16/08/2026
NOTA DE REPÚDIO À EXPOSIÇÃO DE ANIMAIS SACRALIZADOS NAS REDES SOCIAIS
A Federação das Religiões Afro-Brasileiras – AFROBRAS vem a público manifestar seu mais veemente repúdio à exposição irresponsável de animais sacralizados, rituais internos e imagens associadas às religiões de matriz africana nas redes sociais.
A divulgação de cenas em que pessoas utilizam cabeças de animais, aproximando-as do próprio rosto ou da boca, como forma de espetáculo, provocação ou autopromoção, constitui um grave desserviço às tradições afro-religiosas.
Ainda que determinadas práticas sejam apresentadas apenas por analogia, encenação ou associação superficial com nossas religiões, seus efeitos atingem toda a comunidade.
Em muitos casos, o que é exibido não possui qualquer relação com rituais fundamentados, sendo utilizado exclusivamente para causar impacto, conquistar visualizações, impor medo ou demonstrar um suposto poder religioso.
Essas pessoas e essas práticas não nos representam.
A AFROBRAS esclarece, de forma firme e categórica, que tais exposições não representam o BATUQUE, não representam a UMBANDA e tampouco representam a dignidade, a força espiritual e os verdadeiros fundamentos dos EXUS.
Exu não é instrumento para causar medo.
Exu não é personagem de espetáculo.
Exu é força sagrada, comunicação, movimento, proteção e fundamento.
Não se pode transformar a fé em exibição, o fundamento em propaganda e a ancestralidade em instrumento de vaidade pessoal.
A exposição de animais sacralizados, sangue e elementos internos dos rituais, especialmente de maneira descontextualizada e sensacionalista, alimenta preconceitos, fortalece o racismo religioso e compromete a imagem de toda uma coletividade.
Quando uma conduta individual atinge a honra, a dignidade e a imagem de uma comunidade inteira, seus efeitos deixam de ser exclusivamente individuais e podem assumir dimensão coletiva.
Nossa manifestação não se dirige contra a liberdade religiosa nem contra os rituais legítimos realizados dentro de seus fundamentos.
O que repudiamos é a exposição pública, a vulgarização, a deturpação e a transformação do sagrado em espetáculo para as redes sociais.
Liberdade religiosa também exige consciência, ética e responsabilidade.
A AFROBRAS conclama sacerdotes, sacerdotisas, dirigentes, filhos de santo e toda a comunidade afro-religiosa a não filmarem, publicarem ou compartilharem imagens de rituais internos e de animais sacralizados.
Quem verdadeiramente respeita a religião compreende que nem tudo deve ser mostrado.
Não podemos permanecer calados enquanto atitudes irresponsáveis ferem a dignidade de todos e colocam nossas tradições sob o julgamento preconceituoso da sociedade.
O sagrado deve ser protegido, respeitado e preservado.
NÃO EXPONHA O SAGRADO!
NÃO EXPONHA A SACRALIZAÇÃO NAS REDES SOCIAIS!
SEJA RESPONSÁVEL!
RESPEITE A COLETIVIDADE!
Porto Alegre, 16 de agosto de 2026.
AFROBRAS
Federação das Religiões Afro-Brasileiras