experimentos racionais. Parte central do objetivo é chegar ao ideal de uma cidade justa, o que permitiria entender também o ser humano justo. É importante destacar que não se deve interpretar literalmente os raciocínios propostos por Platão, contudo não vamos entrar em suas complexidades. Vamos citar, em específico, que uma figura central na cidade ideal de Platão é o guardião. O guardião precisa possuir a excelência da arte da guerra mas também ter profunda sensibilidade filosófica para entender e apreciar o que está guardando. Como alguém poderia ser eficiente em guardar algo que não compreende? E, justamente relativamente a esta função de máxima importância, de proteção da cidade justa, Platão diz que as mulheres que tiverem aptidão para a arte da guerra devem participar também. Devem ser, ao lado dos guardiões, guardiãs da Justiça. Na época de Platão e na sociedade grega, os direitos e o papel das mulheres eram precários, e é por isso que ao anunciar esta ideia, de que as mulheres poderiam e deveriam ocupar funções de grande importância na cidade justa, Platão comparou a dificuldade do assunto com uma grande onda no mar, isto é, uma grande força de oposição. Na República Platão não vê a mulher e o homem como iguais, e se ponderarmos é claro que há diferenças, o ponto é que tanto uma mulher quanto um homem, apesar de suas diferenças, podem ter habilidade para a mesma função.

Platão nos diz que a mais alta posição da cidade, a que a governa, deve ser ocupada por um filósofo. Entretanto não nos enganemos, filósofo aqui designa um indivíduo iluminado pela Verdade e realizador da Justiça. Não se trata de um intelectual conhecedor de livros e doutrinas, mas de alguém que busca a Verdade e já compreendeu em nível prático algo de sua realidade. Comparando com os termos usados no Ocultismo, os de Iniciado e Adepto, o que Platão chama de filósofo, é algo como um Adepto. Pois o Iniciado é aquele que passa a conhecer uma ideia nova enquanto o Adepto é aquele que realiza esta ideia de forma plena. Portanto o filósofo na cidade platônica representa o mais alto grau de esclarecimento e realização, e por isso deve ocupar a posição mais alta, uma vez que é o mais apto. Neste ponto também, Platão nos diz que a mulher poderia ocupar esta função, caso se demonstrasse apta. Portanto aqui temos a ideia da mulher como guerreira, guardiã e filósofa.

Como é de conhecimento comum, muitos problemas e dificuldades ocorreram ao longo da história conhecida, relativamente ao reconhecimento do valor, do direito e da realização da mulher na sociedade humana. Portanto, o meu objetivo hoje é homenagear e resgatar a memória de uma mulher de grande valor, conectada a nossa tradição esotérica e ocultista. Que ao meu ver, de fato foi uma guerreira em sentido espiritual, poderosa guardiã de ensinamentos de grande valor para todos nós, e certamente filósofa em sentido metafísico profundo. Estou falando de Emilie Cady, médica homeopata e escritora metafísica americana que viveu entre 1848 e 1941.

Emilie Cady escreveu um belo artigo inicial cujo sentido se inspira no salmo 91, no qual está a ideia de “morada do Altíssimo” ou “esconderijo do Altíssimo”. Podemos citar o belíssimo versículo 4 deste salmo que pode ser traduzido como: “Ele te cobrirá com Suas p***s, e sob Suas asas encontrarás abrigo; Sua verdade é escudo e couraça.”. Podemos interpretar em sentido esotérico ou ocultista como um estado mental em que estaremos sob a guarda Divina, sendo as asas um poder que eleva e nos coloca neste local Divino e Seguro. Mais adiante também no versículo 9: “Pois disseste: “O Eterno é meu refúgio”; fizeste do Altíssimo tua morada.”(estas são traduções aproximadas cotejadas com o hebraico). Nos dando, então, a ideia de que podemos habitar no “Altíssimo”. O artigo que a Emilie escreveu tem o seguinte título: “Finding the Christ in Ourselves” ou “Encontrando o Cristo em nós mesmos”.

