16/06/2024
Vai Francisco e reconstrói minha casa que está toda em ruínas
Francisco de Assis buscava um sentido para a sua vida. Viveu um pouco do que lhe proporcionava a posição social da família, passando por vazio existencial, também experimentou o pavor da guerra, mas teve a graça de conhecer o Evangelho de Cristo. E no propósito de viver o Santo Evangelho, depois que o Senhor lhe deu muitos irmãos e irmãs e colocou os pobres em seu caminho, o Espírito de Deus o conduziu num itinerário de conversão. Chegou num estágio em que seu viver era o constante querer fazer a vontade de Deus. E tomado pela inquietação do divino chamado, Francisco se encontrava orando na igrejinha de São Damião, onde e quando recebeu de Cristo o envio para reconstruir a obra de Deus.
Num primeiro momento, Francisco agiu sob a compreensão de que deveria simplesmente reerguer pedra sobre pedra de uma capela em ruínas. Mas esse exercício espiritual de um trabalho simples, completamente devotado ao Senhor, foi ampliando sua visão e o alcance do seu testemunho. E o pobrezinho de Assis fez uma grande revolução no mundo, a partir do chamado que ouviu do crucifixo de São Damião, “vai e reconstrói minha casa que está toda em ruínas”. A “casa de Deus em ruínas” é uma pequena igrejinha, é toda a Igreja de Cristo, mas é também o planeta Terra, a nossa casa comum. E Francisco construiu em si esta compressão e ajudou a reconstruir a casa de Deus.
Estamos num momento em que o chamado que Francisco recebeu, “vai e reconstrói minha casa”, agora ecoa em nosso coração como um clamor da vida que precisa de cuidados, uma convocação que se expressa pela própria casa comum em ruínas. Que possamos auscultar o grito da Terra que pede solidariedade, justiça e paz com toda a criação. E que possamos agir como Francisco de Assis, que também nos deu este ensinamento: “Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível”.
Com esta inspiração francisclariana quero iniciar o ministério na Paróquia do Redentor, na Cidade Baixa de Porto Alegre, dando continuidade na missão junto da Paróquia da Ascensão, no bairro Teresópolis e da Comunidade Santo Anto André de Guaíba, que foi tomada pela enchente e agora está sendo reorganizada.
As orações são estimadas e sempre necessárias. Bem como o apoio e a presença de quem acredita e luta pelos ideais, sonhos e propósitos de “ir e reconstruir a casa de Deus”.
E pela graça de Deus e o empenho de pessoas comprometidas, hoje encontramos a Paróquia do Redentor em fase de construção de uma parceria com o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos que está reunindo lideranças comunitárias para o Ponto de Solidariedade, Cultura e Ação Social. Um projeto sociocultural que já vem somando esforços e mobilizando na ajuda das vítimas da enchente. E assim, seguiremos nos mobilizando em ações concretas em defesa da vida para atender ao chamado “reconstrói minha casa”.
Paz e Bem!
Reverendo Pilato Pereira – IEAB