Wanderley Ramos Dos Santos

Wanderley Ramos Dos Santos Quem quiser vencer na vida deve fazer como os seus sábios: mesmo com a alma partida, ter um sorriso nos lábios. (Dinamor)

13/08/2026 - Quinta-feira19ª Semana do Tempo Comum🙏🏾 Evangelho (Mt 18,21-19,1) 🙏🏾“Não te digo até sete vezes, mas até se...
13/08/2026

13/08/2026 - Quinta-feira
19ª Semana do Tempo Comum

🙏🏾 Evangelho (Mt 18,21-19,1) 🙏🏾
“Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou:
“Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”

Jesus respondeu:
“Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.

O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava:
‘Dá-me um prazo e eu te pagarei tudo!’
Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.

Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia uma pequena quantia. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo:
‘Paga o que me deves!’
O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava:

‘Dá-me um prazo e eu te pagarei!’
Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.

Vendo o que havia acontecido, os outros empregados f**aram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse:

‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’

O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida.

É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.”

Quando Jesus terminou esses ensinamentos, partiu da Galileia e foi para o território da Judeia, além do Jordão.

Reflexão:

Irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje toca numa das exigências mais difíceis da vida cristã: o perdão. Pedro aproxima-se de Jesus disposto a mostrar certa generosidade. Na tradição judaica, perdoar algumas vezes já poderia ser considerado algo louvável. Pedro então eleva o número e pergunta: “Até sete vezes?” Provavelmente imaginava estar propondo um limite bastante alto. Jesus, porém, desmonta a lógica da contabilidade e responde: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”

Não se trata de fazer uma conta matemática. Jesus está dizendo que o perdão cristão não pode ser reduzido a um número. Quando começamos a contar quantas vezes perdoamos, talvez já estejamos perdendo o espírito do Evangelho. O amor de Deus por nós não funciona mediante uma planilha de créditos e débitos. Por isso, também a misericórdia que oferecemos aos outros não pode depender apenas de cálculos.

Mas Jesus sabe que falar simplesmente “perdoai sempre” poderia parecer abstrato. Por isso conta uma parábola.

Um empregado deve ao rei uma quantia gigantesca, tão elevada que seria impossível pagá-la durante toda a vida. O tamanho da dívida é propositalmente exagerado. Jesus quer mostrar a enorme distância entre aquilo que devemos a Deus e aquilo que podemos oferecer para reparar plenamente nossos pecados.

O homem cai aos pés do rei e promete: “Dá-me um prazo e eu te pagarei tudo.” Na realidade, ele jamais conseguiria pagar. Contudo, acontece algo surpreendente: o rei não concede simplesmente mais tempo. Perdoa completamente a dívida.

Aqui está a primeira grande mensagem do Evangelho: a salvação começa não pelo nosso mérito, mas pela misericórdia de Deus.

Todos nós somos aquele servo. Recebemos do Senhor muito mais do que poderíamos merecer. Quantas vezes fomos perdoados! Quantas quedas Deus já levantou! Quantos recomeços nos concedeu! Quantos pecados foram absolvidos no sacramento da Reconciliação! A vida cristã nasce da experiência de alguém que descobriu que possui uma dívida impossível de pagar e, mesmo assim, ouviu de Deus: “Está perdoado.”

O problema começa quando esse homem sai da presença do rei e encontra outro empregado que lhe deve uma quantia pequena. A diferença entre as duas dívidas é enorme. Aquilo que ele devia ao rei era praticamente incalculável; aquilo que o companheiro lhe devia poderia ser pago.

E então acontece o absurdo: aquele que acaba de receber misericórdia recusa-se a oferecê-la.

Ele agarra o companheiro pelo pescoço e exige: “Paga o que me deves!”

Essa cena nos incomoda porque percebemos imediatamente a incoerência daquele homem. Entretanto, Jesus conta a parábola justamente para que reconheçamos algo de nós mesmos nela.

Quantas vezes pedimos a Deus: “Perdoai as nossas ofensas”, mas temos dificuldade para continuar a oração: “assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”

Queremos misericórdia para nossas próprias fraquezas e justiça rigorosa para as fraquezas dos outros.

Quando erramos, desejamos que compreendam nossas intenções. Quando o outro erra, julgamos suas ações. Quando falhamos, lembramos que somos humanos. Quando alguém falha conosco, às vezes tratamos aquela falha como se definisse toda a pessoa.

Jesus coloca diante de nós uma pergunta essencial: como alguém que recebeu tanto perdão pode negar completamente o perdão ao irmão?

