Christian Lo Iacono

Christian Lo Iacono Cristão, Pastor da Igreja Evangélica do Caminho, Teólogo.

Deus e o coração“Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito.”Provérbios 16.2Ningu...
29/08/2026

Deus e o coração

“Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito.”

Provérbios 16.2

Ninguém se conhece a fundo, a menos que saiba que suas intenções nunca são puras e que sempre parecem melhores para nós do que para o Senhor, que as pesa. Isso tem enormes implicações na tomada de decisões e nos relacionamentos.

Se você estiver sempre convicto de sua sinceridade e pureza, fará julgamentos rápidos e impulsivos. Sua tendência será desprezar totalmente certas opções e ideias e se agarrar ferozmente a outras.

Não confiar no coração impede dois erros opostos. Por um lado, nossa consciência pode ser muito condescendente conosco. “Tenho a consciência limpa, mas isso não me torna inocente” (1Co 4.4, NIV). Siga a Palavra de Deus, e não seus sentimentos. Se as Escrituras dizem que uma coisa é errada, então ela é.

Por outro lado, nosso coração pode ser duro demais conosco. “... se o coração nos condena, Deus é maior que nosso coração...” (1Jo 3.20). Siga o evangelho, e não os seus sentimentos. Você é amado por causa de Cristo, não porque seu coração e sua vida são perfeitos.

Sem a palavra da graça de Deus para nos edif**ar (At 20.32), cairemos em falsa culpa ou falsa inocência.

Em qual desses dois erros você está mais propenso a cair? O que você pode fazer sobre isso?

Em Juízes 14, vemos que Sansão acha uma mulher para si que é filisteia, no próprio território de Israel, e que ele tem t...
24/08/2026

Em Juízes 14, vemos que Sansão acha uma mulher para si que é filisteia, no próprio território de Israel, e que ele tem trânsito livre junto aos filisteus.

Parece que a ocupação de Israel pelos filisteu era “pacíf**a”, tanto que Sansão não pensou duas vezes quando resolveu se casar com uma filisteia.
 
Isso nos mostra algo diferente na narrativa de Juízes. Israel não clama para se ver livre da opressão. Não há resistência à escravidão aqui.
 
Em resumo, a rendição de Israel aos filisteus é bem mais profunda e completa do que as escravidões anteriores. No passado, Israel gemeu e agonizou sob a ocupação das forças pagãs, porque o domínio era militar e político.

Mas agora parece que os israelitas não têm consciência nenhuma da escravidão, porque a natureza dessa escravidão é de acomodação cultural.
 
Os israelitas agora não choram e não lutam contra seus dominadores porque adotaram completamente os valores, os padrões morais e os ídolos dos filisteus, e se adaptaram a eles.

Da mesma forma que Sansão, os israelitas estavam ávidos por casamentos dentro da sociedade filisteia, provavelmente como uma forma de “progredir” naquela cultura. Os israelitas não tinham mais uma cultura própria, uma cultura baseada no serviço a Deus
 
É difícil exagerar o perigo que Israel corria. Os israelitas estavam à beira da extinção. Dentro de poucas gerações, podiam estar completamente assimilados à nação dos filisteus.

O comentarista Michael Wilcock escreve: “Não existe coexistência harmoniosa entre a igreja e o mundo, pois, quando não há conflito, é sinal de que o mundo já tomou conta da situação.”

“Se ‘seguir’ Jesus é confiar nele para levá-lo à vida pela qual você anseia, é muito difícil (se não impossível) confiar...
20/08/2026

“Se ‘seguir’ Jesus é confiar nele para levá-lo à vida pela qual você anseia, é muito difícil (se não impossível) confiar sua vida a alguém em quem você não respeita…
 
O problema é que não é isso que a maioria dos cristãos entende hoje por discipulado... No entanto, quando você olha para o modelo de Jesus... o signif**ado do discipulado é perfeitamente claro: seguir Jesus é se tornar seu aprendiz.

