Ylê Ogum e Yemanjá C.E.U Cabocla Iansã e abassê de Maria Padilha das Almas

Ylê Ogum e Yemanjá  C.E.U Cabocla Iansã e abassê de Maria Padilha das Almas Nossa história começou a pouco mais de 7 anos,no Rio Grande do Sul, e rapidamente nos tornamos conhecidos em várias regiões do país.

Nosso propósito é lutar por uma experiência melhor na vida religiosa e fazer o dia a dia das pessoas melhor.

15/08/2026

CONTOS DO TERREIRO — CAPÍTULO 8 | OS QUE ESCOLHEM FICAR

Por duas sextas-feiras, os Contos do Terreiro f**aram em silêncio.

Não por falta de histórias. Pelo contrário.

Julho foi um mês intenso. Muito trabalho de santo, muita reestruturação, muita coisa acontecendo. Agosto chegou trazendo limpeza, movimento, renovação e novos caminhos.

E talvez esse silêncio tenha sido necessário.

Porque hoje eu não quero falar de quem foi embora.

Não quero falar de promessas quebradas, de pessoas que passaram pelo axé ou das histórias que f**aram para trás.

Uma amiga me disse algo que ficou ecoando dentro de mim:

“Pare de arrastar corrente. Não enalteça o passado. Vislumbre o futuro.”

E talvez seja exatamente isso.

O futuro está sendo construído.

Está sendo renovado por pessoas novas, por oportunidades, por aprendizados e, principalmente, por gente que chega sem prometer eternidade, mas que demonstra presença através das atitudes.

E é sobre uma dessas pessoas que quero falar hoje.

Uma menina que chegou ao axé primeiro como consulente. Buscou orientação, fez seus caminhos, veio de outra casa, carregava sua própria história e sua própria caminhada.

Com o tempo, sem planejamento e sem percebermos exatamente quando aconteceu, fomos nos tornando mãe e filha.

Vieram as conversas, as trocas, os aprendizados, os puxões de orelha, os acolhimentos e também aqueles momentos em que uma ensina e a outra ensina de volta.

Ela ainda é uma menina.

Ainda está começando sua caminhada.

Tem um potencial enorme, mas também tem suas dúvidas, suas dores, suas cobranças e aquela ansiedade de quem quer entender tudo antes mesmo de viver o processo.

Às vezes, exige demais de si mesma.

Às vezes, atravessa etapas porque quer chegar logo ao resultado.

E eu entendo.

Porque quando olho para ela, encontro um pouco de mim mesma aos 20 anos.

Encontro minhas dúvidas.

Minha ansiedade.

Minhas dores.

Minhas inseguranças.

As dificuldades pessoais, financeiras e, principalmente, as inquietações que a própria religiosidade pode trazer quando ainda estamos tentando entender quem somos dentro dela.

Talvez por isso eu consiga enxergar nela algo que, muitas vezes, ela ainda não consegue enxergar em si mesma.

Potencial.

Existem tantos caminhos possíveis para essa menina...

Tantas coisas que ela ainda pode aprender.

Tantas possibilidades de se transformar em uma mulher forte, consciente e dona da própria caminhada espiritual.

E eu desejo, sinceramente, que ela cresça.

Que amadureça.

Que descubra seu propósito sem pressa.

Que não tenha medo dos processos.

Que entenda que espiritualidade não se constrói em um dia, em uma obrigação ou em uma resposta pronta.

Constrói-se com tempo.

Com experiência.

Com humildade.

Com amor.

Com dedicação.

E, acima de tudo, com verdade.

Eu espero que essa menina se transforme em uma grande mulher.

E, se for escolha dela, que permaneça no axé.

Não porque eu precise que ela fique.

Mas porque um dia ela possa olhar para trás e perceber que encontrou aqui um lugar onde pôde crescer, aprender, errar, recomeçar e descobrir quem é.

