Christian Lo Iacono

Christian Lo Iacono Cristão, Pastor da Igreja Evangélica do Caminho, Teólogo.

Jesus é um libertador muito improvável e às avessas. Ele não libertou seu povo por meio de um grande triunfo, mas por me...
26/05/2026

Jesus é um libertador muito improvável e às avessas. Ele não libertou seu povo por meio de um grande triunfo, mas por meio de uma derrota esmagadora. Deus, ao longo da história bíblica, mostra ao mundo que sua salvação não acontece de forma cinematográf**a.

Em Jesus, ela ocorre por meio de um marginalizado nascido em uma manjedoura; por meio da fraqueza, e não do que o mundo chama de poder; por meio da derrota, e não do que o mundo chama de vitória; por meio da loucura, e não do que o mundo chama de sabedoria.
 
Não cometamos o mesmo erro do rei Eglom, que olhou para o libertador Eúde - um “canhoto” (Jz 3.15), provavelmente deficiente físico, mas escolhido por Deus - e não lhe deu “nenhuma importância” (Is 53.3); por isso o rei moabita foi morto por Eúde.

Deus nem sempre usa métodos que achamos “normais” ou “óbvios” para realizar sua obra. Ao olharmos para o Cristo crucif**ado, vejamos o “poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1.24).

João Calvino:“Portanto, que todos — sejam reis, magistrados ou pastores da Igreja — saibam que, embora se esforcem ao má...
20/05/2026

João Calvino:

“Portanto, que todos — sejam reis, magistrados ou pastores da Igreja — saibam que, embora se esforcem ao máximo para cumprir seus deveres, sempre haverá algo que poderá ser corrigido e aprimorado. Aqui também vale a pena observar que nenhum mortal é capaz de fazer tudo, por mais numerosas e variadas que sejam suas aptidões. Pois quem se igualará a Moisés, que, como vimos, ainda não estava à altura da responsabilidade quando assumiu sozinho todo o cuidado de governar o povo? Que os servos de Deus aprendam, então, a medir cuidadosamente suas capacidades, para que não se desgastem ao abraçar ambiciosamente muitas ocupações.”

Moisés estava cansado em Êxodo 17 e precisou da ajuda de dois homens para continuar o trabalho - Arão e Hur. Agora, no capítulo 18, ele está cansado novamente, mas precisa de homens que o auxiliem a aliviar o fardo: “escolheu homens capazes, de todo o Israel, e os constituiu por chefes sobre o povo: chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez” (v. 25).

É preciso sabedoria para discernir a diferença entre pedir ajuda e dividir responsabilidades. Quando preciso de apoio? E quando preciso compartilhar a responsabilidade? Nenhum de nós é tão importante a ponto de Deus não conseguir realizar Sua obra sem nós. Como Calvino diz: “um raio de sol não ilumina o mundo”.

Humildade não signif**a fingir ser inferior ao que somos. Signif**a reconhecer que não somos tão poderosos quanto imaginamos. Quando entendemos quem somos — talentosos, amados e feitos à imagem de Deus, mas também imperfeitos, fracos e totalmente dependentes Dele —, naturalmente demonstraremos respeito, ouviremos os outros e desejaremos ver aqueles ao nosso redor prosperarem. Deus é o Soberano Supremo. Nós não somos. Portanto, precisamos uns dos outros.

Kevin DeYoung

A visão bíblica do amor não exclui emoções profundas… um casamento sem paixão e sem desejo emocional não cumpre a visão ...
18/05/2026

A visão bíblica do amor não exclui emoções profundas… um casamento sem paixão e sem desejo emocional não cumpre a visão bíblica. Ao mesmo tempo, a Bíblia não coloca o amor romântico em oposição à essência do amor, que é o compromisso sacrificial com o bem do outro (Keller, “O signif**ado do casamento”, p. 96).

Os antigos falavam que havia dois tipos de amor. Havia o amor benevolente, ou amor-serviço, que era um compromisso em servir ativamente em prol do bem de alguém, independentemente de como você se sentisse a respeito dessa pessoa no momento.

Depois, havia o amor-prazer, que consistia em sentir grande alegria e prazer em alguém. Quando nos casamos, é o nosso amor-prazer que nos leva a fazer uma promessa solene de amor-serviço.

