22/06/2023
A IMPORTÂNCIA DO ACOLHIMENTO DENTRO DO TERREIRO
Pai Guiné nos conta uma história dos tempos de sua juventude:
“Quando eu era ainda bem moço, e ainda vivia junto dos meus pais na terra africana, havia um costume bem forte entre nós, o de bem receber todos os visitantes.
Nossa aldeia não tinha muito. Precisávamos trabalhar bastante para garantir nosso alimento. Até mesmo os pequenos ajudavam. Porém, quando aparecia alguém de fora, todos nós colaborávamos para acolhê-lo.
Ainda que estivéssemos em falta, ainda que a seca nos batesse, oferecíamos alimento, água e abrigo para o viajante. Rezávamos juntos, trocávamos bênçãos e ainda reuníamos uma trouxa de comida para ele levar.
Nunca mais víamos aquele estrangeiro, não ganhávamos nada em troca, mas isso não importava. Receber os de fora era mais do que um costume, era um dever sagrado. Destratar um viajante seria envergonhar nossos ancestrais, que continuam a zelar por nós.
Nós nem perguntávamos o motivo da viagem, não investigava se era para coisa boa ou coisa ruim. Ajudar o próximo era um ato natural entre nós. Se alguém passava fome, não era erro particular dele: a aldeia toda falhara.
Meus filhos, quando forem trabalhar no terreiro, lembrem-se dessa história. Todo mundo que passa lá necessita de acolhimento. Não destrate ninguém, não fale mal de pessoa nenhuma, não faça nenhum tipo de julgamento. Apenas ajude da melhor forma possível. A Umbanda veio para receber todo mundo, independente de quem seja. Faça sua parte e deixe que nós cuidemos do resto”.
-
-
-
-
-
Escrito por Diego Paiva Pimentel sob inspiração de Pai Guiné.