Pai De Santo

Pai De Santo Difundir a religião candomblé; falar e dar informações sobre a mesma, fotos e videos sobre axé, ensinamentos sobre a cultura afro descendente.

CARNAVAIS AFRO-BRASILEIROS: UMA CELEBRAÇÃO DA HERANÇA AFRICANA PARA ALÉM DO ÓBVIOO Carnaval brasileiro não nasce só do b...
15/02/2026

CARNAVAIS AFRO-BRASILEIROS: UMA CELEBRAÇÃO DA HERANÇA AFRICANA PARA ALÉM DO ÓBVIO

O Carnaval brasileiro não nasce só do brilho, do samba televisionado ou dos grandes circuitos. Ele nasce da ancestralidade. Por todo o país, existem carnavais que contam histórias negras de resistência, fé, identidade e celebração. Do Maracatu em Pernambuco aos blocos afro do centro-oeste, dos quilombos do Amapá às escolas de samba do Sul, a influência africana pulsa em cada tambor, cortejo e dança. São manifestações que atravessam séculos, preservam memórias e reafirmam que a cultura negra não é detalhe do Carnaval brasileiro.

PERNAMBUCO

“Maracatu e Frevo: a força ancestral de Pernambuco. O Maracatu traz cortejos com reis, rainhas e calungas que simbolizam ancestralidade (Nação/Baque Virado e Rural/Baque Solto). Já o Frevo mistura influências como polca, maxixe e capoeira, transformando resistência em dança vibrante.

MARANHÃO

Bumba Meu Boi: a riqueza cultural do Maranhão. Vai muito além das festas juninas e também marca o Carnaval. A festa mistura influências africanas, indígenas e europeias e narra a morte e ressurreição do boi. Seus ritmos e personagens revelam a forte presença africana.

CARNAVAIS QUILOMBOLAS

Em comunidades quilombolas, o Carnaval é uma expressão de resistência e afirmação de identidade. No Curiaú, em Macapá, o bloco Kulembé leva a cultura afro-amapaense às ruas. Na Bahia, o Carnaval do Quilombo Santo Inácio celebra tradição, memória e luta.

Cachoeira (BA): pérola do Recôncavo

Cachoeira, cidade histórica do Recôncavo Baiano, é um dos berços da cultura afro-brasileira. Seu Carnaval é uma celebração autêntica e profundamente ligada às tradições religiosas de matriz africana. A Festa da Boa Morte, que acontece em agosto, é um dos pontos altos do calendário cultural da cidade, mas sua influência se estende ao Carnaval, com seus cortejos, afoxés e a presença marcante das mulheres negras, guardiãs da ancestralidade.

Maceió (AL): a força do cortejo afro

Em Maceió, grupos de maracatu e afoxé celebram a música afro-brasileira. O Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do país, tem uma forte conexão com Maceió como parte de sua circulação para divulgar a cultura afro-brasileira e também marca presença no carnaval, reafirmando décadas de valorização da identidade negra.

Porto Alegre: a negritude invisibilizada que resiste

O Carnaval de Porto Alegre tem raízes na resistência do povo preto. A Sociedade Os Congos destacou-se no século XIX, e as escolas de samba atuam como “quilombos urbanos”, preservando a cultura negra gaúcha. O Batuque, um culto afro do Rio Grande do Sul, ganhou visibilidade nacional em 2026, quando a Escola de Samba Portela apresentou um enredo sobre a valorização da negritude gaúcha, resgatando a identidade negra do Sul do Brasil.

Jaguarão (RS): a “Salvador do Sul” gaúcha

Na fronteira com o Uruguai, a cidade de Jaguarão ganhou o apelido de “Salvador do Sul” por sua celebração vibrante. Com 27 mil habitantes, ela reúne 30 mil foliões para o carnaval e abriga três escolas de samba: A Sociedade Beneficente e Recreativa Estrela D’Alva (de 1964), a Aguenta se Puder (1966) e a Palestina (1992). O Carnaval de Jaguarão é um exemplo de como a herança africana permanece viva no interior do Sul, frequentemente invisibilizada pela historiografia tradicional que nega a presença negra na região.

Curitiba (PR): Carnaval como justiça social

Blocos afro como o Pretinhosidade transformam o Carnaval de Curitiba em espaço de afirmação e diversidade. Provando que a capital paranaense tem muita resistência preta, eles reúnem diferentes gerações, mulheres e corpos diversos para celebrar cultura popular e identidade negra.

Exu, Legbá e Mpambu Nzila: princípios, caminhos e comunicação nas tradições afro-diaspóricasPaulo Gonzaga – Obá KarááTod...
27/01/2026

Exu, Legbá e Mpambu Nzila: princípios, caminhos e comunicação nas tradições afro-diaspóricas

Paulo Gonzaga – Obá Karáá
Todos os direitos reservados.