Porque depois de quase 20 anos como zeladora espiritual, uma coisa eu aprendi:

filho de axé não é aquele que promete f**ar. É aquele que, mesmo podendo ir embora, escolhe continuar caminhando.

Não quero mais carregar correntes do passado.

Quero cuidar das sementes que estão sendo plantadas agora.

Porque o futuro do axé não está nas pessoas que partiram.

Está nas pessoas que estão chegando, aprendendo, se transformando e escolhendo f**ar.

E é nisso que eu quero acreditar.

Que amor, carinho, respeito e dedicação ainda são capazes de construir caminhos longos.

Esse é o meu Conto do Terreiro de hoje.

A história dos que não precisam prometer permanência.

Porque, quando existe verdade, a presença fala por si.

Axé para quem chegou.
Axé para quem está aprendendo.
E, principalmente, axé para quem escolhe f**ar. 🩵🌊

24/07/2026

Contos do Terreiro - Crescer e nunca desistir

🌿 Capítulo 7🌿

Nem sempre a filha mais antiga da casa é a que chegou primeiro.

Às vezes ela nasceu antes mesmo de existir um terreiro, ela constrói a história junto com o axé.

Cresceu ouvindo conversas sobre fé, aprendendo que respeito não se impõe, se conquista. Descobriu cedo que um terreiro não é feito apenas de obrigações, velas e rezas. Ele é construído por renúncias, responsabilidades e amor.

Há quem pense que crescer dentro do axé torna a caminhada mais fácil.

Não torna.

Na verdade, muitas vezes torna mais exigente e muito mais difícil.

Quem nasce próximo da missão aprende cedo que servir é diferente de aparecer. Que estar perto da mãe de santo não signif**a receber privilégios, mas carregar ainda mais responsabilidades e o compromisso.

Ao longo da caminhada, vi essa filha aprender a ouvir antes de falar, a respeitar o tempo dos mais velhos, a entender que cada obrigação espiritual não representa um título, mas um compromisso ainda maior com os Orixás.

Hoje mulher de personalidade forte e muitas vezes mau compreendida. Não por falta de amor, mas sim por extinto de sobrevivência.

Ela descobriu que o branco da roupa exige mais do que beleza. Exige caráter.

Aprendeu também que existem batalhas que ninguém vê e ela vêem lutando muitas.

Há pessoas que sorriem durante a gira e, ainda assim, travam lutas silenciosas quando as luzes se apagam. Nem toda dificuldade é visível. Nem toda dor precisa ser explicada.

E talvez seja justamente por isso que o axé exista.

Não para apagar o passado de ninguém, mas para fortalecer quem escolhe continuar caminhando,mesmo com dores e sofrimentos.

O terreiro ensina que cada obrigação é um recomeço.

Que cada banho é um momento de renovação.

Que cada oração é um lembrete de que nunca caminhamos sozinhos.

Vejo essa filha crescer não apenas na idade, mas na fé.

Aprender que a mediunidade exige disciplina.

Que a humildade vale mais do que qualquer cargo e é muito difícil lidar com isso no dia a dia.

Que respeito se conquista todos os dias e uma única falha, tudo vai por água a baixo.

Ainda há muito caminho pela frente. Ainda haverá desafios, aprendizados e responsabilidades. Mas existe algo que me tranquiliza: quem constrói sua base na fé dificilmente se perde, porque sempre encontra um caminho para voltar à própria essência e ela sempre volta.

Este conto não fala apenas de uma filha, mas fala de uma mãe que também falhou e busca constantemente sua melhor versão.

Fala também de todos aqueles que cresceram dentro de um terreiro e que, muitas vezes, carregam expectativas maiores do que as pessoas imaginam.

Que os Orixás lhes concedam sabedoria para permanecer firmes, discernimento para enfrentar as próprias batalhas e humildade para nunca esquecer que a maior evolução espiritual não acontece quando alguém veste uma roupa branca.

