Comunidade da Maçonaria Liberal, Mista e Feminina

Comunidade da Maçonaria Liberal, Mista e Feminina construção do homem interior

18/09/2023
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20/02/2023

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26/11/2020

Santos padroeiros da maçonaria, seu simbolismo e sua relação com as religiões católica e pagã

Por Hercule Spoladore

Nos antigos “collegia fabrorum” romanos, cada corporação de construtores tinha seu deus ou deuses protetores, como era o caso de Jânus, o maior protetor das corporações de artífices. Seus adeptos celebravam anualmente as festas solsticiais de verão e inverno.

Logo no início do Cristianismo, as associações monásticas, guildas ou confrarias de pedreiros, consideradas como precursoras da Maçonaria Operativa, que estavam vinculadas às obrigações religiosas, passaram a adotar os santos católicos como seus protetores, padroeiro, patronos, os quais alguns eram sucessores dos deuses anteriores e não passavam de antigos deuses transformados ou adaptados em santos cristãos e outros santos criados pela própria Igreja entre os quais se destacam alguns já conhecidos como os primeiros mártires dos primeiros tempos do cristianismo. Leia mais

O exemplo dos pagãos que tinham um ou mais deuses comopadroeiros, posteriormente haviamcorporações da Maçonaria Operativa que tinham até mais de um santo padroeiro, isto conforme a região e país.

Alguns santos que foram patronos de algumas corporações: São Bleso, São Luiz, São Nicolau, São José, Santa Ana, São Brás, São Gregório,Santo Alpiniano, São Martinho,São Martim, Santo Estevão, Santa Bárbara, São Tomás e os Quatro Coroados. Nem todos estes santos fazem parte dos santos reconhecidos pela Igreja Católica. Depois a Maçonaria adotou os São João, o Batista e o Evangelista.

Diz a lenda, que São Dunstan que teria sido Bispo da Cantuária e que teria sido grão-mestre dos franco-maçons da Inglaterra que em 959 D.C. e que teria reanimado os trabalhos das confrarias as quais estavam decaídas após a morte do rei Athlestan, o lendário-rei arquiteto. Esta lenda é contestada por muitos autores.

São Swithun de Wi******er, santo anglicano teria sido o quarto grão-mestre das confrarias dos franco-maçons da Inglaterra de 856 a 872 D.C. Também não há comprovação desta narração. Interessante que a Igreja anglicana não canoniza oficialmente os santos, apesar de aceitar certos santos católicos tradicionais e conservar para estes, tal título, por tradição, não pela religião.

Atualmente os santos mencionados a não ser os Quatro Coroados e os São João, não fazem parte de qualquer de qualquer segmento maçônico. No entanto existem outros santos que merecem ser citados e comentados pela influência, pelo menos histórica e tradicional e também pelas festas em seu nome entre os pedreiros livres.

Cita-se Santo Albano que serviu no exército romano, depois voltando à sua terra natal Verrulan na Inglaterra, nomeado pelo imperador Crasso, como governador da praça forte local, onde também era mestre de obras. Santo Albano teria implantado ali um sistema usado pelos franco-maçons, melhorando a situação dos operários que viviam em regime de escravidão. Posteriormente, sob as ordens de Deocleciano, imperador de Roma,ele foi decapitado, porque se tornou cristão. A Igreja Católicacelebra no dia 22 de junho e a Igreja Anglicana no dia 17 de junho, como dia deste santo. Ele é considerado o primeiro mártir cristão da Inglaterra.

Santo André, patrono da Escócia tem sua festa em 30 de novembro. Apesar da Maçonaria daquele país aceitar São Jorge como seu padroeiro, faz a sua grande festa no dia de Santo André. Note-se que no painel simbólico de vários ritos, na Prancheta da Loja aparece uma cruz em X também chamada a Cruz de Santo André ou “Crux Decussata”. Santo André teria sido martirizado numa cruz deste tipo. Ainda a cruz em X que aparece na Prancheta é usada para o manuseio do alfabeto maçônico.

São Jorge é padroeiro da Inglaterra e é festejado em 23 de abrilpela Grande Loja Unida da Inglaterra. As constituições maçônicas inglesas determinam queseja realizada anualmente uma grande festa em sua honra na sexta-feira seguinte ao dia de São Jorge.

Os quatro Santos Coroados, tem a sua história citada no Poema Régio. Conta-seque quatro escultores Severo, Severiano, Carpóforo e Vitorino os quais por se negar a esculpir imagens de deuses pagãos, foram vergastados até a morte com varas revestidas de chumbo. Há autores que se referem aos quatro Santos Coroados como sendo soldados e não escultores.

Todavia, existem outras versões segundo as quais a Igreja Católica por longo tempo desconheceu o nome dos quatro coroados e que o Papa Melquíades em 310 D.C os tornou santos ao celebrar no dia 08 de novembro o dia de outros cinco escultores Claudio, Castor, Sinforiano, Simplício e Nicostrato, que teriam sido asfixiados em barris de chumbo, no ano 287 D.C.porque dois anos após a morte dos quatro coroados, também se negaram a esculpir estátuas pagãs. Estes nove mártires foram sacrificados por ordem de Deocleciano, cruel imperador romano, e inimigo dos cristãos. Deocleciano reconhecia Mitra como seu deus principal. O nome destes mártires citados não consta como santos citados no atual rol da Igreja Católica.

Os Quatro Coroados foram escolhidos por algumas confrarias de maçons operativos ingleses como seus padroeiros.

O nome Quatro Coroados viria a inspirar o nome da primeira e mais famosa loja de pesquisas do mundo, a Loja Quatuor Coronati nº 2076 de Londres fundada em 28 de novembro de 1884 e instalada em janeiro de 1886 com o único fim de pesquisar de forma racionala história, símbolos, lendas enfim, tudo sobre a Maçonaria. Esta Loja tem suas colunas fortemente erguidas até a presente data, possui um museu e uma biblioteca admiráveis, um departamento de membros correspondentes em nível mundialbem como é responsável pelo estudo e pesquisa da antiga maçonaria verdadeira baseada em fontes primárias especialmente documentaise também pelo desmascaramento de uma série de lendas falsas a respeito da Ordem. Publica anualmente um livro chamado Ars Quatuor Coronatorum onde são publicadas todas as pesquisas feitas por seus membros. Existem lojas de pesquisas em muitos países que emprestaram o nome da Quatuor Coronati. Uma das mais importantes é a Forschungsloge Quatuor Coronati de Bayreuth- Alemanha. Existe no Brasil uma Loja com este nome, trata-se da Loja Maçônica de Pesquisas “Quatuor Coronati Pedro Campos de Miranda” de Belo Horizonte.