Nas religiões de matriz africana praticadas no Brasil, especialmente nos diversos Candomblés, existem divindades que exercem funções semelhantes — como a abertura dos caminhos, a comunicação entre mundos e a regência do movimento — mas que não são a mesma entidade. Exu, Legbá e Mpambu Nzila pertencem a cosmologias diferentes, com fundamentos próprios, oriundos de povos africanos distintos. Compreendê-los corretamente é respeitar a ancestralidade que os sustenta.

Exu – Orixá do princípio, da transformação e da reciprocidade

(Tradição Yorùbá – Ketu)

Exu (Èsù) é o Orixá do movimento, da transformação e da comunicação. É o primeiro a ser reverenciado em qualquer ritual nagô, pois sem Exu não há passagem, não há mensagem e não há comunicação entre o Orun (mundo espiritual) e o Ayê (mundo material). Ele é o intermediador entre os homens, os Orixás e Olodumaré.

Exu não representa o mal. A associação com o diabo cristão é fruto da leitura colonial e do maniqueísmo das religiões monoteístas, conceito inexistente na cosmovisão africana. Exu é o equilíbrio dinâmico da existência. Ele contém as contradições humanas, pois rege tanto a união quanto a separação, a construção e a ruptura, compreendendo que a vida se manifesta no movimento.

Senhor da terra e do fogo, Exu governa o s**o, a magia, o poder, a união e a transformação. Exu compreende profundamente o princípio da reciprocidade: oferece conforme recebe. Quando cultuado e lembrado, abre caminhos, protege e prospera; quando negligenciado, cobra, fecha e desorganiza. Não por maldade, mas por fundamento.

Exu é também o guardião do mercado e das trocas. Por isso, comerciantes tradicionalmente lhe prestam oferendas. No Brasil, as baianas de acarajé oferecem o primeiro bolinho a Exu, pedindo proteção, prosperidade e boas vendas.

Exu é considerado a primeira forma dotada de individualidade. Presente em todos os reinos yorùbás, teria reinado em Ketu e renascido diversas vezes, sendo apontado, conforme a tradição, como filho de Orunmilá ou de Oxum.

Os filhos de Exu costumam ser comunicativos, carismáticos, inteligentes e extremamente dinâmicos. São pessoas de ação rápida, sociáveis, populares, dotadas de grande poder de persuasão, amantes da rua, da festa e do movimento — reflexos diretos do Orixá que os rege.

Dia: segunda-feira
Cores: vermelho e preto
Símbolos: ogó, falo ereto
Saudação: Laroiê Exu!

Legbá – O Vodun mensageiro e guardião dos portais

(Tradição Jeje – Fon/Ewe)

Legbá (Lɛgbà) é um Vodun da tradição Jeje, originária dos povos Fon e Ewe, atualmente Benin e Togo. Assim como Exu, Legbá é o mensageiro e guardião dos caminhos, mas não é Exu. Ele ocupa função equivalente dentro de outra cosmologia, com fundamentos próprios.

Filho de Mawu-Lisá (ou Dadá-Segbo), Legbá é sempre cultuado antes de qualquer outro Vodun, pois nada chega às demais divindades sem passar por ele. No Brasil, Legbá não entra em transe e não possui vodunsì, sendo cultuado no ritual do Zandró, próprio da tradição Jeje Mahi. O padê é ritual nagô e não pertence à tradição jeje.

Seu assentamento tradicional é um montículo de barro com falo ereto e chifres, simbolizando vitalidade, sexualidade e poder criador. Legbá vigia as ações humanas, zelando pelo equilíbrio moral e espiritual, e realiza as devidas cobranças.

Legbá é o único Vodun masculino com acesso ao mundo das Kenesi, grandes mães ancestrais e feiticeiras, equivalentes às Iyami yorùbás. Ele conhece todas as línguas e transita entre todas as famílias de Voduns, sendo o mensageiro entre elas.

Dia: segunda-feira
Cores: vermelho, multicolorido e transparente
Saudação: Un j’avalu hùn Legbá!

Mpambu Nzila – Caminho, encruzilhada e mediação ancestral

(Tradição Banto – Angola/Congo)

Mpambu Nzila pertence à cosmovisão Banto, especialmente Kikongo e Kimbundu. Diferente do que foi difundido no Brasil, Mpambu Nzila não é Exu, tampouco Pomba Gira. Essas associações são resultado de deturpações linguísticas, rituais e da influência nagô sobre casas Angola e Congo.

Mpambu significa encruzilhada; Nzila, caminho. O termo expressa o conceito do caminho que se cruza, ponto neutro onde forças se encontram e decisões são tomadas. Trata-se menos de uma entidade personificada e mais de um princípio cosmológico.