Ela acontece quando o coração escolhe permanecer na luz, mesmo nos dias em que a vida insiste em apresentar sombras.

No fim, é isso que o axé faz por nós.

Não promete uma caminhada sem dificuldades.

Ensina apenas que nunca precisamos enfrentar sozinhos.

E que nesta jornada podemos ser quem desejamos ser e nada vai impedir o nosso crescimento.

Hoje ela está prestes a evoluir mais um degrau na jornada dela e será com muito orgulho e amor.

21/07/2026

Boa noite a todos!

Passando para agradecer, de coração, à mãe Lidia Pacheco e a todos os seus filhos e filhas pela belíssima noite de axé que nos proporcionaram.

Minha imensa gratidão pelo acolhimento, pelo carinho, pelas palavras e por todo o aprendizado compartilhado. Foi uma noite especial, repleta de energia, respeito e ensinamentos.

Que os pais continuem abençoando a senhora, sua casa e todos os seus filhos com muita saúde, prosperidade, força e muito axé.

Tudo muito lindo !!!

17/07/2026

Contos do Terreiro

Capítulo 6 - A proprietária do Jardim

Esta filha permaneceu no axé durante um longo período da sua caminhada.

Chegou em busca de respostas, de soluções para dores que carregava, e acabou descobrindo que existia um universo inteiro a ser desbravado diante dos seus olhos.

Mulher forte, de fibra e de coragem, sempre enfrentou a vida com determinação, lutando pelo que acreditava e defendendo seus sonhos com intensidade.

Quando ela chegou, eu ainda não tinha um terreiro.

E talvez ela nunca saiba o quanto foi importante nessa construção.

Talvez tenha sido justamente a vontade de proporcionar a ela, e a tantos outros, aquilo que buscavam no espiritual, que despertou em mim a decisão de abrir as portas do axé e transformar um sonho em missão, o qual sigo firme oferecendo o melhor que posso pra cada um que aqui passa.

Durante muito tempo, servimos juntas.

Eu servi.

Os irmãos serviram.

E o axé era completo.

Ela cresceu dentro da religião, aprontou-se como Cacique de Umbanda, aprontou-se para Exu e trilhou caminhos importantes dentro da espiritualidade.

Mais tarde, foi iniciada no santo.

Mas não permaneceu.

Assim como sua maior virtude sempre foi a força, talvez sua maior batalha sempre tenha sido a própria teimosia.

Como mãe, fiz cobranças.

Como zeladora, dei direcionamentos.

Como alguém que acreditava profundamente no seu potencial, exigi dela aquilo que sabia que ela era capaz de oferecer.

Mas ela não suportou.

Não aceitou.

Ouviu outros o qual não estavam na mesma página que ela, até porque está jornada é solo. No decorrer vamos encontrar bons irmãos, mas no final do dia é somente você e sua espiritualidade.

E cada um carrega dentro de si o tempo certo para compreender determinadas lições. Eu aprendi, superei e de coração espero que ela também.

No mais profundo dos seus desejos existia um sonho simples e bonito:

Ter um jardim de rosas.

E eu acredito que, mais cedo ou mais tarde, ela alcançará essa graça e hoje mais próximo de alcançar.

Houve um tempo em que existiram rancores, mágoas e tristezas.

Houve feridas profundas.

Houve silêncios que doeram mais do que palavras. Embora minhas palavras foram duras.

Mas o tempo possui um dom que poucos reconhecem:

Ele fecha feridas e cicatriza dores que um dia pareciam impossíveis de superar.

Hoje já não carrego o peso do passado. Aprendi e entendi.

Hoje desejo apenas que ela encontre o seu caminho, alcance o seu tão sonhado jardim de rosas e tenha sabedoria para fazer os ajustes de rota necessários para encontrar a felicidade que tanto procura.

Porque, no fim, algumas pessoas não permanecem no terreiro.

Mas permanecem, para sempre, em algum lugar da nossa história.

