Casa Amarela Asè Ladekoju

Casa Amarela Asè Ladekoju Sociedade Holística de Estudos do Culto de Orixás e Ifá

30/04/2025

Conhecimento é tudo!

Comunicações com os Ancestrais(continuação … Parte XIII / XIII)A divinação com Quatro Búzios - Parte IVD. A INTERPRETAÇÃ...
14/04/2025

Comunicações com os Ancestrais

(continuação … Parte XIII / XIII)

A divinação com Quatro Búzios - Parte IV

D. A INTERPRETAÇÃO DA QUEDA DOS BÚZIOS.

O próximo nível de interpretação dos búzios baseiam-se na sua queda na esteira após o lançamento dos mesmos.

Nas partes anteriores deste estudo sobre Divinação com Quatro Búzios, já foi descrito alguns dos paradigmas que são criados ao dividir o círculo em quatro quadrantes.

Agora o estudo é das quedas dos búzios com mais profundidade.

Cada braço da cruz de lados iguais que divide o círculo tem o que é chamado de esfera de influência.

Na esfera criada para estudar os quadrantes temos:

esfera de orientação: pontos 1 – 2 – 3 – 4.

e a esfera de influência: pontos a – b – c – d.

Neste diagrama, todos os búzios que se enquadram no quadrante marcado entre a. e b, ficariam sob a influência do braço da cruz marcado com “1” os búzios que ficam entre b. e c. é influenciado pelo braço da cruz marcado “4”, os búzios que ficam entre c. e d. é influenciada pelo braço da cruz que está marcado “2”, os búzios que ficam entre d. e a. são influenciados pelo braço da cruz que está marcado com “3”, conforme desenho.

Dependendo da natureza da questão, podemos pegar um dos quatro paradigmas estudados anteriormente, “A divinação com Quatro Búzios – Parte III”, e sobrepô-la na esteira, dando a cada polaridade um quarto do segmento da superfície do círculo.

Isto pode parecer complicado no início, mas com a prática o significado dos modelos ficará facilmente claro.

Como exemplo apresento uma pergunta típica;

"Devo mudar de emprego?"

Digamos que os búzios caem na esteira na seguinte sequência:

(“0” representa a boca e “X” representa o estômago do búzio):

Usando este exemplo, temos dois búzios com a boca voltada para cima e dois búzios com o estômago voltado para cima.

Referindo-nos ao nível de interpretação “sim/não”, observamos que a resposta à pergunta é Ejife e que significa “sim”.

O Awo responderia à pergunta de exemplo dizendo;

“Sim, essa pessoa deveria mudar de emprego.”

Observando a colocação dos búzios é possível comentar mais detalhadamente do processo da queda orientando sobre a mudança de emprego.

A maneira como isso é feito é necessário localizar tanto a posição dos búzios quanto a orientação dos búzios.

A posição significa a sua localização dentro do círculo e a orientação significa qual o lado dos búzios estão voltados para cima.

Quando um búzio está com a face voltada para cima, o “ire” ou a bênção do espírito consultado se manifesta.

Quando o búzio está com a barriga voltada para cima está indicado o “ibi” ou seja, o que precisa ser descartado, o ibi não é um “mal” e a configuração também não é um “mal”.

Muitas vezes o “ibi” nos faz pensar na necessidade de efetuar alguma mudança, seja na forma de pensamento, de hábito ou da necessidade de se afastar de alguém.

Às vezes isso pode ser muito difícil e doloroso.

Ao se identificar as áreas de resistência é possível transformar esses problemas num esforço para garantir a transformação do ruim em bom.

Se voltarmos ao nosso exemplo, vemos que os búzios com a boca voltada estão nos quadrantes que pertencem aos braços 1 e 2 da cruz.

Estas são as áreas dentro do paradigma onde as bênçãos (ire) se manifestam no momento em que a pergunta foi feita.

Os búzios com a barriga voltada para cima que estão nos quadrantes pertencentes aos braços 3 e 4 da cruz.

A questão do porque da mudança de emprego pode surgir de diversas perspectivas diferentes.

