22/03/2016
(FORTEA, Pe. José Antônio. Summa Daemoniaca)
28. Como é o processo que leva à Morte eterna?
“Cada um é tentado por sua própria paixão,
vendo-se a si mesmo arrastado e seduzido.
Depois, a paixão, quando concebe, dá à luz ao pecado.
E o pecado, quando chega ao seu final, traz a Morte.”
(Tg 1, 14.15)
O apóstolo São Tiago, em dois versículos, com uma incrível profundidade de princípios, descreve o processo que leva à Morte da alma. O pecado não é algo que nasce por si mesmo, por acaso, nem que de repente cai diante de nós sem que tenhamos alguma culpa, e sim mediante um processo tal qual o descreveu o Apóstolo [São Tiago].
A tradução, a partir do grego, desses dois versículos deve ser bastante cuidadosa para que não se perca os matizes que há nos verbos.
O processo descrito é como segue:
Paixões
↓
O pecado é concebido e se desenvolve
↓
O pecado “nasce”
↓
O pecado mesmo começa a conceber
↓
“Nasce” a Morte
A imagem de uma mulher que, durante meses, carrega em seu ventre a um bebê é perfeitamente aplicável [guardadas as devidas proporções simbólicas] a uma pessoa que gesta em seu interior a iniquidade. Certamente, o pecado se manifesta em um determinado momento, um momento concreto, um segundo antes do qual não há qualquer pecado. Porém, um segundo depois, já há o pecado manifesto. Mas, esse pecado vem à luz somente em tal momento porque antes ele era gestado no interior de seu “hospedeiro”. E, assim como é no mundo animal, quanto mais longo o tempo de gestação de uma criatura, maior ela será em “tamanho”. No mundo espiritual, quanto mais vil o pecado, maior o tempo necessário de gestação interior para que se manifeste com sua força total.
Daí, temos podemos responder quando nos perguntam como uma certa pessoa possa ter cometido tal ou qual barbaridade. Nenhuma barbárie moral ocorre sem um processo [prévio], o qual se dá longe dos olhos dos demais, mas que se desenvolve livremente no interior da pessoa.
O Apóstolo São Tiago usa a expressão “dar à luz” porque, realmente, o pecado, antes de ser “gestado”, precisa ter sido “concebido”. A sedução e a Vontade atuam tais quais um espermatozóide e um óvulo.
A paixão tenta abrir caminho e penetrar na Vontade. Mas, se esta não a recebe, a sedução torna-se “estéril”, nada produzindo. Enquanto a Vontade se feche em si mesma, nem milhares ou milhões de “espermatozóides” [de sedução] conseguirão penetrar no seio [âmago] da Vontade.
Mas, se a Vontade recebe a sedução, o pecado é, então, concebido. Ainda assim, o pecado pode ser eliminado. Entretanto, se o pecado não é eliminado, ele começa a reproduzir-se [tal qual um vírus]. O pecado leva a outros pecados, se reproduz, aumenta em quantidade, transmuta-se em piores faltas.
Se o primeiro pecado esconde sua origem por um processo prévio, também o pecado que [vem à luz e] deixa-se viver começa um novo processo [de concepção e gestação], processo que leva à Morte da alma. E a Morte da alma leva à Morte eterna.
A alma invadida pelo pecado é como uma alma morta, pois não porta vida sobrenatural dentro de si. E, se a alma morta decide permanecer até o final neste estado de corrupção [putrefação], isso leva à Morte eterna, à condenação.
Conhecer como se dá esse processa nos leva a dar mais valor à ação sobrenatural da Graça Divina que, em qualquer momento deste processo [enquanto não tenha se dado à luz a Morte eterna], pode vivif**ar a alma. O perdão de Deus não é apenas perdão, mas vivif**ação [isto é, ação de tornar algo vivo ou revivê-lo]. E isso vale para o pecado e para as paixões, só que ao contrário da Graça e das virtudes. A Vida em Cristo é um processo, uma vida que se desenvolve.
Tradução de: Ebrael Shaddai. 2013