Após a Maçonaria tornar-se oficialmente especulativa ou moderna a partir de 1717, ou já antes há algumas dezenas de anos, ela já não era mais essencialmente composta de profissionais da construção e católicos, quando começou a aceitação de rosa-cruzes, cabalistas, ocultistas, príncipes, artistas, cientistas da época, nobres, anglicanos luteranos e alquimistas. Neste momento histórico a influência da Igreja estava bastante diminuída já que a Maçonaria deixou de ser eminentemente católica.

Apesar desta mudança por uma questão de tradição, e dentro de uma situação irreversível, pois sãohistóricos, tradicionais além de simbólicosalguns santos ficaram inseridos definitivamente na tradição maçônica. É o caso dos“São João” o Batista e o Evangelista e São João Esmoler. São João é citado inclusive nas Constituições de Anderson. E ainda o Rito Adonhiramita cultuao terceiro São João, ode Jerusalém ou São João Esmoler. Fala-se também de um São João da Escócia, que não tem razão alguma para ser levado a sério, pois foi pura invenção.

Os maçons atuais, independente de suas religiões se aceitam ou não os santos, pelo menos tem nos dois São João como seus patronos, e este costume vem da Idade Média. É uma tradição que transcende a religião. É uma tradição respeitada por todos os maçons. Como foi dito, eles encerram um simbolismo que faz parte da Ordem.

Nestas alturas dada a tradição será impossível retirá-los da Ordem. Todavia, o Rito Francês ou Moderno desde 1887 resguardando o princípio da absoluta liberdade de consciência aboliu a fórmula GADU bem como a Bíblia nos seus trabalhos em lojas e assim consequentementeSão João não faz parte do Rito como padroeiro.

Os três primeiros graus do simbolismo são universais e considerados verdadeiros, únicos,legítimos, genuínos conhecidos aceitos e praticados em toda a superfície da Terra. São chamados graus de São João. Toda a doutrina maçônica acha-se contida nos graus de São João, ou seja, nos três primeiros graus.

São João Batista, O Precursor

João Batista era provavelmente essênio, segundo alguns autores. Sempre aparece nas imagens nas igrejas de roupa vermelha, símbolo do martírio segundo alguns religiosos. O Evangelho segundo São João exprime as mais perfeitas formulações a respeito da eterna dúvida com relação às respostas imutáveis da mente humana. O esoterismo dos escritos de São João faz com que os teólogos, os exegetas e outros estudiosos das religiões as compreendam mais profundamente. Há ainda certa analogia entre os escritos de São João e osensinamentos de Hermes de Trismegisto (do latim Hermes Trismegistus)Neles encontram-se a mesma evocação do Verbo e da Luz.Tal é a influência de João Batista que a Maçonaria moderna foi fundada no dia de São João no dia 24 de junho de 1717, dia de sua celebração. Dizem alguns autores que João Batista pregava no deserto e se alimentava de mel e gafanhotos. Vestido de pele de camelo atada apenas por um cinto, e assim foi pregar em Jerusalém. Ele praticava o batismo.

Segundo a Bíblia São João Batista sempre condenou uma relação adúltera entre Herodes de Antipas e sua sobrinha Herodiádes, a qual tinha uma filha de nome Salomé. Durante uma das festas da corte, Salomé dançou com tal graça que Herodes entusiasmado disse a ela que daria a ela o que ela pedisse. Ela instigada pela mãe, não teve dúvidas, pediu a cabeça de João Batista. O rei mandou então decapitar João trazendo o carrasco a cabeça num prato que foi entregue a jovem e esta entregou à sua mãe.

Segundo o historiador judeu Flavio Josephus, João Batista foi decapitado no cárcere de Mequeronte, perto do Mar Morto e de Qunran onde foram encontrados em 1947 os celebres pergaminhos que foram lá deixados pelos essênios.

São João Evangelista, o Apóstolo e Evangelizador

Foi um dos apóstolos de Jesus Cristo, que juntamente com seu irmão Tiago eram chamados de filhos do trovão, por causa de seus temperamentos exaltados. Após sua convivência com Jesus ficou conhecido como o apóstolo do amor e também como o discípulo que mais perto esteve do Mestre por ser aquele que mais o acompanhou. Em suas epístolas é constante a preocupação para que se pratique o amor fraternal. Nos vitrais da Idade Média é sempre representado com roupa verde. Seu evangelho tem relação com a Maçonaria. Suas visões apocalípticas quando João “recebeu de um anjo uma vara para medir o templo com exceção do átrio.” marcaram muito sendo uma das razões da Maçonaria adota-lo como um dos seus santos padroeiros cuja festa é celebrada em 27 de dezembro. O Apocalipse parece ser uma mensagem cabalística e esotérica deixada para um grupo seleto de iniciados.

OS DOIS SÃO JOÃO E SEU RELACIONAMENTO COM O DEUS ROMANO JÂNUS

O Cristianismo uma vez implantado tratou de extirpar toda a tradição pagã até então existente em Roma, que era ditada pelo mitraismo, religião de origem persa existente há 2700 A.C. a qual confrontava com os novos princípios cristãos, que estavam sendo implantados.

Roma tinha entre seus deuses locais, um deus tipicamente romano Jânusou Joannes que deu nome ao mês de Janeiro, e que era representado por duas faces (bi frons) uma olhando para frente, para o futuro e outra olhando para trás, para o passado.

As festas solsticiais de Jânus eram celebradas em 21 de junho e 21 de dezembro dias de entrada e saída do verão e inverno respectivamente, isto no hemisfério norte, no hemisfério sul é o contrario, e ainda comemoravam no dia 25 de dezembro o nascimento do menino Mitra.

Segundo vários autores houve uma adaptação de Jânus, sendo o mesmo cristianizado sob o nome dos dois São João. Inclusive pela semelhança do nome Joannes ou Jânuscom João. Há quem diga que ambas são duas versões de um único ser. Jânus aparece em muitas gravuras antigas, vitrais, moedas antigas sempre com as duas faces. A igreja Católica não concorda com esta interpretação.

