Asè Terra de Caboclo

Asè Terra de Caboclo Babàlorisá Dr. hc Fábio E. Doose
Bàbáláwo Oládiméji Elebuibon

Antigamente, assentamento não era exposto porque não se fotografava fundamento.Até meados do século XX, casas tradiciona...
28/01/2026

Antigamente, assentamento não era exposto porque não se fotografava fundamento.
Até meados do século XX, casas tradicionais de candomblé proibiam qualquer registro visual de ritos internos.
Os registros feitos entre as décadas de 1930 e 1950 por pesquisadores mostram alguidares simples, pedras naturais e ausência total de preocupação estética. O foco era a função ritual, não a aparência.
O conhecimento circulava exclusivamente por iniciação, convivência e tempo de casa.
Não havia manual, vídeo ou imagem explicativa.
Com a urbanização, a fotografia e, mais recentemente, as redes sociais, o que era interno tornou-se visível.
O fundamento não se alterou; o meio de transmissão mudou.
O antigo era sustentado pelo silêncio e pela presença física.
O agora é atravessado pela imagem.
Axé continua sendo rito, tempo e responsabilidade.
A diferença é o mundo ao redor.

Ógùn abençoe sempre

Babàlorisá Dr. hc Fábio E. Doose
Bàbálawô Oládiméji Elebuibon

TBT No Odù Eta Ògúndá Méjì, Ifá pergunta:Quem é capaz de acompanhar e proteger alguém até o infinito?Sàngó volta para ca...
26/01/2026

TBT

No Odù Eta Ògúndá Méjì, Ifá pergunta:
Quem é capaz de acompanhar e proteger alguém até o infinito?
Sàngó volta para casa quando se satisfaz.
Oyá volta.
Oxalá volta.
Èṣù volta.
Ogum volta.
Até Orúnmilà volta.
Só Orí não volta.
É Orí que acompanha seu filho até onde nenhum orixá vai.
É Orí que atravessa mares, tempo e morte.
É Orí que permanece quando tudo o mais se desfaz.
Nenhum orixá abençoa alguém sem o consentimento do seu Orí.
Quem sustenta o caminho é Orí.
Quem guarda o destino é Orí.
Ifá ensina: cuide do seu Orí,
porque é ele quem nunca te abandona.

Ógùn abençoe sempre

Fundamento não se expõe, se sustenta.O que é sagrado não vira vitrine.O que tem raiz não precisa de aplauso.Nem tudo que...
25/01/2026

Fundamento não se expõe, se sustenta.

O que é sagrado não vira vitrine.

O que tem raiz não precisa de aplauso.

Nem tudo que se aprende se publica.

Nem tudo que se guarda deve ser exposto,

Às vezes é respeito, zelo e responsabilidade.

Com tanto pirata por aí,
silêncio também é axé.

Ógùn abençoe sempre

Babàlorisá Dr. hc Fábio E. Doose
Bàbálawô Oládiméji Elebuibon

21 de janeiro é dia de lembrar e enfrentar.O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi criado pela Lei nº 11....
21/01/2026

21 de janeiro é dia de lembrar e enfrentar.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi criado pela Lei nº 11.635/2007 porque, no Brasil, a liberdade de crença ainda é violada todos os dias.

Essa data carrega a memória de Mãe Gilda de Ogum, iyalorixá que sofreu perseguições, difamações e ataques por causa da sua fé. A violência religiosa que ela enfrentou abalou sua saúde e marcou a história do país como símbolo do ódio religioso direcionado, principalmente, às religiões de matriz africana.

A Constituição Federal garante o livre exercício dos cultos religiosos. Mas, na prática, esse direito segue sendo negado.
Somente em 2024, o Disque 100 registrou 2.472 denúncias de intolerância religiosa, um aumento de cerca de 67% em relação a 2023.

Esses números mostram o que muitos fingem não ver:
a intolerância religiosa no Brasil tem alvo e endereço.
Umbanda e Candomblé seguem sendo as religiões mais atacadas, revelando que o preconceito religioso caminha junto com a intolerância.

Combater a intolerância é defender direitos humanos, é proteger os terreiros, é garantir que nenhuma fé seja silenciada.

Intolerância religiosa é crime.
Denuncie. Disque 100 — gratuito, 24h.

Ógùn abençoe sempre

Babàlorisá Dr. hc Fábio E. Doose
Bàbálawô Oládiméji Elebuibon

Referências:

Lei nº 11.635/2007
Constituição Federal, art. 5º, VI
Ministério dos Direitos Humanos – Disque 100 (2024)

Na tradição yorubá, uma pessoa nunca é só corpo ou só pensamento. Cada existência é formada por forças espirituais que c...
09/12/2025

Na tradição yorubá, uma pessoa nunca é só corpo ou só pensamento. Cada existência é formada por forças espirituais que caminham juntas. Por isso, se diz que somos Ara, Ójììjí, Okàn, Emí e Orí – e é essa união que faz cada vida existir.

