10/11/2020
UMBANDA - O DIRIGENTE QUE ESPERA GRATIDÃO!!!
Percebo a Umbanda como um grande edifício, com muitos apartamentos e centenas e milhões de tijolos. Cada proprietário de apartamento coloca as janelas e as pinta em conformidade à sua simpatia. Quem olha o edifício de frente não entende o colorido, a falta de padronização. Não existe uma norma condominial que determine a cor de cada janela ou mesmo da parede de fora de cada apartamento.
Os tijolos são cada terreiro e os seus médiuns e frequentadores são os moradores deste imenso edifício. Há tempos percebo muitos dirigentes de terreiro falando pela Umbanda como um todo: a Umbanda é assim, a Umbanda é isto, a Umbanda é aquilo...O tijolo fala pelo edifício, uma pequena parte fala pelo todo. A “sua” Umbanda, a que é praticada em seu terreiro, não é a Umbanda de todos, mas a Umbanda é de todos na sua diversidade de formas e nomes. Certos dirigentes querem ser o síndico do edifício, impondo normas a todos, só que não foram eleitos para isto. Na Umbanda não existe um “Papa”, um profeta, um poder central eclesiástico.
É comum vermos dirigentes acusando os filhos e adeptos de INGRATIDÃO. Ora, quem assim o faz espera gratidão, aguarda reconhecimento, transfere suas carências para a retribuição do outro. O genuíno sacerdócio umbandista é doação de amor, que nada espera em troca. O fruto de toda ação é de Deus, não é do agente da ação, não é do sacerdote. Quem sofre e se coloca como vítima, transfere suas carências pessoais, emocionais e psicológicas para o sacerdócio. Assim deseja receber compensação do que lhe falta no íntimo e aguarda reconhecimento. Assim, anseia “controlar” a vida espiritual dos adeptos e médiuns, o que nem os Guias fazem, pois cada ser é livre e tem um propósito de vida espiritual que cabe somente a Deus julgar. Orientar é deixar o outro crescer, permitir que seja livre em suas escolhas, aceitar que a Umbanda não é o único caminho e que cada um pode escolher “desvios”, optar por outras formas de buscar Deus, afinal Deus é um só.
Todos são livres e a felicidade e autorrealização está dentro de cada um.
Nenhum sacerdote tem o poder de fazer o adepto entrar em comunhão com Deus. Este poder é unicamente individual de cada um. Quando muito o sacerdote facilita esta busca, nada mais.
Cada tijolo do sacerdócio umbandista deve suportar com DISCERNIMENTO e EQUANIMIDADE a pressão da construção. A experiência é para que nos libertemos do jugo de nós mesmos; velhos egos, mandões, autoritários, centralizadores, imperiais e messiânicos.
Axé, Saravá, Namastê!
Norberto Peixoto.
Dirigente do Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade