25/11/2020
Lição de vida
Minha mãe me chamou e disse:
- Filho, amanhã terás um dia cheio, sua empreitada será árdua. Leve consigo uma roupa em bom estado, comida, uma cabaça com água, óleo de lamparina. Durante sua caminhada não poderá proferir palavra alguma. Volte aqui quando tiver cumprido o que lhe está destinado.
Agradeci minha mãe, separei o que me mandou e e deitei para descansar, pois sabia que precisaria estar descansado.
Assim que o dia começou a clarear, coloquei todas as coisas numa mochila e peguei a estrada.
Depois de algumas horas, encontrei um senhor sentado a beira do caminho, suas roupas estavam muito rasgadas e logo entendi o que deveria fazer. Tirei a roupa que estava na sacola e entreguei a ao senhorzinho, que me agradeceu alegremente. Continuei.
Mais um tempo se passou e encontrei uma mulher com uma criança chorando. Pude ouvi-la dizendo: Não chore meu filho, o Sagrado há de nós amparar, encontraremos comida. Imediatamente entendi, peguei toda comida que carregava e a entreguei para a mulher.
- Obrigada bom homem, que Olorum lhe abençoe sempre, hoje deu-me o necessário para chegar ao meu destino. Eu e meu filho não conseguiríamos sem esse alimento.
Com lágrimas nós olhos, assenti com um gesto de gratidão, pois não podia falar, e continuei pela estrada.
Logo adiante, avistei um homem que trabalhava a terra. Pingava de suor, tamanho era o calor. Me aproximei e ofereci a cabaça com água, a qual aceitou de pronto.
- Puxa, hoje ao vir para o campo, acabei esquecendo de trazer minha água. Que os Orixás lhe recompensem.
Assim segui.
Já andava há muitas horas, estava sujo, faminto e com sede, mas sabia que ainda não havia cumprido todo o trabalho. O dia chegou ao fim e o breu tomou conta de tudo.
Sentia-me muito cansado e, com medo da escuridão, pedi perdão ao Sagrado em oração e, acendi uma pequena fogueira com o óleo que havia trazido.
Quando estava quase dormindo, ouvi um estalo de galho, coloquei me em pé num só pulo, apesar do medo, tinha que saber de onde vinha o barulho. Iluminado pela luz da fogueira, pude ver algo dependurado numa árvore próxima, corri e a tempo consegui erguer o corpo ainda com vida.
Desatei o nó da corda, e vislumbrei o rosto da jovem, ainda desacordada.
Passei o resto da noite com ela nos braços.Com a voz ainda debilitada pela tentativa de suicídio, ela relatou todo seu desespero. Choramos juntos.
Os primeiros raios anunciavam o novo dia, era hora de voltar. Com movimentos, convidei a pequena para regressar comigo e, juntos, seguimos a viagem.
Ao chegar em casa, minha mãe nos esperava na entrada e logo amparou a jovem ele, tratou de pedir auxílio para ela. Quando certificou-se de que estava sendo tratada, voltou para conversar comigo.
Deu-me um abraço que valeram mil palavras, ao qual eu respondia com soluços num choro compulsivo. Quando me acalmei, ela perguntou:
- Filho, o que aprendeu?
- Mãe, uma roupa usada pode ser um acalanto; a comida é necessária para nos manter em pé; a água é essencial; a luz nos ajuda a enxergar, mas o mais importante que aprendi hoje, foi que uma atitude, mais do que qualquer palavra, vale uma vida.
- Gratidão filho, você aprendeu a lição.
Asé
Iyalorixa Monica