Se a pessoa que faz a pergunta estiver insatisfeita com seu trabalho atual, ela teria o bom senso de formular a pergunta dentro de um paradigma psicológico.

Para determinar quais os fatores psicológicos que precisam ser equilibrados para fazer uma mudança eficaz no emprego,

Sobreponha o paradigma da psicologia Ifá na esteira, que é determinar em quais quadrantes dentro do círculo contêm os búzios.

Dessa forma estaremos prontos para examinar cada búzio individualmente e determinar a mensagem sugerida pela situação e orientação dada de cada búzio.

Orientação significa determinar se o búzio caiu com a boca voltada para cima ou com o estômago voltado para cima.

Se a boca de um búzio estiver voltada para cima em um determinado quadrante, isso sugere que a pessoa que faz a pergunta está em harmonia com seu destino, dentro do aspecto do problema.

Se o estômago de um búzio estiver voltado para cima em um determinado quadrante, isso sugere que a pessoa que faz a pergunta está resistindo ao seu destino, no mesmo aspecto do problema.

Voltando ao nosso exemplo, estamos considerando a questão;

"Devo mudar de emprego?"

Usando nossa amostra lançada, já foi observado que a resposta é Ejife, o que significa um “sim”.

Olhando para a esteira em nosso exemplo, vemos que existem
um búzio com a boca voltada para o quadrante entre a. e b, e que existe um outro búzio também com a boca voltada para cima no quadrante entre c. e d.

Os búzios restantes têm estômagos voltados para cima, um deles no quadrante entre b. e c, e o outro búzio está no quadrante entre a. e d.

Se começarmos pelo topo da esteira, que é a parte mais afastada do divinador, vemos que o búzio que está no quadrante entre a. e b, é influenciado por “ipori”.

Esse búzio tem a boca voltada para cima.

A boca traz boa sorte (ire), é a qualidade expansiva da natureza que faz você pensar em ação.

Considerando a Cosmologia de ifá, o iporí é nosso duplo astral no Orún (plano superior ou céu).

Nas considerações ocidentais, o iporí é o aspecto eterno e transcendente da alma (imortalidade da alma).

O iporí representa nosso destino mais elevado.

A interpretação do búzio no quadrante entre a. e b, seria que uma mudança de carreira fosse consistente com o destino da pessoa que fez a pergunta.

Passando para o quadrante entre c. e d. que vemos que o búzio que olha para cima é influência pelo Orí.

O Orí é a mente consciente de quem faz a pergunta.

Na resposta à pergunta, o búzio indica que a pessoa deseja claramente mudar de emprego.

No quadrante entre b. e c, o búzio influenciado pelo èmì tem o estômago voltado para cima.

O estômago voltado para cima representa que precisa ser descartado (o ibi).

Em Ifá o èmì é a sede das emoções, a posição e orientação deste búzio sugerem que existe alguma forma de oposição emocional à ideia de mudar de emprego.

Neste caso, o medo da mudança e a dúvida sobre o futuro são prováveis fontes de tensão emocional.

Assim vemos que a pessoa que faz a pergunta precisa passar por algum processo de transformação emocional para mudar de emprego de forma eficaz.

O último búzio está localizado no quadrante entre a. e d. com o estômago voltado para cima.

Novamente é o lado que traz o ibi.

Este búzio está sob a influência do corpo físico (Ara).

Com o búzio nesta posição, o divinador ofereceria uma advertência contra doenças causadas pelo estresse.

Mudar de emprego pode exigir uma mudança até mesmo nos hábitos pessoais relacionados com horários, a saúde e a higiene.

O Orí inú no centro da esfera representa a consciência equilibrada.

É tarefa do divinador ajudar o consulente a encontrar o equilíbrio dentro do domínio das influências sobre um problema específico.

No exemplo dado, há harmonia entre a aspiração consciente (Orí) e a influência espiritual (ipori).

Existe resistência emocional à mudança e ameaça de doença.

O conselho que deveria ser dado para garantir acima de tudo a harmonia e o equilíbrio seria libertar as emoções negativas associadas à mudança e ter especial cuidado com as considerações de saúde.