Para muitos adeptos, quem atua sobre Mpambu Nzila é o Ngamba, guardião das aldeias, fronteiras e caminhos, mensageiro entre vivos, mortos, Minkisi e Mahamba. Ngamba não entra em transe, não inicia ninguém e é exclusivamente de culto.

A confusão com Pomba Gira deriva de corrupções fonéticas como Pambu Njila, Pombo Njila ou Bombo Gira, além da falsa associação do termo “pomba” ao feminino. Na tradição banto, não existe essa relação.

Na ancestralidade banto, a encruzilhada é o centro do mundo, local onde se depositam oferendas aos ancestrais, pedidos de fartura, reconciliação e proteção. A encruzilhada não é negativa: ela contém todas as possibilidades.

Considerações finais

Exu, Legbá e Mpambu Nzila expressam, cada um à sua maneira, o princípio do movimento, da comunicação e da mediação entre mundos. Confundi-los é apagar identidades. Diferenciá-los é preservar a riqueza das matrizes Yorùbá, Jeje e Banto, pilares do Candomblé brasileiro.

Respeitar os fundamentos é honrar a ancestralidade.

Agbê – O Senhor dos MaresAgbê é um vodun, divindade da religião tradicional dos povos fón, conhecido como o senhor de Hu...
01/07/2025

Agbê – O Senhor dos Mares

Agbê é um vodun, divindade da religião tradicional dos povos fón, conhecido como o senhor de Hu, o mar. Ele pertence ao grupo dos Tô-voduns – voduns ligados aos elementos da natureza – e é especialmente cultuado pelo povo Hweda, nas regiões próximas a Uidá e Grande Popo, no atual Benim. Agbê é descrito como o terceiro filho da deusa Mawú, gerado com sua irmã gêmea Naeté.

A representação simbólica de Agbê é uma serpente, o que remete à ideia de eternidade, sabedoria e perenidade – qualidades fundamentais atribuídas ao mar. Entre seus filhos espirituais, destaca-se Dan Toxosu, que se manifesta através de crianças que nascem com deformações físicas. No pensamento tradicional fón, essas crianças são consideradas protegidas ou marcadas por Toxosu (pronuncia-se "Torrossu").

A Festa Gozìn e o Sacerdócio
Todos os anos, no dia 10 de janeiro, celebra-se a grande festa de Agbê, chamada Gozìn, em Grande Popo. A celebração honra a aliança entre os homens e o mar, sendo um dos eventos religiosos mais importantes da tradição vodun. Em 1996, o governo do Benim oficializou essa data como feriado nacional, reconhecendo a importância da herança ancestral e espiritual do povo.

A cerimônia é conduzida pelo Daagbo Hunon, o mais respeitado sacerdote de Agbê entre os fón. Ele é considerado por muitos como a mais alta autoridade religiosa do vodun, e sua linhagem sacerdotal remonta ao século XIV. A festa atrai devotos de várias partes do Benim, assim como do Togo, Haiti, Brasil, França, Canadá e Estados Unidos, evidenciando a dimensão internacional da tradição.

A Lenda do Rei Agbê e o Culto ao Mar
Segundo a tradição oral, o rei Agbê travava uma guerra contra o povo gen de Agome-Séva quando conheceu uma mulher chamada Aveu, originária da região de Avé. Aveu havia trazido consigo uma serpente sagrada vinda de Tado, conhecida como Ahuanba – “O Chicote da Guerra” – que era adorada pelo povo gen de Houla.

Curioso sobre os poderes da serpente, Agbê perguntou a Aveu o que deveria fazer para vencer seus inimigos. Ela respondeu que, para conquistar a vitória, ele precisaria possuir a serpente e cultuá-la. O rei, então, resolveu se casar com Aveu para ter acesso ao poder espiritual da serpente. No entanto, foi surpreendido pelas tropas inimigas, que o capturaram junto com sua família. Todos foram espancados e afogados no mar.

Após esse episódio trágico, Agbê e sua família passaram a ser divinizados como voduns do mar pelo povo gen de Houla. A partir daí, o povo começou a praticar um novo culto: o culto ao mar, dedicado a Agbê e sua linhagem. Por isso, é comum ouvir a expressão: "O mar pertence a Dangbé", pois o culto a Agbê teve origem na fusão com o culto pré-existente a Dangbé, também representado por uma serpente e conhecido como "O Chicote da Guerra".

Formação dos Sacerdócios
Os Agbodjevi, povo daquela região, unificaram esses elementos religiosos e instituíram o primeiro culto de Dangbé vinculado ao mar, criando um sacerdócio próprio. Os sacerdotes desse culto ficaram conhecidos como Dènon, que significa “sacerdote fundador”. Em outras regiões e entre outros clãs, os sacerdotes do culto ao mar passaram a ser chamados de Hunnon.