É organizar toda a sua vida em torno de três objetivos principais: 1) estar com Jesus; 2) tornar-se como ele; e 3) agir como ele agiu…
 
No Ocidente, criamos um ambiente cultural no qual você pode ser cristão sem ser um aprendiz de Jesus. Grande parte da pregação do evangelho hoje não chama as pessoas para uma vida de discipulado.

Seguir Jesus é visto como opcional — um ‘caminho extra’ pós-conversão para aqueles que querem ir mais longe.

Tragicamente, isso criou uma igreja de dois níveis onde um grande número de pessoas creem em Deus e até frequentam regularmente a igreja, mas não reestruturaram sua vida diária com base em seu status de aprendiz de Jesus...
 
Mostre-me os hábitos de uma pessoa e eu lhe mostrarei aquilo pelo que ela é verdadeiramente mais apaixonada, mais dedicada, aquilo pelo que ela está mais disposta a sofrer, aquilo com o que ela está mais enamorada.”

John Mark Comer, “Praticando o Caminho”

“Os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR” (Juízes 13.1). Essa frase é frequente em Juízes...
14/08/2026

“Os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR” (Juízes 13.1).
 
Essa frase é frequente em Juízes (2.11; 3.7,12; 4.1; 6.1; 10.6). Outra frase que diz a mesma coisa aparece 2 vezes no fim do livro (17.6; 21.25): “Naqueles dias [...] cada um fazia o que parecia direito aos seus próprios olhos”.
 
Aprendemos aqui duas lições. A primeira é que o pecado não é, em última instância, desrespeitar nossa consciência, nossos padrões morais ou nossos padrões sociais, e, sim, desrespeitar a vontade de Deus para nós.
 
Quando admitimos que “nossos próprios olhos” não são suficientes para a definição do que é pecado, f**a a pergunta: os olhos de quem são suficientes? O mal é definido pelo que é errado aos olhos dos especialistas? Ou aos olhos da maioria das pessoas?
 
Segundo as Escrituras, o pecado é definido como desprezo ao nosso relacionamento com Deus, como desprezo à vontade de Deus para nós. O que Deus vê como pecado é pecado, independentemente do que sentimos, do que os especialistas dizem ou daquilo com o que a sociedade concorda.
 
Segunda lição: essas frases revelam a armadilha do pecado. Os israelitas tinham justif**ativas psicológicas e culturais que davam apoio ao pecado, vivendo em uma espécie de “negação em grupo”.
 
Havia no seu íntimo um “conhecimento reprimido” (uma “supressão da verdade”, Rm 1.18) de que estavam longe de Deus, de que rejeitavam a sua vontade. No âmbito da consciência, porém, não sentiam culpa nenhuma e tinham muitas explicações para o estilo de vida que abraçaram.
  
Isso deve nos impelir a uma autoavaliação cuidadosa e constante, por meio do estudo das Escrituras e da prestação de contas a outras pessoas. Vemos aqui a importância da igreja local e que ela seja saudável em sua confessionalidade e em suas práticas.
 
Porque vivemos descobrindo maneiras de justif**ar nossos pecados de materialismo, preocupação, amargura ou orgulho. Thomas Brooks, escritor puritano do século 17, explicou muito bem: “Satanás reveste (encobre) o pecado com as cores da virtude”.

Agostinho nos lembra que o “pão de cada dia” (Mt 6.11) é uma meráfora para necessidades, não para luxos. Como acabamos d...
07/08/2026

Agostinho nos lembra que o “pão de cada dia” (Mt 6.11) é uma meráfora para necessidades, não para luxos. Como acabamos de passar as três primeiras petições da oração reconhecendo Deus como nosso verdadeiro alimento, saúde e felicidade, Jesus nos encarrega agora de fazer nossa “lista de oração” por necessidades alinhar-se a essa nova disposição do coração.