10/07/2026

Contos do terreiro

🌿Capítulo 5🌿

A filha da senhora das águas, dona dos pensamentos

Hoje chegamos ao quinto capítulo dos Contos da Macumba, histórias que marcaram minha caminhada como zeladora espiritual e também a vida das pessoas que passaram, permaneceram e ajudaram a construir a história do nosso axé.

E algumas pessoas merecem ser lembradas pelo que representam e está filha é uma delas.

A história de hoje é sobre uma filha do axé incrível o qual tenho maior orgulho e carinho.

Como muitas pessoas que chegaram até nós, ela entrou pela indicação .Uma cliente fiel, dedicada e presente. Tinha muita coisa a ser feita , mas de verdade ela queria somente uma coisa.Com o tempo, a espiritualidade tratou de fazer o que somente ela sabe fazer: transformou vínculo em pertencimento.

Ela se tornou filha da casa.

Uma filha leal, comprometida e extremamente dedicada ao axé.

Nossa história já atravessa muitos anos.

Nessa caminhada fizemos trabalhos, enfrentamos desafios, compartilhamos aprendizados, moramos juntas, choramos , viajamos e acompanhamos de perto o desenvolvimento da sua mediunidade. Vimos nascer, crescer e amadurecer uma médium comprometida com a espiritualidade e com sua missão de fé.

E, mesmo com as mudanças que a vida naturalmente traz, ela continua fazendo parte da nossa história e do nosso axé.

Cacique de Umbanda, seus guias seguem na casa nos abençoando.

Pronta de Exu.

Seu lugar na casa continua aqui.

Porque existem vínculos que não dependem da frequência dos encontros para permanecerem vivos.

Ao longo dessa jornada ela se tornou muito mais do que uma filha de santo.

Se tornou amiga, companheira de caminhada e alguém cuja lealdade fala mais alto do que qualquer palavra.

Ela também me lembra diariamente que nem todo mundo é igual.

Que ainda vale a pena acreditar nas pessoas.

Que ainda existe fidelidade.

Que ainda existe gratidão.

Que não devo desistir.

É quem luta vence e todos dias luto, oronpor ela.

E que algumas relações construídas dentro da espiritualidade ultrapassam qualquer obrigação religiosa e passam a existir no campo do afeto e do respeito.

Quem não a conhece talvez pense que ela tem um coração duro, que é fria ou distante.

Mas quem teve o privilégio de conhecê-la de verdade sabe exatamente o contrário.

Por trás da firmeza existe um coração puro, genuíno e generoso.

Existe alguém que sente muito mais do que demonstra.

Existe alguém que escolhe cuidar, apoiar e permanecer, mesmo quando poderia simplesmente seguir outro caminho.

Como todo ser humano, ela também possui sonhos, desejos e batalhas pessoais.

E como todos nós, em alguns momentos também viu a fé balançar, os planos demorarem e as respostas não chegarem no tempo esperado.

E ela segue aqui, segurando minha mão e eu segurando a dela.

Mas continuou caminhando em sua vida.

Porque seguir em frente também é um ato de fé.

E talvez uma das maiores lições que essa história deixa seja justamente essa:

Ser do terreiro não é estar sempre dentro do terreiro.

Ser do terreiro é saber que ele continuará ali quando você precisar.

É saber que existe um lugar onde você será acolhido, orientado e fortalecido.

E também compreender que o axé é feito de presença, de lealdade, de respeito e de amor construído ao longo dos anos.

Algumas pessoas passam pela nossa história.

Outras ajudam a escrevê-la.

05/07/2026

Juro que refleti muito, antes de postar...nossa maio e junho foi o mês desafiador.

Sempre prestei atendimento para pessoas de outras casas e nunca falo nada sobre isso, devido a sigilo, mas nos últimos meses foi disparado o que mais tive consultas sobre, estes temas abordados abaixo. Dentre outros que vou deixar para outra ocasião.