Os principais símbolos associados a Agbê são conchas marinhas, incluindo búzios, estrelas-do-mar e corais, elementos sempre presentes nas contas e colares usados por seus devotos.

Diáspora e Sincretismo
Com o tempo, o culto a Agbê se fundiu com outras divindades ligadas ao mar, especialmente com Xù, o oceano da cosmogonia fón. Essa fusão representa a continuidade do culto e a expansão da mitologia ligada à deusa Máwu.

Na diáspora africana, especialmente no Brasil, o culto de Agbê passou por transformações. Sob influência da tradição nagô-iorubá, fundiu-se com o culto de Iyemanjá (Yemanjá), originando expressões como "Agbemanjá", encontradas em terreiros de Tambor de Mina. Essa fusão representa não ap***s um sincretismo linguístico, mas também uma hibridização de práticas religiosas e cosmologias.

No Haiti, Agbê é conhecido como Agwe Tawoyo. O nome “Agwe” deriva da cidade de Agoué, também chamada Agbé, evidenciando a preservação do nome e do culto em contextos caribenhos.

Azaká – O Caçador e AgricultorAzaká é um vodun masculino antigo e raro, pertencente à família de Sakpata, o rei de Saval...
01/07/2025

Azaká – O Caçador e Agricultor
Azaká é um vodun masculino antigo e raro, pertencente à família de Sakpata, o rei de Savalú. É irmão dos voduns Agongone e Tôpa, e tio do jovem guerreiro Otolú, a quem treinou desde pequeno para se tornar um grande caçador e protetor da floresta. Azaká é conhecido como o vodun da agricultura, da caça e também um grande curandeiro, conhecedor profundo das ervas medicinais das matas de Savalú.

🌿 Ligação com Oxóssi e Otolú
Na tradição jeje, Azaká pode ser associado ao orixá Oxóssi, dos yorubás, por sua relação com a caça, o conhecimento das florestas e o uso do arco e flecha. Curiosamente, muitos dizem que Azaká se parece mais com Oxóssi do que o próprio Otolú, seu sobrinho. Quando Azaká, Otolú e o primo Azönwani estavam juntos em caçadas ou batalhas nas florestas, eram conhecidos como os “Hùndevalú”, um título honroso reservado aos ancestrais Caçadores-Guerreiros da antiga dinastia de Savalú.

🏞️ Espírito das Florestas e Protetor da Terra
Azaká vive nas regiões mais densas e sombrias das florestas de Savalú. Prefere locais isolados, como grutas escondidas, onde recebe suas oferendas em segredo. Ele gosta de comer longe dos olhos de todos, e sua relação com o mundo espiritual é profunda, silenciosa e observadora.

É também guardião da terra e das colheitas, sendo um dos responsáveis pela fertilidade do solo e pelo sustento dos camponeses. Suas oferendas incluem bolos de milho, pipoca, frutas, cereais, carne de porco, galos, pombos, xaoros, e outros alimentos ligados à fartura e ao trabalho do campo.

🧿 Assentamento, Cores e Saudação
O assentamento de Azaká é composto por elementos ligados tanto a Sakpata quanto a Otolú, refletindo sua conexão com a saúde, a terra e a floresta. Seu fetiche é representado por um camponês carregando um s**o de palha nas costas, cheio de cereais — símbolo de trabalho, fartura e responsabilidade.

As cores associadas a Azaká são o azul-claro, podendo-se também usar as cores de Sakpata, como verde, branco e índigo. Sua saudação tradicional é “Bissaló!”, sendo respondida com “Ló!”. Uma saudação completa, usada em rituais mais elaborados, é:

Aho Gbogbo Iyh Azaká Agebelú Sakpatá Bissaló – Ló!

🌾 Azaká no Haiti
No Haiti, Azaká é conhecido como Papa Zaka, Azacca ou Kouzen Zaka (“Primo Zaka”). É um loa da agricultura e do trabalho, muito respeitado pelo povo camponês. Ele se apresenta como um homem simples do campo, vestido com roupas de brim (karabel), lenço vermelho no pescoço, chapéu de palha, e sempre com seu djakout (bolsa de ráfia com ervas, sementes e outros objetos).

Carrega também um facão (machete) e fuma ca****bo. Possui uma voz aguda e nasal, especialmente quando está enérgico. Dança com vigor e costuma enrolar uma perna de caça até o joelho durante suas celebrações. Azaká valoriza o trabalho e costuma cantar dizendo que “não rouba, não pede caridade” — mas em suas músicas há sempre um humor que revela suas contradições e sua astúcia.

