25/06/2022
Mais um 25 de junho que chega, o segundo ano sem tua presença. O choro vem fácil, a sensação de vazio permanece em mim. Às 5 e 20 da manhã tu nos deixava. Dever mais que cumprido enquanto pai, enquanto amigo, enquanto confidente, enquanto Babalorixá, enquanto gente. Já cantava Nelson Gonçalves: "Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim".
O que tinha, me deu e deixou, seja vivência, conhecimento, teoria, prática, entendimento do culto, obrigação e fundamento. Devo a ti a minha joia rara chamada Aganjú e o domínio sobre o seu culto.
Sigo te cultuando diariamente, não só em datas de aniversário, morte, feitura, etc e tal, vai muito além de matar galo o culto à ancestralidade. Infelizmente virei muito cedo o teu mestre em morte, igual foste o meu mestre em vida, como tu queria e como sempre combinamos. Pelas minhas mãos teve teu axexê de ano, e em tuas datas nunca vão faltar as obrigações competentes, a exemplo de hoje.
Pelas minhas mãos tem a tua sequência, do teu axé, a matriz da nossa Família Tayó e me é um prazer inenarrável.
Quem conheceu e viu Aganjú manifesto, sabe a verdade que carregava. Nunca vou me esquecer da cena onde eu estava emburrado contigo em dia de serão e fiquei dentro de casa, não acompanhei o início do serão. Só escuto passos fortes no assoalho de cedrinho da Sofia Veloso e me chega Aganjú com as mãos cheias de sangue do carneiro pra me marcar, me olha no fundo dos olhos e diz: "O senhor é de eu!" E vai embora. Eu vou atrás e participo do serão. Isso aconteceu por volta de 2013, 14 e me lembro como se fosse ontem. Quem tem, tem. E eu tenho!
Como escrevi dia 3 de maio, o corpo se foi, mas tu estás em meu sangue, meus trejeitos, hábitos, costumes, modo de falar, pensamentos e até no meu rosto. Não tem um dia em que eu me acorde e não lembre de ti ao me olhar no espelho, para minha sorte tive um pai, um amigo, um companheiro por 20 anos. A sensação de ter uma cadeira vazia na minha mesa sei que vai ser perpétua.
A falta é grande e nada a preenche, mas a felicidade de dar continuidade aos teus passos é ainda maior, é muito melhor saber que ando sobre os ombros do gigante que és.