O cristianismo aproveitou a religião, tradição e os costumes dos pagãos modificando de acordo com a conveniência cristã da época. É logico que o cristianismo que estava sendo implantado não poderia manter a adoração ao deus-Sol.Por isso, substituíram-no por Jesus Cristo. Os antigos especialmente no hemisfério norte comemoravam a noite de 20 para 21 de dezembro o solstício de inverno até com sacrifícios humanos, o renascimento do Sol (Natalis invicti solis). No dia 20 para 21 de junho igualmente era comemorada uma festa solsticial de verão. Esta regra valia para o hemisfério norte, sendo no hemisfério sul, o contrário. As datas que os cristãos adotaram para os dois São foram uma em 24 de junho João Batista e a outra em 27 de dezembro para São João Evangelistaestão muito próximas das datas solsticiais celebrada pelos pagãos. E ainda aproveitaram o nascimento de Mitra 2.700 a.C. que os pagãos adotavam no dia 25 de dezembro para ser o dia do nascimento de Cristo e ainda criaram um novo calendário iniciando o ano zero com o nascimento de Cristo.

O Cristianismo naquele momento histórico de sua existência teve que fazer apropriações das tradições e costumes dos pagãos e dar a sua forma de ser, para incorporar as inúmeras fileiras de pessoas convertidas a nova religião, que estavam ainda culturalmente programados pela religião antiga.

Ainda no simbolismo que foi transmitido pela Maçonaria Operativa nas figuras de São João Batista e São João Evangelista que estão representados nos painéis dos ritos em seus rituaispor um círculo com duas paralelas tangenciais. Este círculo representa o ciclo anual ou ainda a trajetória do Sol correspondendo os pontos de contatos destas duas tangentes diametralmente opostas aos dois pontos solsticiais que correspondem ao Trópico de Câncer no hemisfério sul e ao Trópico de Capricórnio no hemisfério norte.

Para os maçons, círculo representa o Sol e as duas paralelas tangenciais representa os dois São João. Para os maçons apegados à corrente calcada no Antigo Testamento elas representariam Moisés e Salomão, mas está abandonada esta interpretação.

SÃO JOÃO DE JERUSALÉM, SÃO JOÃO ESMOLER OU HOSPITALEIRO

O Rito ou Maçonaria Adonhiramita adota como padroeiro São João de Jerusalém também conhecido como São João Esmoler ou São João Hospitaleiro. É um santo reconhecido pela Igreja. Teria nascido no ano de 550D.C. e falecido em 619 em Amamonte-Chipre.

Este São João não tem relação com os santos da Maçonaria Operativa.

Segundo Ragon, quem trouxe este santo,para a Maçonaria, foi o Barão de Tschoudy e outros maçons da época que acreditavam que a Maçonaria era originada das Cruzadas. Segundo a lenda, este São João seria filho do rei de Chipre e teria deixado sua terra natal e abdicado de seus direitos como herdeiro do trono e teria partido para Jerusalém para dispensar socorros aos peregrinos e soldados cristãos feridos. Todavia segundo outros autores afirmam que ele seria o Patriarca de Alexandria e teria enviado recursos à Modesto de São Teodoro na Palestina para reconstruir as igrejas destruídas pelos árabes.Há também outra lenda que diz que ele fora grão-mestre dos Cavaleiros de São João de Jerusalém no século VII. Ainda existem autores que o identificam com São João da Escócia, figura lendária na Maçonaria que jamais existiu.

SÃO JOÃO DA ESCÓCIA

Este “santo” jamais existiu. No entanto nos antigos rituais do Grande Oriente do Brasil ele era citado e mesmo nas paredes dos átrios ou Sala dos Passos Perdidos dos templos havia imagens deste “santo”. Também não está relacionado como santo da Igreja. Encontra-se citação com este nome como o nome de uma loja francesa fundada em Marselha em 1751 e que teria desempenhado papel importante na Revolução Francesa, mudando de nome após terminar a revolução.

Também citam alguns autores que ele teria este nome porque seria o santo de uma igreja construída na Escócia por franco-maçons.Fala-se também queseria o título de uma Ordem de Cavalheiros Espanhóis, bem como outra de São João da Palestina, que combateram em Jerusalém os chamados infiéis. Mas não se tem comprovação.

Em fim,há um grande número de “São João” que constam como santos do hagiológio da Igreja, a saber:

JOÃO BATISTA, JOÃO EVANGELISTA JOÃO ESMOLER, João Batista Scalabrini, João Batista de La Salle, João Batista Piamarta, João Batista Berchmanns, João Bosco, João de Brito, João Crisóstomo, João Clímaco, João da Cruz, João de Deus, João Damasceno, João Ogilvie, João de Sahagum ou João Facundo, além do Papa João I e João II.

Não se pode negar que a Maçonaria tem um relacionamento profundo com o Cristianismo. A Maçonaria emprestou da Igreja Católica, a cópia do próprio templo maçônico, muitos símbolos, objetos, muitos costumes que foram adaptados, vestes,(vide os graus superiores do REAA).E também emprestou o Batista e o Evangelista.

Ressalte-se que quando começou a ser falar em Maçonaria Operativa, a Igreja Católica já existia há mais ou menos mil anos.

Com relação aos santos protetores da Maçonaria eles não têm para a Ordem um valor religioso, e sim simbólico, Portanto os dois São João têm seu lugar dentro da Maçonaria através de seus evangelhos com simbolismo esotérico profundo e também diferente da interpretação religiosa e do público profano.

Hercule Spoladore-Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”- Londrina - PR

REFERÊNCIAS

ASLAN, Nicola Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia

Editora Artenova S.A.- vol. IV

Rio de Janeiro, 1976

CASTELLANI, José Cadernos de Estudos Maçônicos

Consultório Maçônico II

Editora Maçônica “A Trolha” Ltda.

Londrina, 1989

NAUDON, Paul A Maçonaria

Edipe - Artes Gráficas

São Paulo, 1968

PALOU, Jean A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática

Editora Pensamento

São Paulo, 1964

VAROLI, Theobaldo F.Curso de Maçonaria Simbólica

Editora A Gazeta Maçônica S.A

São Paulo, 1970

Maçonaria: passado, presente e futuro: o Maçom dentro do contexto históricoPublicado em 2 02America/Sao_Paulo janeiro 02...
19/05/2020

Maçonaria: passado, presente e futuro: o Maçom dentro do contexto histórico
Publicado em 2 02America/Sao_Paulo janeiro 02America/Sao_Paulo 2020 por Luiz Marcelo Viegas
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Ultrapassadas as fases precursoras da maçonaria de ofício, esta surgiu no século XII, na qual os pedreiros eram livres. A Inglaterra foi o berço da Maçonaria Especulativa ou Moderna. No século passado a Maçonaria se organizou seguindo tendências locais. Na Inglaterra é o clube que impera. Na França a Maçonaria é patriótica. Nos Estados Unidos, é eminentemente filantrópica. No Brasil, ela não tem um enfoque principal. No século atual, levando-se em conta que o mundo está mudando sua visão mecanicista para uma visão mais holística, é de se esperar que a maçonaria do futuro poderá vir a ser até virtual, onde não existirão mais templos, mas sim centros cibernéticos de iniciação.

