14/04/2025
Comunicações com os Ancestrais
(continuação … Parte XIII / XIII)
A divinação com Quatro Búzios - Parte IV
D. A INTERPRETAÇÃO DA QUEDA DOS BÚZIOS.
O próximo nível de interpretação dos búzios baseiam-se na sua queda na esteira após o lançamento dos mesmos.
Nas partes anteriores deste estudo sobre Divinação com Quatro Búzios, já foi descrito alguns dos paradigmas que são criados ao dividir o círculo em quatro quadrantes.
Agora o estudo é das quedas dos búzios com mais profundidade.
Cada braço da cruz de lados iguais que divide o círculo tem o que é chamado de esfera de influência.
Na esfera criada para estudar os quadrantes temos:
esfera de orientação: pontos 1 – 2 – 3 – 4.
e a esfera de influência: pontos a – b – c – d.
Neste diagrama, todos os búzios que se enquadram no quadrante marcado entre a. e b, ficariam sob a influência do braço da cruz marcado com “1” os búzios que ficam entre b. e c. é influenciado pelo braço da cruz marcado “4”, os búzios que ficam entre c. e d. é influenciada pelo braço da cruz que está marcado “2”, os búzios que ficam entre d. e a. são influenciados pelo braço da cruz que está marcado com “3”, conforme desenho.
Dependendo da natureza da questão, podemos pegar um dos quatro paradigmas estudados anteriormente, “A divinação com Quatro Búzios – Parte III”, e sobrepô-la na esteira, dando a cada polaridade um quarto do segmento da superfície do círculo.
Isto pode parecer complicado no início, mas com a prática o significado dos modelos ficará facilmente claro.
Como exemplo apresento uma pergunta típica;
"Devo mudar de emprego?"
Digamos que os búzios caem na esteira na seguinte sequência:
(“0” representa a boca e “X” representa o estômago do búzio):
Usando este exemplo, temos dois búzios com a boca voltada para cima e dois búzios com o estômago voltado para cima.
Referindo-nos ao nível de interpretação “sim/não”, observamos que a resposta à pergunta é Ejife e que significa “sim”.
O Awo responderia à pergunta de exemplo dizendo;
“Sim, essa pessoa deveria mudar de emprego.”
Observando a colocação dos búzios é possível comentar mais detalhadamente do processo da queda orientando sobre a mudança de emprego.
A maneira como isso é feito é necessário localizar tanto a posição dos búzios quanto a orientação dos búzios.
A posição significa a sua localização dentro do círculo e a orientação significa qual o lado dos búzios estão voltados para cima.
Quando um búzio está com a face voltada para cima, o “ire” ou a bênção do espírito consultado se manifesta.
Quando o búzio está com a barriga voltada para cima está indicado o “ibi” ou seja, o que precisa ser descartado, o ibi não é um “mal” e a configuração também não é um “mal”.
Muitas vezes o “ibi” nos faz pensar na necessidade de efetuar alguma mudança, seja na forma de pensamento, de hábito ou da necessidade de se afastar de alguém.
Às vezes isso pode ser muito difícil e doloroso.
Ao se identificar as áreas de resistência é possível transformar esses problemas num esforço para garantir a transformação do ruim em bom.
Se voltarmos ao nosso exemplo, vemos que os búzios com a boca voltada estão nos quadrantes que pertencem aos braços 1 e 2 da cruz.
Estas são as áreas dentro do paradigma onde as bênçãos (ire) se manifestam no momento em que a pergunta foi feita.
Os búzios com a barriga voltada para cima que estão nos quadrantes pertencentes aos braços 3 e 4 da cruz.
A questão do porque da mudança de emprego pode surgir de diversas perspectivas diferentes.
Se a pessoa que faz a pergunta estiver insatisfeita com seu trabalho atual, ela teria o bom senso de formular a pergunta dentro de um paradigma psicológico.
Para determinar quais os fatores psicológicos que precisam ser equilibrados para fazer uma mudança eficaz no emprego,
Sobreponha o paradigma da psicologia Ifá na esteira, que é determinar em quais quadrantes dentro do círculo contêm os búzios.
Dessa forma estaremos prontos para examinar cada búzio individualmente e determinar a mensagem sugerida pela situação e orientação dada de cada búzio.
Orientação significa determinar se o búzio caiu com a boca voltada para cima ou com o estômago voltado para cima.
Se a boca de um búzio estiver voltada para cima em um determinado quadrante, isso sugere que a pessoa que faz a pergunta está em harmonia com seu destino, dentro do aspecto do problema.
Se o estômago de um búzio estiver voltado para cima em um determinado quadrante, isso sugere que a pessoa que faz a pergunta está resistindo ao seu destino, no mesmo aspecto do problema.
Voltando ao nosso exemplo, estamos considerando a questão;
"Devo mudar de emprego?"
Usando nossa amostra lançada, já foi observado que a resposta é Ejife, o que significa um “sim”.
Olhando para a esteira em nosso exemplo, vemos que existem
um búzio com a boca voltada para o quadrante entre a. e b, e que existe um outro búzio também com a boca voltada para cima no quadrante entre c. e d.
Os búzios restantes têm estômagos voltados para cima, um deles no quadrante entre b. e c, e o outro búzio está no quadrante entre a. e d.
