23/05/2026
Não nos esqueçamos de que o alicerce principal da Umbanda é a mediunidade e, sem ela, a religião não se sustenta.
Muitos a entendem como incorporação, um crasso erro e reducionismo dos complexos processos de comunicação com o Além. A mediunidade também compreende vidência, audiência, telepatia, clarividência e clauriaudiência pelos desdobramentos dos corpos espirituais. Há, ainda, pessoas que dizem que essa "coisa de desdobramento" não é de umbandista. Sendo uma capacidade sensitiva extrassensorial natural dos espíritos encarnados e desencarnados, não se vincula especificamente a nenhum culto ou doutrina da Terra, tendo aplicação universal.
Insisto que é surpreendente a quantidade de cursos pagos teóricos, práticos e apostilados ensinando os interessados – independentemente de serem médiuns – a invocar campos de força eletromagnéticos em suas residências, assentar Otás – pedras sagradas – de Orixás sozinhos e até encaminhar espíritos sofredores, abrindo portais de mistérios em nome de magias poderosas. Ao final do dito curso, os alunos estarão consagrados em seus ministérios, tendo a "outorga" de ajudar e amparar em qualquer lugar, sozinhos. Inimaginável um verdadeiro médium fazendo incursões no Plano Astral, de regra em regiões de baixa densidade vibratória que caracterizam as zonas de socorro espiritual, como um passarinho querendo apagar um grande incêndio na floresta, sozinho. Sairá tostado, com certeza. Beira a irresponsabilidade e o genuíno engodo o que estão fazendo por aí certos "sacerdotes", em nome da nossa sagrada Umbanda.
É inconcebível um sacerdote umbandista falar e orientar uma comunidade enorme sem ter mediunidade ativa.
Caboclo Pery