22/03/2026
Apresentação das Rodas de Conversa realizadas na
Casa de Oyá – Decolonização das Religiões de Matriz Africana
A Casa de Oyá abriu seus caminhos para um ciclo de rodas de conversa que propuseram reflexão, escuta e transformação: a decolonização das religiões de matriz africana.
Esses encontros nasceram da necessidade urgente de revisitar nossas práticas, símbolos e compreensões, reconhecendo os impactos do racismo, do colonialismo e do embranquecimento sobre nossas espiritualidades. Durante muito tempo, saberes ancestrais foram distorcidos, silenciados ou adaptados para caber em uma lógica que não nos pertence.
Decolonizar é um movimento de retorno.
Retorno à ancestralidade, à memória viva dos nossos povos, à força dos orixás, inkices e voduns em sua essência africana. É também um gesto de coragem: questionar o que nos foi ensinado, desconstruir imagens e conceitos colonizados e reconstruir caminhos mais alinhados com nossas raízes.
As rodas de conversa da Casa de Oyá representam espaços de troca horizontal, onde cada participante foi convidado a refletir, compartilhar e se implicar nesse processo. Não se trata de impor verdades, mas de provocar pensamentos, abrir caminhos e fortalecer uma consciência coletiva mais crítica e comprometida com a tradição.
Ao longo dos encontros, abordamos temas como:
• O embranquecimento das divindades e seus impactos
• A transformação dos orixás em arquétipos psicológicos
• Racismo religioso e epistemicídio
• A importância da oralidade e da tradição viva
• Caminhos possíveis para práticas mais alinhadas com a ancestralidade
Mais do que um estudo, esse foi um chamado.
Um convite para olhar para dentro, para o terreiro, para a história — e reconhecer que decolonizar também é um ato espiritual.
A Casa de Oyá se firma, assim, como espaço de resistência, reconstrução e fortalecimento daquilo que sempre foi nosso: a sabedoria ancestral.