Agostinho acredita que a petição em sua totalidade deveria ser a de Provérbios 30.8: “Não me dês nem pobreza (para que não te ofenda) nem riquezas (para que não te esqueça)”.

Calvino acompanha o raciocínio de Agostinho quando diz que, ao falar do pão nosso de cada dia, “não [...] nos desvencilhamos da glória de Deus [...] [mas] pedimos somente o que lhe convier”. Nos achegamos com nossas necessidades, cheios de expectativas de que receberemos uma resposta positiva, mas agimos assim porque fomos transformados por nossa satisfação e confiança nele.

Não nos aproximamos com arrogância nem lhe dizendo ansiosamente o que tem de acontecer. Muitas coisas pelas quais antes nos angustiaríamos podemos agora rogar sem desespero.

Lutero vê também uma dimensão social nessa oração. Para que todos recebam o pão de cada dia, deve haver uma economia pujante, um bom nível de emprego e uma sociedade justa. Ou seja, orar “dá-nos — a todo o povo da nossa terra — o pão nosso de cada dia” é orar contra a “exploração desumana” nos negócios, no comércio e no trabaIho, a qual “massacra o pobre e o priva de seu pão diário”.

Em tom de ameaça, ele faz uma advertência quanto ao poder dessa petição sobre todo aquele que pratica a injustiça. “Que estejam conscientes da [...] intercessão da igreja, e que cuidem de que essa petição da Oração do Senhor não se volte contra els”. Para Lutero, portanto, orar pelo pão nosso de cada dia é orar por uma ordem social prospera e justa.

Tim Keller

Em Juízes 11.30-31, Jefté faz um voto de sacrifício a Deus caso fosse vitorioso contra os inimigos de Israel. Ele só não...
04/08/2026

Em Juízes 11.30-31, Jefté faz um voto de sacrifício a Deus caso fosse vitorioso contra os inimigos de Israel. Ele só não esperava que sua filha única seria o sacrifício. Ora, Dt 12.31 afirma que sacrifício humano é “abominação” e que “o SENHOR odeia” tal coisa. Por que, então, Jefté faz esse voto?

Por causa das atrocidades cometidas pelas culturas pagãs ao redor. Jefté havia se tornado profundamente insensível à violência. Esse é um exemplo extremamente vívido e terrível de como podemos professar fé em Deus e praticar algumas verdades, mas permitir, ao mesmo tempo, que o mundo nos comprima dentro de seus moldes.

Hoje em dia somos mais propensos a deixar que atitudes secularizadas em relação ao s**o e ao dinheiro convivam sutilmente com outras crenças verdadeiras em nosso coração, embora Paulo tenha escrito: “não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente” (Rm 12.2).

Ao mesmo tempo, Jefté foi influenciado pelo entendimento pagão sobre a eficácia das obras de justiça em relação ao caráter de Deus. O sacrifício humano era uma forma de “subornar” um deus pagão. O adorador pagão usava o sacrifício humano para mostrar à divindade: “Veja como estou impressionado e maravilhado com o seu poder.”

O Deus da Bíblia, no entanto, deseja somente um tipo de sacrifício humano — o auto sacrifício de lhe oferecer o senhorio de todas as áreas de nossa vida. Todavia, isso não é feito para nos garantir o seu favor, mas como resposta a ele: “por causa das misericórdias de Deus [...] ofereçam seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus — esse é o ato espiritual de adoração de vocês” (Rm 12.1).

Jefté achou que precisava impressionar, comprar e controlar o Senhor por meio de um “presente” generoso. A catástrofe é que Deus já havia decidido (bem antes) libertar seu povo pecador (Jz 10.16) e usar Jefté nessa tarefa (Jz 11.29). Mas Jefté parece não ter nenhuma noção do Deus da graça. Para ele, Deus é basicamente igual aos deuses pagãos — um ser cujo favor pode ser conquistado por meio de adulação e sacrifícios extravagantes.

