08/06/2025
Ressignificando o Nome: Além do "Alucinógeno"
Na entrevista que Bial fez com o cientista Alysson Muotri, ele usou mais do que uma vez a palavra "alucinógenos". Eu prefiro achar que ele "não sabe"!
No caminho sagrado das medicinas da floresta, há palavras que nos ferem mais do que curam. Uma delas é “alucinógeno” — termo cunhado por olhares externos, distantes da experiência viva e espiritual daqueles que comungam com os vegetais de poder. Essa palavra carrega um peso pejorativo, pois sugere ilusão, loucura ou distorção da realidade. Mas quem caminha pela trilha da consciência sabe: essas medicinas não nos afastam da realidade, nos despertam para ela.
Na raiz da palavra "alucinar" está a ideia de se perder da verdade. Mas o que vivemos nos rituais sagrados com Ayahuasca, Rapé, Sananga, Jurema e tantas outras presenças vegetais não são delírios, são portais. São chaves que abrem as portas do invisível, do inconsciente, da memória ancestral e da comunhão com o Grande Espírito. O que muitos chamam de alucinação, nós reconhecemos como visão.
Essas visões não são fruto de uma fuga, mas de um encontro. Um encontro com as próprias sombras, com os próprios ancestrais, com a Terra e com as Estrelas. Quem comunga com sabedoria, humildade e guia, sabe que o que se revela na floresta é semente de verdade e transformação.
Portanto, chamemos essas plantas pelo nome que lhes honra:
Enteógenas – do grego enthea genesthai, “despertar o divino interior”.
Plantas de poder – pois nos devolvem o poder de sentir, ver, curar e transformar.
Medicina da floresta – pois tratam não só o corpo, mas também a alma, o espírito e os relacionamentos.
Que possamos educar com firmeza e ternura.
Que possamos desfazer o preconceito com sabedoria e presença.
Que possamos continuar a trilhar esse caminho com o coração aberto, limpando os nomes que nos tentam aprisionar e resgatando o sagrado que há em cada folha, em cada cálice, em cada sopro de rapé.
A floresta não alucina, a floresta revela.Não é farmácia, é mãe.
E nós, filhos dela, somos testemunhas desse milagre.
Por Todas As Nossas Relações
Por: Xamanismo