Neste contexto o Cristo designa a Divindade em cada um de nós, o que toca esta crença profunda e importantíssima, de que dentro de cada ser humano existe algo plenamente puro e Divino, entretanto trata-se de algo, na maior parte dos casos, em estado de potência, isto é, ainda não manifestado. Exemplarmente, ao olhar uma semente podemos entender que ali está todo o potencial do que poderá vir a ser uma árvore. Assim o próprio termo ocultismo encontra sua significação como o ser humano oculto ao próprio ser humano, ou ainda uma essência que habita no âmago do ser humano, na qualidade de um modelo a ser desenvolvido, ou um tesouro ainda encoberto e desta forma em estado latente. Justamente o termo esoterismo também significa este algo interno e oculto. Mas não devemos pensar necessariamente oculto como dentro do corpo físico humano, a tradição ocultista pensa que esta essência está ancorada no corpo físico mas não está plenamente no corpo físico. Pois trata-se de uma espécie de região superior, é um local especial, algo como um céu próprio, cada ser humano neste sentido carrega com sigo o seu céu ou paraíso, mas também o seu inferno, entendido como decadência e ignorância, tudo isso em sua própria constituição. Quando estudamos a fundamental metáfora da escada Divina, esta subida ao Sagrado é uma subida a uma região que faz parte de nós mesmos. A propósito, em consonância com estes pensamentos, está o interesse e a proposta da Emilie neste seu artigo inaugural. Procurando nos ensinar a subir os degraus que nos levam a “Morada Secreta do Altíssimo”. Vejamos um pouco das palavras da própria Emilie Cady, em um de seus livros com o mesmo tema:

“Quem quer que sejas, tu que lês estas palavras — onde quer que estejas no mundo, seja sobre um púlpito pregando o evangelho, seja no mais humilde lar, buscando a Verdade para manifestá-la numa vida mais doce, mais forte e menos egoísta —, saiba, de uma vez por todas: não és tu quem busca a Deus, é Deus quem te busca.

Aquilo que sentes e desejas como uma manifestação mais plena é a própria Energia Eterna — a que sustenta os mundos em suas órbitas — impulsionando-se através de ti para vir à expressão mais completa.”(Esta é uma tradução própria).

Este trecho pertence a obra cujo título é Lessons in Truth ou “Lições sobre a Verdade”. E está na Nona Lição que se chama, Encontrando o Lugar Secreto. Aqui podemos ver que Emilie Cady se dirige a todos, isto é, sem exceção, dizendo que existe uma força interna especial querendo se manifestar, entretanto, como ela procura explicar, nós precisamos nos colocar em certas condições para entrarmos em contato que essa dimensão espiritual própria.

Neste ponto deste livro ela irá explicar a importância do “entrar no silêncio”, contudo é preciso discernir que ela se refere a um “silêncio mental”, ou a cessação de atividades intensas e desgovernadas em nossas mentes. Neste tipo de estado podemos entrar em uma espécie de comunhão com este algo essencial dentro de nós mesmos, e é nestas circunstâncias que a chamada “voz interna fala”. A aparente incoerência entre “silêncio mental” e “voz interior” é realmente ap***s aparência, pois o silêncio da mente permite que algo interno se expresse, no entanto de uma forma muito diferente da fala humana. Mais do que uma teoria a ser exposta, esta ideia é uma proposta de prática mística, cujo objetivo é que cada indivíduo tenha a sua vivência. Seguindo este raciocínio, certamente sempre existirão leis gerias que regem a realidade e são as mesmas para todos os caso ao longo do tempo. Ou mesmo quem sabe fora do tempo. Mas cada um de nós precisa fazer o seu caminho de descoberta que será muito particular, justamente em função das características de cada um.

