07/06/2026
Razões por que é mais fácil sacrificar que obedecer a Jesus!
Mt.9.9-13;18-26
Entre a religião dos fariseus com a ênfase do sistema de sacrifício e a espiritualidade misericordiosa de Jesus o que é mais fácil fazer, acolher e perdoar ou discriminar e excluir? Paul Christopher Johson (2023) chama atenção para um tipo de religião que ele chama de “religião automática”. Uma prática religiosa em que o indivíduo perde a sua autonomia, tornando-se um “autômato”.
Jesus teve que lidar com muitos autômatos da religião do seu tempo. Pessoas como os fariseus que simplesmente repetiam um legalismo religioso mecânico que se esgotava nos ritos de purificação e na observância de leis como as do sábado, do jejum etc.
Analisando o capítulo 9 de Mateus, a resposta para a pergunta inicial traz um paradoxo profundo sobre a natureza humana e a religiosidade:
mecanicamente, discriminar e excluir é muito mais fácil; porém, espiritualmente e psicologicamente, o acolhimento e o perdão geram libertação, embora exijam um custo interno muito maior.
Em Mateus 9, vemos o choque frontal entre esses dois sistemas de pensamento quando Jesus senta-se à mesa com publicanos (coletores de impostos vistos como traidores) e pecadores.
Ao reafirma a sua vocação, Mateus entende que a prática da justiça (tsadik) de Jesus quebra barreiras sociais e religiosas ao acolher os marginalizados.
I. Por que discriminar e excluir é o caminho "mais fácil"?
Para o sistema dos fariseus, a exclusão operava como um mecanismo de defesa e simplificação da vida religiosa. Tornava-se "mais fácil" por duas razões principais:
1. A lógica do checklist (O Sistema de Sacrifícios): É muito mais simples seguir regras externas, oferecer sacrifícios rituais e manter as mãos limpas do que se envolver com a dor e a reabilitação do outro. O sacrifício transfere a responsabilidade para um objeto ou ritual. Ex. o sacrifício de bodes expiatórios.
2. Quando se diz que pobres são preguiçosos é uma maneira de justificar a sua eliminação negando-lhes políticas públicas. O caso dos judeus na Alemanha nazista é típico. Ao serem culpabilizados pela crise social se tornam bodes expiatório – são eliminados. E com a anuência da religião automatizada da época
II. Por que Jesus foi censurado pelos fariseus?
1. Jesus não era um autômato religioso
Ele agia com intenções bem definidas. Sua atitude ameaçava a manutenção do Status Quo: Quando os fariseus questionam em Mateus 9:11 ("Por que o mestre de vocês come com cobradores de impostos e pecadores?"), eles defendem uma fronteira social clara. Discriminar poupa o esforço de lidar com a complexidade da história de vida de quem falhou. Vemos isso acontecer constantemente entre nós!
2. Os fariseus queriam se auto justificar:
Excluir o "pecador" cria a ilusão automática de que quem exclui é puro. É um atalho para se sentir aceito por Deus sem precisar de uma transformação real no coração.
Jesus subverte essa lógica ao citar o profeta Oseias em Mateus 9:13: "Vão aprender o que significa: 'Quero misericórdia, não sacrifício'."
Como os fariseus olhavam o pecador: uma contaminação a ser evitada mas o Jesus misericordioso Vê um "doente" que precisa de médico (Mt 9:12);
A visão dos fariseus não tinha custo pessoal nenhum (apenas o preço do animal do sacrifício). A visão de Jesus implicava desgaste social, crítica e envolvimento emocional
A ação dos fariseus exigia distanciamento e julgamento rápido. Mas a ação de Jesus exigia proximidade, mesa compartilhada e restauração
Perdoar exige absorver o dano em vez de revidá-lo ou terceirizá-lo em um ritual. Significa renunciar ao direito de punir para dar ao outro a chance de recomeçar.
Conclusão
Para a nossa natureza humana egoísta e para estruturas religiosas engessadas, discriminar e excluir é o caminho mais fácil e imediato. Requer apenas barreiras e preconceito.
Já a espiritualidade de Jesus em Mateus 9 mostra que o acolhimento exige coragem para quebrar protocolos, sentar-se à mesa com o imperfeito e entender que a verdadeira santidade não se isola do mundo por medo da contaminação, mas entra na dor do mundo para trazer cura.
Nós precisamos tomar uma decisão: vamos continuar sendo parte de um grupo que se intitula “evangélicos” mas que reprova a atenção de Jesus aos pobres e pecadores? Ou vamos ficar com os evangelhos e nos sentar ao lado de Jesus junto aos rejeitados e marginalizados de nossas comunidades?
Uma das características fortes na espiritualidade de Jesus e na dos profetas bíblicos era a mística e a ética e essas dimensões andavam juntas (ver Tiago). Afinal é muito fácil ser um preconceituoso e moralista e ficar do lado da maioria do que assumir a postura de Jesus e ter o fim que teve.
Pr.Loiola