O tema é sensível, mas totalmente reflexivo. Obviamente que cada tema deve ser tratado com respeito e ponderações, pois somente que vive a história sabe exatamente como os capítulos foram escritos.

Hoje eu quero fazer um alerta a quem busca espiritualidade. Não é julgamento sobre a casa de ninguém, nem a intenção de dizer quem está certo ou errado. É um convite ao discernimento.

A religião deve ser um lugar de paz, amor, fé,acolhimento, respeito e evolução. Quando isso deixa de existir, é hora de refletir.

O uso de dr**as não combina com a responsabilidade de conduzir vidas espiritualmente e isso vale para adultério e outros devios de caráter.

Qualquer tipo de abuso — seja físico, sexual, psicológico, moral, financeiro ou espiritual — jamais pode ser tratado como algo normal.Abuso é abuso.
Aqui também tem um ponto importante foi feito a doação, foi feita.
Pode ajudar com valor a mais, foi de coração..foi..

Um zelador espiritual cuida da espiritualidade. Ele não substitui médicos, psicólogos, psiquiatras ou outros profissionais de saúde. Ninguém deve orientar uma pessoa a interromper medicamentos ou abandonar tratamentos em nome da fé.

A espiritualidade também não deve ser usada para controlar a vida das pessoas, afastá-las da família, dos amigos ou fazê-las acreditar que só encontrarão evolução dentro da terreira o tempo todo, todos nós devemos ter vida social.

Caso tenha alguma coisa ocorre o zelador direciona e ponto final.
Exemplo, percebo que este relacionamento não te faz bem, tem certeza que está feliz!?

Quem decide se separa ou se f**a é a pessoa não nos.

Se, por algum motivo, você sair de um terreiro, procure conversar sobre suas obrigações espirituais e veja o que precisa ser feito. Uma saída sempre é muito triste, mas não adianta f**ar infeliz aonde tá.Se isso não for possível, procure outro axé sério e responsável para receber orientação e dar continuidade à sua caminhada com tranquilidade.

Mas não deixe pra trás seus orixás, caboclos e exus.

Outro ponto importante é a responsabilidade com a mediunidade. Nem toda pessoa que frequenta um terreiro necessariamente precisará desenvolver a incorporação. Pessoas com autismo, síndrome de Down ou outras condições do neurodesenvolvimento ou de saúde podem participar da religião, receber acolhimento e viver sua fé plenamente. Quando se fala em desenvolvimento mediúnico, porém, cada caso precisa ser avaliado com responsabilidade, respeitando a compreensão da pessoa, sua segurança e seu bem-estar, sem generalizações.

Sempre importante consultar um médico além do terreiro, dependendo do caso.

Deve ser avaliado tudo, nível, necessidade e jornada individualmente.

Lembre-se: você não escolhe um terreiro pela beleza da roupa, pela fama da casa ou pelas amizades. Você escolhe um lugar para cuidar da sua jornada espiritual, o qual é a vida toda
O vínculo mais importante é aquele construído com confiança, respeito e responsabilidade entre você e seu zelador espiritual.

Casas de axé são feitas por seres humanos. Onde há pessoas, há qualidades e defeitos. O que nunca pode faltar é ética, honestidade, respeito e compromisso com a espiritualidade.

Que Deus, os Orixás, Guias e Ancestrais nos deem sabedoria para reconhecer os lugares que realmente promovem luz, crescimento e paz.

Obs: cada casa conduz da melhor forma possível e todos nós em algum momento falou e ainda vai falhar , pois somos humanos e também estamos aprendendo ser "mãe" ou "pai" de santo.

Entre erros e acertos também vamos nos ajustando no processo evolutivo.

04/07/2026

Contos do terreiro – Nem todo filho é para f**ar

🌿Capítulo 4🌿

Existem filhos que chegam ao terreiro pela tradição. Outros chegam pelo chamado da espiritualidade. E existem aqueles que chegam porque a vida os colocou diante de uma dor que eles já não conseguiam carregar sozinhos.

