18/07/2022
O AMOR CURA 💙🤍
💙 YEMANJÁ E OBALUAYIE 🤎
Nàná era uma senhora que já existia mesmo antes da criação da terra. Quando Oxalá chegou aqui, ela já estava.
Contudo, o maior desejo de Nàná era ser mãe, mas como já era de idade muito avançada não podia ter filhos e por isso decidiu consultar o adivinho, Orunmilá para saber de Ifá o que ela poderia fazer para ter um filho todavia, ela tinha receio de não dar certo, mas com a consulta, ela havia ficado aliviada quando foi orientada do que devia fazer para ter o que tanto queria, mas foi avisada que seria muito arriscado e que teria uma grande provação.
Feito os procedimentos, Nàná teve gêmeos. Sim, um nasceu com feridas e muitas chagas, ela havia parido a doença, esse era Obaluayie.
O outro nasceu com imensurável beleza, cheio de saúde e encanto que admirava os seus olhos, esse era Oxumarê.
Ela rejeitou Obaluayie empurrando com o pé enquanto o outro ela tentou pegar, mas esse havia se transformado numa serpente e fugido para as matas.
Nàná ficou olhando para Obaluayie com tristeza e assombro, pois a criança era muito doente e sem beleza.
Tentou amamentá-lo, mas não conseguiu. Ela não sabia o que fazer para cuidar daquela criança tão debilitada, quase morta. Essa era a provação que Nàná passava, mas que não soube lidar e por isso, enrolou o menino numa cesta e o levou para Yemanjá na beira do rio onde sabia que ela o encontraria.
Deixou Obaluayie ali e foi embora. A criança chorava de muita dor, febre, fome e os caranguejos, os animais marinhos foram mordendo todo o seu corpo até que Yemanjá escutou o choro da criança e foi até ele.
Assim que encontrou o bebê caído na beira do rio, espantou os caranguejos e se curvou para pegar a criança que berrava de muita dor e sofrimento.
Yemanjá, risonha, levantou o menino para o céu e agradeceu ao grande Deus criador Olódùmarè pela dádiva recebida e assim disse:
- Óh, recebi do grande Deus esse menino lindo. Agora é o meu filho, o meu menino e cuidarei dele como se tivesse nascido de mim, sou agora sua mãe.
Ela amamentou a criança que parou de chorar. Enquanto o menino se alimentava no seu seio, o leite que escorria caia nas águas que foram formando espumas que batiam e levavam além de trazer e se desfazer na beira das pedras.
Depois de bem alimentado, Yemanjá lavou o menino inteiro e o beijava com tanto amor que as feridas foram se fechando até que ficaram apenas cicatrizes.
Anos se passaram até que Obaluayie tinha vergonha de sair em sociedade devido as marcas que estavam em seu corpo. Yemanjá por sua vez, passava dendê por todo o corpo do filho e decidiu cobrí-lo com palhas para que ele pudesse caminhar no meio das pessoas.
Todos queriam saber quem era aquele que passeava com aquela exuberante e linda dama e ela tirou as palhas de seu filho onde, com os raios do sol, bateram na pele do jovem que brilhou feito uma pedra preciosa fazendo todos se admirarem por sua impecável beleza, pois era aquele jovem o mais belo de todos os Òrìsàs, aquele que foi amado com tanto amor que o salvou da morte, pois o amor havia curado as suas dores.
Depois de um certo tempo, Obaluayie foi conhecer a sua verdadeira mãe que morava no pântano. Um vez ali, ele a abraçou e a perdoou pelo que ela havia feito e entendeu que, Nàná o entregou para Yemanjá não por maldade, mas por não saber lidar com as dificuldades e ele passou de doente para curado, pois essa transação mostra que o poder da aceitação e do amor salvam qualquer um que esteja doente não apenas na pele, mas principalmente na alma.
📝Texto de Thau Ãn
📸Ilustração de Agnes Dosanto 2004