A Maçonaria Operativa teve vários períodos que a precederam que se poderia intitula-los de fase pré-operativa. Esta fase aconteceu no transcorrer de muitos séculos e talvez milênios. Os primeiros homens pré-históricos habitavam cavernas, mas com o passar do tempo migraram para fora delas, tornaram-se nômades, gregários e assim para terem abrigo, para se protegerem das intempéries, e também para se abrigarem da luz solar e se proteger às noites frias, começaram a construir suas choupanas, casas, surgindo assim ainda que de maneira ainda rudimentar os primeiros construtores, havendo entre eles os mais habilitados que se firmaram como os primeiros profissionais da construção, ainda que a humanidade estivesse engatinhando, e as casas ou abrigos eram toscos, simples.

Desta forma serão citadas várias etapas das construções que antecederam a fase da Maçonaria Operativa em si.

Fala-se que no Império Romano o segundo rei Roma, Numa Pompilio (714 a 671 a.C) sempre citado na literatura maçônica por ter mandado construir templos de deuses pagãos, criou para esta finalidade os collegia fabrorum dos quais se originaram os collegia construtorum que segundo referem alguns autores seriam as sementes da futura Maçonaria Operativa, porque ele teria regulamentado a profissão de construtores e também a organização dos cultos já que estes coleggias eram dotados de intensa religiosidade, mesmo naquela época em que se adoravam deuses pagãos. Cita-se também que em seu reinado ele teria mandado urbanizar Roma e as construções de tiveram um desenvolvimento.

As legiões romanas em suas conquistas destruíam tudo, mas levavam os colegiatti de construtores para reconstruir o que destruíam dentro dos seus interesses na região conquistada. Existem autores que contestam esta versão da história por fala de provas primárias.

Mestres Comacinos que apareceram em Como na Lombardia que eram arquitetos, hábeis escultores, reconhecidos pelos reis longobardos pelo édito de Rotari em 634 d.C e Liutprando em 713.d.C. Eles foram introdutores da arte romântica, que antecipou a arte gótica.

Antes de aparecer a Maçonaria Operativa ou Maçonaria de Oficio surgiram as Associações Monásticas fundadas por São Bento 529 d.C. e Cisterciense fundada pelos monges de Císter fundada pelo abade De Molesme em 1098 da nossa era, começaram a aparecer construções em que a arte gótica foi pouco a pouco predominando. As Associações Monásticas dos Beneditinos eram constituídas por religiosos, monges católicos, experientes projetistas e geômetras, verdadeiros artistas na arte de construir. Todavia guardavam a arte de construir em forma de segredo dentro de seus conventos. Varoli considera os beneditinos e os cistercienses como ancestrais da Maçonaria Operativa. O tratamento entre eles era de “Venerável Irmão”, e “Venerável Mestre”.

Mas foram obrigados a contratar profissionais leigos, pois a procura de seus serviços aumentava cada vez e necessitavam de homens para o trabalho mais simples e dessa convivência com os mestres, consequentemente aprenderam a arte de construir, ou lhes foi ensinada pelos próprios clérigos.

Estas ordens citadas são em linha geral para se ter uma ideia de como foram surgindo as construções especialmente as que precederam as corporações de oficio. Estes profissionais foram aprendendo com os clérigos e em face de da decadência da fase monástica apareceram as confrarias leigas. A importância destas ordens de clérigos foi muito necessária, pois além de espalharem a arte de construir, deixaram os princípios religiosos nas escolas e oficinas de arquitetura. Toda agremiação tinha seu santo protetor.

Estas fases precursoras da Maçonaria de Oficio são consideradas por Theobaldo Varoli Filho, como embriões da instituição que viria a ser Maçonaria Operativa.

Assim no século XII surgiu a franco-maçonaria ou maçonaria de oficio na qual os pedreiros eram livres ou francos maçons que deixaram sua influência muito significativa na Maçonaria atual. O termo franco ou livre significava que estes profissionais eram livres totalmente de qualquer servidão ou serem taxados de escravos. Seu único compromisso era construir.

Remanescentes das fases anteriores já citadas os operários se constituíram nas chamadas corporações de oficio, organizadas, prestavam auxilio mutuo, a divisão de trabalho era disciplinada, havia o mestre de obras, que deveria ser entendido na geometria e na arte de construir, que não era grau e sim função e os aprendizes (hoje serventes-pedreiros) que deveriam durante certo número de anos, cerca de sete anos aprender a profissão. Estas corporações eram apenas de profissionais da construção. A Igreja dominava totalmente seus membros. Toda corporação tinha seu santo protetor.

Paralelamente surgiram nesta mesma época as guildas especialmente no Norte da Europa, na Inglaterra, Alemanha e Dinamarca que eram confrarias no inicio religiosas, militares, e finalmente investiram na arte de construir. Havia entre eles assistência mútua e proteção, proteção aos familiares, ampliaram pouco a pouco a abrangência de suas ações e se tornaram verdadeiros corpos profissionais de construtores. Assumiram o caráter corporativo. Cada associado pagava uma joia. O novo membro era recebido ritualisticamente. Assim constituíram guildas de comerciantes, militares, dos marceneiros e carpinteiros de canteiros que construíram muitas casas de madeira além das construções majestosas de pedras. Foi nas guildas que surgiram a palavras loja, joia e banquetes termos estes que emprestamos para a nossa Maçonaria Moderna.

As guildas ainda pretendiam reformas sociais.

A Maçonaria Operativa nasceu destas duas tendências, corporações de oficio e das guildas. Há quem refere que sejam sinônimos. Não há como querer afirmar outra origem da Maçonaria Operativa, mas existem muitas tendências e controvérsias a respeito, quando se fala em origem da Ordem. A título de esclarecimento em 1909 o escritor maçônico Charles Bernadrin do Grande Oriente da França consultou 206 obras sobre maçonaria e selecionou 39 opiniões diferentes a respeito de suas origens.

Eles, além de castelos, fortificações e outras construções construíram muitas catedrais que ainda estão firmes, maltratadas pelo tempo. porem ostentando toda a sua bela arte gótica em vários países da Europa. Cada catedral tem uma história linda, onde se vislumbra o gênio de muitos construtores arquitetos, homens além de seu tempo.