Foi assim com esse filho.

Ele nunca tinha pertencido a nenhuma religião. Não conhecia a Umbanda, não conhecia a nação, não entendia de entidades, guias ou obrigações. Chegou por indicação de pessoas que confiavam em mim e, aos poucos, foi criando carinho pela casa e vontade de conhecer aquele universo que, até então, era completamente desconhecido.

Como acontece com muitos filhos da casa, quem primeiro abriu os caminhos foi Maria Padilha das Almas, a grande mensageira do nosso terreiro. Foi através dela que nasceu um lindo Exu para acompanhá-lo em sua caminhada espiritual. Depois vieram os passos dentro da Umbanda, os aprendizados, as obrigações e o entendimento de que, talvez, um dia ele também tivesse um caminho dentro da nação.

Mas esse momento nunca aconteceu no nosso axé.

Ele sempre foi uma pessoa intensa. Gostava da vida sem freios.Era o jeito dele de viver.

E eu, com meu jeito mais conservador, disciplinado e firme, muitas vezes acreditava que conseguiria ajudá-lo a mudar.

Hoje entendo que esse foi um dos maiores aprendizados da minha caminhada.

Nós não mudamos ninguém.

No terreiro, principalmente quando estamos começando, acreditamos que podemos salvar as pessoas. Achamos que, com amor, orientação e fé, conseguiremos transformar a vida de quem chega até nós.

Mas a verdade é outra.

Cada pessoa só muda quando essa vontade nasce dentro dela. Não depende do dirigente, da entidade ou da religião. Depende apenas da própria pessoa.

Ele fez suas obrigações de Umbanda. Tentamos seguir com os caminhos de Exu. Tudo era marcado, organizado, preparado... e, por algum motivo, nunca acontecia como deveria.

Ele saiu da casa.

Passou por outros terreiros. Foi, voltou, tentou novamente. Em determinado momento, retornou ao nosso axé e, mais uma vez, tudo parecia caminhar para que continuasse conosco.

E, mais uma vez, não deu certo.

Durante muito tempo pensei que aquilo fosse um fracasso. Hoje vejo de outra forma.

Nem todo filho que chega foi feito para permanecer.

Às vezes, o nosso papel é apenas abrir uma porta. Ensinar os primeiros passos. Apresentar a espiritualidade. Depois, a própria vida conduz cada um para o lugar onde realmente deve estar.

Hoje ele encontrou uma casa onde está construindo sua caminhada mediúnica. E meu coração se alegra por isso.

O tempo também ensina a curar as mágoas. O que antes parecia perda, hoje se transformou em compreensão.

Não existe ressentimento.

Existe apenas gratidão pelo tempo que caminhamos juntos e uma torcida sincera, da arquibancada da vida, para que ele seja feliz, encontre seu caminho e realize sua missão espiritual.

Porque o tempo é precioso demais para guardarmos pesos que já não nos pertencem.

Eu tentei. Ele também tentou.

E tudo bem.

O lugar dele era outro.

Que os Orixás continuem iluminando seus passos, onde quer que ele esteja.

27/06/2026

Contos de Terreiro – A Mulher da Forma de Bolo

🌿 Capítulo 3 🌿

Ela chegou de um jeito curioso.

Às vezes a vida não anuncia os grandes encontros. Eles começam com uma necessidade simples. No meu caso, começou com uma forma de bolo. Poderia fazer menção de várias outras forma, sim! Mas está tarde me marcou muito. Lembro como se fosse hoje.

A que eu precisava não havia em casa. Disseram que a vizinha talvez tivesse. Bati à "porta", peguei a forma emprestada e, junto com ela, iniciou uma conversa que atravessaria muitos anos.

