30/05/2026
O peso do comando dói porque o dirigente se prepara para enfrentar cargas espirituais, mas muitas vezes precisa lidar também com a infantilidade, a vaidade, a mentira, a desunião, a ingratidão e a falta de respeito.
Dói porque, às vezes, quem deveria ajudar acaba se tornando peso para a própria casa.
Não adianta vestir branco e carregar o coração cheio de veneno.
Não adianta bater cabeça e levantar a voz contra a direção da casa.
Não adianta cantar para Caboclo e agir com covardia pelas costas.
Não adianta pedir firmeza para Exu enquanto alimenta a mentira.
O peso do comando dói porque o dirigente precisa cuidar da espiritualidade sem abandonar o humano, e cuidar do humano sem permitir que ele profane o sagrado.
É preciso amar a missão sem se tornar refém da ingratidão.
Ter paciência sem normalizar o desrespeito.
Ter silêncio sem compactuar com o erro.
O peso do comando vai além da gira.
Ele começa antes da sessão e continua depois, quando alguém sai falando o que não devia, criando divisão, alimentando fofoca ou desmerecendo aquilo que não compreende.
Dói quando um filho não aceita orientação.
Quando uma correção simples vira motivo de revolta.
Quando o dirigente precisa dormir carregando decisões que ninguém viu, dores que ninguém perguntou e responsabilidades que ninguém quis dividir.
Comandar é vigiar dois mundos ao mesmo tempo.
De um lado, o espiritual: com suas forças, demandas e fundamentos.
Do outro, o humano: com suas vaidades, fragilidades, interesses e melindres.
E muitas vezes, o segundo exige mais força do que o primeiro.
No fim, comandar uma sessão não é apenas abrir trabalhos espirituais.
É proteger a casa daquilo que vem de fora, e, principalmente, daquilo que nasce dentro.
Porque o verdadeiro dirigente não sofre pelo peso da guia no pescoço, mas pelo peso da responsabilidade que carrega em silêncio.