11/07/2024
Madre Abadessa Maria Pacífica de Jesus Crucificado – Gláucia Garcia de Almeida – a 2ª de 7 filhos do médico Dr. Joaquim Albino de Almeida e D. Juracy Garcia de Almeida, exímia pianista, vem de tradicional Família Sul mineira, Muzambinho e Machado, a terra do café. Fez seus estudos – Jardim da infância, Primário, Ginásio e Pedagógico – no Colégio Imaculada Conceição, das Religiosas Concepcionistas do Ensino. Dedicou-se depois a Línguas neo-latinas, quando foi surpreendida, aos 18 anos, pela morte repentina do pai, queridíssimo e de caráter invulgar. Afastando-se, pelo luto, dos compromissos e festas sociais, dedicou-se à Ação Católica, ocupando a presidência com grande liderança, levando muitas jovens a trocar vida mundana e fútil pelo engajamento apostólico na catequese e na visita aos pobres e doentes. No auge dessa atividade, quando lhe sorria o futuro com plano de viagens turísticas e a corte de ambiciosos pretendentes, sentiu o apelo irresistível de CRISTO para o dom total na vida consagrada. Comentando com um Sacerdote o desejo de ser monja, ele lhe deu a autobiografia de Santa Terezinha, em francês, onde se encontrava uma estampa de Soeur Marie Cèline de la Prèsentation, Vièrge Clarisse (Virgem Clarissa). Aquilo lhe soou tão bem, que procurou um Mosteiro de Santa Clara, viajando para o Rio. Familiares, Mestras e amigos tentaram dissuadi-la insistindo que era talhada para o Magistério e a Música. Sentia, porém, que deveria sacrificar tudo aquilo para se doar, na clausura, ao silencioso apostolado de oração pelos Sacerdotes, pelas famílias e pelo mundo tão necessitado. O mais doloroso foi deixar a Mamãe amorosíssima e os manos terníssimos. Aos 20 anos superando grandes obstáculos e toda oposição de amigos e familiares, no dia 03 de maio de 1955, voou para o Rio, acompanhada da inseparável mana Nilza, companheira dos folguedos infantis, que não se conformava com a separação e despertou a solidariedade de todos os passageiros no avião, impressionados com as suas lágrimas. Ingressou, na mesma tarde, na Porciúncula da Gávea, iniciando seu Postulantado. Realizava-se no Rio, o Congresso Eucarístico Internacional. Na festa da Sagrada Família de 1956, 08 de janeiro, recebeu o burel de Santa Clara, em cerimônia presidida pelo então Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara. Na Epifania do Senhor, do ano seguinte, fez sua Profissão de Votos Temporários. Aos 10 de janeiro de 1960, Festa da Sagrada Família, emitiu a Profissão Solene dos Votos Perpétuos, também oficializada pelo saudoso Cardeal Dom Jaime. Logo após recebeu o cargo de Mestra de noviças, sendo também membro do Conselho monástico. Segundo a vocação escondida e singela de Clarissa Pobre, exerceu vários misteres e ofícios na Comunidade, além do pesado trabalho braçal no vasto e montanhoso terreno do Mosteiro, a que as Irmãs pioneiras de dedicavam. Ficou à frente do Noviciado até 1970, quando foi eleita Abadessa, a primeira Abadessa brasileira do Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos. Devido à sua maternal bondade e espírito empreendedor e dinâmico, foi reeleita sucessivamente, com exceção da pausa de um triênio, para obedecer às normas jurídicas. Muito tem feito pela comunidade no plano espiritual, sobretudo promovendo a Adoração Eucarística diária e a formação permanente das Irmãs. Também tem lutado por melhores condições desta singular Porciúncula, especialmente enfrentando, com grande espírito de fé, a grandiosa obra da reforma e ampliação do Mosteiro, pelo qual a Comunidade lhe é particularmente grata.
Além da primeira fundação deste Mosteiro em Belo Horizonte, dedicou-se, em 1973, também à fundação catarinense do Mosteiro Nazaré, coordenando a construção e transferência da Comunidade para a cidade serrana de Lages, que ficou sob sua direção até 1979.
Em 1984, atendendo o pedido de Dom Heitor de Araújo Sales, realizou a fundação do Mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe Mãe das Américas, em Caicó, RN, que teve um belo crescimento, desdobrando-se em novos Mosteiros.
Em 1987 assumiu a direção do Mosteiro Santa Clara de Anápolis, com o envio de 7 Irmãs, que logo se multiplicaram fundando depois o Mosteiro em Dourados – MS.
Em 1992, ao acompanhar 2 Irmãs transferidas temporariamente para a Córsega - França, teve a honra de participar da Celebração Eucarística do saudoso e grande Pontífice São João Paulo II, na Capela papal do Vaticano, recebendo, em seguida, de suas mãos, o rosário e palavras de incentivo e carinho. Nessa ocasião viajou à Terra Santa para visitação e incentivo às 4 Irmãs Clarissas brasileiras, que estavam servindo no Mosteiro internacional de Jerusalém, tendo o privilégio de visitar os Lugares sagrados.