Uma vez dada esta interpretação da questão inicial, os búzios podem partir para determinar as melhores formas de lidar novamente com possíveis dificuldades.

Haverá dois búzios às vezes no mesmo quadrante.

Um pode estar de barriga para cima e o outro também de barriga para cima.

O búzio que serve para designar a orientação é o búzio é o que está na parte superior da esteira ou seja, a parte mais afastado do divinador, lembrando que o topo da esteira também é a área externa onde o divinador se senta.

Usar este método de interpretação é complexo e requer um estudo sério e prática para ser eficaz.

Cada um dos quatro paradigmas do estudo anterior pode ser imposto na esteira dependendo da questão.

No entanto, algumas questões podem ser influenciadas por fatores que não estão incluídos nos paradigmas mostrados.

Nesse caso, o divinador terá que examinar as forças que estão atuando e posicioná-las dentro dos quadrantes do círculo.

A maneira mais simples de fazer isso é colocar o problema na posição número “dois”, a resolução do problema na posição número “um”, a conceituação do processo de resolução na posição número “três” e a ação para a resolução na posição número quatro.

As regras para fazer uso desta dimensão do oráculo não são rígidas.

Ao trabalhar com esse sistema, o divinador encontrará paradigmas que fazem sentido para ele e que lhe darão clareza.

Ao fazer isso, a pessoa estará dando a entidade espiritual consultada um vocabulário mais amplo para se comunicar.

Pelas experiencias de divinadores, esse processo também tem a função de estimular a intuição do divinador.

No início às vezes é difícil confiar na intuição, então deve dar-se a chance de se cometer erros.

A chave para a melhoria é revisar continuamente os resultados de seus esforços de divinação.

Isso requer coragem para se admitir erros e a capacidade de determinar objetivamente a fonte da sua própria confusão.

Para fazer isso, é recomendado que o divinador mantenha um diário de suas consultas com os búzios e que inclua um diagrama de como os búzios caíram no círculo.

Assim o divinador poderá comparar seus resultados com a previsão, e retomar ao exame dos modelos que ficaram registrados.

Este processo abrirá uma camada de profundidade e confiança no sistema que não estará confiando simplesmente em respostas de “sim e não”.

Awo Olaifá Odusola Aworeni

Referências:

Existem vários livros disponíveis em formato PDF na Internet que ensinam as diferentes formas de consultar búzios, porém, sugiro consultarem livros para babalaôs e Iyanifás experientes, dentre eles destaco os abaixo:

Chief Ayobunmi Adesola Ifakayode, Rezos y Cantos para todos
los religiosos practicantes de Ifá y Osha, 1998.

A. Epega, Obi El Oracle Místico de Adivinación de Ifá, Imole Oluwa, Instituto de Publicación, junio 1985.

F.A.M. ADEWALE-ABAYOMI (Mrs.) a.k.a. FAMA

Chief FAMA (FAMA Aina Adewale-Somadhi)

Comunicações com os Ancestrais(continuação … Parte XII / XIII)A divinação com Quatro Búzios - Parte IIIC. A INTERPRETAÇÃ...
12/04/2025

Comunicações com os Ancestrais

(continuação … Parte XII / XIII)

A divinação com Quatro Búzios - Parte III

C. A INTERPRETAÇÃO DOS MODELOS de “SIM/NÃO”,

Todas as formas de divinação baseadas em Ifá têm vários níveis de interpretação.

O primeiro nível de acesso é a de quatro búzios que se obtém as respostas simples de “sim/não” para responder às perguntas.

Ao formular a pergunta de forma clara, a pessoa garante que a melhor resposta virá com um “sim”.

Como exemplo: se a pessoa perguntar sobre problemas financeiros, deverá efetuar a pergunta;

“Irei manifestar abundância?”

E não efetuar a pergunta de forma negativa;

"Serei sempre pobre?"

A resposta positiva à primeira pergunta virá com um “sim”, enquanto a resposta positiva à segunda pergunta virá com um “não”.

Determinar a resposta “sim ou não” requer a contagem do número de búzios que caem com a face para cima.

A boca natural do búzio é normalmente chamada de lado masculino dos búzios.