Se começarmos pelo topo da esteira, que é a parte mais afastada do divinador, vemos que o búzio que está no quadrante entre a. e b, é influenciado por “ipori”.
Esse búzio tem a boca voltada para cima.
A boca traz boa sorte (ire), é a qualidade expansiva da natureza que faz você pensar em ação.
Considerando a Cosmologia de ifá, o iporí é nosso duplo astral no Orún (plano superior ou céu).
Nas considerações ocidentais, o iporí é o aspecto eterno e transcendente da alma (imortalidade da alma).
O iporí representa nosso destino mais elevado.
A interpretação do búzio no quadrante entre a. e b, seria que uma mudança de carreira fosse consistente com o destino da pessoa que fez a pergunta.
Passando para o quadrante entre c. e d. que vemos que o búzio que olha para cima é influência pelo Orí.
O Orí é a mente consciente de quem faz a pergunta.
Na resposta à pergunta, o búzio indica que a pessoa deseja claramente mudar de emprego.
No quadrante entre b. e c, o búzio influenciado pelo èmì tem o estômago voltado para cima.
O estômago voltado para cima representa que precisa ser descartado (o ibi).
Em Ifá o èmì é a sede das emoções, a posição e orientação deste búzio sugerem que existe alguma forma de oposição emocional à ideia de mudar de emprego.
Neste caso, o medo da mudança e a dúvida sobre o futuro são prováveis fontes de tensão emocional.
Assim vemos que a pessoa que faz a pergunta precisa passar por algum processo de transformação emocional para mudar de emprego de forma eficaz.
O último búzio está localizado no quadrante entre a. e d. com o estômago voltado para cima.
Novamente é o lado que traz o ibi.
Este búzio está sob a influência do corpo físico (Ara).
Com o búzio nesta posição, o divinador ofereceria uma advertência contra doenças causadas pelo estresse.
Mudar de emprego pode exigir uma mudança até mesmo nos hábitos pessoais relacionados com horários, a saúde e a higiene.
O Orí inú no centro da esfera representa a consciência equilibrada.
É tarefa do divinador ajudar o consulente a encontrar o equilíbrio dentro do domínio das influências sobre um problema específico.
No exemplo dado, há harmonia entre a aspiração consciente (Orí) e a influência espiritual (ipori).
Existe resistência emocional à mudança e ameaça de doença.
O conselho que deveria ser dado para garantir acima de tudo a harmonia e o equilíbrio seria libertar as emoções negativas associadas à mudança e ter especial cuidado com as considerações de saúde.
Uma vez dada esta interpretação da questão inicial, os búzios podem partir para determinar as melhores formas de lidar novamente com possíveis dificuldades.
Haverá dois búzios às vezes no mesmo quadrante.
Um pode estar de barriga para cima e o outro também de barriga para cima.
O búzio que serve para designar a orientação é o búzio é o que está na parte superior da esteira ou seja, a parte mais afastado do divinador, lembrando que o topo da esteira também é a área externa onde o divinador se senta.
Usar este método de interpretação é complexo e requer um estudo sério e prática para ser eficaz.
Cada um dos quatro paradigmas do estudo anterior pode ser imposto na esteira dependendo da questão.
No entanto, algumas questões podem ser influenciadas por fatores que não estão incluídos nos paradigmas mostrados.
Nesse caso, o divinador terá que examinar as forças que estão atuando e posicioná-las dentro dos quadrantes do círculo.
A maneira mais simples de fazer isso é colocar o problema na posição número “dois”, a resolução do problema na posição número “um”, a conceituação do processo de resolução na posição número “três” e a ação para a resolução na posição número quatro.
As regras para fazer uso desta dimensão do oráculo não são rígidas.
Ao trabalhar com esse sistema, o divinador encontrará paradigmas que fazem sentido para ele e que lhe darão clareza.
Ao fazer isso, a pessoa estará dando a entidade espiritual consultada um vocabulário mais amplo para se comunicar.
Pelas experiencias de divinadores, esse processo também tem a função de estimular a intuição do divinador.
No início às vezes é difícil confiar na intuição, então deve dar-se a chance de se cometer erros.
A chave para a melhoria é revisar continuamente os resultados de seus esforços de divinação.
Isso requer coragem para se admitir erros e a capacidade de determinar objetivamente a fonte da sua própria confusão.
Para fazer isso, é recomendado que o divinador mantenha um diário de suas consultas com os búzios e que inclua um diagrama de como os búzios caíram no círculo.
Assim o divinador poderá comparar seus resultados com a previsão, e retomar ao exame dos modelos que ficaram registrados.
Este processo abrirá uma camada de profundidade e confiança no sistema que não estará confiando simplesmente em respostas de “sim e não”.
Awo Olaifá Odusola Aworeni
Referências:
Existem vários livros disponíveis em formato PDF na Internet que ensinam as diferentes formas de consultar búzios, porém, sugiro consultarem livros para babalaôs e Iyanifás experientes, dentre eles destaco os abaixo:
Chief Ayobunmi Adesola Ifakayode, Rezos y Cantos para todos
los religiosos practicantes de Ifá y Osha, 1998.
A. Epega, Obi El Oracle Místico de Adivinación de Ifá, Imole Oluwa, Instituto de Publicación, junio 1985.
F.A.M. ADEWALE-ABAYOMI (Mrs.) a.k.a. FAMA
Chief FAMA (FAMA Aina Adewale-Somadhi)