10/08/2020
HONRAR E RESPEITAR A ANCESTRALIDADE É FUNDAMENTO DE UMBANDA.
Hoje resolvi falar da minha ancestralidade e consequentemente da ancestralidade desse terreiro em formação.
Pra quem não me conhece me chamo Suelen, sou sacerdotisa de umbanda e dirigente espiritual do Terreiro do Pai Ogum de Ronda e da Mãe Iemanjá, iniciei na umbanda de forma ativa com 24 anos, o primeiro contato como médium tive no Ceu Reino De Nanã Buruque, no ano de 2008, comecei na assistência como consulente e lá permanecei por uns 3 a 4 meses, sem faltar uma sexta-feira sequer, até certo dia que o Pai Ogum Megê, meu padrinho amado, junto com o Caboclo das Matas (mentor espiritual da casa) me convidaram a iniciar a caminhada mediúnica naquele terreiro sagrado. Lembro como se fosse hoje, a alegria que senti foi indescritível, sem nem mesmo pensar nos "contras" na responsabilidade, nas renúncias, aceitei, e aceitei de verdade, de coração, jamais pensei em renunciar a esta missão tão honrada. Então iniciei na corrente, (que nervoso) eu era muito curiosa e queria prestar atenção em tudo, logo na segunda gira como médium iniciante já deparei com um trabalho mais denso, os Exus da casa estavam levantando uma demanda, não senti medo algum, estava segura, mas queria ver tudo, e lá veio o primeiro "puxão de orelha" na verdade o primeiro ensinamento, a Maria Padilha do terreiro vendo que ao invés de estar concentrada na gira, estava a prestar atenção no trabalhho executado pelos exus e pomba giras, ela virou com tom áspero, mas ao mesmo tempo amado e disse: "Para ser boa médium é preciso concentração no congá, dali saem as nossas forças", eu pedi desculpa e assim o fiz, concentrei na imagem de Pai Oxalá e segui firme e concentrada.
Desde que iniciei tive o amparo do Pai Ogum Mege, meu padrinho e da sua médium Simone Machado, além do Caboclo das Matas e Seu Flavio Machado, também não posso esquecer da Mãe Cabocla das Pedras e sua médium Maria Anita e o Pai Pena Dourada e sua médium Viviane Machado.
Passado algum tempo a Simone Machado se desligou do terreiro e eu a segui, pois sabia que minha missão permaneceria ao lado dela e agora que começo a aprender e estar mais ativa com a minha mediunidade e espiritualidade.
Assim segui, na verdade seguimos, e com a graça do Divino Criador, da Mãe Nanã, Pai Ogum Megê e da sua filha, fundou-se o TEUS TEMPLO DE NANÃ BURUQUÊ E OGUM MEGÊ, lembro como se fosse hoje, primeira reunião, primeira ata, 5 médiuns sem um espaço fisico para o templo, mas com muita vontade de praticar a caridade e levar a bandeira de Oxalá adiante. Com isso tudo eu aprendi muito, aprendia diariamente, eu nem sabia firmar uma vela de anjo de guarda, mas a Simone como nossa dirigente espiritual e os guias que a amparam, não mediram esforços para nos ensinar tudo, ensinar TODA A BASE que eu tenho, permaneci no templo durante quase 11 anos, lá minha sementinha foi semeada e cultivada a cada segundo da minha vida, poderia ficar mais 11 anos relatando tudo que aprendi nesse templo, e ainda teria história para contar, participei de tudo, quase todas as giras, em todos os meus momentos, durante minhas duas gestações, de pé quebrado, após cirurgia, com frio, com chuva, com raios. Participei e fazia questão de participar de todas as "obrigações", firmezas, batismos, casamentos, e assim aprendi tudo que sei. Mas como o barco para chegar ao seu porto tem que seguir, assim aconteceu, no inicio confesso que não entendi nada, até fiquei revoltada, NUNCA ALMEJEI A ABERTURA DE UM TERREIRO, e o pior falava isso para todos, mas como quem manda em mim está na Aruanda, aqui estou eu como dirigente espiritual, de um terreiro de umbanda de Meu Pai Ogum de Ronda, com medos e inseguranças, mas com uma base de aprendizado solida, séria e de fundamento, graças aos meus Ancestrais, graças a minha Ancestralidade e a ancestralidade do terreiro, que tenho plena certeza que me ampara e ampara os meus até hoje e assim seguira.
Sim eu ainda me sinto e sou filha de OGUM MEGÊ e NANÃ BURUQUE, sim ainda sou filha da Simone Machado, ai de quem disser que não! E ainda tenho raízes com Pai Caboclo das Matas e todos que me ampararam pra eu chegar até aqui.
Eu Aprendi muito durante esse tempo de umbanda, e dentre esses aprendizados eu tb aprendii que honrar a ancestralidade também é fundamento básico de umbanda, não importando nunca se ainda está no terreiro que lhe abriu as portas para o sagrado ou não.
Na umbanda não há coincidência, se você passou por um determinado terreiro, seara, templo era porque você precisava daquele axé, daquela casa, daquela energia e daquele aprendizado, honre isso!!!
Esse mês completa um ano de "afastamento" físico do TEUS, um ano que meu barco voltou pro mar em busca do Seu Porto, um ano que iniciei na missão de dirigir o TERREIRO DE UMBANDA OGUM DE RONDA E IEMANJÁ, e isso só foi possível por causa dos ensinamentos daqueles que fazem parte da minha ancestralidade!!!
Eu saúdo e reverencio a força de cada um de vocês, saúdo e reverencio a força dos solos sagrados pelos quais pisei.
Que eu seja benção na vida daqueles que vierem até mim, assim como vocês foram na minha!!!