Porém, como nossos sentimentos aumentam e diminuem, é o nosso amor-serviço que nos mantém unidos e renova continuamente nosso amor-prazer.

Como Jesus nos ordena a amar o próximo (e ele não pode estar querendo dizer que devemos sempre gostar do próximo), o amor-serviço talvez seja mais central ao entendimento bíblico de amor (Keller). No casamento, porém, ações e sentimentos são mutuamente interdependentes.

Muitas vezes vi evangelistas falarem, chorando, de seu amor pelas almas. Ora, é bem verdade que o Espírito Santo derrama esse amor em nossos corações.

Porém, será que não sentimentalizamos demais o amor, a tal ponto que quando precisamos fazer algum tipo de sacrifício concreto e trivial, às vezes sem ânimo algum, chegamos a pensar que isso não é amor?

Provavelmente sim. Vivemos numa era governada pelos desejos e emoções - até o gênero é definido por isso, mesmo contra as evidências mais palpáveis.

Agir assim hoje é ser “autêntico”. Que Deus nos ajude a ver a beleza do amor no sacrifício, assim como Jesus se sacrificou morrendo em nosso lugar numa cruz.

“Somente Deus pode preencher esse espaço que é do tamanho dele. Enquanto Deus não ocupar o devido lugar em minha vida, e...
12/05/2026

“Somente Deus pode preencher esse espaço que é do tamanho dele. Enquanto Deus não ocupar o devido lugar em minha vida, estarei sempre me queixando de que meu cônjuge não me ama, não me respeita e não me apoia como deveria” (O signif**ado do casamento, Tim Keller, p. 89).

Agostinho definiu pecado como “amor desordenado”. O pecado da covardia é amar sua própria segurança mais do que o bem de outra pessoa. Mentir é amar sua reputação ou alguma vantagem mais do que o bem e o direito dos outros à verdade.

Se eu amo minha carreira mais do que amo minha família, machucarei ou até perderei minha família. Mas, em última análise, o problema é que amamos algo mais do que a Deus. Se amo meu cônjuge mais do que a Deus, busco que ele/ela me forneça o tipo de amor estável, perfeito e incondicional que somente Deus pode dar.

Se eu não amo a Deus mais do que amo meu cônjuge, não amo meu cônjuge por ele mesmo. Eu o estou usando para atender às minhas necessidades e, portanto, meu alvo é meu bem estar.

Existe apenas uma solução. Façam tudo o que puderem para proporcionar “acesso a seu coração por amor daquele que é maior que o mundo”.

Tim Keller

“Os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e se esqueceram do Senhor, seu Deus; e renderam culto aos...
11/05/2026

“Os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e se esqueceram do Senhor, seu Deus; e renderam culto aos baalins” (Juízes 3:7).

Dizer que os israelitas se “esqueceram” de Deus não é dizer que eles apagaram da memória o grande livramento que Deus operou no Egito em favor deles, conduzindo-os até Canaã em segurança. “Esquecer” aqui signif**a que eles não eram mais controlados pelo que sabiam. Embora os israelitas soubessem quem Deus era e o que ele desejava, isso não era real para eles.
 
Portanto, o que nossa mente sabe pode NÃO ser “real” para o nosso coração e para todo o nosso ser. Podemos reconhecer intelectualmente que algo é verdade, mas, bem no íntimo, essa verdade não se apodera de nós, não nos sensibiliza, não nos controla.

Assim, o motivo de os israelitas (assim como todos nós) estarem sempre precisando de avivamento era o fato de que as verdades sobre Deus, outrora vibrantes e reais para eles, acabaram se tornando “irreais”.
 
Nosso coração é como um balde de água em um dia muito frio — acaba congelado se não quebrarmos continuamente o gelo que está se formando nele (Tim Keller). Embora conheçamos as verdades sobre Deus, podemos facilmente esquecer o signif**ado de sua realidade em nosso coração.

Conhecemos essas verdades, mas não as provamos, nem as “vemos”, nem as sentimos. Por isso, outras coisas — ídolos — se tornam mais reais para o nosso coração, e passamos a adorá-las.
 
Em 2Pedro 1.5-7 os cristãos são exortados a crescer em caráter: em bondade, autocontrole e assim por diante. Mas se eles não crescerem, Pedro diz (v. 9): “Pois aquele que não tem essas coisas é cego [...] e se esqueceu da purif**ação dos seus antigos pecados”. E ele continua no v. 12: “Por esta razão, sempre estarei pronto para fazer com que vocês se lembrem destas coisas, embora já as conheçam...”.
 