Ela chegou primeiro como conhecida, depois como cliente, depois como filha. Como aconteceu tantas vezes, foi a força de Maria quem abriu o caminho para aquele encontro. Afinal de contas, o bolo era dela. Vieram orientações, acolhimento, conversas e mais conversas, lágrimas e também muitas vitórias.

Não foram anos perfeitos. Nenhuma caminhada é.

Inclusive na minha concepção acho que passou muito trabalho, mas como mortal não questiono porque a espiritualidade vê o que eu não vejo.

Mas foram anos de cafés e bolo da tarde compartilhados, de risadas sinceras, de Natais que hoje moram apenas na memória. Existem lembranças que o tempo não apaga porque foram construídas com afeto.

Talvez um dos meus maiores desafios como mãe de santo seja esse: apegar-me às pessoas.

Ainda estou aprendendo que nem toda permanência dura para sempre. Algumas pessoas chegam para viver uma estação da nossa vida e, quando a missão termina, seguem outros caminhos.

Ela seguiu.

Escolheu outro caminho, outra jornada, outras mãos para conduzir sua caminhada espiritual. E está tudo bem. Hoje entendi isso com clareza A fé não pertence a uma casa. Ela pertence ao coração de quem acredita nela.

Quando penso nela, não lembro da partida, das falas ruins. Lembro da coragem!

Só eu sei tudo que ela passou e as escolhas que teve que fazer para chegar até ali.

A vida nunca foi leve para ela. As tempestades pareciam surgir antes mesmo que uma terminasse. Muitas vezes me perguntei como alguém conseguia continuar depois de enfrentar tanto. E vejam bem, não estou em defesa , apenas fatos e dados.

Hoje acredito que a resposta sempre foi a mesma: fé.

Nem sempre entendemos os caminhos que Deus, os Orixás e os guias desenham para cada um de nós. O que podemos fazer é agradecer pelo tempo em que caminhamos juntos.

Algumas pessoas permanecem ao nosso lado.

Outras permanecem apenas dentro da nossa lembrança.

E isso também é uma forma de eternidade. Depois tivemos mais alguns episódios, porém ainda sim seguimos caminhos diferentes.

Que os Orixás abençoem a ela e sua família que um dia cruzou o caminho deste terreiro. Cada um deixou um pouco de si, e cada encontro, por mais breve que tenha sido, ajudou a construir a história desta casa.

E faz parte da memória viva de experiências e aprendizados que tivemos.

✨🌿Contos do Terreiro🌿✨📝 Capítulo - 3A História e a Missão da Nossa TerreiraNossa terreira nasceu com um único propósito:...
24/06/2026

✨🌿Contos do Terreiro🌿✨

📝 Capítulo - 3

A História e a Missão da Nossa Terreira

Nossa terreira nasceu com um único propósito: tornar a vida das pessoas melhor.

Inicialmente, nossa missão estava voltada principalmente para o acolhimento e a orientação no âmbito religioso. Porém, ao longo da caminhada, percebemos que a espiritualidade está profundamente conectada à vida pessoal, emocional e intelectual de cada ser humano. Assim, nossa casa se tornou um espaço de aconchego, amor, paz e, acima de tudo, orientação para uma vida mais equilibrada e feliz.

Um dos principais pilares do nosso trabalho é o cuidado com a saúde mental e emocional. Desenvolvemos trabalhos espirituais voltados ao apoio de pessoas que enfrentam desafios como depressão, TDAH, ansiedade e outras questões que afetam o bem-estar e a qualidade de vida.

Também atuamos fortemente na abertura de caminhos, na busca por oportunidades, prosperidade, crescimento pessoal e conquistas. Acreditamos que cada pessoa possui um potencial único e merece encontrar os recursos necessários para realizar seus sonhos.

O amor é a pauta diária da nossa casa, dentro e fora do terreiro. Sabemos das diferenças, das lutas e das dificuldades que cada um enfrenta em sua jornada. Ainda assim, movemos céu e terra para que tudo aconteça da melhor forma possível, sempre guiados pela fé, pelo respeito e pela caridade.