Comidas e Bebidas
Papa Zaka recebe sacrifícios de galos vermelhos, e gosta de bebidas fortes como o kleren (rum caseiro), além de tequila, refrigerante de cola, café bem doce, garapa e caldo de cana. Seus alimentos favoritos incluem arroz com feijão, milho cozido, banana, inhame, pão de mandioca, bacalhau salgado, frutas, doces e pipoca com coco. Ele é sincretizado com Santo Isidoro, o santo católico dos lavradores.

⚖️ O Guardião dos Preceitos
Azaká é também conhecido por seu rigor espiritual. Diz-se que é ele quem vigia o cumprimento dos preceitos religiosos (tabus e obrigações espirituais) de todos os fiéis e iniciados. A tradição conta que:

Um camponês muito pobre pediu ajuda a Azaká, pois sua terra era infértil e nada crescia. O vodun aceitou ajudá-lo, desde que ele fizesse uma oferenda em uma gruta na floresta: pipoca, cabaças, búzios, um pombo branco, três galos e muitos xaoros. Além disso, o camponês deveria cumprir três meses de preceito.

Ele obedeceu, e logo sua colheita foi abundante e trouxe grande riqueza. No entanto, depois de enriquecido, desrespeitou os preceitos estabelecidos por Azaká. Como punição, o vodun destruiu toda sua plantação com pragas incuráveis, que também trouxeram doenças fatais. O camponês e sua família morreram.

Após esse episódio, os outros voduns decidiram que Azaká seria o responsável por punir qualquer um que quebrasse preceitos espirituais, independentemente do vodun regente da pessoa. Sua justiça é fria e sem piedade.

✨ Conclusão
Azaká é um vodun completo: caçador, agricultor, curandeiro, mestre das ervas e juiz espiritual. Sua energia exige respeito, comprometimento e obediência às leis sagradas. Ao mesmo tempo, ele é o provedor, aquele que garante alimento, saúde e proteção àqueles que vivem em harmonia com a natureza e os princípios espirituais.

Sakpatá – O Rei da VaríolaSakpatá, também conhecido como Ajunsun, Azunsú ou Sakpatá Ayinan, é um vodun muito temido e re...
01/07/2025

Sakpatá – O Rei da Varíola
Sakpatá, também conhecido como Ajunsun, Azunsú ou Sakpatá Ayinan, é um vodun muito temido e respeitado. Ele é o senhor das doenças contagiosas e carrega o título de “Ayinon” – o Dono da Terra. É considerado uma divindade de dupla etnia, com seu culto presente entre os povos Fon e Iorubá. Entre os iorubás, é conhecido como Sòpònná, também grafado como Xapanã.

Alguns o consideram o primogênito de Mawu-Lisá, enquanto outros o veem como filho da antiga mãe Nanã Buruku. Sakpatá possui uma vasta família de voduns associados a ele, todos com cultos e características próprios, mas sempre ligados à terra, às doenças e à cura. Alguns também representam a riqueza ou a miséria.

Suas vestimentas são tradicionalmente feitas de palha da costa, um dos principais símbolos destes voduns. Alguns usam o xaxará (instrumento ritual), outros empunham bastões, lanças ou facões. As cores mais comuns em seu culto incluem o roxo, preto, branco, bordô e vermelho — todas ligadas à força e à seriedade do seu domínio.

No Candomblé Jeje-Mahi, Sakpatá é chamado de Azansú (homem da esteira) ou Azonsú (homem doente). Ele é representado com o corpo coberto pela palha da costa e carrega o xaxará, que utiliza para captar e retirar energias negativas dos ambientes. Sua cor predominante é o roxo ou o bordô. A saudação tradicional a ele e aos voduns de sua família é: “Abáo, sísí daagbo!”

Iniciação e Culto
Entre os povos Fon, a iniciação no culto de Sakpatá acontece em duas etapas. Na primeira e mais longa, os neófitos permanecem no hunkpame durante vários meses, submetendo-se a uma rígida disciplina que envolve jejuns, silêncio, aprendizado de cantos e danças rituais. Durante esse período, são chamados de agamassi.

Ao fim dessa fase, suas famílias organizam um grande ritual. Nele, os neófitos passam por uma morte simbólica, ficando escondidos por três dias dos olhos do público. Após esse período, são trazidos de volta enrolados em mortalhas, sendo publicamente “ressuscitados” pelo Aklunon (ministro do culto). A partir de então, recebem seus nomes de iniciação e passam a ser chamados de anagonu (do termo iorubá “nagô”), sakpatasi (esposa de Sakpatá), ou azonsi (esposa da doença).