Pedro está dizendo que, se o perdão e a salvação de Cristo são reais para você, sua vida e seu caráter testemunharão deles. Precisamos ser lembrados do que já sabemos; precisamos que essas verdades trabalhem em nosso coração e sejam entendidas em nosso intelecto.

“— De minha parte dedico esta prata ao Senhor Deus a favor de meu filho. Será usada para fazer uma imagem de escultura e...
04/05/2026

“— De minha parte dedico esta prata ao Senhor Deus a favor de meu filho. Será usada para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição” (Juízes 17:3).

Um dos aspectos extraordinários de Juízes é a sutileza de sua narrativa. A vida espiritual de Israel tinha aspectos mais complexos do que uma simples decisão de não mais adorar o Senhor e passar a adorar um deus diferente. Na verdade, os israelitas combinaram o culto a Deus com o culto aos ídolos.
 
A cosmovisão pagã admitia a existência de muitos deuses (da agricultura, dos negócios, do amor, da música, da guerra), cada um com sua área particular de influência, e nenhum exigia senhorio sobre todas as áreas da vida. Nessa visão, cada pessoa tinha seu deus ou seus deuses, que eram escolhidos ou descartados dependendo dos interesses e necessidades do indivíduo. Era uma religião do tipo “self-service”, em que o adorador se mostrava o soberano.
 
A cosmovisão pagã, portanto, aceitava a existência, mas não a soberania exclusiva do Senhor. Ele era um entre muitos. Podia até ser o principal em um grupo de iguais. Mas não podia se declarar o único e verdadeiro Deus; não podia impor seu senhorio sobre cada centímetro quadrado da vida de seus adoradores; não podia dizer que adorar a outro deus era prostituição espiritual.
 
Foi esse sistema de crenças que impediu Israel de tomar posse de toda Canaã; foi esse sistema de crenças que a convivência com os cananeus incentivou e facilitou. O insucesso dos israelitas em conquistar totalmente a terra de Canaã foi consequência e evidência de não entregarem a Deus o domínio absoluto sobre todas as áreas da vida.

É fácil ver como isso pode acontecer hoje, pois nós, crentes, vivemos em um mundo descrente que nos oferece uma vasta coleção de “deuses” alternativos. Como essa tentação é muito sutil e nos permite continuar sendo membros da igreja, achando que não há nada de errado nisso, o maior perigo não é o de nos tornarmos ateus, mas, sim, querermos que Deus coexista com os ídolos em nosso coração.

O OBJETIVO da caminhada cristã não é a PUREZA HUMANA.“⁴³  — Quando o espírito imundo sai de uma pessoa, anda por lugares...
01/05/2026

O OBJETIVO da caminhada cristã não é a PUREZA HUMANA.

“⁴³ — Quando o espírito imundo sai de uma pessoa, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra.

⁴⁴ Por isso, diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí.’ E, voltando, ele a encontra vazia, varrida e arrumada.

⁴⁵ Então vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali. E o último estado daquela pessoa se torna pior do que o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa.”

Mateus 12:43-45

O OBJETIVO da caminhada cristã não é a pureza humana, mas a comunhão divina. Não nos compete varrer e embelezar a casa de modo que não seja encontrada nenhuma partícula de pó do mal, mas convidar nosso Senhor a habitar conosco e encher a casa do riso do perdão e da conversa da graça.

Como você aplica este versículo à sua vida?

Oração: “Senhor, tu sabes como estou sempre propondo um novo esquema para meu aperfeiçoamento pessoal e reduzindo meu papel na vida espiritual ao de uma faxineira, esfregando, tirando o pó e lustrando minha imagem moral. Preciso de ti, de tua presença. Vem para o meu coração, Senhor Jesus! Amém.”

Eugene Peterson

Deuteronômio 6.4-9,20-25 ensina os pais a repassarem sua fé aos filhos: 1. Temos de amar a Deus e guardar os seus mandam...
22/04/2026

Deuteronômio 6.4-9,20-25 ensina os pais a repassarem sua fé aos filhos:
 
1. Temos de amar a Deus e guardar os seus mandamentos de todo o coração (vv. 5-6). Isso quer dizer que não somos hipócritas nem inconsistentes. Não guardamos os mandamentos de forma mecânica ou parcial. Os mais jovens percebem qualquer incoerência nos mais velhos. Essa é a principal razão de a geração mais jovem abandonar a fé de seus pais, como ocorreu com a geração depois de Josué (Juízes 2.10).
 