Catedral de São Petrônio em Bologna Itália – iniciada em 1132;
Catedral de Chartres – França – iniciada em 1194 – reconstruída em 1214;
Catedral de Colônia – Alemanha – iniciada em 1248;
Catedral de Córdoba – Espanha – erguida pelos mouros;
Catedral de Santa Maria de Fiore – Italia – primeira catedral de Florença. A cúpula foi construída em 1418;
Catedral de Gênova – Itália iniciada em meados do século XIII;
Catedral de Milão – Itália – construção iniciada em 1288, só teve suas estruturas erguidas em 1389;
Catedral de Nápoles – Itália – iniciada em 1285;
Catedral de Sevilha – Espanha – em 1401 os cônegos de propuseram a construir a maior catedral da Europa;
Catedral de Notre Dame – França – construção iniciada em 1163.
A França em três séculos ergueu 80 majestosas catedrais, 500 grandes igrejas e milhares de casas paroquiais. A média da Europa Cristã na época era uma igreja para cada 200 habitantes, tal era o domínio da Igreja Católica sobre o povo.

Na Alemanha surgiu a corporação dos steinmetzer onde os profissionais eram conhecidos por serem escultores, entalhadores de pedras ou canteiros, se dedicavam somente à arte gótica. Teve um grande impulso dado pelo arquiteto Erwin nascido em Steinbach. Ele, em 1275 convocou uma convenção em Estrasburgo para terminar uma importante catedral de arenito rosa. Nesta convenção compareceram os principais arquitetos ingleses, alemães, italianos e de outros países. Nesta ocasião teriam sido adotados, sinais, toques e palavras para a identificação secreta dos membros da confraria. É considerada como a primeira vez que adotaram estes meios de identificação, porque isto está registrado, mas é bem provável que já usavam sinais há muito tempo e também que outras corporações usassem suas próprias senhas. É sabido que o maçom operativo deixava um símbolo seu marcado nas pedras das construções onde trabalhava.

Interessante, citar os avanços da humanidade. Em 1453 Copérnico publica seu livro afirmando que a Terra gira em torno do Sol e em 1454 Johanes Gutenberg cria a impressão de tipos moveis fundidos em metal. Até então, todos os documentos eram feitos em manuscritos, ou seja, à mão. Nesta época cerca de 20 copistas produziam 20 livros cada dois anos. A partir daí passaram a serem publicados 1000 livros/ano. Pode-se considerar como a Internet da época.

Isto tudo viria modificar a maneira de pensar, abriria as mentes, pois poderiam ser lidos livros com mais facilidade e assim o homem buscar conhecimentos até então fora de seu alcance.

A situação da Maçonaria Operativa mudou. Por cerca vários séculos predominou a arte gótica que nasceu na França. A Renascença viria, e suas consequências se fizeram sentir tanto na arte gótica como no monopólio das corporações de oficio que dominavam este setor. Este fato determinou a decadência da Maçonaria Operativa. Já não havia mais tantas catedrais a serem construídas, e além do mais o povo estava preferindo o estilo clássico romano que era mais alegre, mais leve que o estilo gótico.

Com esta decadência, o nome da organização ainda era muito respeitado, mas começaram mudar os comportamentos dentro da Ordem. Começaram a aceitar como membros na Maçonaria, pessoas que não eram construtores. O registro do primeiro maçom aceito é datado de 08/06/1600 na Loja Saint Mary’s Chapel em Edimburgh do abastado fazendeiro John Boswell. Este tipo de aceitação foi sendo cada vez maior. Já não era aquela antiga corporação de construtores. Algo havia mudado. Era outra organização. Esta Loja tem registros de atas desde 1599.

Entretanto a Maçonaria Operativa era composta de Lojas com o lema “maçom livre em loja livre”. Tinham já constituídos os graus de aprendiz e companheiro. Mas os aceitos que geralmente eram pessoas de maior cultura foram mudando as concepções, trazendo novos conceitos dentro da Maçonaria ainda chamada de Operativa. Estes aceitos eram militares, comerciantes, pensadores, escritores sábios, filósofos, nobres, além de esotéricos, ocultistas, alquímicos, cabalistas antiquários, etc.

A Maçonaria Operativa até 1600 era eminentemente católica. Ela nunca fez alusões ou referência a templos, aos hermetistas, aos templários, rosa-cruzes, alquimistas, magos, cabalistas, esotéricos ou ocultistas. Não se falava em landmarques. Não havia a Bíblia em durante sessões. Não havia a lenda de Hiram. Havia a lenda Noaquita focalizando a morte de Noé, que foi aproveitada e enxertada na lenda de Hiram posteriormente. Não existia o valor simbólico das ferramentas. Não existia a antimaçonaria e nem potências maçônicas. Segundo alguns autores os aceitos rosa-cruzes contribuíram muito para filosofia da Ordem, porque grande parte destes aceitos eram rosa-cruzes. Um novo membro era recebido de uma forma mais simples e não através de uma ritualística sofisticada como atualmente estamos acostumados a realizar.

E assim desde o primeiro maçom aceito em 1600 (prova primária) até 1717 passaram 117 anos, mais de um século. O que restou da Maçonaria Operativa se transformou neste período de tempo em outro tipo de maçonaria. Também o mundo se modificou bastante.

Neste século XVII Descartes publica em 1637 o discurso sobre o Marco da Filosofia Moderna. Em 1661 Robert Boyle lança as bases da Química Moderna em 1687 Newton publica seu livro sobre a Lei da Gravidade e em 1698 Savery inventa o motor a v***r.

Em 1670 foi criado o grau de Companheiro (manuscrito Edinburgh Register-1696) Já se falava sobre ele desde 1598, mas não há comprovação.

A partir de 1703 a Maçonaria começou a receber aceitos indistintamente de todas as classes sociais e de todos os credos. Na Inglaterra predominava os anglicanos. A Maçonaria Operativa não era mais tão somente católica.

A Inglaterra foi o berço da Maçonaria chamada Especulativa, mas é mais racional o nome de Maçonaria Moderna. Especulativa não espelha realmente o que aconteceu com a Ordem e o conceito de especulativa não se encaixa muito nos acontecimentos históricos. Ela estava se transformando em Maçonaria Moderna. Muito embora tenha sido consagrado o nome de Especulativa.

Em 24/06/1717, data esta que espelha o que já estava ocorrendo há mais de 100 anos, o maçom aceito o pastor protestante Desagulliers, Anderson, George Payne com mais outros eruditos maçons conseguem reunir quatro lojas, sendo que uma delas era só de maçons aceitos e funda a Grande Loja de Londres. Inicialmente esta Grande Loja não foi bem aceita na Inglaterra. Os maçons ingleses se dividiram em antigos e modernos. Mas o sistema obediencial foi sendo aos poucos sendo adotado em toda a Europa.

