30/04/2023
ANTÔNIO GOMES DA SILVA
Nosso homageado de hoje..
Completando seus 138 anos.
Antônio Gomes da Silva nasceu no Ceará em 30 de abril de 1885. Lá se casou com sua esposa Maria de Nazaré e mudando-se para o Estado do Pará, teve dois filhos: Zulmira Gomes e Raimundo Gomes da Silva. Em 1921, veio com a família para trabalhar nos seringais acreanos. Indo residir primeiro no Seringal Iaco, na região de Sena Madureira. Aqui nasceram mais três filhos: Cecília Gomes, Leôncio Gomes e Guilherme Gomes.
Ficando viúvo, casou-se novamente com dona Maria Gomes, com quem teve mais quatro filhos: José Gomes, Francisco Gomes [falecido aos 14 anos], Alzira Gomes [falecida aos 2 anos] e Adália Gomes.
Dona Adália Gomes tinha cinco anos quando seu pai conheceu a doutrina. Conta dona Zulmira Gomes que “no Acre, embarcações vinham trazendo famílias inteiras de nordestinos que fugiam da seca em busca de uma melhor vida na região. Numa dessas embarcações papai nos trouxe para cá. Sofremos muito na viagem de navio até aqui, mas chegamos com fé em Deus. Aqui, com uns tempos, papai estava muito doente, sentia uma perturbação no juízo muito forte e eu já estava cansada de tanto correr para aqui e para acolá atrás de uma cura para ele. Compadre Zé das Neves me perguntou se eu não conhecia a sessão de um negro alto que curava na Vila Ivonete. Disse que não. Ele insistiu até que me convenceu a ir até lá. Me apresentei ao Mestre, ele olhou o estado de papai e marcou para a próxima quarta-feira o início do trabalho de cura para ele. Mais ele já saiu de lá melhor e com três sessões de cura ele ficou bonzinho. Aí ele foi e disse que nunca mais abandonaria aquele trabalho", relatou dona Zulmira Gomes.
De 1938 a 1946, Antônio Gomes recebe o hinário batizado por madrinha Peregrina, em 1989, como “Amor Divino”. É nos cânticos de Antônio Gomes que surge pela primeira vez o nome de “Juramidam”.
O hinário narra toda história de Antônio Gomes na doutrina, desde a sua chegada, quando diz:
“Eu aqui em vossas mãos
eu cheguei já quase morto
é vós mais meu Pai Divino
é quem nos dá todos confortos”
Até a sua despedida, onde se entrega ao Mestre Irineu, junto com toda a família:
“Ó meu Príncipe Imperial
filho da Virgem Maria
eu aqui a vós me entrego
junto com minha família”.
Além de seguidor fiel aos ensinamentos de Raimundo Irineu Serra, Antônio Gomes era um Conselheiro, “vivia apaziguando um aqui, outro ali. Onde ele sabia que tinha um casal brigado ou um irmão descontente com o outro, ele montava no cavalo e ia lá. Só saia quando conseguia fazer a paz entre os irmãos”, contou dona Adália Gomes.
Em agosto de 1946, Antônio Gomes da Silva começava a se despedir do mundo material. Muito fraco, ele recebeu a visita de Irineu Serra, a quem pediu para ser o responsável pela família dele. O pedido era exatamente o que descrevia seu hino: Eu aqui em suas mãos cheguei já quase morto. Eu aqui a vós me entrego junto com minha família. Em 14 de agosto do mesmo ano, ele faleceu. Dona Percília conta que o hino Só Eu Cantei na Barra, recebido pelo Mestre, na mesma época, retratava a passagem de Antônio Gomes. “Ele estava muito doente, e o hino fala que a morte é muito simples, é igualmente ao nascer. Foi quando percebi que não tinha jeito, a receita, como diz o Mestre, é a terra”, disse dona Percília.
A curta trajetória de Antônio Gomes pela doutrina foi marcada pelo recebimento de seu hinário. Os verbos de seus hinos testif**am a missão pregada pelo Mestre Irineu como uma verdadeira escola universal. Alguns estudiosos classif**am seu hinário como um resumo do Cruzeiro. Um dos seus hinos mais conhecidos, a Preleção, fala da união, do perdão e da humildade como as fontes principais para o aperfeiçoamento do homem e sua plena felicidade.
Seu hinário fala também do fechamento da sessão, um período vivido por Antônio Gomes antes de seu falecimento. Contam os mais antigos que o Mestre fechou a sessão e que Antônio Gomes andou a cavalo batendo de porta em porta na casa de cada seguidor, pedindo a todos que se unissem para a sessão voltar a abri-se. Antônio Gomes da Silva, nasceu no Ceará no dia 30 abril de 1885. Veio para o Acre depois de morar com sua família em Belém do Pará, chegando em 1921 no território acreano.
E seu hinário diz: a sessão estando fechada, estamos fora do poder, estamos dentro do clamor para todo mundo ver.
Segundo dona Maria Gomes, sua esposa, o seu falecimento culmina com a reabertura dos trabalhos. “Pouco depois que ele morreu, o Mestre abriu a sessão novamente”. Antes de dar o último suspiro, Antônio Gomes reuniu os filhos e pediu-lhes a reza do terço. E após a reza das preces, veio a falecer. Atendendo o seu pedido, o Mestre passou a observar de perto todos os seus filhos. Dona Zulmira Gomes, Leôncio Gomes e Raimundo Gomes já se destacavam na preservação dos ensinamentos da doutrina. Dona Zulmira e seu Raimundo Gomes já recebiam dois lindos hinários batizados de A condessa e o Ramalho, respectivamente.
Peregrina Gomes Serra, neta de Antônio Gomes, foi a última esposa do Mestre Irineu. Ela continua à frente dos trabalhos idealizados por seu esposo até os dias de hoje, reconhecida como Dignitária do Alto Santo.