07/12/2021
Há mais de 10 anos, centenas de refugiados estão em um limbo na Indonésia. Quanto ao processo de reassentamento, até hoje, não receberam nenhuma resposta. Por isso, recentemente, refugiados afegãos e de diversos outros países se reuniram em frente ao escritório do ACNUR, em Jacarta, para protestarem. O pedido de socorro veio acompanhado por enormes faixas que denunciam os perigos e urgência de uma resposta, além de uma declarada greve de fome. O protesto já passa de vinte dias, e alguns refugiados hazaras chegaram a costurar suas próprias bocas em denúncia ao fracasso da ONU em processar seus casos. Eles pedem que sejam reassentados o mais rápido possível.
O cenário de horror e desespero não cessa. Há alguns dias, um refugiado afegão ateou fogo em si mesmo em protesto contra a duração de seu processo de asilo, com a intenção de acabar com sua vida. Seus amigos disseram que sua incerteza e espera, junto a um problema de saúde de longo prazo, o levou a entrar em depressão e tomar uma atitude drástica. Ahmad Shah, 22 anos, há 5 anos, aguardava seu reassentamento na Indonésia. Desesperado, jogou gasolina em seu próprio corpo, ateou fogo e ficou em chama por cerca de 20 segundos, quando um segurança, com um extintor de incêndio, apagou o fogo. Shah foi levado a um hospital particular, mas rapidamente transferido a um hospital público, visto que, conforme seus amigos disseram, a IOM não queria arcar com os custos de seus cuidados médicos. Ele segue em estado grave no hospital.
Mas os números não param. Desde 2013, 13 refugiados afegãos cometeram suicídio na Indonésia enquanto aguardavam, entre 6 e 11 anos, por respostas. No país, essas pessoas vivem com muito pouco: uma ajuda de custo para alimentação, além de acomodação fornecida pela IOM. Porém, não podem trabalhar, estudar, viajar ou ter carros; são como prisioneiros. O número de refugiados na Indonésia já passa de 13.000 para o ano de 2021. Oremos pelos refugiados na Indonésia. Oremos para que o processo de reassentamento de tantas famílias seja, enfim, concluído. Oremos para que as autoridades olhem com misericórdia e ofereçam respostas. Que Deus os fortaleça, supra e console em suas tantas dores.