Um exemplo disso é como a geração “baby boomer” (nascidos entre 1946 e 1960) abandonou o cristianismo tradicional ao notar que, de modo tácito ou até mesmo ativo, as igrejas apoiavam as políticas e práticas racistas e que muitas igrejas se opunham ao movimento dos direitos civis.
 
2. Temos de refletir sobre o evangelho e praticá-lo de verdade, não apenas de forma acadêmica ou abstrata. Dt 6.7 não está incentivando sermões regulares em família! As orientações para ensinar “... sentado [...] andando [...] ao deitar-se e ao levantar-se” se referem à vida rotineira e concreta.
 
Portanto, ensinar as verdades de Deus deve ser mais que uma série de sermões e aulas. Antes, temos de “inculcar” as verdades divinas, mostrando como Deus se relaciona ao viver diário concreto. Trata-se de um chamado para sermos sábios e atenciosos a respeito da influência que os valores e as virtudes do evangelho exercem em nossas decisões e prioridades em família, no dia a dia.
 
3. Os vv. 20 a 25 de Dt 6 ensinam que devemos vincular as doutrinas da fé aos atos salvadores de Deus em nossa vida. Devemos testemunhar sobre a diferença que Deus fez em nosso viver, como ele nos libertou da escravidão: “Éramos escravos [...] mas o SENHOR nos tirou de lá”. Não devemos falar apenas de crenças e comportamentos, mas de nossa experiência com Deus.
 
Temos de ser honestos sobre nossas lutas rumo ao crescimento. Temos de ser transparentes sobre como o arrependimento opera em nossa vida. Não devemos ser formais e impessoais ao expressar nossa fé. Em resumo, temos de ser coerentes no comportamento, sábios quanto à realidade e cordiais em nossa fé.

Muitas vezes não mudamos porque, na verdade, não queremos. Você pode reagir contra isso. “Tenho lutado contra o pecado h...
11/04/2026

Muitas vezes não mudamos porque, na verdade, não queremos. Você pode reagir contra isso. “Tenho lutado contra o pecado há anos”, você pode dizer. “Há anos que quero me libertar dele, e agora você me diz que eu realmente não quero?”.

Mas a verdade é que muitas vezes queremos mudar as consequências do pecado, mas não o pecado em si. Queremos fazer algo em relação à culpa, ao medo, aos relacionamentos danif**ados. Esses resultados podem ser uma forte motivação para buscar ajuda, mas, no fundo, ainda desejamos o pecado em si.

Em momentos de tentação, ainda pensamos que o pecado oferece mais do que Deus. As pessoas pedem ajuda para organizar a bagunça em suas vidas, mas na verdade não querem mudar o comportamento que está criando essa bagunça. Querem ajuda com dívidas, mas não querem mudar a idolatria das compras que gera hábitos de consumo nocivos.

As pessoas querem ajuda com relacionamentos rompidos, mas não querem mudar a idolatria do ego que cria o atrito. Imagine que você pudesse cometer um pecado sem nenhuma consequência — ninguém pensaria mal de você e nenhum julgamento viria de Deus. Você faria isso?

Responder que sim, sugere John Owen, não é muito diferente de pecar de fato. A implicação é que ainda amamos o pecado mais do que a Deus. A coisa não f**a pior porque tememos mais as suas consequências do que amamos o próprio pecado (Tim Chester).

“Mas aqueles que pertencem a Cristo”, diz Owen, “e cuja obediência é moldada pelos princípios do evangelho, têm a morte de Cristo, o amor de Deus, a natureza detestável do pecado, a preciosidade da comunhão com Deus, um profundo horror ao pecado como pecado, para se opor a todas as seduções do pecado” (“Mortif**ação do pecado”).

Portanto, a resposta é sempre a mesma: fé e arrependimento. Precisamos ir mais fundo para expor as mentiras em nossos corações e nos arrepender dos ídolos que ali habitam.

11/04/2026

Endereço

Porto Alegre, RS

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