07/06/2023
Quem é Yèyé omo ejá?
É muito engraçado (no sentido irônico da palavra) que tudo o que vem para o Brasil é sempre modif**ado e isso não seria diferente do culto da diáspora africana.
Assim como a orisá Osún que foi rotulada como princesa dos contos de fadas se embelezando na beira da cachoeira e só se admirando no espelho, com Yèyé omo ejá não foi diferente.
Diferente daqui do Brasil em que Yèyé omo ejá é extremamente popular, na África ela f**a como secundária. Existe na região da África um rio Ògùn (não é o Orisá Ògún, o acento é diferente no yorubá) onde existem poucas pessoas que cultuam essa divindade assim como Osún. Cada Orisá no continente africano tem um rio específico e cada um tem o seu assentamento e seus rituais, isso não seria diferente de Yèyé omo ejá.
O termo Yèyé omo ejá signif**a a mãe de todos os peixes. Ela é a divindade que rege as águas salgadas, aqui no Brasil ela é conhecida como a rainha do mar enquanto na África ela tem apenas um pedaço do Rio Ògùn. Não que isso seja ruim, de forma alguma, mas é apenas a diferença de uma cultura para a outra, pois a popularidade não importa, o que importa aqui é a FÉ de cada filho e filha dessa grande mãe dos mares.
Yèyé omo ejá é filha de Olóòkun, Orisá rei dos fundos dos oceanos e não tão conhecido aqui pelo povo brasileiro.
A representação de Yèyé omo ejá é totalmente diferente desta que estamos acostumados, na verdade, "europerizados" onde a grande maioria dos santos são de pele branca (eu sei que isso também não importa, a pele), mas imagina você ser modif**ado, alguém descrever você como de fato você não é? Seria muito estranho, até uma ofensa.
Yèyé omo ejá é descrita na África como uma mulher de corpo robusto, pele muito escura, olhos sérios e cabelos curtos; seios de fora como todas as outras mulheres do continente e das tribos, colar feito de conchas, anda descalça, seios muito fartos e é mãe de muitos filhos.
Domina o dom do encantamento das poções, das feitiçarias e também é a responsável por cuidar do Ori de cada morador de sua região.
Ela é a dona de todas as cabeças devido a ter deixado Oşalá confuso a ponto de tê-lo enlouquecido.
Olodumare quando soube que Yèyé omo ejá havia deixado seu filho louco, a consagrou como a dona de todas as cabeças, por isso ela é a responsável pelo Ori.
É dela que vem a inteligência, a compreensão de ter aquela pequena centelha intelectual na cabeça dos seres. Aquela pessoa que não possui esse equilíbrio, tem um Ori em desordem, o que causa inúmeros problemas na vida da pessoa, pois o Ori é um Deus, o maior de todos que cuida da nossa estrutura mental e espiritual.
Ela é a grande mãe, a que protege seus filhos, protetora da família, das crianças quando nasce. Zelosa e muito cuidadosa, não devemos confundir essas boas qualidades por ingenuidade, pois Yèyé omo ejá é extremamente destemida, agressiva e muito cruel com seus inimigos.
Seus filhos quando não estão com um bom equilíbrio mental, sofrem de dores de cabeça, perturbações, estado de estresse altíssimo e sofrem de depressão além de mania de perseguição, ciúmes ao extremo, fofoqueiros e falsos.
Bem equilibrados, são esforçados, batalhadores, estudiosos, risonhos, organizados e muito caprichosos principalmente em relação a limpeza, são muito asseados e de muita vivacidade.
Ela é, junto com Osún e Nàná, uma das Ìyámi, sendo uma poderosa feiticeira. Ela deu a seus filhos o dom da mediunidade, da leitura dos olhos da alma, muitos até são telepatas, podem ler as mentes de quem quer que seja além de possuírem o dom da conciliação e também da guerra, pois ela constrói um bom lar ou amizade, mas também destrói com as suas ondas.
Ela é a mãe adotiva de Omolú, pois foi ela quem deu seu grande amor e o curou das doenças. Zelosa e protetora, os filhos dessa Orisá são muito protetores com quem amam de todo o coração que, muitas vezes, sem perceberem, acabam que sufocando quem tanto zelam.
Suas cores são azul e branco, anda de forma firme, olhar por vezes benevolente outras vezes irritadiço. Carrega um leve sorriso num dia, quando passa meia hora está emburrada, isso devido as fortes emoções de sua sensibilidade por ser a regente das águas e que seus filhos também herdaram essas sensações.
Poderia escrever tanta coisa sobre ela, mas o restante acredito que todos já sabem. Quem não é iniciado na Umbanda ou no Candombé, podem sim usar fios de conta das cores dessa Orisá e também de Oşalá, pois são eles os responsáveis por todos os seres humanos.
ODOYÁ, minha mãe!
ODOYÁ, Yèyé omo ejá!
AXÉ 💙
📝Texto de Thau Ãn
📸Autoria Desconhecida
Umbanda é Amor
Obs:
Ao copiar o texto, não tire a autoria/créditos. Plágio é crime.
Grato!