Estas ideias que a Emilie Cady nos traz são as mesmas dos ensinamentos orientais, como encontramos, por exemplo, em nosso querido Swami Vivekananda. Talvez a distinção esteja no fato de que a Emilie traz uma outra linguagem e enfoque prático, diferenciados. Contudo a ideia e o valor do silêncio da mente é a mesma. Pois não se trata de uma invenção da imaginação humana, mas de descrever leis naturais que regem a mente e tocam o que está imediatamente além desta. Enfatizo que não considero a mente humana um problema, pois ela é um instrumento e uma parte da realidade. A complicação começa a surgir se usarmos esta ferramenta poderosa de forma errada ou se afirmarmos que, no ser humano, tudo se resume a mente. Eliphas Levi, o grande ocultista, que nos é bem conhecido e caro em nossos estudos, em seu famoso Dogma e Ritual da Alta Magia, nos diz claramente que a mente é como um espelho, que no entretanto, pode estar sujo ou limpo. O espelho com impurezas é exatamente a mente desgovernada e repleta de atividades que nos atrapalham. Eliphas nos diz ainda que a luz Divina está brilhando continuamente mas se o espelho da mente estiver sujo os reflexos desta Luz pura serão distorcidos. Assim precisamos purificar o espelho ou a mente, para ela refletir a originalidade da Luz pura e Sagrada. Mais uma vez podemos observar que cada um destes grandes vultos da Espiritualidade nos falam a mesma coisa com parábolas e metáforas diferentes. Não vou aprofundar, mas a grande ocultista Blavatsky, usa a mesma metáfora do espelho para chegar a mesma conclusão do Eliphas. Portanto, todos estes ensinamentos visam como devemos proceder para, conhecer, ajustar e modelar a nossa mente, de tal forma que possamos chegar a experiências de contato com o Divino.

E é por estas razões que o nosso querido Antônio Olívio Rodrigues, grande ocultista, fundador da linhagem do Círculo Esotérico e dos vários Tattwas, junto aos seus companheiros de jornada que não foram poucos nem sem instrução, decidiram traduzir para nós do inglês a obra da Emilie Cady, Lições sobre a Verdade, que no entanto foi veiculada em nosso meio como Curso de Iniciação Esotérica. Decisão e iniciativa maravilhosas, pois assim nos trouxeram o que havia de melhor sobre esta prática mística fundamental, que alicerça todo o edifício da espiritualidade, que é o “entrar no silêncio”. Pratica que concorda com todos os nossos modelos de espiritualidade como os já citados, Swami Vivekananda e Eliphas Levi. Mas não nos esqueçamos do nosso querido Prentice Mulfor que determina também a busca do mestre interior, salientando a prática da concentração que é a porta do silêncio mental. Assim nossa tríade modelar, Prentice Mulford, Eliphas Levi e Swami Vivekananda dialogam diretamente com os ensinamentos da Emilie Cady.

Entretanto precisamos salientar que a época de vida da Emilie Cady não foi exatamente favorável para o universo feminino, Emilie esteve entre as primeiras mulheres médicas em Nova Yorke, e ocupou uma posição como escritora decisiva para o chamado movimento New Thougth ou Novo Pensamento. Emilie foi uma mulher altamente capaz, exemplo para outras mulheres e claro para os homens também. Entretanto é preciso enfatizar suas conquistas na qualidade de mulher, pois isto demostra que a competência, o talento, ou sucesso na espiritualidade, não tem a ver com o gênero sexual. O Novo Pensamento americano é exatamente uma nova disposição, liberta de travas e tolices antigas, pensando um caminho espiritual viável para todos. Talvez por esta razão, ou seja, por esta abertura, tenham surgido grandes expoentes mulheres neste movimento. Aqui retomamos o discurso platônico e percebemos uma luta de séculos e milênios! Pois do tempo de vida de Platão até Emilie temos milênios! Platão buscou descrever esta imagem que interpreto como um guerreiro espiritual, e desde o início de sua reflexão incluiu que isso se aplicava também a mulher como uma guerreira verdadeiramente capaz. Assim vejo Emilie Cady, uma guerreira espiritual altamente capaz, cujo combate não é pela agressão mas pelo amor que regenera. Emilie em seus ensinamentos deixou muito claro que a ação efetiva é absolutamente necessária para o caminho espiritual. Ou seja, não devemos esperar que as coisas aconteçam por si mesmas, precisamos sim lutar para nos colocarmos nas condições ideais. Os antigos filósofos não ficavam dentro de um escritório escrevendo, eles procuravam a prática da vida e as experiências para depois poderem escrever algo de valor.

Neste sentido, a oração ou o entrar no silêncio são atos importantíssimos, mas um viver cotidiano que esteja em acordo com estes atos mentais é absolutamente necessário. Não basta dizer Verdade, é preciso lutar e proteger a Verdade, como os guardiões tanto homens como mulheres. A Harmonia deve ser conquistada, pela persistência em ser correto. O Amor é o próprio exercício que inclui o outro, ao invés de separar, que respeita e acolhe, ao invés de criticar e humilhar, e por si mesmo é uma prática difícil e desafiadora. A Justiça é a reunião de todas as virtudes comentadas aqui pois deve ser entendida como o ato perfeito. Quem poderia realizar tudo isso que não guerreias e guerreiros espirituais? Bendito seja todo este exército de sábios e sábias, mão forte e lutadora que realiza a espiritualidade. Cada movimento de superação exercido por estas pessoas concorre para a nossa própria evolução, são partes de nós, e nós seus continuadores.

Que a Verdade se faça a partir de dentro de cada um de nós, tal qual um Sol misterioso e oculto que nos ilumina de dentro! Que esta Luz, bela, correta, benéfica, sagrada, nos inspire os atos mais nobres, que são efetivamente a Justiça sobre a face da Terra!

O Ato Justo Regenera.

Celebremos então, este aniversário de 99 anos do Tattwa Nirmanakaia, exaltado todos os esforços por um mundo iluminado pelo Sol da Verdade. E em especial pela colaboração da Emilie Cady, que nos chegou através da iniciativa do Antônio Olívio Rodrigues e seus companheiros de jornada.

Rafael Wainstok, Rio de Janeiro, 18/10/2025.
Presidente do Tattwa Nirmanakaia.

A imagem ilustrativa foi feita sob medida para este texto utilizando recurso de IA.

O Tattwa Nirmanakaia orgulhosamente convida a todos para o seu aniversário de 99 anos! É uma grande felicidade comemorar...
15/10/2025

O Tattwa Nirmanakaia orgulhosamente convida a todos para o seu aniversário de 99 anos! É uma grande felicidade comemorar com nossas amigas e nossos amigos, nossas filiadas e nossos filiados, todos estes anos de realizações espirituais!
Nosso aniversário será comemorado no dia 18/10/2025, sábado, às 18:30h. Ocorrerá presencialmente em nosso Templo, Rua Campos Sales número 38, Tijuca, Rio de Janeiro. E será transmitido virtualmente no Google Meet, com nossas palestras e festividade.
Venha participar deste momento!

https://youtu.be/nhvY1HccGl4?si=2tp6g6AI7Dnq64aUCaríssimos, assistam e divulguem este vídeo sobre o nosso mestre Prentic...
02/02/2025

https://youtu.be/nhvY1HccGl4?si=2tp6g6AI7Dnq64aU

Caríssimos, assistam e divulguem este vídeo sobre o nosso mestre Prentice Mulford. Agradecemos aos amigos do Sabedoria Arcana a possibilidade de gravar esta entrevista. Fraternalmente.

Sejam bem-vindos ao podcast Sabedoria Arcana, o seu portal para a espiritualidade, o esoterismo, a Tradição Primordial e os caminhos iniciáticos! Eu sou Pabl...

O Parlamento Das Religiões e um Discurso de Swami VivekanandaO Parlamento Mundial das Religiões, ocorrido na cidade de C...
16/03/2022

O Parlamento Das Religiões
e um Discurso de Swami Vivekananda

O Parlamento Mundial das Religiões, ocorrido na cidade de Chicago no ano de 1893 é considerado um marco do diálogo inter-religioso. Pouco antes deste momento, próximo a data dos 400 anos do descobrimento da América por Colombo, se começou a discutir, na América do Norte, a melhor forma de comemorar esta data. Para tanto, foi decidido realizar um grande evento, uma Exposição, que veio a ser denominada também como, Feira Mundial de Chicago. Cujo propósito seria mostrar as artes, as indústrias, os produtos, realizados e desenvolvidos desde Colombo. Contudo, um dos envolvidos neste projeto, Charles Bonney, pensou que algo a mais deveria ser feito, algo menos materialista. Ideia que tomou corpo e se tornou o Parlamento Mundial das Religiões, um evento anexo a esta grande Feira. Vejamos, então, um pouco das ideias de Bonney em um trecho de um artigo sobre o seu pensamento:

“Para Bonney religião significa “amor e adoração para Deus e amor e serviço para os outros,” o que ele reivindicava que poderia ser encontrado em toda religião. “Há um influxo de Deus para a mente de todo ser humano,” ele disse, ecoando as palavras do Evangelho de São João que “a luz da verdade ilumina toda pessoa que vem ao mundo.” E, assim como a luz do sol é recebida diferentemente por diferentes objetos, Bonney disse que, a luz divina é recebida diferentemente nas mentes humanas e “consequentemente nasceram as várias formas de religiões.” Isto não significa que ele considerava todas as religiões como iguais, mas insistia que outros deveriam ter a mesma liberdade de crença que ele reclamava para si mesmo.”

Trecho do artigo: Charles Bonney and the Idea for a World Parliament of Religion (Charles Bonney e a Ideia para um Parlamento Mundial das Religiões), de autoria de Marcus Braybrooke.

Agora vejamos um interessantíssimo discurso de Swami Vivekananda proferido no Parlamento Mundial das Religiões. Discurso em perfeita conexão com o propósito do diálogo entre os diferentes.

POR QUE NÓS DISCORDAMOS

15 de Setembro, 1893

Eu vou contar para vocês uma pequena estória. Vocês ouviram o eloquente orador que acabou de dizer, “Vamos parar de abusar uns dos outros,” e ele estava muito sentido por haver sempre tanta variação.

Mas eu entendo que eu devo contar uma estória que poderá ilustrar a causa desta variação. Um sapo vivia em um poço. Ele havia vivido lá por um longo tempo. Ele havia nascido lá e se desenvolveu por lá, e ainda assim era pequenino, um pequeno sapo. É claro que os evolucionistas não estavam lá para nos dizer quando o sapo perdeu os seus olhos ou não, mas, pelo bem da nossa estória, nós devemos tomar como garantido que ele tinha os seus olhos, e que todos dias limpava a água de todos os vermes e bacilos que viviam no poço, com uma energia que daria crédito aos nossos bacteriologistas modernos. Desta forma continuou e veio a se tornar um pouco lustroso e gordo. Então, um dia outro sapo que vivia no mar veio e caiu no poço.

“De onde você é?”

“Eu sou do mar.”

“O mar! O quão grande ele é? Ele é tão grande como o meu poço?” e ele deu um salto de um lado do posso para o outro.

“Meu amigo,” disse o sapo do mar, “como você pode comparar o mar com o seu pequeno poço?”

Então o sapo deu outro salto e perguntou, “O seu mar é tão grande?”

“Mas que tolice você está falando, comparando o mar com o seu pequeno poço!”

“Bem, se é assim,” disse o sapo do poço, “nada pode ser maior do que o meu poço; não pode haver nada maior do que isso; este companheiro é um mentiroso, assim vamos jogá-lo para fora.”

Esta tem sido a dificuldade todo o tempo.

Eu sou um Hindu. Eu estou sentado no meu próprio pequeno poço pensando que o mundo todo é o meu pequeno poço. O Cristão senta em seu pequeno poço e pensa que o mundo todo é o seu pequeno poço. O Maometano senta em seu pequeno poço e pensa que o mundo todo é o seu pequeno poço. Eu tenho que agradecer a América pelo grande esforço que vocês estão fazendo para derrubar as barreiras destes nossos pequenos mundos, e tenho esperança que, no futuro, o Senhor irá os ajudar a realizar o seu propósito.

Este discurso foi extraído e traduzido do libro: Complete Works of Swami Vivekananda, Volume I, Why We Disagree (Obras Completas de Swami Vivekananda, Volume I, Por Que Nós Discordamos).

“Auto Ensino: ou, a Arte de Aprender como Aprender.”“A experiência daqueles que vieram antes de nós em qualquer arte, ne...
04/10/2021

“Auto Ensino: ou, a Arte de Aprender como Aprender.”

“A experiência daqueles que vieram antes de nós em qualquer arte, negócio, ocupação ou profissão, é inquestionavelmente valiosa, mas valiosa ap***s como sugestão. Há uma grande quantidade de coisas estabelecidas como regras e “cânons da arte” que acorrentam e reprimem a originalidade. A ideia é constantemente, embora indiretamente, impressa nos aprendizes, de que o limite máximo de perfeição foi alcançado em alguma arte por algum "mestre antigo", e que seria ridículo pensar em superá-lo.
Agora, os gênios não conhecem nenhum "mestre antigo". Não conhecem nenhuma forma definida de regras feitas para eles por outros. Eles fazem suas próprias regras à medida que avançam, como fizeram Shakespeare, Byron e Scott, na literatura, e o primeiro Napoleão na guerra; e a sua mente pode ter a semente de alguma nova ideia, descoberta, invenção, alguma nova versão de arte em alguma forma que o mundo nunca viu antes.
Qualquer homem ou mulher que adora olhar as árvores e as flores, lagos e riachos, ondas, cachoeiras e nuvens, tem dentro deles a faculdade de imitá-los nos efeitos de luz, sombra, e cor, - tem, em suma, o gosto pela pintura.
Você diz: “As pessoas, para serem artistas, a arte deve ter nascido com elas." Eu digo: "Se elas admiram a arte, elas têm dentro delas a faculdade para avançar nessa arte. ”
Você diz: "Mas porque eu admiro uma rosa, ou uma paisagem, não é sinal que eu possa pintar também. ” Eu digo: "Sim, você pode, desde que realmente queira. ”
Mas como? Coloque seu esforço nisso por uma hora, meia hora, quinze minutos por dia. Comece. Comece em qualquer lugar. Qualquer coisa neste mundo foi feita tomando um ponto de partida. Comece, e tente imitar no papel uma folha morta, uma folha viva, uma pedra, uma rocha, um tronco, uma caixa, uma pilha de tijolos. Uma pilha de tijolos deitada na lama tem com eles luz, sombra e cor, e as leis que regem estes elementos, agem tanto quanto numa catedral, só que a primeira é um fundamento melhor do que uma catedral para começar. Comece com o esboço a lápis, nas costas de um velho envelope. Cada minuto deste trabalho depois do início é uma grande prática adquirida.”

Prentice Mulford

Nesta publicação optamos por traduzir do original em inglês: Prentice Mulford, White Cross Library, Your Forces and How to Use Them, em seis volumes. Volume II, subtítulo, Selph-Teaching: or The Art of Learning How to Learn, trecho deste texto. Em português pode-se consultar a tradução da editora Pensamento, Prentice Mulford, Nossas Forças Mentais, quatro volumes. Volume II, subtítulo Auto-Educação Ou Ensinamento.

Venha participar de nossas reuniões presenciais e virtuais! São reuniões públicas onde ocorrem pequenas palestras sobre ...
05/10/2020

Venha participar de nossas reuniões presenciais e virtuais! São reuniões públicas onde ocorrem pequenas palestras sobre espiritualidade em geral. Nós buscamos estudar, de um ponto de vista teórico, e, sobretudo, de um ponto de vista prático, o Esoterismo.

Nossas reuniões públicas ocorrem toda segunda-feira às 19:20h, presencialmente em nosso Templo e são transmitidas sala virtual no Google Meet. É interessante entrar na sala dez minutos antes.

Além de assistir nossas palestras venha vivenciar nossas orações e vibrações!

https://forms.office.com/r/vqMdPghEc3

Fraternalmente.

"A repetição dos atos forma o hábito; o hábito gera o caráter; o caráter faz o destino."

“Seja como a ostra que produz a pérola. Uma linda fábula hindu diz que, quando uma gota de chuva cai numa ostra, estando...
16/07/2020

“Seja como a ostra que produz a pérola. Uma linda fábula hindu diz que, quando uma gota de chuva cai numa ostra, estando a estrela Swati no ascendente, aquela gota se torna em pérola. As ostras sabem disso; vêm então à superfície quando surge a estrela e aguardam as gotas preciosas. Quando uma gota cai dentro delas, fecham rapidamente as carapaças e mergulham, para o fundo do mar, onde pacientemente transformam a gota em pérola. Deveis ser assim. Primeiro ouvi, depois entendei, e deixando de lado toda distração, cerrai vossas mentes às influências externas e dedicai-vos a desenvolver a verdade dentro de vós. Há o perigo de desperdiçar as energias pelo fato de tomar uma ideia só pela sua novidade, abandonado-a por outra mais nova. Tomai uma coisa seriamente, segui-a, ide até o fim e enquanto não o fizerdes, não a abandoneis. Aquele que pode se tornar louco por uma ideia, verá a luz. Aqueles que apanha uma migalha aqui, outra ali, nunca chegarão a nada. Podem excitar seus nervos um momento, mas param aí. Serão escravos das mãos da natureza e nunca irão além dos sentidos.
Os que realmente desejam ser yoguis devem renunciar, uma vez por todas, esse mendigar de coisas. Apoderai-vos de uma ideia; fazei dela a vossa vida, pensai nela, sonhai com ela, vivei dela. Que cérebro, músculos, nervos, cada parte de vosso corpo se encha dessa ideia. ...”
Swami Vivekananda, livro Raja Yoga, capítulo Pratyãhãra e Dhãranã.
A obra original foi escrita em inglês, com o título Raja Yoga.
Obra consultada, Rãja Yoga (O Caminho Real), de Swami Vivekananda, editora Vedanta, Rio de Janeiro, 1967.
Recomendamos a leitura deste maravilhoso livro a todo sincero buscador da espiritualidade!

"O mago é verdadeiramente o que os cabalistas hebreus chamam o microprósopo, isto é, o criador do mundo pequeno, a prime...
09/05/2020

"O mago é verdadeiramente o que os cabalistas hebreus chamam o microprósopo, isto é, o criador do mundo pequeno, a primeira ciência mágica sendo o conhecimento de si mesmo, também a primeira de todas as obras da ciência, a que contém todas as outras e que é o princípio da grande obra, é a criação de si mesmo;"
Éliphas Lévi, Dogma e Ritual da Alta Magia, Dogma, Capítulo I. Título original: Dogme et Rituel de la Haute Magie.

“O Cristão não precisa tornar-se um Hindu ou um Budista, nem um Hindu ou Budista se tornar um Cristão. Mas cada um deve ...
13/04/2020

“O Cristão não precisa tornar-se um Hindu ou um Budista, nem um Hindu ou Budista se tornar um Cristão. Mas cada um deve assimilar o espírito do outro e ainda preservar sua individualidade e crescer de acordo com sua própria lei. Se o Parlamento das Religiões mostrou alguma coisa para o mundo, foi o seguinte: Ele provou para o mundo que santidade, pureza, e caridade não são posse exclusiva de nenhuma igreja no mundo, e que todo sistema produziu homens e mulheres de caráter elevado. Em face desta evidencia, se alguém sonha com a sobrevivência exclusiva da sua própria religião e a destruição das outras, Eu tenho pena dele do fundo do meu coração, e aponto para fora dele sobre a bandeira de toda religião, onde será escrito brevemente com ressentimento da resistência: “Ajuda e não Luta”, “Assimilação e não Destruição”, “Harmonia e Paz, e não Dissenção”.”

Este texto é uma parte de uma palestra realizada por Swami Vivekananda no Parlamento das Religiões realizado em Chicago no ano de 1893. Inspiremo-nos nos ensinamentos de Vivekanada, para que possamos reunirmo-nos a divindade, isto é realizar a Yoga, através do estudo, Jnana, da devoção, Bakti, da ação, Karma, e da meditação, Raja. O texto acima foi extraído e traduzido do livro: Vivekananda A Biography, by Swami Nikhilananda.