Rejeição no Reino do Daomé
No antigo Reino do Daomé (Dahomey), o culto de Sakpatá era visto com desconfiança. Em certos períodos, chegou a ser banido, inclusive definitivamente da cidade de Abomey. As sacerdotisas de Sakpatá não podiam se casar com o rei, pois havia o receio de que os sacerdotes propagassem doenças propositalmente como forma de aumentar seu poder. Isso se agravava pelo fato de Sakpatá portar os títulos de Ayinon e Jeholú, também usados pelo rei, o que era visto como um desafio direto ao poder real.

Na Diáspora e Variações Regionais
Durante a diáspora africana, o culto de Sakpatá se fundiu, em muitos casos, com sua contraparte iorubá: Obaluaiê. No Brasil, no Candomblé Jeje, ele é conhecido como Azonsu ("A Doença"), grafado também como "Azunsu" ou "Ajunsun". Outro nome associado é Azonwanu (“aquele que tem o cheiro da doença”), que no Brasil aparece como “Azoani” ou “Azauani”. Esse último nome também é conhecido na Santeria cubana como “Asojano”.

Mito da Criação e a Disputa com Sogbô
Logo após a criação do mundo por Mawu-Lissá, cada um dos filhos divinos recebeu riquezas, domínios e responsabilidades. Sakpatá foi incumbido de cuidar da cidade de Savalú, onde deveria zelar para que os humanos idolatrassem os deuses.

Sakpatá era irmão de Sogbô, com quem não mantinha boa relação. Para evitar conflitos, decidiu se afastar e morar com seu povo, levando consigo todas as riquezas que possuía. Porém, esqueceu de levar a água, que deixou entre as posses de Sogbô.

Com o tempo, as chuvas cessaram. Passaram-se anos sem que caísse uma gota d’água. O povo de Savalú, desesperado, foi até o palácio de Sakpatá, que prometeu que logo a chuva viria e faria rios, mares e lagos transbordarem. No entanto, sua palavra não se cumpriu e sete anos se passaram sem uma única chuva.

Nesse período, chegaram à cidade dois bokonons — sábios muito respeitados por seu dom de adivinhar e consultar Fá. Eles pediram audiência com o rei Sakpatá, que prontamente os recebeu. Embora falassem uma língua diferente, Sakpatá os compreendia: era a língua do céu.

Ele então perguntou:

— O que está acontecendo? Em meu reino não chove há três anos!

Os bokonons responderam que não sabiam ao certo, mas se ele quisesse, poderiam consultar Fá. Sakpatá aceitou.

Na consulta, Fá revelou que a seca era resultado da disputa entre dois irmãos que desejavam dominar as mesmas coisas. A solução era simples: Sakpatá deveria fazer uma oferenda para acalmar seu irmão Sogbô.

Sakpatá imediatamente providenciou todos os elementos indicados por Fá, fez a oferenda e a enviou ao céu através de um pássaro que criara desde filhote. Sogbô, ao ver o pássaro, lançou um raio contra ele, mas o pássaro desviou com agilidade. O clarão do raio permitiu a Sogbô reconhecer o pássaro e perceber suas habilidades. Então permitiu que ele se aproximasse, recebendo a oferenda.

A mensagem entregue dizia que Sogbô aceitava a oferenda e pedia perdão ao irmão por sua ambição. Reconhecia também que Sakpatá havia esquecido do mais essencial: a água.

Naquele mesmo dia, choveu tanto que os rios, mares e lagos transbordaram. A paz entre os irmãos foi restaurada.

Saudação Tradicional
“Atotô Aho Gbogbo Iyh Agebelú Sakpatá Totohún Atòtò!”

Aziri: As Divindades das Águas Doces no Culto Djèdjè MahíAzirí Tolá é a Naê das águas doces. Assim como em todas as cult...
28/06/2025

Aziri: As Divindades das Águas Doces no Culto Djèdjè Mahí

Azirí Tolá é a Naê das águas doces. Assim como em todas as culturas afrodescendentes, no djèdjè mahí também existe uma divindade relacionada ao culto das águas doces e à fertilidade. Essa divindade é considerada uma Nae Togbosy, um termo que engloba outras divindades ligadas às águas.

Azirí Tolá é uma Nae Togbosy que habita o fundo dos rios, pertencendo ao panteão da terra e ao culto aos ancestrais. Muito doce e meiga, prefere a paz e a tranquilidade das águas profundas, regendo todos os seres vivos que por lá habitam. Recebeu ordens de Mawú para levar aos seres humanos a fé e o amor, sendo responsável também pela beleza e fertilidade do planeta, cuidando de sua aparência e bem-estar. É a senhora do amor, com o poder de unir as pessoas sentimentalmente por meio da paixão e do afeto.