Isso não signif**a minimizar a gravidade das feridas. Algumas situações machucam profundamente. Há traições, injustiças, humilhações e perdas cujas marcas podem permanecer durante muitos anos. O Evangelho não nos pede para chamar o mal de bem nem fingir que aquilo que aconteceu não doeu.

Perdoar não signif**a esquecer automaticamente. A memória humana não funciona por comando. Tampouco signif**a voltar necessariamente ao mesmo tipo de convivência. Existem situações em que a prudência exige distância, limites claros e proteção. E perdoar não elimina a necessidade de justiça ou de reparação quando houve uma injustiça grave.

Perdoar signif**a não entregar nosso coração ao desejo de vingança.

É recusar-se a permitir que o mal recebido continue produzindo mal dentro de nós.

Enquanto guardamos ressentimento, muitas vezes acreditamos estar punindo aquele que nos feriu, mas quem continua carregando a ferida somos nós mesmos. A pessoa talvez nem saiba que permanecemos presos ao acontecimento. O perdão começa quando decidimos: “Não permitirei que aquilo que você fez determine aquilo que eu me tornarei.”

E há outro ponto fundamental: Jesus diz que devemos “perdoar de coração.” O perdão cristão não é apenas exterior. Podemos dizer “está tudo bem” e continuar alimentando interiormente o rancor. Deus deseja tocar justamente esse lugar profundo onde guardamos as feridas.

Mas esse perdão de coração nem sempre acontece em um único instante. Algumas vezes é um processo. Primeiro tomamos a decisão de não buscar vingança. Depois começamos a rezar. Aos poucos, Deus vai libertando nosso coração das lembranças dolorosas e da raiva. Há feridas que exigem tempo para cicatrizar.

Por isso, talvez seja necessário perdoar a mesma pessoa muitas vezes, inclusive pela mesma ofensa. Não porque a ofensa se repetiu, mas porque a lembrança voltou. Cada vez que a memória reacende a dor, precisamos dizer novamente diante de Deus: “Senhor, eu escolho perdoar.”

É aqui que compreendemos profundamente o setenta vezes sete.

Às vezes, o perdão precisa ser renovado dentro de nós muitas vezes até que a ferida deixe de comandar nosso coração.

A parábola também nos ensina que a incapacidade de perdoar pode nascer do esquecimento. O primeiro servo saiu da presença do rei e parece ter esquecido imediatamente o tamanho da misericórdia que acabara de receber. Quem se lembra de quanto foi perdoado por Deus tende a ser mais misericordioso com os outros.

Talvez por isso uma pessoa verdadeiramente santa costume tornar-se cada vez menos julgadora. Quanto mais se aproxima de Deus, mais reconhece a própria fragilidade. E quanto mais percebe a misericórdia que recebeu, mais compreende a fraqueza alheia.

A Eucaristia também nos coloca diante desse mistério. Aproximamo-nos do altar não porque somos perfeitos, mas porque fomos alcançados pela graça. Recebemos o Corpo daquele que, pregado na cruz, rezou pelos próprios algozes: “Pai, perdoa-lhes.” Não podemos alimentar-nos desse Cristo e, ao mesmo tempo, cultivar deliberadamente o ódio.

Talvez hoje exista algum nome que apareça imediatamente em nosso coração quando ouvimos falar em perdão. Alguém que nos decepcionou, feriu ou traiu. O Evangelho não exige que sintamos imediatamente carinho por essa pessoa. Pede algo anterior: que entreguemos a Deus o direito de vingança e permitamos que Ele comece a libertar nosso coração.

Há pessoas que carregam durante décadas feridas de acontecimentos que duraram poucos minutos. Jesus não quer que nossa história fique aprisionada naquele momento.

Por isso, o perdão não é apenas um presente que oferecemos ao outro. Muitas vezes é também uma libertação que permitimos que Deus realize dentro de nós.

Diante desta Palavra, perguntemo-nos:

— Existe alguém cuja dívida continuo cobrando interiormente, apesar de tantas vezes eu mesmo ter experimentado a misericórdia de Deus?
— Confundo perdão com esquecer ou aceitar novamente situações que precisam de limites, impedindo-me assim de iniciar um verdadeiro caminho de libertação interior?
— Quando recordo as ofensas recebidas, tenho levado minhas feridas a Deus e renovado a decisão de perdoar?

Que o Senhor nos faça compreender a imensidão da misericórdia que recebemos. Que a lembrança de nossos próprios pecados perdoados torne nosso coração mais humilde diante das fraquezas dos irmãos. E que, especialmente nas feridas mais difíceis, tenhamos coragem de dizer: “Senhor, sozinho talvez eu não consiga perdoar, mas quero permitir que Tu me ensines a fazê-lo.”