É o equivalente a uma única linha vertical (I) no Dafa.

A única linha vertical e a boca do búzio representam as forças de expansão.

O estômago do búzio é normalmente chamado de lado feminino dos búzios.

É equivalente as linhas verticais duplas (II) usadas em Dafa.

As linhas verticais duplas e o estômago do búzio representam a força de contração.

São cinco as combinações de búzios masculinos e femininos quando se utiliza quatro búzios.

O nome em iorubá de cada combinação é o seguinte:

ALAFIA; quatro lados masculinos para cima.
ETAWA; três lados masculinos para cima, um lado feminino para cima.
EJIFE; dois lados masculinos para cima, dois lados femininos para cima.
OKANRAN; um lado masculino para cima, três lados femininos para cima.
OYEKU; quatro lados femininos para cima.

Assim:

Alàfia e Ejife ambas as resposta são definitivamente um “sim”.

Alàfia é um “sim” com uma bênção de paz.

Isso significa que o problema será resolvido sem luta.

Ejife é uma resposta “sim” que vem com uma bênção de sabedoria.

A sabedoria virá mesmo quando a resolução do problema requer paciência e algum esforço, seja ele físico ou emocional.

Òyèkú é uma resposta definitiva “não”.

Uma vez lançado os búzios e o Òyèkú é contemplado, os búzios deverão serem lavados com água fresca e dentro da linha da questão se fará uma mudança na formulação da pergunta.

Não continue com variações da mesma pergunta na esperança de obter uma resposta mais favorável.

A sucessão de dois Òyèkú colapsa a pergunta, dando por encerrado os questionamentos aos ancestrais, o problema precisa ser levado a um Awo que através do Mérìndínlógún ou Dafa será possível obter maiores esclarecimentos.

Etawa e Òkànràn são respostas instáveis, que quer dizer talvez.

Isto significa que a questão requer uma exploração extensiva para que surja uma resposta esclarecedora.

Etawa sugere que a resposta é “sim” com necessidade de esforços para a realização.

Quando no lançamento se apresentar Etawa, a questão deverá ser reformulada (por outras palavras) como a soma de uma única sugestão sobre a forma de como proceder para uma resolução eficaz do problema.

Este processo deve continuar até que haja uma resposta clara à pergunta (Alàfia, Ejife ou Òyèkú).

Òkànràn sugere um resultado duvidoso, que também quer dizer um talvez, mais acentuado para uma resposta negativa.

Tanto em Etawa e Òkànràn, as vezes, isso é decorrente de um mal-entendido ou má formulação da pergunta ou problema pelo consulente.

A pessoa deverá reformular a pergunta de uma perspectiva diferente e lançar novamente os búzios.

As combinações de Etawa e Òkànràn devem ser interpretadas da seguinte forma:

ETAWA-ETAWA; “sim” (persistência e luta necessárias)
ETAWA-ALAFIA; “sim” (uma luta inicial que se dissolverá)
ETAWA-EJIFE; “sim” (a luta produzirá a bênção da compreensão)

ETAWA-OYEKU; “não” (quando esta combinação é eliminada, a linha muda para pergunta)
ETAWA-OKANRAN; “não” (existencia de confusão e conflitos)

OKANRAN-OKANRAN; “não” (a luta improdutiva)
OKANRAN-OYEKU; “não” (quando se apresenta esta combinação, deverá efetuar a mudança na linha de perguntas)

OKANRAN-ALAFIA; “sim” (com ênfase na segunda questão)
OKANRAN-EJIFE; “sim” (com ênfase na segunda questão)

OKANRAN-ETAWA; muito duvidoso

Se um iniciado em Òrìsà estiver usando quatro búzios para falar diretamente com Òrìsà, neste contexto com um ancestral deificado, o aparecimento de Òyèkú sugere que aquele Egún deseja falar.

Nesta situação pergunte se o Egún quer fazer um comentário, então sobre o problema jogue os búzios para o Egún em vez de para Òrìsà.

Awo Olaifá Odusola Aworeni

Referência:
Rezos y Cantos para todos los religiosos practicantes de Ifá y Osha., Chefe Ayobunmi Adesola Ifakayode, 1998.

