09/01/2024
Hoje completo 15 anos de sacerdócio... a alegria de servir a espiritualidade e viver meu propósito por tanto tempo se mistura a saudade de nossa matriarca espiritual e especialmente, de minha mãe biológica.
Compartilho uma postagem que fiz em 2018 - 9 anos após o falecimento de Mãe Idalina.
Berço de ouro
A maioria dos Umbandistas não tem o hábito de "comemorar" aniversário de morte por não acreditarmos na mesma, contudo, contrariando uma ideologia própria de não escrever relato pessoal em nossa página e após passar uma semana relendo arquivos e anotações de Mãe Idalina, senti no coração de tentar expressar em palavras muitas emoções sentidas nesta data.
Vamos lá...
E o dia de ontem (09/01), me trouxe muitas lembranças, algumas alegres, outras nem tanto e alguns arrependimentos, ahhh como nós jovens somos imaturos, birrentos, briguentos e até mesmo presunçosos. Todas as pessoas possuem uma história e muitos acabam por enterrá-las dentro de si, por medo, vergonha ou mesmo fuga das dores. Eu mesmo, levei quase uma década para escrever este relato e não me envergonho, pois entre muitos erros e alguns poucos acertos, estive ocupado quase que integralmente me dedicando a aprender e manter vivo um legado, que este ano completa 17 anos ininterruptos de atividade e, com toda certeza, já impactou positivamente milhares de pessoas.
Acredito que o falecimento de um ente querido seja uma das experiências mais dolorosas ao qual o ser humano possa passar nesta existência e a exatamente nove anos, me despedi simultaneamente de duas Mães, a biológica e a espiritual, não escrevo este texto para fazer um culto a dor ou ganhar afagos e sim, dar um testemunho de superação a quem queira se interessar e possa de alguma forma se identificar.
Ao lembrar-me daquele dia, a saudade se mistura com a última lição de uma Mãe com dupla missão, a necessidade de se colocar a fé, a persistência e a coragem a frente de tudo, pois, como ela mesmo sempre me dizia "eu só vim para abrir o caminho e quando eu me for, siga por ele", e assim foi, o filho teve de guardar as lágrimas e aprender a ser forte, dar amparo aos irmãos espirituais, familiares e amigos e a resistir a imensurável dor do momento, meu primeiro ato como sacerdote e continuador de todo um trabalho, foi justamente realizar os ritos de passagem daquela que me trouxe ao mundo duas vezes. Fácil? Nem um pouco, para falar a verdade nem sei explicar como resisti, a única justificativa é o amparo e amor espiritual por nós, porém, aprendi com a mais guerreira que conheci, a olhar somente para frente e para os que de nós precisavam, afinal, ela me deixava um legado e ao terminar sua missão iniciava a minha, quase uma década se passou e aquelas dezenas de pessoas se multiplicaram e continuarão a se multiplicar, porque o que nos move é a vontade de fazer o bem e caridade através da espiritualidade, é a fé em Deus, nos Orixás, Guias espirituais e o exemplo de Idalina, minha mãe carnal e de Mãe Idalina, nossa matriarca e fundadora de que, mesmo sendo frágeis, imperfeitos e ainda longe do ideal, podemos sim fazer a diferença.
Ahhh... a saudade só aumenta, mas junto também aumenta a gratidão por ter nascido através dela e com ela aprendido a ter fé e nunca, absolutamente nunca desistir dos meus objetivos!
Um grande e fraternal abraço a todos,
Pai Luiz