Porque aquele que experimentou verdadeiramente a misericórdia de Deus descobre, pouco a pouco, que perdoar não signif**a dizer que a ferida não existiu; signif**a decidir que ela não terá a última palavra.

Amém.

(Pe. Wanderley Ramos dos Santos - Paróquia São Benedito - Diocese de Catanduva-SP)

11/08/2026 - Terça-feira19ª Semana do Tempo Comum 🙏🏾 Evangelho (Mt 18,1-5.10.12-14) 🙏🏾“Assim também, o Pai que está nos ...
11/08/2026

11/08/2026 - Terça-feira
19ª Semana do Tempo Comum

🙏🏾 Evangelho (Mt 18,1-5.10.12-14) 🙏🏾
“Assim também, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos.”

Naquele tempo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?”
Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse:

“Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.

E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.
Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus.

Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas para procurar aquela que se perdeu?

Em verdade vos digo, se ele a encontra, f**ará mais feliz com ela do que com as noventa e nove que não se perderam.
Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos.”

Reflexão:

Irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje começa com uma pergunta profundamente humana: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Os discípulos ainda pensam segundo a lógica do mundo. Querem saber quem ocupa o primeiro lugar, quem possui mais importância, quem tem mais prestígio. Jesus, porém, responde de uma maneira completamente inesperada: chama uma criança, coloca-a no meio deles e transforma aquele pequeno ser humano em uma verdadeira parábola viva do Reino.

Na sociedade daquele tempo, a criança não possuía o destaque que recebe atualmente. Ela dependia completamente dos adultos e não tinha poder, influência ou posição social. Por isso, quando Jesus coloca uma criança no centro, está realizando uma verdadeira inversão de valores. Os discípulos perguntam quem é o maior, e Jesus aponta justamente para quem parecia menor.

Cristo declara: “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus.” Não está nos convidando à infantilidade, à irresponsabilidade ou à ingenuidade. Tornar-se como criança signif**a recuperar atitudes espirituais que facilmente perdemos com o passar dos anos: a confiança, a simplicidade, a capacidade de depender de alguém, a ausência de pretensão e a abertura para receber.

A criança sabe que precisa dos outros. O adulto, muitas vezes, cria a ilusão de autossuficiência. Quer controlar tudo, resolver tudo e depender o mínimo possível. A vida espiritual começa justamente quando reconhecemos que diante de Deus somos filhos. Não somos donos da graça; somos pessoas que a recebem.

Por isso Jesus acrescenta: “Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.” A verdadeira grandeza cristã nasce da humildade. O maior não é aquele que consegue impor-se aos outros, mas aquele que se coloca nas mãos de Deus. Quanto mais alguém cresce espiritualmente, menos necessidade possui de demonstrar sua importância.

Essa Palavra toca diretamente nossa relação com poder, reconhecimento e prestígio. Podemos buscar grandeza até mesmo dentro da vida religiosa. É possível servir esperando ser reconhecido, ocupar responsabilidades desejando prestígio ou sentir-se superior porque possui maior conhecimento da fé. Jesus desmonta essa lógica. No Reino, grande é quem se faz pequeno.

Em seguida, Cristo afirma: “Quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.” Aqui o ensinamento se amplia. A criança representa todos aqueles que são pequenos aos olhos do mundo: os pobres, os fragilizados, os doentes, os idosos abandonados, os que não possuem influência, aqueles que facilmente são esquecidos ou desprezados. Jesus identif**a-se com eles.

Essa verdade deveria transformar nosso modo de tratar as pessoas. O valor de alguém não depende daquilo que ela pode nos oferecer. O cristão é chamado a acolher precisamente quem talvez nunca possa retribuir. É fácil aproximar-se de pessoas importantes; o Evangelho nos pergunta se somos capazes de reconhecer Cristo também naqueles que não possuem nenhum prestígio.

Jesus faz então uma advertência muito séria: “Não desprezeis nenhum desses pequeninos.” Desprezar alguém signif**a considerá-lo sem importância. Talvez este seja um dos pecados mais silenciosos: olhar para determinadas pessoas como se fossem descartáveis. Cristo nos recorda que cada ser humano possui diante de Deus um valor imenso.

A frase seguinte reforça essa dignidade: “Seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai.” Jesus quer mostrar que aqueles que o mundo considera pequenos são preciosos diante de Deus. Nenhuma pessoa é invisível para o Pai.