“Em tempos antigos no norte da Rússia, em muitas das numerosas ilhas estéreis do Mar Branco, além da antiga cidade de Ar...
05/04/2020

“Em tempos antigos no norte da Rússia, em muitas das numerosas ilhas estéreis do Mar Branco, além da antiga cidade de Archangel, haviam monastérios isolados e solitárias construções de ascetas, que esforçavam-se para salvar suas almas pela oração, trabalho duro e jejuns. Ap***s corajosos pescadores passavam pelas tempestades dos mares que circundavam estas ilhas, e os Bispos de Archangel, que detinham uma autoridade espiritual nominal sobre os monastérios conhecidos, não pareciam se importar muito com eles. Naqueles dias os ascetas solitários foram deixados a sua própria conta, como se isso fosse o melhor serviço que o mundo exterior poderia prover para os santos, os quais evitavam o tumulto do mundo.
Contudo, veio o tempo em que um novo bispo foi ordenado, o qual era evidentemente um homem energético, interessado nos ascetas do seu distrito. Em particular haviam lendas em Archangel sobre três santos sem nome que viviam em uma pequena ilha desolada, sem nem mesmo uma igreja. Mas pescadores insistiam que os três homens eram trabalhadores milagrosos.
Então, um dia, quando o tempo estava mais calmo, o Bispo embarcou em um pequeno barco a remo para levá-lo a ilha misteriosa, com um ou dois pescadores como pilotos.
Depois de algumas horas remando, o Bispo se encontrava em uma praia deserta, e, então, três figuras altas de barba branca, respeitavelmente se aproximaram dele. Eles usavam ap***s as mais rudes roupas possíveis feitas de cascas de árvore e couro cru e constantemente seguravam um ao outro pela mão. Depois da devida reverência diante do cavaleiro da Igreja, eles disseram a ele que eles estavam vivendo na ilha desde a sua juventude e tinham tentado salvar suas almas pelo trabalho, oração e jejum. “Mas nós somos iletrados e não podemos nem mesmo orar corretamente”, falou o mais velho dos três. “Nós conhecemos ap***s uma pequena oração, pois as nossas memórias são muito fracas”. “Qual é a sua oração?”, perguntou o Bispo. Ela era muito simples, meramente: “Há três de vocês e três de nós: sejam graciosos conosco.” Evidentemente um conhecimento rudimentar da Santa Trindade era a base da oração deles.
O Bispo considerou que esta formula era insuficiente e disse: “O caminho mais curto para se endereçar a Deus é através da Oração do Senhor e vocês devem aprendê-la para a sua salvação.” “Ensine-a para nós!”, suplicou o homem mais velho para ele. E então ele começou a lição, ansioso para iluminar os ascetas primitivos.
Finalmente, depois de quatro horas de trabalho duro devido a fraca memória dos seus alunos, eles estavam habilitados a repetir a Oração do Senhor sem erros. Satisfeito com a sua missão, o Bispo pediu licença e retornou ao seu barco. Depois que a embarcação havia sido conduzida algumas milhas ele ouviu o seu remador chamando por ele com medo: “Sua Eminencia! Olhe para traz! Veja o que está acontecendo no mar!” O Bispo, que estava sentando voltado para a proa, virou sua cabeça e através da luz misteriosa do dia que termina, viu os três homens velhos andando sobre as águas na direção dele, dando sinais para parar. Quando eles chegaram perto, o mais velho saudou e disse: “Sua Graça, em nome de Deus perdoe-nos por que somos homens velhos estúpidos: nós estávamos repetindo a oração que você tão graciosamente nos ensinou, de repente uma palavra foi esquecida e então toda a oração caiu em pedaços. Deixe nos escutar ela novamente de você!”.
E o Bispo caiu de joelhos perante os Santos e falou humildemente: “A sua oração alcança o Todo Poderoso como ela é. Sou eu quem tem que pedir pela sua graça e orações.”
Assim corre a antiga lenda. Para além da ingênua narrativa, esta lenda nos mostra a muito central relação do homem com o Supremo: fé e sinceridade são os únicos valores que contam e não outras formas elaboradas.”
Mouni Sadhu, Theurgy, The Art of Effective Worship, Chapter I, Preliminaries.

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