Ara é o corpo físico, nossa forma no mundo, moldada por Òbàtálá para que o espírito pudesse andar na Terra. Mas o corpo é apenas a superfície: aquilo que vemos não resume quem somos.

Ójììjí é a sombra espiritual, a presença que nos acompanha, mesmo quando o corpo silencia. Não é fantasma: é a parte invisível da nossa existência.

Okàn é o coração das emoções e das escolhas. Emí é o sopro recebido de Olódùmarè, o princípio da vida que chega no nascimento e volta à origem quando partimos.

E existe o Orí. O Òrìṣà pessoal. A força maior que acompanha cada destino. Mais do que cabeça, Orí é consciência, caminho, identidade e decisão espiritual. Nada acontece sem o consentimento do próprio Orí.

Dentro dele existe o Orí Óde, que é a cabeça física, e o Orí Inú, a cabeça interior, onde vive a sabedoria que cada um trouxe do Òrun. Apá-Orí é a marca espiritual que acompanha o destino escolhido. Ìponrí é o Eu elevado que permanece no invisível.

Quando essa caminhada encontra plenitude, chamamos de Orí Àpèrè: o destino vivido em sua melhor forma.

E quando a alma precisa aprender de novo, existe Àtúnwá: o renascimento do caráter e da consciência. Porque a vida não termina, ela se transforma.

No final, tudo começa no Orí e tudo volta para ele. Porque é o Orí que escolhe o caminho, aprende com o caminho e continua caminhando quando a vida parece ter chegado ao fim

Babàlorisá Dr. hc Fábio E. Doose
Bàbálawô Oládiméji Elebuibon

Em muitos momentos, o que acontece não é falta de convite — é falta de prioridade. E isso precisa ser entendido como um ...
22/11/2025

Em muitos momentos, o que acontece não é falta de convite — é falta de prioridade. E isso precisa ser entendido como um ensinamento. Quando a tradição só aparece depois que tudo já foi decidido, está claro que alguém ainda acredita que aquilo que é raiz pode ficar com o que sobrou.

Esse tipo de situação não diz nada sobre a comunidade que mantém viva sua história. Diz sobre o modo como o espaço é organizado. Como disse o pesquisador Wande Abimbola, “uma tradição só permanece viva porque existe quem a sustente diariamente”. E é justamente essa sustentação que muitos órgãos não conseguem enxergar.

Quando oferecem horários improvisados, espaços encaixados de última hora ou participações simbólicas, isso não é reconhecimento — é falta de compreensão. É olhar para uma herança poderosa e só enxergar protocolo.

Reconhecer de verdade não é chamar no final.
Reconhecer de verdade é ter compromisso desde o início.

E quando esse compromisso não aparece, a tradição não perde força nenhuma. Quem perde é a credibilidade de quem deveria conduzir com responsabilidade. Afinal, como lembra Muniz Sodré, “não se organiza cultura sem respeitar aqueles que a produzem”.

Tradição não vive de resto.
Tradição não precisa de favor.
Tradição não aceita ser decorativa.

O que é raiz segue firme, mesmo quando alguns insistem em não ver.

No final, oferecer restos não diminui a tradição — só revela quem ainda não aprendeu a lidar com aquilo que tem peso, história e fundamento.

Ógùn abençoe sempre

Babàlorisá Dr. hc Fábio E. Doose
Bàbálawô Oládiméji Elebuibon



Dentro de Ifá, o sacrifício mais valioso não é o mais caro, nem o mais raro. É o tempo. Nada é mais sagrado do que a par...
11/11/2025

Dentro de Ifá, o sacrifício mais valioso não é o mais caro, nem o mais raro. É o tempo. Nada é mais sagrado do que a parte da vida que entregamos a algo. Tempo é aquilo que ninguém recupera, e justamente por isso é o que mais tem força diante do invisível.

Quando uma pessoa dedica minutos, horas ou dias a um caminho espiritual, ela está oferecendo o que possui de mais íntimo. Ifá vê isso como investimento real, assim como o agricultor que separa sementes para garantir a colheita. Quem oferece tempo está mostrando intenção, respeito e prontidão para mudar.

O tempo gasto numa reza, numa reflexão, num cuidado, num ebó, no aprendizado… tudo isso constrói crédito espiritual. Orúnmìlá ensina que sacrifício é resgate. Não é apenas entregar algo material; é reorganizar a própria vida para dar espaço ao que se pede. O oráculo reconhece quem age, quem se move e quem se dispõe. A divindade responde ao gesto, e não ao discurso.

Muitos relatos de Ifá mostram que quem investiu tempo no momento certo evitou quedas, injustiças e perdas. E também mostram como quem adiou, ignorou ou achou que “podia esperar” acabou pagando dobrado. O tempo oferecido espontaneamente tem o poder de abrir caminhos; o tempo negado, mais tarde, costuma cobrar um preço alto.

Èṣù, guardião dos caminhos, responde exatamente a isso. Ele não se move pelo que é grande ou pequeno, mas pela verdade do gesto. Quando alguém dedica tempo a reconhecê-lo, recebe apoio. Quando negligencia, encontra barreiras. Não é castigo; é equilíbrio.