Comunicações com os Ancestrais(continuação … Parte XI / XIII)A divinação com Quatro Buzios - Parte IIB. A INVOCAÇÃO PARA...
09/04/2025

Comunicações com os Ancestrais

(continuação … Parte XI / XIII)

A divinação com Quatro Buzios - Parte II

B. A INVOCAÇÃO PARA O USO DE QUATRO BÚZIOS.

Depois que a pessoa preparar os búzios, envolva-os em um pano branco e coloque-os no altar ancestral.

A tradição em Ifá, a divinação é realizada sentado em uma esteira, também é aceitável lançar os búzios sobre uma pequena peneira de palha ou de tecido.

Caso a pessoa utilize a peneira ou esteira, deverá marcar a esteira com pó de efun.

O efun africano é um giz feito de co**has marinhas decompostas.

A maioria das lojas de artigos de botânicas ou de material religioso do Ocidente vendem cáscaras, que é um giz branco feito de casca de ovo.

Os adoradores de Òrìsà na África geralmente usam essas cáscaras como substituto de efun.

Também é encontrado o mineral Efum: é um pó extraído do calcário, que se encontra na natureza em diversas cores que também é chamado de tabatinga, que são vendidas no formato de pequenas bolas ou de cones tipo parafuso,

Efum (iorubá: éfun) é uma cerimônia ritual que consiste em pintar a cabeça e os corpos raspados de iniciados, com círculos ou pontos.

No Brasil, o mineral Efum também é utilizado em rituais de iniciação.

Nos rituais e cerimônias afro religiosas, o uso do Efun fun (pó branco) é comumente utilizado para fazer marcas tribais (desenhos) com o pó branco, raspado dessas bolas ou cones, nos corpos dos iniciados.

Qualquer um dos éfun pode ser usado para marcar a esteira ou peneira.

Toda vez que a pessoa se sentar para jogar os búzios, deve-se polvilhar o pó de efum na esteira ou peneira.

Com a mão direita, a pessoa colocará uma pequena quantidade de pó de efun no centro da esteira ou peneira, utilizando os dedos médio e anular da mão direita, com um movimento espiral no sentido horário espalhará o pó para as bordas externas.

Quando a esteira ou peneira estiver completamente coberta com efun, a pessoa usará o dedo médio da mão direita para fazer um plano cruzado no giz.

Comece de cima para o meio, de baixo para o meio, da direita para o meio e da esquerda para o meio (foto 1-2-3-4).

Existem algumas variações de como isso é feito, apenas se certifique de que marque da borda externa para o centro em cada direção:

Certifique-se de que tenha um copo com água e uma vela perto da esteira quando for jogar os búzios.

A terra, o ar, o fogo e a água carregam consigo as sementes da diversidade e da harmonia e são estes os elementos que a pessoa utiliza para reforçar a sua comunicação com o Espírito.

Após a fixação do seu altar ancestral, não é necessário jogar os búzios na frente da urna.

O altar é feito para estabelecer uma relação com os antepassados.

Uma vez estabelecido esse relacionamento, a pessoa pode o levar os búzios pra onde quizer.

Antes de utilizar os búzios para se comunicar com os antepassados, a pessoa deve invocá-los para que os dois possam orientar o processo de divinação e a oferenda inserida na interpretação dos lançamentos.

Existem diversas orações que podem ser usadas para invocação,
A oração de invocação mais comum usada na adoração de Òrìsà no Ocidente é a seguinte:

Omi tútù,
A água fresca,

Borrife água fresca no chão três vezes, dizendo o seguinte:

Ona tútù,
Refresque o caminho,

Ilé tútù,
Refresque minha casa,

Tútù Eggún.
Refresque os antepassados.

Com os búzios em mãos, faça movimentos com eles na esteira ou peneire no sentido horário.

Ko si ku
Que a morte não estejá presente

Ko si ofo.
Que a perda não exista mais.

Ko si eyo.
Que a tragédia não exista mais.

Ko si arun.
Que a enfermidade não exista mais

Ko si fitibo.
Que nada possa oprimir

Ko si alopa.
Que nada possa faltar com o respeito.