Atualmente, os jogos são realizados de forma online, mediante agendamento prévio, podendo ser através das cartas ou dos búzios. Os trabalhos espirituais acontecem mensalmente em nosso terreiro para todos aqueles que necessitarem de auxílio, além dos atendimentos individuais com horário marcado.

A solidariedade sempre fez parte da nossa história. No passado, estivemos à frente de diversos projetos sociais que impactaram positivamente muitas vidas. E no próximo ano, retornaremos com ainda mais força e dedicação.

Entre os projetos que já estão sendo organizados estão:

• Campanha do Agasalho e Brechó Solidário, para auxiliar famílias em situação de vulnerabilidade;

• Projeto AdoleSer, voltado aos jovens, promovendo conhecimento sobre cultura religiosa com o apoio de profissionais das áreas de educação e saúde mental;

• Natal Solidário, levando cestas básicas, carinho, esperança e momentos de alegria para crianças e famílias;

• Cozinha Solidária, com a missão de levar alimento e dignidade a quem mais precisa.

Nossa casa é um lugar de fé, acolhimento, aprendizado e transformação. Um espaço onde cada pessoa é recebida com respeito, amor e a certeza de que nunca estará sozinha em sua caminhada.

Sejam todos bem-vindos.

Quem deseja mais informações pode entrar em contato através do 51 998352079

17/06/2026

🌿✨ CONTOS DE UM TERREIRO ✨🌿

📖 Capítulo 2 – Quando a Casa Ainda Não Existia

Muitas pessoas acreditam que uma terreira nasce quando suas portas se abrem.O grande dia da inauguração , amigos, convidados e testemunhas.Mas a verdade é que a nossa nasceu muito antes disso. Sem pretensão nenhuma, sem olhar algum em ter um espaço religioso.

Neste período eu já era cacique de Umbanda e também estava pronta de quimbanda.

Naquela época, eu não pensava em ser mãe de santo. Não sonhava em abrir uma casa espiritual, nem em ter filhos de santo. Meu desejo era apenas ajudar, orientar e compartilhar aquilo que a espiritualidade me ensinava.

Foi através dos atendimentos com a Pomba gira Maria Padilha das Almas que tudo começou,ela que vinha e trazia sua palavra era na minha sala mesmo, não tinha nem 3 metros, no carinho de respeito tinha a imagem da mãe Iansã e Oxum que ganhei da minha mãe.

As pessoas chegavam em busca de respostas. Vinham carregando dores, dúvidas, medos e esperanças. Recebiam orientação, acolhimento e seguiam seus caminhos.

Muitas delas era somente o jogo de cartas mesmo. Mas outras indicações eram somente com a Padilha.

Mas algo curioso começou a acontecer.

Elas voltavam.

E traziam outras pessoas.

Aos poucos, aqueles atendimentos deixaram de ser apenas encontros individuais. Criaram laços, conexões e um sentimento de pertencimento. As pessoas se identif**avam com o axé, com a energia e com a forma como eram recebidas.

Então começaram os pedidos:

"Por que você não abre uma casa?"

Eu resisti.

Resisti por muito tempo.

Meu pai também acreditava que eu deveria seguir esse caminho. A espiritualidade também dava seus sinais. Mas eu ainda não me sentia pronta para assumir uma responsabilidade tão grande.

Hoje, olhando para trás, percebo que a casa já existia.

Não tinha paredes.

Não tinha tambor.

Não tinha congá.

Nem pontos nós cantávamos.

Mas já existia nos corações das pessoas que encontravam ali acolhimento, fé e direção.

Antes de existir um terreiro, existia um propósito.

E foi esse propósito que deu origem a tudo o que veio depois e sim foi feito tudo pelas pessoas, específ**a uma pessoa...

✨ Continua no próximo capítulo...

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Porto Alegre, RS

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