Em seguida, aparece a parábola da ovelha perdida. Um pastor possui cem ovelhas, mas uma se afasta. Pela lógica econômica, alguém poderia pensar: “Ainda tenho noventa e nove; perder uma não é tão grave.” Deus não pensa assim.

Para o Senhor, uma pessoa nunca é apenas um número.

O pastor deixa as noventa e nove e parte à procura daquela que se perdeu. Isso revela algo extraordinário sobre o coração de Deus: Ele não ama a humanidade apenas como um conjunto; ama cada pessoa individualmente. Conhece cada história, cada ferida, cada queda e cada caminho.

A ovelha perdida pode representar muitas situações. Pode ser alguém que se afastou da Igreja, uma pessoa dominada pelo pecado, alguém ferido por experiências dolorosas, um filho que tomou caminhos difíceis ou simplesmente aquele que perdeu o sentido da própria vida. O Evangelho nos assegura que Deus não abandona nenhum deles.

Há uma diferença profunda entre nossa maneira de enxergar quem se perdeu e a maneira de Deus. Muitas vezes julgamos rapidamente. Dizemos: “Ele escolheu esse caminho”, “não quer saber de Deus”, “já tivemos paciência demais”. O pastor da parábola não f**a parado reclamando da ovelha; sai para procurá-la.

Isso nos ensina também qual deveria ser a atitude da Igreja. A comunidade cristã não existe apenas para cuidar daqueles que já estão dentro. Ela precisa manter um coração missionário, sempre preocupado com aqueles que se afastaram. Uma Igreja que não sente falta de quem se perdeu corre o risco de esquecer o coração do próprio Cristo.

É muito bonito perceber que, ao encontrar a ovelha, o pastor se alegra. Deus não recebe o pecador arrependido com humilhação, dizendo: “Eu avisei.” Há alegria no céu por aquele que retorna. O objetivo de Deus não é condenar, mas salvar.

O Evangelho termina com uma frase que deveria f**ar gravada em nosso coração: “O Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos.”
Este é o desejo de Deus: que ninguém se perca.

Talvez nós mesmos sejamos, em algum aspecto, a ovelha que precisa ser encontrada. Podemos estar fisicamente dentro da Igreja e, ainda assim, espiritualmente distantes. Às vezes é o coração que se perde no orgulho, no ressentimento, na indiferença ou na rotina.

Cristo também vem à nossa procura.

Essa Palavra combina muito bem com a memória de Santa Clara, celebrada hoje. Ela compreendeu profundamente a lógica do Evangelho: abandonou privilégios e seguranças para escolher a pobreza, a simplicidade e a total confiança em Deus. Aos olhos do mundo, fez-se pequena; aos olhos do Reino, encontrou a verdadeira grandeza.

Jesus hoje nos convida a escolher o mesmo caminho: menos necessidade de aparecer, mais desejo de servir; menos orgulho, mais humildade; menos julgamento daqueles que se perderam, mais disposição para procurá-los.

Diante desta Palavra, perguntemo-nos:

— Tenho buscado grandeza, reconhecimento e importância, ou aprendido a me fazer pequeno diante de Deus e dos irmãos?
— Existe alguma pessoa que tenho tratado com desprezo ou considerado sem importância?
— Quem são hoje as “ovelhas perdidas” que Deus talvez esteja me chamando a procurar, acolher e ajudar a retornar?

Que o Senhor nos conceda um coração simples e humilde como o de uma criança. Que saibamos reconhecer o valor infinito de cada pessoa, especialmente dos menores e mais frágeis. E que jamais nos acostumemos com a ausência daqueles que se perderam, mas aprendamos com Cristo, o Bom Pastor, a procurar, acolher e conduzir de volta cada irmão, porque o Pai não deseja que nenhum de seus pequeninos se perca.

(Pe. Wanderley Ramos dos Santos - Paróquia São Benedito - Diocese de Catanduva-SP)

10/08/2026 - Segunda-feiraFesta de São Lourenço, diácono e mártir🙏🏾 Evangelho (Jo 12,24-26) 🙏🏾“Se o grão de trigo que ca...
10/08/2026

10/08/2026 - Segunda-feira
Festa de São Lourenço, diácono e mártir

🙏🏾 Evangelho (Jo 12,24-26) 🙏🏾
“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto.”

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

“Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto.

Quem se apega à sua vida perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna.

Se alguém quer me servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servidor. Se alguém me serve, meu Pai o honrará.”