Nascia assim o conceito de obediência ou potência e também a figura do grão-mestre. Surgiu uma nova era para a Ordem, ou melhor, a oficialização do que estava sendo realizado na prática. Criaram os landmarques por motivos óbvios, pois se agora existia um poder central, não havia mais loja livre, é claro que seriam necessárias novas regras para manter as lojas num mesmo plano e sob governo de um grão-mestre. Regras estas que evocaram a pré-maçonaria com o nome de maçonaria antediluviana, diluviana e pós-diluviana, a e ao mesmo tempo introduziram conceitos baseados nos Antigos Deveres (Old Charges) que chamaram de imutáveis, mas de que imutáveis, não tinham nada. Foi uma estratégia para angariar e segurar em suas fileiras os adeptos. Anderson escreveu seu primeiro livro das Constituições em 1723, eivado de fantasias, inverdades, de lendas citando fatos muitas vezes confusos, baseado nos Old Chargs especialmente no Poema Régio.

Ambrósio Peters afirma “Os Old Charges são regulamentos ou Antigos Deveres da Maçonaria Operativa e nada têm a ver com a Maçonaria Especulativa a não ser que a antecederam historicamente”.

O grau de Mestre foi criado em 1725 e incorporado no ritual em 1738, ano em que Anderson reescreveu suas Constituições, já mencionando o grau de Mestre. A lenda de Hiram levou muito tempo para ter a redação que tem hoje.

Já estava o mundo vivendo em pleno século XVIII, um século maravilhoso, o Século das Luzes. Tudo foi possível e permitido neste século. Erros e acertos. Experiências preciosas do comportamento humano. Solidificação da Ordem, ainda que dividida, avanço social e cientifico da atual civilização.

Algumas situações importantes aconteceram neste século Não serão citadas as invenções tecnológicas. Serão citados alguns dos livros que ajudaram a mudar o pensamento humano e também porque não dizer, a Maçonaria que é composta de homens.

1751 – Diderot publica o primeiro volume da Enciclopédia;
1757 – A Escola Fisiocrata inicia na França a Teoria da Economia Moderna;
1762 – Rousseau lança o – Contrato Social, livro clássico do Iluminismo;
1777 – Kant publica o livro Critica da Razão Pura;
1791 – Tomas Payne publica o livro Os Direitos do Homem.
A Maçonaria na Inglaterra ficou restrita aos três graus simbólicos, mas na França a partir de 1740, foram criadas novas potências e criados inúmeros graus superiores, criados outros ritos além dos tradicionais, alguns ritos exóticos e mágicos, que ainda têm repercussão no século 21. A Alemanha acompanhou inicialmente a França nesta criação desenfreada de ritos e graus superiores, mas em 176/07/1782 no Congresso de Wilhelmsbaden expurgaram os abusos do Rito da Estrita Observância e dai fundaram o Rito Escocês Retificado, mas o efeito deste Congresso rendeu condições para ser fundado em 1801 um rito simples, enxuto sem conter excessos, voltado para a humanidade, chamado Rito de Shröder.

Xico Trolha (Assis Carvalho) enumerou 235 ritos nominados que foram criados no mundo, a maioria fruto da criatividade dos maçons, mas acredita que seja na casa dos 300 ritos. No século XIX foram criados mais ritos, porem disseminaram as potências maçônicas, e criou-se mais um fator complicador: as famosas cisões que normalmente ocorrem até hoje no seio da Maçonaria mundial, fazendo com que a Maçonaria se fragmentasse desde então.

O século XIX, rico em invenções tecnológicas a partir das quais propiciaram a continuação do avanço que temos hoje em dia. Apenas no pensamento humano, Freud e Carl Jung se destacaram em relação à mente humana. Freud publica em 1895 o livro Estudo sobre a Histeria, demonstrando que o homem não domina a mente. Mas houve grandes pensadores em outras áreas, neste século.

A Maçonaria entrou no Brasil que entrou oficialmente comprovado, em 1800 através da Loja irregular de nome “União”. Sendo que no ano seguinte os remanescentes desta loja se filiaram a uma Loja “Reunião” regular, reconhecida pelo Grande Oriente Isle de France – Rito Adonhiramita.

Neste século em 14/03/1893 foi iniciada na Maçonaria numa loja regular de nome “Livre Pensador” pertencente à Grande Loja Simbólica Escocesa da França, dissidente do GOF a feminista Maria Desraimes por um maçom de nome George Martin Venerável Mestre e em 04/04/1893 ela fundou logo em seguida a Maçonaria Mista na França e que levou o nome Loja Escocesa dos Direitos Humanos.

A Maçonaria Brasileira, no século XX ao lado de inúmeras cisões de menor importância, passou por duas grandes cisões que marcaram o século a de 1927 e a de 1973 resultando desta divisão as Grandes Lojas Brasileiras e os Grande-Orientes Independentes (COMAB).

A Maçonaria mundial neste século se organizou melhor em relação ao século anterior, mas seguindo tendências locais nos vários países. Na Inglaterra é o clube que impera. Os maçons comparecem nas suas respectivas lojas para se encontrar. Na hora do intervalo (chamada para o recreio) eles vão tomar uísque ou chá. A situação do próprio país é muito estável e não há necessidade de grandes campanhas filantrópicas na educação e na saúde pública. A Maçonaria lá tem influência na política, notadamente no Parlamento Inglês. Não admite a admissão de mulheres.

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Na França a Maçonaria é patriótica, ela ajuda o Governo a governar o país. Lá as potências tradicionais, mistas e femininas se unem para ajudar a França. Há inclusive tratados entres estes tipos de Maçonaria e a Tradicional.

Nos Estados Unidos, a Maçonaria é eminentemente filantrópica. Certas Lojas ao acontecer a transmissão de cargo de venerável, a nova gestão se compromete em conseguir para a gestão que se inicia doações superiores à anterior. Lá a Maçonaria banca hospitais, fundações, pesquisas científicas e serviços humanitários.

No Brasil, não se tem um enfoque principal. Não há uma causa geral que seja de todas as maçonarias do país. Entretanto em algumas cidades elas realizam alguns empreendimentos filantrópicos notáveis, mas não fazendo parte de um plano nacional e prestigiado por todos os maçons brasileiros.

