23/05/2026
9º dia -Novena mundial em honra a Maria Auxiliadora: Maria, mãe do sofrimento
Intervenção do Reitor-Mor
Maria, mãe da dor, é a mulher que permanece onde todos fogem: aos pés da cruz, no lugar onde a dor é mais injusta e mais incompreensível. O Evangelho diz simplesmente que “junto à cruz de Jesus estavam sua mãe e o discípulo que ele amava”.
Não se diz de nenhum gesto sensacional, nenhuma palavra; apenas a sua presença que “estava”: não protesta, não menosprezar o mistério da cruz. É a capacidade de permanecer ao lado de quem sofre, mesmo sem poder mudar os acontecimentos, que faz de Maria a mãe de todo sofrimento humano.
É a Mãe das Dores, a Mulher da Sexta-feira Santa: ela vê o próprio filho morrer e, no entanto, não impede que se cumpra o que o Filho e o Pai decidiram para a salvação do mundo.
Não por ser insensível, mas porque aprendeu a confiar em Deus, mesmo na escuridão. Simeão havia dito que “uma espada lhe traspassaria a alma”, e naquele dia a profecia se cumpre plenamente.
Nela, todo o sofrimento das mães, dos pais, dos amigos que veem sofrer aqueles que amam, encontra eco, espaço, compreensão.
Justamente por isso Maria tem um papel único no sofrimento da humanidade. Jesus, da cruz, no-la dá como Mãe: “Eis a tua mãe”.
Desde então, cada lágrima pode buscar o seu rosto, cada ferida pode encontrar refúgio no seu coração. A tradição de “Nossa Senhora das Dores” lembra-nos que ela participa, desde o seu interior, da paixão do Filho, compartilhando a sua missão redentora e tornando-se assim uma poderosa intercessora para quem está na dor.
Em nossas doenças, em nossos lutos, em nossas depressões ocultas, Maria é a mãe que chora conosco e por nós, mas, ao mesmo tempo, nos sustenta para que a dor não tenha a última palavra.
Com ela, a noite é atravessada por uma presença que sussurra ao coração: “Permanece ali, não estás sozinho; sob esta cruz também eu estou contigo”.
Tem fé: Maria também acompanhará o teu calvário, assim como fez com Jesus.
E nós, será que somos capazes de deixar que alguém nos acompanhe nos momentos mais difíceis da nossa vida?