Será que muitos cristãos hoje também não estão tentando impressionar a Deus?

C. S. Lewis escreveu: “A própria condição de ter amigos é que deveríamos desejar algo além de amigos. Quando a resposta ...
20/07/2026

C. S. Lewis escreveu: “A própria condição de ter amigos é que deveríamos desejar algo além de amigos. Quando a resposta sincera à pergunta: ‘Você enxerga a mesma verdade?’ é: ‘Não vejo nada e não me importo com a verdade, só quero um amigo’, aí não pode surgir amizade alguma. A amizade precisa ser a respeito de alguma coisa […] Os que nada têm nada podem partilhar; os que não vão a lugar algum não podem ter companheiros de viagem” (Os Quatros Amores).

C. S. Lewis escreveu: “A própria condição de ter amigos é que deveríamos desejar algo além de amigos. Quando a resposta ...
20/07/2026

C. S. Lewis escreveu: “A própria condição de ter amigos é que deveríamos desejar algo além de amigos. Quando a resposta sincera a pergunta: ‘Você enxerga a mesma verdade?’ é: ‘Não vejo nada e não me importo com a verdade, só quero um amigo’, aí não pode surgir amizade alguma. A amizade precisa ser a respeito de alguma coisa […] Os que nada têm nada podem partilhar; os que não vão a lugar algum não podem ter companheiros de viagem.”

Em Juízes 8, a necessidade que Gideão tem de ser respeitado e honrado, e seu ódio mortal quando não recebe o que acha qu...
17/07/2026

Em Juízes 8, a necessidade que Gideão tem de ser respeitado e honrado, e seu ódio mortal quando não recebe o que acha que merece, revela que seu sucesso na batalha, fruto da ação de Deus apenas, foi a pior coisa que lhe aconteceu. Ele ficou viciado em sucesso, dependente de seus triunfos.
 
Assim, o recebimento de uma bênção divina pode facilmente ser acompanhado de um terrível perigo espiritual. O sucesso pode nos levar a esquecer a graça de Deus, pois nosso coração, pecaminoso, deseja ardentemente acreditar que podemos salvar a nós mesmos. Assim, a vitória dada por Deus pode rapidamente ser usada para confirmar que, na verdade, conquistamos a bênção por nós mesmos e que nós é que devemos receber louvor e glória pelo sucesso alcançado.
 
Imagine que um homem se esforce muito em seu trabalho porque tem de provar seu valor por meio do sucesso financeiro. Qual a pior coisa que lhe pode acontecer? A resposta óbvia é: fracasso profissional. Claro que quem baseia sua felicidade e identidade no trabalho f**ará devastado pelo fracasso profissional. Mas, pelo menos, talvez assim ele deixe de idolatrar o sucesso profissional dali em diante. Talvez descubra que posição social e dinheiro jamais farão dele um homem plenamente realizado, de jeito algum.
 
Na verdade, a pior coisa que pode acontecer a esse homem é o sucesso profissional. Porque o sucesso apenas confirmará sua falsa crença de que pode ser bem-sucedido sozinho e pode controlar a própria vida. Ele será mais escravo do sucesso e do dinheiro do que se tivesse fracassado. Será tomado pelo orgulho e achará que é superior aos outros. Assim, ele exigirá consideração e reverências de todo mundo.

Igrejas locais crescem em vida e vitalidade à medida que organizam sua vida ao redor da Palavra de Deus.Deus fala. As ig...
29/06/2026

Igrejas locais crescem em vida e vitalidade à medida que organizam sua vida ao redor da Palavra de Deus.

Deus fala. As igrejas devem ouvir e seguir. É simples assim. Quando uma igreja ouve e segue, começa a se parecer com aquele a quem está seguindo.

Assim, essa igreja reflete o amor e a santidade de Cristo e manifesta a sua glória.

Uma igreja se parece com Cristo à medida que o ouve.

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Porto Alegre, RS

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