Em relação ao presente, isto é já no século XXI, no Brasil a Maçonaria continua aumentando seus quadros em cerca de 10% ao ano. Talvez em razão dos mais jovens se sentirem desiludidos com as religiões e estão procurando outras respostas mais condizentes com a sua realidade espiritual. Mas seriam necessários mecanismos para reter estas novas aquisições no seio da Ordem, o que parece não existir.

Estima-se que haja cerca de cento e setenta mil maçons no Brasil. As três principais potências que se dizem regulares são as Grandes Lojas Brasileiras, Grande Oriente do Brasil e os Grande-Orientes Independentes. Todavia existem segundo estatística recente cerca quarenta e quatro potências entre a maçonaria de homens, a mista e a feminina não alinhadas e paralelas às três citadas.

Vejamos como é o sistema de administração e comando da Maçonaria brasileira As Grandes Lojas são em número de 27 e os Grande-Orientes Independentes em número de 21. Cada uma destas Grande Loja ou Grande Oriente Independente é uma potência. As Grandes Lojas tem um órgão normativo chamado CMSB que se reúne todo o ano e os Grande-Orientes Independentes (COMAB) também realizam reuniões anuais. O sistema é
o de confederação.

Já o Grande Oriente do Brasil é regido pelo sistema de federação. Existe um grão-mestre estadual para cada um dos 27 grande-orientes estaduais e o grão-mestre geral.

Portanto são 76 grão-mestres ao todo nestas três potências. E as outras 44? Tem muito grão-mestres na Maçonaria brasileira. Isto mostra quanto está dividida a Ordem no país.

Uma particularidade interessante da Maçonaria e a forma como as potências se reconhecem ou não.

A GLUI se considera a Loja-Mãe do Mundo. Ela reconhece ou não uma potência dentro ou fora da Inglaterra. Questiona-se quem lhe deu o direito de decidir se uma potencia é regular ou não.

Existe outra fonte de referência atualmente para o tal de reconhecimento: As 51 Grandes Lojas Americanas.

No Brasil o GOB e quatro Grandes Lojas Brasileiras (SP, MS, ES, RJ) são reconhecidos pela GLUI. Estas quatro Grandes Lojas são reconhecidas pelas Grandes Lojas Americanas também. (Nota do blog: Hoje esse número é bem maior. Já são 17 Grandes Lojas brasileiras reconhecidas pela Grande Loja da Inglaterra. Você pode conferir a lista no link http://ugle.org.uk/about/foreign-grand-lodges).

A maioria das Grandes Lojas Brasileiras é reconhecida pelas 51 Grandes Lojas Americanas.

A COMAB tem quatro de seus Grande-Orientes (GOP, GOSC, GORGS e Grande Oriente Paulista) reconhecidos pela CMI (Confederação Maçônica Interamericana), com sede em Bogotá que congrega 75 potências na América do Sul, inclusive o GOB e as Grandes Lojas assinaram este tratado. (Nota do blog: aqui também se aplica o mesmo comentário feito na nota anterior. A lista atualizada pode ser conferida no link http://www.cmisecretariaejecutiva.org/jst3/es/institucional/lista-ggpp).

O Grande Oriente da França não liga para os tais critérios de reconhecimento e segue sua caminhada na história da Maçonaria.

A Maçonaria Tradicional Brasileira não reconhece a Maçonaria Mista e a Feminina e inclusive as chamadas potências não alinhadas que completam a lista com 44 potências ao todo. Mas já deve ter sido acrescentada mais alguma “potência” que não temos conhecimento.

Para termos uma ideia como funcionam estas 44 “potências”. Daremos três exemplos:

Grande Loja Unida Sul Americana com sede em Campo Grande – Mato Grosso do Sul. Uma ala dissidente desta Grande Loja está fundando uma nova potência alegando igualdade de direitos dos cidadãos perante a Constituição Brasileira e afirmam que admitirão g**s, lésbicas e simpatizantes, padres e evangélicos bissexuais, baseada na fraternidade francesa Arc em Ciel (Arco Iris) criada em 2003;
Grande Loja Mista do Rito de Memphis e Misraim. Um rito com 100 graus e o adepto que chega neste grau poderá entrar numa extensão do grau chamada de Centúria Dourada, que é uma extensão do Rito, onde se pratica a Alta Magia. (Existe no Brasil em SP, PR, DF, RJ, PA, RS. SC);
Grande Oriente Feminino do Estado Mato Grosso do Sul, cujo primeiro templo próprio foi inaugurado em 2008 em Campo Grande – MS, tendo o suporte para funcionar dado por três Lojas: “Divina Luz do Oriente” nº 01, “Filhas da Luz” nº 02 e “Obreiras da Arte Real” nº 03.

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Mas dentro destas potências não alinhadas, acreditamos que exista alguma onde os seus adeptos possam estar bem intencionados, onde eles dentro da sua maneira de ser possam estar praticando uma Maçonaria aceitável, mas muitas delas desenvolvem atividades duvidosas. Uma delas é extorquir dinheiro de pessoas incautas com propaganda enganosa pela imprensa e Internet.

A trajetória da Maçonaria no mundo não foi linear. Ela teve momentos de gloria e de situações extremamente difíceis. Foi muito perseguida. Mas está aí, de pé. A antimaçonaria foi muito severa e cruel contra a Ordem. Desde as encíclicas papais nos excomungando, aos déspotas como Mussolini, Hi**er e Franco que mandaram matar centenas de maçons, às religiões que pululam pelo Brasil adentro nos taxando de fazermos parte da demonologia, aos maçons traidores que escreveram contra a Ordem nos impingindo ritos macabros, o livro o Protocolos dos Sábios do Sião, que tanto mal nos causou e a atual posição das igrejas evangélicas americanas que têm feito com que milhares de maçons americanos deixem a Maçonaria.

Estima-se que atualmente existam cerca de 3.600.000 maçons no mundo, sendo 1.500.000 nos Estados Unidos, 250.000 na Inglaterra, 170.000 no Brasil e 1.600.000 no restante do mundo (pesquisa do Irmão João Leça-GOP).

Não se pode avaliar o futuro da Maçonaria no mundo e no Brasil. Se analisarmos as potências brasileiras ditas regulares que congregam perto de 7000 lojas, veremos que a maior parte dos maçons quer assistir às sessões, e no final ingerir os alimentos e beber algum tipo de bebida nos fundões dos templos perto de onde está a cozinha, geralmente no salão de festas após ir para casa, feliz porque encontraram muitos Amigos e Irmãos e estão felizes.