Ela rege os casamentos, as uniões estáveis e todos os laços de afeto que podem existir entre pessoas, sejam de s**o oposto ou do mesmo s**o. Vaidosa e caridosa, é também muito exigente, gostando que tudo esteja sempre em ordem, principalmente no que diz respeito ao culto. Azirí Tolá é a maior representante da classe das Naes Togbosys das águas doces, tanto pela sua importância quanto pela sua semelhança com o òrísá Òsún dos cultos iorubás.

Ela veste amarelo clarinho, com detalhes dourados e prateados, e se enfeita com pedras, conchas e caramujos. Além disso, Azirí Tolá é responsável pela fertilidade feminina, regendo a gestação, o momento do nascimento e o bem-estar tanto da mãe quanto do filho. Como divindade do encanto e da beleza, adora o ouro e tudo que brilha, simbolizando o reflexo da luz que atravessa as águas e ilumina o fundo dos rios, clareando aquele mundo escuro e silencioso.

Aziri Tolá também cuida do bem-estar das águas e de todo o ciclo de animais, folhas e micro-organismos que nelas vivem, em conjunto com Nae Tokpodun, uma divindade do panteão hevioso que foi expulsa do oceano devido ao seu gênio forte e arredio.

Outra divindade importante do culto às águas doces é Aboto, vodun cujo culto atravessou fronteiras e chegou até as terras iorubás, onde é cultuada ora como variação de Íyèmònjá, ora como variação de Òsún. Aboto é a senhora do encontro das águas, regendo o local onde o rio desemboca. Pertence ao panteão da terra e é um vodun velho e temperamental, ligado ao culto aos ancestrais. É a dona do suor e de toda água encontrada no organismo. Também é senhora da pororoca e das èkédjís, protegendo-as e cobrando o cumprimento de suas funções. Suas cores são amarelo pálido e transparente; gosta de adornos dourados e prateados e adora perfumes.

Aziri Tobossi é outra Nae essencial no culto às águas doces. Conhecida por sua força e sabedoria, é uma divindade que rege as águas calmas e profundas, simbolizando a paciência e a estabilidade. É guardiã dos mistérios das águas doces e protetora das comunidades ribeirinhas, garantindo a harmonia entre os seres humanos e a natureza. Aziri Tobossi veste azul profundo, decorada com pedras preciosas e conchas, refletindo a serenidade das águas que comanda. Sua energia complementa e fortalece a atuação das outras Naes Togbosys, especialmente Azirí Tolá, reforçando o equilíbrio entre a fertilidade, a beleza e o sustento proporcionados pelas águas.

Muitas Naes das águas doces ainda são pouco conhecidas devido à falta de informação e aprendizado, mas cada uma possui sua significância — seja pertencente ao panteão dos trovões ou da terra. Sua importância para o culto e para a existência do planeta e dos seres que nele habitam é indiscutível. Em sua maioria, essas divindades usam adornos dourados, vestes estampadas, amarelas ou azuis, e carregam em suas mãos objetos como liras, espelhos, leques, òfá e p***s, variando conforme seu culto e abrangência. Algumas possuem fundamentos com Òtólú, outras com Ajaunsi, Sogbo, Averekete, entre outros. O dia da semana dedicado a essas Naes é o sábado, e seus pratos são variados — desde o òmóòlókún, peixes diversos, arroz doce, lè lè, ásòsò, doces e frutas.

Lisá – O Deus SolLisá é considerado um dos principais deuses na liturgia do povo Fón. Juntamente com Mawú, sua esposa, é...
27/06/2025

Lisá – O Deus Sol
Lisá é considerado um dos principais deuses na liturgia do povo Fón. Juntamente com Mawú, sua esposa, é responsável por toda a criação da Terra e dos demais voduns. Lisá é filho de Dangbé, a serpente da vida, e habita os céus. É o governante supremo, aquele que comanda todo o planeta — o próprio Sol. Trata-se de um vodun quente, austero, que vigia toda a humanidade e a condena, castigando os crimes cometidos contra a vida e a natureza.

É um vodun velho, impaciente e diurno, apreciador do calor e da claridade. Pai de muitos voduns, é o principal representante do clã que leva seu nome. Veste-se exclusivamente de branco e, assim como Òsààlúfón do culto iorubá, não aceita outras cores em seu culto. Costuma aparecer adornado com joias reluzentes e empunhando um cajado com a imagem do Sol na extremidade.

Em algumas regiões do antigo reino do Daomé (atual Benim), existem lendas que apontam Mawú e Lisá como divindades supremos, cultuados em conjunto sob o nome Mawú-Lisá — sendo, por isso, comparados ao grande Òlóòrún dos iorubás. Outras tradições, no entanto, afirmam que, embora poderosos, ambos estariam abaixo de Òlóòrún, enviados por ele para governar a Terra e fundar civilizações.