(continue o movimento dos búzios no sentido horário)
Kinkan ma'se; (O nome do superior ou orientador espiritual)
Eu peço o apoio de: (O nome do superior ou orientador espiritual)

- Pode-se listar vários superiores, desde que precedido pela frase: kinkan-ma'se

Ibà á se (O nome do antepassado)
Eu rendo homenagem (O nome do antepassado)

- Pode-se listar vários antepassados, desde que precedido pela frase. Ibà á se

Fun mi ni ire.
Me traga a boa sorte.

Fun mi ni owo.
Me traga a abundância.

Fun mi ni alaafia.
Me traga a paz.

Fun mi ni ogbon.
Me traga a sabedoria.

Fun mi ni agbára.
Me traga o poder da oração.

Fun mi ni ilera.
Me traga a estabilidade em minha casa.

Fun mi ni Ifá.
Me traga o guia espiritual.

(Toque os búzios nas quatro direções do círculo na esteira ou peneira, começando de cima para baixo e depois da direita para a esquerda, fazendo sua pergunta.)

Ire, ire, ire,
Boa sorte, boa sorte, boa sorte.

(Toque os búzios no centro da esteira dizendo:

ire, ire, ire.

Após a terceira vez, efetue o lançamento dos búzios permitindo que caiam dos suas mãos)

Asé.
Que assim seja

Depois de dizer esta invocação a pessoa estará pronto para fazer sua primeira pergunta e lançar os búzios.

As invocações são usadas para colocar a pessoa em harmonia com as Forças do Espírito a quem estão sendo dirigidas.

Neste caso estamos nos dirigindo aos antepassados, pedindo sua orientação.

É muito importante que a pessoa esteja atenta, a consulta aos antepassados é pessoal, este instrumento nunca deve ser utilizado para realizar divinação para outras pessoas.

Depois que a pessoa for iniciada em vários mistérios associados a Ifá/Òrìsà, as invocações mudarão para acomodar as forças do espírito que são introduzidas no processo de iniciação.

Awo Olaifá Odusola Aworeni

Referência:
Rezos y Cantos para todos los religiosos practicantes de Ifá y Osha., Chefe Ayobunmi Adesola Ifakayode, 1998.

Comunicações com os Ancestrais(continuação … Parte X / XIII)A divinação com Quatro Búzios - Parte INeste estudo de Comun...
07/04/2025

Comunicações com os Ancestrais

(continuação … Parte X / XIII)

A divinação com Quatro Búzios - Parte I

Neste estudo de Comunicação com os Ancestrais, devo esclarecer que o objetivo deste estudo não é contrariar os ensinamentos recebidos nas casas de culto dos Orixás e Ancestrais, mas sim, agregar conhecimento e apresentar a luz da prática baseada de respeitados babalawo, desta forma, abordaremos a “Divinação”.

Observo que em respeito aos seus Babalorixás e Iyalorixás, quem está vinculado e recebe orientação de uma casa de culto de Orixá, procura seguir as instruções de seus superiores.

A. PREPARANDO OS BÚZIOS

Depois de instalar uma urna ancestral, a pessoa estará pronta para começar a estudar do uso de quatro búzios para divinação, ou seja é o trabalho de comunicação com os ancestrais descrito nas postagens anteriores e que poderá ser uma experiência muito interessante e que está relacionado com a sua consciência.

Sem a orientação de um superior experiente, muitas vezes é
é muito difícil saber a diferença entre as mensagens do Espírito e projeções de fantasia pessoal.

Para aqueles que não estão familiarizados com a comunicação dos Espíritos, o contato inicial muitas vezes parece semelhante ao devaneio e ao uso da imaginação ativa.
A visualização criativa pode ser uma porta de entrada eficaz que leva à comunicação do Espírito, mas não deve ser confundida com a comunicação em si.

Mesmo entre aqueles experientes que exercem a comunicação, o potencial de confusão nunca é totalmente eliminado.

Por esta razão, Ifá ensina que as mensagens de Egún e Òrìsà podem e às vezes devem ser verificadas contra alguma forma de divinação, se a mensagem de ambas as fontes for a mesma, é considerada muito precisa e deve ser tratada como tal.

