07/03/2026
CENTRO AFRICANO REINO DE XANGO
TRAJETÓRIA DO BABALORIXÁ JORGE VERARDI DE XANGÔ E JOSÉ ANTÔNIO SALVADOR DE IEMANJÁ
Tudo começou com o Babalorixá Jorge Verardi de Xangô Godo Bomi, em 1977.
Mas, vamos começar a falar de José Antônio Salvador:
Nascido em 16 de julho de 1965, no município de Canela/RS, situado na região serrana do Estado do Rio Grande do Sul, em uma família de origem ítalo-germânica, tradicionalmente vinculada à fé católica. É filho de Claside Salvador e Maria Terezinha dos Santos Salvador, tendo sido criado em um ambiente familiar marcado por valores de respeito, trabalho e observância das tradições.
Durante a infância, José Antônio enfrentou graves problemas de saúde, circunstância que se revelou decisiva para o desenvolvimento de sua trajetória espiritual. Foi nesse período que ocorreu seu primeiro contato com as religiões de matriz africana, experiência que, segundo sua própria narrativa de vida, contribuiu significativamente para a recuperação de sua saúde e para o despertar de sua vocação espiritual.
Esse encontro com a tradição religiosa afro-brasileira transformou-se, ao longo do tempo, em uma jornada de dedicação contínua à fé, à preservação cultural e à defesa das religiões de matriz africana.
Ingresso na religião
José Antônio Salvador ingressou nas religiões afro-brasileiras aos 11 anos de idade, iniciando sua formação espiritual no Batuque do Rio Grande do Sul, tradição religiosa profundamente enraizada na cultura afro-gaúcha, bem como na Umbanda, outra importante expressão da religiosidade de matriz africana no Brasil.
Seu processo de formação religiosa ocorreu sob a orientação do Babalorixá Jorge Verardi, conhecido dentro da tradição espiritual como pai Jorge Verardi de Xangô, sacerdote respeitado no meio religioso afro-gaúcho.
Sob a condução de seu pai de santo, José Antônio passou a participar das atividades da casa religiosa, das obrigações espirituais e da convivência comunitária que caracteriza as casas de religião.
No ano de 1982, quando contava 17 anos de idade, foi consagrado Babalorixá por Jorge Verardi, assumindo responsabilidades cada vez maiores dentro da estrutura religiosa da casa.
Além da consagração sacerdotal, tornou-se também o primeiro filho de santo de Jorge Verardi, vínculo espiritual que marcaria profundamente sua caminhada religiosa.
Durante muitos anos, José Antônio Salvador atuou diretamente ao lado de seu pai de santo, auxiliando na condução das obrigações religiosas, na organização das atividades da casa e no acompanhamento da família de santo.
Até aproximadamente o ano de 2004, exerceu também a função de padrinho espiritual da quase totalidade dos irmãos de santo da casa, responsabilidade que posteriormente passou a ser compartilhada com outros integrantes da família religiosa.
A linhagem religiosa
A formação espiritual de José Antônio Salvador está inserida em uma importante linhagem do Batuque do Rio Grande do Sul, pertencente à tradição da nação Ijexá-Jeje.
Na origem dessa linhagem encontra-se a figura de Mãe Marfisa de Oxalá, sacerdotisa respeitada dentro da tradição afro-religiosa.
Entre seus filhos de santo destacou-se o Babalorixá Leopoldo Pires, conhecido no meio religioso como Pai Leopoldo de Iansã, figura histórica dentro do Batuque gaúcho.
Pai Leopoldo destacou-se não apenas como sacerdote, mas também como tamboreiro, função ritualística de enorme importância dentro das casas de religião, responsável pela condução dos toques sagrados que acompanham as cerimônias espirituais.
Entre os filhos de santo de Pai Leopoldo encontram-se:
Jorge Verardi — Xangô Godô Bomi
Vino de Xangô Godô
Liana de Oxum Demun
Essa linhagem espiritual constitui o fundamento religioso no qual se insere a trajetória de José Antônio Salvador.
Cabe registrar que José Antônio Salvador teve como primeiro padrinho espiritual seu avô de santo, Pai Leopoldo de Iansã.
Após o falecimento de Pai Leopoldo, essa responsabilidade espiritual passou a ser exercida pelo Babalorixá Vino de Xangô Godô, também filho de santo de Pai Leopoldo e conselheiro da AFROBRAS – Federação das Religiões Afro-Brasileiras.
Com o falecimento de Pai Vino, ocorrido em 2004, essa função espiritual passou a ser exercida pela Yalorixá Liana de Oxum Demun, esposa de Pai Vino e uma das conselheiras mais antigas da AFROBRAS.
Sucessão espiritual e legado
Antes de seu falecimento, ocorrido no ano de 2020, o Babalorixá Jorge Verardi — Xangô Godô Bomi decidiu formalizar juridicamente a continuidade de seu legado religioso.
Para tanto, deixou testamento público universal registrado em cartório, no qual legou a José Antônio Salvador a totalidade da parte disponível de seu patrimônio, com o objetivo de garantir a continuidade de sua obra espiritual.
Esse gesto representou não apenas uma disposição patrimonial, mas também um reconhecimento da relação de confiança e convivência construída ao longo de décadas entre pai de santo e filho de santo.
Nesse documento, Jorge Verardi manifestou sua vontade de que José Antônio Salvador fosse responsável por preservar e dar continuidade ao legado religioso por ele construído, tanto no Centro Africano Reino de Xangô quanto na AFROBRAS – Federação das Religiões Afro-Brasileiras.