O mesmo vale para Ògún e para o Eleda: o sacrifício que envolve tempo mostra compromisso real. É ele que sustenta os pedidos, fortalece o destino e alinha o caminho.

Ifá sempre ensinou que nenhum problema resiste ao sacrifício feito no tempo certo. E o primeiro sacrifício, o que abre todos os outros, é simples e poderoso: o tempo que escolhemos dedicar ao nosso próprio destino.

Que saibamos oferecer presença, atenção e movimento antes de pedir qualquer resposta.

Ógùn abençoe sempre

Babàlorisá Dr. hc Fábio E. Doose
Bàbálawô Oládiméji

No odu Ikà encontramos“Òkété ní ìsalẹ̀ igi, ó ní kó má jẹ́ kí igi ṣubú.”"O rato sentou na base da árvore e pediu que ela...
10/11/2025

No odu Ikà encontramos

“Òkété ní ìsalẹ̀ igi, ó ní kó má jẹ́ kí igi ṣubú.”

"O rato sentou na base da árvore e pediu que ela não caísse".

Ifá conta que, no fim, aquilo que sustenta a gente também precisa ser sustentado.

Esse verso, de Ikà, não fala de tragédia.
Fala de consciência.

A árvore é tudo aquilo que nos apoia.
O rato somos nós, vivendo, caminhando, recebendo força.

Quando esquecemos de cuidar do que nos fortalece, a vida apenas nos lembra que equilíbrio é troca.
Nada cai de repente. Nada desanda sem sinais.
E nada deixa de dar fruto quando existe cuidado.

A mensagem é simples:
valorize o que te sustenta, responda com gratidão e mantenha firme aquilo que te mantém firme.
É assim que a vida segue forte.
É assim que Ori se alinha.

Babàlorisá Dr. hc Fábio E. Doose
Bàbálawô Oládiméji

Apresento minha "neta"  tão esperada Yana, filha de meus filhos  e  ,Que todos os orisàs lhe abençoem sempre coisa coisa...
04/11/2025

Apresento minha "neta" tão esperada Yana, filha de meus filhos e ,

Que todos os orisàs lhe abençoem sempre coisa coisa do vô.

Apresento minha "neta"  tão esperada Yana, filha de meus filhos  e  , Que todos os orisàs lhe abençoem sempre coisa cois...
04/11/2025

Apresento minha "neta" tão esperada Yana, filha de meus filhos e ,

Que todos os orisàs lhe abençoem sempre coisa coisa do vô.

Báà bá rẹ́ni bá jà, ògiri ilé ẹni làá kọjú sí.(Quando não há com quem lutar, voltamo-nos contra as paredes da própria ca...
21/10/2025

Báà bá rẹ́ni bá jà, ògiri ilé ẹni làá kọjú sí.
(Quando não há com quem lutar, voltamo-nos contra as paredes da própria casa.)

Quando a vida não nos apresenta um inimigo visível, acabamos criando batalhas dentro de nós. É como quem, sem ter com quem brigar, descarrega sua raiva nas paredes da própria casa. Esse provérbio yorùbá mostra que o ser humano tem uma necessidade natural de reagir, de enfrentar algo — e quando não há nada fora, ele transforma o próprio interior em campo de guerra.

Na mente, isso aparece como ansiedade, medo, culpa ou autossabotagem. No convívio, surge como discussões sem sentido, críticas ou disputas dentro da própria comunidade. É a energia da luta sendo usada de forma errada.

O ensinamento é simples e profundo: se não há o que combater lá fora, talvez seja hora de cuidar do que está dentro. Redirecionar a força da guerra para o crescimento, a paciência e a sabedoria.

Afinal, o verdadeiro inimigo muitas vezes mora na própria mente. E quando aprendemos a transformar o conflito em construção, as paredes da nossa casa deixam de ser alvo e passam a ser abrigo.

Ógùn abençoe sempre

Fazer ebó é um ato sagrado, mas também é um chamado à responsabilidade. A espiritualidade não é refúgio para quem foge d...
18/10/2025

Fazer ebó é um ato sagrado, mas também é um chamado à responsabilidade. A espiritualidade não é refúgio para quem foge da vida, e sim um caminho para quem decide vivê-la com consciência.

O ebó limpa, abre caminhos e fortalece o Ori, mas ele não substitui a ação. É preciso tomar decisões, cuidar do corpo, estudar, ser gentil e se posicionar. Cada atitude é uma forma de honrar o axé recebido.

Ir ao médico é cuidar do Ori. Estudar é fortalecer o destino. Ser gentil é manter o axé em movimento. Se posicionar é mostrar que o poder espiritual não se esconde diante da luta.

A prosperidade vem, mas é você quem precisa abrir a porta.
E acima de tudo, se amar — porque a maior oferenda que alguém pode fazer é se honrar.

Babàlorisá Dr. hc Fábio E. Doose
Bàbálawô Oládiméji Elebuibon

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Avenida Nossa Senhora De Santana. 1260
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