Em 2001 foi a vez de fundar uma Comunidade no Distrito Federal, numa solene Concelebração, presidida pelo Cardeal de Brasília, atendendo os pedidos da Família Franciscana do Centro Oeste, cujo Mosteiro tem sido objeto de especial atenção dos Cardeais e Bispos de Brasília. Foi também, por 15 anos, Coordenadora geral da União dos Mosteiros clarianos no Brasil, presidindo vários encontros de Abadessas e Mestras, juntamente com o querido Frei Bernardo Holscher, de saudosa memória.
Nossa querida Madre, juntamente com os familiares, foi dolorosamente provada pela morte repentina de entes queridos. Primeiramente o bondoso Pai, Doutor Albino, deixando a viúva e 6 filhos. Destes 3 bem pequenos. Em 1977, sofreram terrível golpe com a morte trágica, em acidente, da mana primogênita, Nilza, seu esposo José Limongi e os filhos Gláucia e Marcelo, residentes nesta Capital. Restando apenas um sobrevivente, José Limongi Neto, que ficou sob os cuidados dos tios Carlos Roberto e Maurélio, médico e advogado, respectivamente.
Em 1979, às vésperas do Natal morre, repentinamente a querida mamãe, Juracy, após um breve sono, deixando todos mergulhados na perplexidade e na dor.
Em 1992, quando a família, sempre muito unida e fraterna, estava se refazendo das sentidas perdas, morre, num desastre automobilístico, aos 56 anos, ao retornar de um Congresso, em Curitiba, o mano Dr. Carlos Roberto, que era como o chefe da família. Queridíssimo, foi chorado por toda a cidade, particularmente pelos pobres, que o proclamavam seu médico caridoso e compassivo.
Em 1998, o caçula, o querido Dr. Maurélio, advogado em Bauru, SP, que completara 50 anos e se preparava para celebrar as Bodas de Prata matrimoniais, tendo a viagem já programada, com a esposa e filhos, faleceu repentinamente, por enfarte agudo do miocárdio.
A família, com as bênçãos de Deus, permaneceu sempre muito unida e hoje aqui estão as dedicadas manas Selma e Ana Juracy com o esposo Varnei, a cunhada Maria Regina, sobrinhos, sobrinhos netos, primos e primas, do Rio, de Minas, São Paulo, Paraná e Brasília, num testemunho de afeto e gratidão àquela que consideram a “Matriarca” da família e a quem são muito afeiçoados. Outros não puderam vir por compromissos inadiáveis de trabalho e estudos, enviando presentes e felicitações afetuosas.
Nossa Madre, como Mãe amorosa da Comunidade, sentiu muito outrossim a morte de Irmãs queridas, que faleceram durante seu abaciado. Suas precedentes Abadessas Madre Maria Juliana e Madre Maria Agnela, Irmã Maria Imaculada, do serviço externo, estas das venerandas Fundadoras alemãs. Irmã Maria Pia do Coração Eucarístico e, recentemente, a pranteada Irmã Maria Josefa, por enfarte fulminante e ultimamante a saudosa Irmã Maria Marta. Também sofreu com a separação de filhas dedicadas, que partiram, entre lágrimas, para as diversas fundações, separadas então, por dupla clausura, embora conservando elos de filial devotamento.
Nossa Madre é incansável no serviço da Comunidade, mesmo nesta idade, numa total doação. Quando lembramos que precisa se cuidar, responde sorrindo, com a expressão paulina “impendam et super impendam”. “Eu me gastarei e desgastarei” pelo Senhor, por vós e por todos. “Sim, por vós e por eles Eu me consagro”, como diz Jesus, na Oração Sacerdotal. (Jo 17,19) É para nós grande exemplo e modelo da pobreza evangélica, sempre meiga e atenciosa para com todos. Muito culta, tem grande conhecimento de nossa Ordem e profunda espiritualidade, um raio de sol entre nós, irradiando alegria. Apreciadora da música clássica e zelosa pela Sagrada Liturgia que se empenha em preparar e solenizar nas Missas e Ofício Divino. Nossa Madre se distingue por terníssima devoção para com Jesus, nosso adorável Salvador, a Mãe Santíssima e ao Bom Pai São José, a Sagrada Família de Nazaré.
Nossa Comunidade clariana – Irmãs, Sacerdotes e Amigos do Mosteiro – se unem às manifestações de carinho dos dedicados e generosos familiares de nossa Madre Maria Pacífica, louvando o Senhor pelos seus 90 anos de vida, sendo 69 anos de presença e atuação neste Claustro, na Ordem de Santa Clara, e na cidade do Rio de Janeiro, aos quais dedicou sua vida, juventude e energias. Que a Mãe Imaculada, a cubra de bênçãos para continuar sua missão de Mãe e Mestra de tantos que contam com suas preces e orientação. Parabéns, querida Madre!