19/12/2025
A última vida de Maria Padilha das Almas de Afuá, contada por ela.
Nasci na França, por volta do ano 1308, em uma época em que os casamentos eram arranjados e se tratavam mero negócio, enquanto que a verdadeira mulher amada era mantida de forma reservada: uma amante em uma redoma de luxo.
Era o grande amor de um homem poderoso que me mantinha como em um castelo com todo o luxo e glamour que se podia ter naquela época. Além de amor, eu tinha as mais caras e deslumbrantes roupas e joias, carruagens, inúmeros servos, todos os utensílios do castelo em prata, enfim, um verdadeiro tesouro e cuidado dignos de uma rainha.
Eu era uma das mulheres mais belas daquela época e era obcecada em manter minha beleza e juventude. Essa obsessão me levou a usar todo e qualquer método que ficava sabendo ser eficaz para continuar linda de jovem, tais como: cremes, perfumes, banhos, óleos, unguentos, até magia e encantamentos, incluindo banhos com sangue humano. Nada me importava, nenhuma consequência ou preço a pagar, qualquer coisa que ficasse sabendo que me levaria à eterna beleza e juventude, praticava sem algum peso na consciência.
Um dia, uma caravana de ciganos passou pelo meu castelo e uma das ciganas disse que me ensinaria feitiços e encantamentos para manter minha obsessão e, infelizmente, acreditei, dando início ao primeiro passo rumo à minha ruína.
Essa cigana me enganou, encantou meu amado, deixou ele tão obcecado por ela ao ponto de eu ficar ouvindo os dois no quarto ao lado, sem ele se importar com meus sentimentos.
Depois que ela conseguiu tirar tudo que queria dele, ela roubou absolutamente tudo que era meu, levou todas as joias, roupas, itens valiosos, deixou meu castelo vazio e fugiu.
A tristeza, a desilusão e a decepção foram tão grandes que adoeci, perdi todas as forças de lutar por qualquer coisa, enfraqueci e, com o corpo fraco, foi como deixar uma porta aberta para a peste que assolava o povo naquele momento.
Em total desespero e abandono, fraca e doente, saí caminhando pela estrada e, ali mesmo, caí sozinha, sem esperança e sem salvação pra mim.
Morri na beira da estrada sozinha, tomada pelo ódio e rancor, tendo a companhia de um corvo que apareceu e ficou ao meu lado até meu último suspiro, tornando-se meu companheiro no plano espiritual até os dias de hoje.
Devido a minha raiva e revolta, não conseguia aceitar o que tinha me acontecido e, com isso, fiquei vagando pelo plano astral sem aceitar ajuda.
Fui colocada em uma jaula suspensa sob lama fervente, onde fiquei por cerca de 400 anos, mesmo assim não conseguia aceitar e aplacar a dor e a revolta que me consumiam.
Após, fui colocada em uma caixa exatamente do meu tamanho, onde não conseguia me mover e ver nada. Fiquei ali por mais cerca de 200 anos até refletir e entender que eu tinha que superar aquela dor e seguir adiante.
Com esse entendimento, fui procurada pelos trabalhadores do Sr. Maioral, para integral o rol dos seus trabalhadores, quando, então, comecei minha jornada e aprimoramento até me tornar uma pombogira.
Comecei a chegar nesse mundo como pombogira, no corpo de um homem, com quem trabalhei até ele desencarnar.
Depois, iniciei com a moça com quem trabalho há 26 anos, como pombogira frenteira em parceria com meu grande companheiro de trabalho exu Tranca Ruas A. Bomani, ajudando pessoas, salvando vidas, trazendo entidades para trabalhar nesse mundo junto com seus médiuns, levando a força e a palavra de exu de lei a tudo e a todos.
Nota da redatora Liége P. L. : conheci o trabalho da Maria Padilha das Almas de Afuá há cerca de cinco anos, quando cheguei até ela mais morta do que viva. Sou testemunha da força de trabalho e sabedoria desta entidade. Ela me tirou praticamente da cova, me levantou, acolheu e orientou, me acalmou e mostrou que eu tinha me perdido de mim mesma. Ela me fez lembrar da minha força e propósito, me deu caminho, direção e prosperidade. Tudo isso através da verdade e sem me poupar da dor de olhar para dentro de mim mesma, aceitando meus erros e más escolhas. Ao longo desse tempo presenciei ela salvando vidas enquanto bebe uma taça de espumante e fuma um cigarro, levando esperança a quem lhe procura. Vi uma pessoa tatuar “a verdade liberta”, após a Padilha esclarecer que toda a vida dela, até então, tinha sido uma grande mentira, fazendo com que essa mulher pudesse renascer em vida.
Maria Padilha das Almas de Afuá sempre cumpre o que promete e jamais abandona quem está debaixo de sua capa, como ela mesma diz, porém, jamais passando a mão por cima de erros, sopensando aquilo que é do merecimento de cada ser humano.
Ela é caminho, verdade, sabedoria e milagre na vida de quem tem o privilégio de conhecê-la.
Laroyê, dona Padilha!!