Apesar de sempre andarem juntos e ser impossível louvar um sem lembrar do outro, Mawú e Lisá são bastante distintos. Cada um representa princípios e visões opostas sobre os humanos e o planeta. Por isso, Lisá passou a habitar o Sol, enquanto Mawú, sua esposa, estabeleceu-se na Lua.

Lisá simboliza o princípio masculino, a brutalidade e o instinto. Embora tenha se fixado no Sol, descia à Terra algumas vezes ao ano para compreender as necessidades humanas, ajudá-los e também corrigi-los. Nessas visitas, gerou descendentes que posteriormente seriam divinizados. Já Mawú jamais retornou à Terra, e, por sua bondade e compreensão, passou a ser mais invocada pelos homens que Lisá. A invocação constante de Mawú levou alguns visitantes do Daomé a acreditar, erroneamente, que ela seria a divindade suprema — correspondendo ao Deus único do cristianismo.

Os Fóns acreditam que, durante os eclipses, Mawú e Lisá se reencontram. Nesses momentos, fazem amor, gerando novos voduns que vêm auxiliar a humanidade.

Lisá guarda muitas semelhanças com Òsààlúfón dos iorubás, pois ambos representam supremacia, hierarquia e sabedoria. No entanto, possui poucos filhos iniciados no Brasil, devido à escassez de fundamentos específicos para seu culto.

Alguns estudiosos sugerem que Lisá seria o mesmo que Òsààlá — título dado aos òrìsàs fúnfún na África, diretamente relacionado a Òsààlúfón — e que a diferença estaria ap***s na pronúncia e no dialeto, tratando-se da tradução do iorubá para o fón. Ainda assim, Lisá apresenta muitas características distintas de Òsààlá, que, segundo as lendas iorubás, é bondoso e benevolente. É importante lembrar que jamais devemos confundir os òrìsàs com os voduns, mesmo que compartilhem domínios e mitos semelhantes.

Divindades do Clã de Lisá
As principais divindades que compõem o clã de Lisá são:

Lisá Gaman: vodun masculino e velho, filho de Mawú e Lisá. Herdou a serenidade da mãe. É calmo, benevolente e olha com compaixão para a humanidade. Usa cajado de madeira.

Oulisá (ou Olísá): vodun masculino que habita as águas oceânicas. Pertence ao panteão do trovão e rege as águas frias e calmas. Veste branco e prata, utiliza espelho e adornos de conchas.

Lisá Lumêji: vodun masculino jovem e guerreiro. Usa alfanje e outras armas. Aprecia adornos de metais prateados. É quente, impetuoso e arredio, sendo responsável pela gravidade e o eixo da Terra. Assemelha-se ao òrìsà Òsààgíyàn.

Lisá Agbajú: vodun masculino muito velho. Atua como mensageiro entre o céu e a Terra, levando as palavras de Lisá aos humanos. Diz-se que assume a forma de um pombo branco.

Lisá Akazun: vodun masculino que faz o caminho inverso ao de Agbajú. Leva as respostas e preces humanas de volta a Lisá.

Lisá Aiyzú: vodun jovem e guerreiro, mais ligado à mãe Mawú. É responsável por transmitir suas mensagens aos humanos. Recebe oferendas à noite e veste branco e prata.

Lisá Molú: vodun masculino e velho. Responsável pela preservação das tradições e liturgias, garantindo a transmissão cultural entre gerações.

Lisá Wete: vodun associado à cultura dos Tohousu. Apresenta o corpo coberto de acnes e não é iniciado em nenhum adepto. Protege pessoas com doenças de pele.

Lisá Gwêgwê: vodun masculino guerreiro, com temperamento semelhante ao de seu pai. É impetuoso e impaciente, punindo a humanidade por seus erros. Veste branco e azul.

Existem muitos outros voduns pertencentes ao clã de Lisá, todos caracterizados como fúnfún (puros), sempre vestidos de branco e adornados com prata.

Entre todos os filhos de Mawú e Lisá, destaca-se Nànàn, a grande rainha de Dahomey, que na Terra foi a principal sacerdotisa de Mawú.

Mawú e Lisá tinham como irmãos Aido Wedo e Dangbala, representações do arco-íris e seu reflexo nas águas, respectivamente. Ambos foram enviados à Terra por seu pai Dangbé, com a missão de fornecer os elementos essenciais para a vida — como a água e o ar — enquanto Mawú e Lisá povoavam o planeta e fundavam civilizações.

Lisá é, sem dúvida, uma divindade de enorme importância. Embora temido por seu temperamento severo, é indispensável para a manutenção das leis, da ordem e da justiça no mundo espiritual e terreno.

Endereço

Rua Calondela 495
Piraquara, PR
83306350

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Pai De Santo posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Local De Adoração

Envie uma mensagem para Pai De Santo:

Compartilhar