Vida familiar
No ano de 1987, José Antônio Salvador conheceu Marisa Delgado, com quem iniciou um relacionamento que se consolidaria alguns anos depois.Em 1993, se casaram.
Marisa Delgado passou a atuar diretamente na AFROBRAS, onde até os dias atuais desempenha um importante papel no acolhimento e na recepção dos associados da entidade, sendo reconhecida pela dedicação e pelo cuidado no atendimento à comunidade religiosa.
Da união nasceu Paola Delgado Salvador, que também seguiu os caminhos da tradição religiosa da família.
Paola tornou-se filha de santo de Jorge Verardi, realizando sua primeira obrigação religiosa aos cinco anos de idade e sendo consagrada Yalorixá aos dez anos, tornando-se uma das continuadoras da tradição espiritual da família.
Centro Africano Reino de Xangô
José Antônio Salvador atua como dirigente GARANTIDOR do Centro Africano Reino de Xangô, casa religiosa dedicada à preservação das tradições afro-brasileiras e à continuidade dos fundamentos transmitidos por sua linhagem espiritual.
O Centro Africano Reino de Xangô está localizado no seguinte endereço:
Rua Francisco da Silveira Pastoriza, nº 71
Bairro Hípica
Porto Alegre – RS
CEP 91755-060
Ao longo dos anos, a casa consolidou-se como um espaço de acolhimento espiritual, preservação cultural e continuidade da tradição religiosa.
Cabe registrar que existem outros irmãos de santo que, por decisão exclusiva de José Antônio Salvador, também participam da condução das atividades da casa, possuindo seus próprios filhos de santo e convivendo de forma pacífica e harmoniosa dentro do mesmo espaço religioso.
Também se registra que parte do patrimônio que anteriormente pertencia ao herdeiro necessário de Jorge Verardi foi posteriormente adquirido por Bruno de Oxalá, último filho de santo iniciado por Pai Jorge Verardi, mantendo assim o vínculo desse patrimônio com a própria família religiosa e com a continuidade das atividades espirituais do Reino de Xangô.
Irmãos que mantêm seus Orixás no Reino de Xangô
Entre os irmãos de santo que mantêm seus Orixás assentados no Reino de Xangô, destacam-se:
Robson de Odé
Bruno de Oxalá
Paola de Iemanjá
Filipe de Bará
Luan de Iemanjá
Rita de Iemanjá
Outros irmãos possuem sua casa própria, porém ligadas diretamente com o CARX, é o caso do irmão Juliano de Xangô de Encruzilhada do Sul e diversos irmãos na Argentina.
Atuação institucional na AFROBRAS
A relação de José Antônio Salvador com a AFROBRAS – Federação das Religiões Afro-Brasileiras teve início ainda muito cedo.
Antes mesmo de integrar formalmente a direção da entidade, já colaborava com suas atividades durante a presidência de Emílio Campos da Rocha, que dirigiu a instituição entre 1973 e 1985.
Em 1985, José Antônio Salvador foi eleito para integrar a Diretoria Executiva da entidade, sendo necessário seu processo de emancipação civil, uma vez que a maioridade legal na época era de 21 anos.
Ao longo de sua trajetória institucional, exerceu funções como tesoureiro e posteriormente vice-presidente da entidade.
Com o falecimento de Jorge Verardi em 2020, assumiu estatutariamente a presidência da AFROBRAS, tendo sua eleição posteriormente confirmada no ano de 2023.
Formação jurídica e atuação pública
A convivência cotidiana com membros da comunidade religiosa e a observação de diversas situações de injustiça enfrentadas por praticantes das religiões afro-brasileiras despertaram em José Antônio Salvador o interesse pelo estudo do Direito.
Motivado por essa realidade, ingressou no curso de Direito da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, onde se formou no ano de 1995.
Ao longo de sua trajetória profissional também atuou em diferentes instituições públicas, entre elas:
Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul
Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul
Câmara dos Deputados
Secretaria Estadual da Saúde, onde exerceu a função de Diretor Administrativo Substituto.
Continuidade da família de santo
Entre os filhos de santo de José Antônio Salvador destacam-se:
Ana de Oxum Demun – Uruguaiana
Lisandra de Ogum
Valmor de Ogum
Sandra de Oxum Pandá
Felipe de Oxum Pandá
Maurício de Oxalá
Entre os afilhados espirituais:
Paola de Iemanjá
Noeli de Iansã
Rita de Iemanjá
Javier de Ogum – Argentina
Alfredo de Ogum – Argentina
Domingo de Xangô – Argentina
Patrícia de Oxalá – Argentina
Luiz Henrique Rache de Oxalá
Silvia de Bará – Argentina
Danusa de Iemanjá
Luan de Iemanjá
Entre os sobrinhos de santo:
Daniela de Oxum Pandá
Fernando de Oxum Demun
Bruna de Oxalá.
Foram aqui mencionados os filhos, irmãos, afilhados e sobrinhos de santo mais presentes na caminhada religiosa, sem prejuízo da existência de outros integrantes da família espiritual.
Liderança religiosa e institucional
Atualmente, José Antônio Salvador atua como:
Babalorixá dirigente GARANTIDOR do Centro Africano Reino de Xangô; Presidente da AFROBRAS – Federação das Religiões Afro-Brasileiras e Advogado.
Sua trajetória reúne liderança espiritual, atuação institucional e defesa da liberdade religiosa, dedicando-se à preservação das tradições afro-brasileiras e à continuidade da linhagem espiritual do Reino de Xangô.