Dentro da estrutura ritual do Ifá existem diversas declarações de catalepsia e vários tipos diferentes de Espíritos que falam através de médiuns.

A maioria dos estados de catalepsia tem um sistema correspondente ao da divinação que é sancionado por uma iniciação específica; uma das funções da iniciação é preparar a cabeça do iniciado para que ele possa receber o poder de
um Espírito nos estados de catalepsia.

Entre os não iniciados existe um sistema de divinação e um domínio de trabalho com catalepsia que é considerado seguro se for efetuado dentro de diretrizes específicas.

O elemento mais importante neste trabalho é o respeito pela tradição e a seriedade.

Os tabus contra o envolvimento de não iniciados em certos tipos de trabalho ritualísticos baseiam-se em vários milhares de anos de experiências coletivas.

A compreensão que advém de todos esses anos de envolvimento com as Forças Naturais e Espirituais merecem o nosso respeito.
Simplificando, aqueles que não receberam iniciação em Òrìsà não devem invocar Òrìsà em uma cerimônia ou como parte de um processo de divinação.

Aqueles que não receberam iniciação em Ifá não devem invocar Òrúnmìlà ou Ela sob nenhuma circunstância.

Para aqueles que estão prontos para começar a divinação dos ancestrais, o primeiro passo é obter uma quantidade de co**has de búzios.

Existem dois tipos de búzios disponíveis no ocidente.

A origem das co**has de búzios é do Oriente Médio, mais precisamente da região da atual Turquia, algumas são importadas da Índia e outras são importadas de África.

Os búzios indianos tendem a ser menores que as co**has africanas.

A maioria das lojas botânicas e de artigos religiosos vendem todos os tipos, como também podem ser encontrados em lojas de artesanato.

Depois de adquirir uma pequena quantidade de búzios, separe quatro unidades e tente escolher as que melhor cabem confortavelmente em suas mãos.

Todos os búzios têm uma ligeira protuberância no topo
que é marcado com uma linha oval de cor castanha.

Para utilizar uma co**ha de búzio para divinação, deve-se retirar a protuberância marcada pela linha castanha, da seguinte forma:

Coloque a casca voltada para cima em uma tábua de corte com o fundo da protuberância na tábua e a lateral aberta.

Você deve conseguir colocar a lâmina de uma faca pequena na abertura da parte voltada para cima do caracol.

Com uma das mãos, insira a ponta da faca pela abertura natural da casca, segurando a faca e depois com cuidado, com a casca apoiada em uma base firme, dando uma leve batidinha no topo do cabo.

Isso deve fazer um pequeno buraco em algum lugar dentro da forma oval marcada pela linha marrom.

Agora vire o caracol de forma que a parte oval perfurada fique voltada para você e a abertura natural fique encostada na tábua.
Coloque a ponta da faca no buraco e gire a lâmina.

Isso deve fazer com que os fragmentos se separem em uma só peça.

De vez em quando, o caracol range ou racha.

Persista até obter quatro co**has com uma abertura no topo.

Quando os fragmentos forem reduzidos, você deverá ver uma única coluna no centro da co**ha.

Está pronto.

O lado com a espiral do búzio é chamado de estômago ou inú em iorubá.

O lado com abertura curva é chamado de boca ou enú em iorubá

A boca é conhecida como o lado falante do caracol, o lado que traz boa sorte, chamado de “ire” em iorubá.

O estômago traz o que não é necessário, chamado de "ibi" ou ayewo em Iorubá.

Ifa ensina que este “ibi” é como a placenta que é liberada após o nascimento.

Ele é separado do útero porque não é mais necessário, e que já serviu ao seu propósito.

Todo crescimento envolve o ibi, porque a transformação envolve descartar porções do antigo ego.

Coloque os quatro caracóis em uma tigela e coloque-os em frente à sua urna ancestral.

Siga o procedimento de invocar os ancestrais, incluindo em fazer uma oferenda em frente a sua urna ancestral.

Faça as orações listadas nas orientações anteriores de Comunicações com os Ancestrais, enquanto mantém a mão esquerda sobre a tigela que contém os caracóis.

