07/08/2017
Festa da Transfiguração do Senhor.
Neste domingo, juntamente com o Apóstolo São Pedro podemos dizer: “É bom estarmos aqui” (Mt 17,4), reunidos junto do altar do Senhor para celebrarmos a Santa Eucaristia, onde encontramos com o nosso Mestre e Senhor. E também neste domingo somos convidados a subir ao Monte Tabor, a fim de meditar acerca da sugestiva narração da transfiguração de Jesus. O texto evangélico começa dizendo que “Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles” (Mt 17,1s). O texto evangélico ressalta que se trata de uma nuvem luminosa que teria envolvido os discípulos com a sua sombra e dessa nuvem dizia uma voz: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” (v.5). A nuvem sagrada é o sinal da presença de Deus. Algo semelhante pode-se constatar no momento do batismo de Jesus, quando também uma voz, a partir do interior da nuvem, proclamou Jesus como Filho: “Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição” (v. 17). Mas a esta solene proclamação da filiação acrescenta-se agora uma ordem: a Ele devemos escutar (v. 5). Escutar é uma palavra que vem do latim “auscultare” e significa ouvir com atenção. É o mesmo que aguçar o ouvido. É estar consciente do que se ouve. Na Sagrada Escritura, com frequência, somos exortados a “prestarmos ouvido”. A parábola do Bom Pastor (cf. Jo 10,1-18) mostra a relação entre escutar, crer e obedecer. As ovelhas escutam a voz do Bom Pastor e fazem mais, seguem-no, o que supõe intimidade. Escutar, seguir e conhecer Cristo é acreditar. Conhecer a voz de Cristo é identificar-se com a sua mensagem, senti-la como própria. Existe ainda um texto importante para compreender as exigências do escutar, que se encontra em 1Sm 3,10: “Fala, Senhor, teu servo escuta”. Esta resposta do jovem Samuel contém em si a atitude da completa atenção, atitude de obediência total à palavra de Deus (cf. Sl 33,12; 94,7-10; Mt 7, 24-27; Ap 2,7.11.17.29; 3,6; Pr 4,20. 5,1; 7.1). Ao meditarmos sobre esta página evangélica, preparamo-nos para reviver, também nós, os eventos decisivos da morte e ressurreição do Senhor, seguindo-o no caminho da cruz para chegarmos à luz e à glória. Possamos todos nós subir ao Monte Tabor para, com os discípulos de Jesus dirigir também o nosso olhar para o rosto radiante do Filho de Deus, a fim de sermos por ele iluminados.