A Maçonaria brasileira vem mantendo uma tradição a qual é necessária, mas em muitos aspectos está ultrapassada neste século, pelas invenções, achismos, adendos e enxertos. Para uma grande parte de Irmãos tudo isso está bem como está. Eles não leem e está tudo bem, e sentem-se em paz com o GADU.

Mas uma minoria inquieta, ávida de saber, conhecer, raciocinar e vislumbrar outros destinos mais elevados para Ordem está aumentando em número dia a dia. Querem respostas. Mas querem respostas coerentes, transparentes e elucidativas. Querem mais ação. Questionam a vaidade de muitos pavões da Ordem, questionam a síndrome do poder que contamina muitos Irmãos, estão reclamando das invencionices, dos famosos achismos e de enxertos ritualísticos não justificados. Este grupo funciona como guardiões da Ordem e está realmente preocupado com a sobrevivência da mesma.

Dentro destas informações e do avanço tecnológico levando em conta que o mundo está mudando sua visão mecanicista para uma visão mais holística, será traçado um perspectiva deste futuro, mas sem compromisso com futuras verdades ou inverdades, porque ele ainda não aconteceu. Serão meras conjecturas. Sonhos, especulações.

Especula-se. Será que daqui a 500 a 1000 anos existirão templos? Existirão Igrejas? Haverá necessidade de templos? Qual será a concepção do GADU nesta época? Existirão potências maçônicas? O ser humano vencerá a luta contra a fera be***al que existe dentro de si e terminarão as guerras? E as doenças desaparecerão? A comunicação entre os seres será mais telepática e menos na linguagem? Haverá uma ética, uma moral no uso da Internet? Como será a Internet? Haverá sessões maçônicas virtuais? Enfim uma série de perguntas, todas elas baseadas em fatos que temos a nossa disposição no presente, e em cima dos quais podemos especular sobre o futuro, mesmo que nossa imaginação esteja errada. Mas podemos fazer uma projeção ideias. Porque não? Nossa imaginação está além da nossa realidade atual. Mas o que se imagina na mente torna-se realidade.

Lojas virtuais? Parece um grupo de maçons da GLUI já tentando antecipar o futuro fundou em 29/01/1998 a “Internet Lodge, nº 9659”. Continuam em atividade, mas parece que a Loja é hibrida, pois tem que ser uma parte dentro do templo, portanto, real. No Brasil fundaram duas Lojas virtuais uma em Brasília fundada pelo pranteado Irmão Castellani e a outra a Loja “Futura” fundada no Grande Oriente Independente de Pernambuco. Não deram certo. A Loja “Futura” existe agora como uma loja normal dentro de sua potência.

Atualmente estão sendo planejados e construídos aparelhos capazes de projetar hologramas em qualquer tipo de superfície. Imaginemos hologramas de Irmãos projetados para um espaço virtual que chamaremos de loja, onde esta loja funcionaria normalmente como atualmente, porém de forma virtual. Então o sonho dos irmãos que fundaram lojas virtuais no momento, sem ainda a necessária tecnologia, poderá um dia ser uma realidade.

O advento da Informática, Internet, Realidade Virtual, Mecatrônica, Robótica, Nanociência, Neurociências, está mudando completamente a maneira de pensar de todos, mesmo os que não admitem tal avanço. Toda a humanidade já sentindo os seus efeitos. Talvez não hajam mais templos no futuro e sim centros cibernéticos de iniciação maçônica. Imaginemos o candidato introduzido num recinto cibernético especial e através de um programa de iniciação já pronto, ele poderá vivenciar uma realidade mais intensa e mais verdadeira daquela que conhecemos. Este programa terá todas as fases da iniciação, porem contando com novos valores que por certo aparecerão na sociedade além dos avanços da tecnologia que ajudará este momento. Possivelmente o homem treinará e saberá usar suas faculdades para normais de maneira mais eficiente. A capacidade mental aumentará de 0,8 a 10% para 20% ou será maior? Como se eliminará o lado mau do ser humano, já ele é dualista?

Como imaginaríamos uma iniciação no futuro? O candidato ingeriria uma pílula de um psico-fármaco, que não produziria efeito secundário algum e a duração da sua ação seria tão somente de segundos a minutos tempo esse em que ele vivenciaria sua iniciação. Esta psico-droga causaria a expansão da mente e o candidato entraria em ondas alfa ou teta e desta forma e através do programa instalado e sentiria a natureza como se fora ele próprio. Ele se sentiria água, fogo, ar e terra. Ele se sentiria como se fosse uma parte consciente do GADU. Viajaria por todo o Universo, visitará galáxias distantes, se sentiria no interior de uma folha aprenderia com os sábios e encontraria seu autoconhecimento.

Como será a Moral e a Ética maçônicas no futuro? A Moral varia na cronicidade das épocas e o que é bom hoje para Maçonaria poderá não ser bom daqui há mil anos. Simplificando segundo autores, Moral é estudo e aplicação dos costumes da época e Ética seria a ciência que estuda as regras pertinentes. Qual será o conceito de fraternidade entre os maçons no futuro? Qual será a função do maçom no futuro? Social? Política? Cidadão do Universo? E o conceito do GADU como será?

Será que a Maçonaria tenderá tão somente ser uma Escola de Vida e de aperfeiçoamento do “eu” interior como muitos Irmãos no momento a concebem? Daqui há mil anos, o Estado tomará conta da saúde, da educação do bem estar do cidadão, da moradia, da segurança. Pouca coisa restará às Instituições como a Maçonaria realizarem.

Ou será que o GADU nos reservará um porvir fantástico, maravilhoso que não podemos conceber neste momento?

Autor: Hercule Spoladore

Fonte: Revista O Buscador

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Referências

CARVALHO, Assis. Rito & Rituais. Vol. 1. Editora “A Trolha” Ltda. Londrina. 1993.

CARVALHO, Assis. O Aprendiz Maçom – Grau 1. Editora “A Trolha” Ltda. Londrina. 1995.

NAUDON, Paul. A Maçonaria. Editora Difusão Europeia do Livro. São Paulo. 1968.

PALOU, Jean. A Franco Maçonaria Simbólica e Iniciática. Editora Pensamento. São Paulo. 1964.

PETERS, Ambrósio. Maçonaria – História e Filosofia. Gráfica e Editora Núcleo Ltda. Curitiba. 1998.

TOURRET, Fernand. As Chaves da Franco Maçonaria. Zahar Editores. Rio de Janeiro. 1976.

VAROLI, Theobaldo Filho. Curso de Maçonaria Simbólica. Editora A Gazeta Maçônica S.A. São Paulo. 1970.

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Recife, PE

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