Quando as orações estiverem finalizadas, mergulhe as pontas de seus dedos na água e molhe a nuca.

A nuca é a fonte de comunicação e na maioria dos esforços para se comunicar com o Espírito pode trazer alguma desorientação mental.

É o pescoço que une a cabeça ao corpo e é nesta conjuntura que a mente e as emoções entram em conflito.

O conflito entre o pensamento consciente e os sentimentos inconscientes é a fonte da dificuldade em distinguir a diferença entre a comunicação do Espírito e a projeção da fantasia.

Ao molhar a nuca, peça orientação e sabedoria aos ancestrais da seguinte maneira:

Eggún fun mi ni ire.
Ancestrais me tragam a boa sorte.

Eggún fun mi ni alaafia.
Ancestrais me tragam a paz.

Eggún fun mi ni Ifá.
Ancestrais me tragam sabedoria.

Eggún fun mi ni ilera.
Ancestrais me tragam a estabilidade para a minha casa.

Eggún fun mi ni ìwa-pèlé.
Ancestrais me tragam o bom caráter.

Asé.
Que assim seja.

Agora faça uma oração acima dos búzios com suas próprias palavras, pedindo-lhes que falem com você claramente.

Peça que os antepassados ouçam claramente e peça que você os ouça claramente.

Termine a oracão dizendo;

Egún o pe o.
Ancestrais eu estou chamando-os.

Egún o pe o.
Ancestrais eu estou chamando-os..

Egún o pe o.
Ancestrais eu estou chamando-os..

Egún fun mi ni ofo ire.
Ancestrais me tragam as palavras de boa fortuna.

Egún gbogbo ire a dúpe o.
Ancestrais eu agradeço estas bençãos.

Asé.
Assim seja.

Awo Olaifá Odusola Aworeni

Referência:
Rezos y Cantos para todos los religiosos practicantes de Ifá y Osha., Chefe Ayobunmi Adesola Ifakayode, 1998.

Comunicações com os Ancestrais(continuação … Parte IX / XIII)G. EGUN – O RITUAL EM IFÁA reverência aos ancestrais no con...
02/04/2025

Comunicações com os Ancestrais

(continuação … Parte IX / XIII)

G. EGUN – O RITUAL EM IFÁ

A reverência aos ancestrais no contexto do Ifá é um estilo de cerimônia altamente estruturado e formalizado.

Na terra Yorubá existem sociedades para Egungun que se preocupam em ser composto por membros de uma família individual.

Os médiuns, ou eleguns, se vestem com trajes consagrados que cobrem o corpo da cabeça aos pés.

Muitas das sociedades Egungun realizam reconstituições de eventos históricos, observados na história de uma família específica.

Outras sociedades de Egungun viajarão por uma aldeia em épocas específicas do ano, oferecendo suas bênçãos quando se mudam de casa para o alojamento.

As sociedades Egungin possuem um sistema de iniciação sofisticado e sistemas de invocação muito complexos.

Muito deste material foi perdido no Ocidente.

No entanto, ao observar aqueles Egun falando com adoradores de culto de Orixás, guias e mentores espirituais nos países ocidentais, eles estão encorajando o uso das formas mais antigas do ritual Egungun.

Awo Olaifá Odusola Aworeni
Referência:

Rezos y Cantos para todos los religiosos practicantes de Ifá y Osha., Chefe Ayobunmi Adesola Ifakayode, 1998.

Para mais informações sobre as formas tradicionais de cerimônias de Egungun, recomenda-se as seguintes fontes:

Henry y Margret Drewel, Gelede: Art and Female Power among the Yoruba, Editora: ‎Indiana University Press, 1990.

Bloomington: La Universidad de Indiana Prensa 1983.

Judith Gleason, Oya. Um Louvor A Deusa Africana, Editora ‎Bertrand, 1999.

Robert Farris Thompson, "La Señal del Rey Divino”, las Artes 3 africanas, no. 3, 1970.

Ifayemi Elebuibon - Araba, Egungun: The Dwellers of Heaven -

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Poá, SP

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