Reflexão:

Irmãos e irmãs, a Igreja celebra hoje a Festa de São Lourenço, diácono e mártir, e o Evangelho escolhido para esta celebração não poderia ser mais adequado. Jesus utiliza a imagem simples de um grão de trigo para revelar uma das leis mais profundas da vida cristã: a vida só produz verdadeiramente fruto quando é capaz de se entregar.

O grão de trigo possui dentro de si uma força enorme, mas enquanto permanece fechado em si mesmo, continua sendo apenas um grão. Para gerar uma espiga, precisa cair na terra, desaparecer, romper sua casca e, de certa forma, morrer. Somente então aquilo que parecia perdido começa a multiplicar-se.

Essa imagem fala primeiro do próprio Jesus. Cristo é o verdadeiro grão de trigo lançado à terra. Sua morte na cruz, aos olhos humanos, pareceu uma derrota. O Messias foi rejeitado, condenado e colocado num túmulo. Entretanto, daquela aparente derrota nasceu a salvação do mundo. Da cruz brotou a vida. Do túmulo surgiu a Ressurreição. E daquele único grão nasceu um povo incontável, a Igreja.

Por isso, quando Jesus diz que o grão precisa morrer, Ele não está glorif**ando o sofrimento pelo sofrimento. Está revelando uma verdade sobre o amor: quem ama de verdade precisa aprender a sair de si mesmo. Todo amor verdadeiro contém alguma forma de renúncia. Um pai renuncia a muitas coisas por causa dos filhos. Uma mãe oferece noites de sono, tempo e energia. Um sacerdote entrega parte de sua própria vida para servir uma comunidade. Um cristão aprende a perdoar mesmo quando o orgulho pede vingança.

A vida que permanece fechada apenas em seus próprios interesses acaba tornando-se estéril. Pode até acumular bens, experiências e reconhecimento, mas não produz aquilo que permanece para a eternidade. O Evangelho nos ensina que a fecundidade nasce da entrega.

Jesus continua dizendo: “Quem se apega à sua vida perde-a.” À primeira vista, parece uma contradição. Afinal, todos temos naturalmente o desejo de preservar a vida. O Senhor não está condenando esse instinto. Está falando de uma atitude interior: viver exclusivamente para si mesmo, transformando o próprio bem-estar no centro absoluto da existência.

Há pessoas que passam a vida tentando proteger tudo: o dinheiro, a reputação, o conforto, os próprios planos, a própria imagem. Entretanto, quanto mais tentam conservar tudo, mais podem perder aquilo que realmente importa: a capacidade de amar, de servir, de criar vínculos profundos e de encontrar sentido.

Cristo propõe outra lógica: quem entrega a vida por amor encontra a verdadeira vida.

São Lourenço compreendeu profundamente essa verdade. Diácono da Igreja de Roma, tinha entre suas responsabilidades o cuidado dos pobres e a administração dos bens destinados à caridade. Durante a perseguição do imperador Valeriano, no século III, foi preso e posteriormente martirizado por causa de sua fidelidade a Cristo.

Uma antiga tradição cristã narra que, quando as autoridades exigiram que Lourenço entregasse os tesouros da Igreja, ele apresentou os pobres, os doentes, as viúvas e os necessitados e declarou que eles eram o verdadeiro tesouro da Igreja.

Essa imagem permanece profundamente atual. O tesouro da Igreja nunca são apenas seus edifícios, seus bens ou suas estruturas. O verdadeiro tesouro são as pessoas, especialmente aquelas que sofrem e necessitam de cuidado. São Lourenço havia compreendido que servir a Cristo signif**a encontrá-lo concretamente no irmão.

Por isso, Jesus afirma no Evangelho: “Se alguém quer me servir, siga-me.” Não existe verdadeiro serviço cristão sem seguimento. Podemos realizar muitas atividades religiosas, participar de inúmeros projetos e ocupar responsabilidades importantes, mas o essencial continua sendo caminhar atrás de Jesus.

Seguir Cristo signif**a aprender seu modo de viver. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Aproximou-se dos pobres, acolheu os pecadores, tocou os doentes, consolou os aflitos e entregou a própria vida. O discípulo não pode escolher um caminho completamente diferente daquele percorrido pelo Mestre.

Jesus acrescenta algo extraordinário: “Onde eu estou estará também o meu servidor.” Onde está Cristo? Está junto do Pai, certamente, mas também continua presente nos pequenos, nos pobres, nos enfermos, nos abandonados e em todos aqueles que necessitam de misericórdia.

Servir Jesus é procurá-lo justamente nesses lugares.

Também por isso a figura de São Lourenço permanece tão forte. Ele não separou a Eucaristia da caridade. Como diácono, servia ao altar, mas também servia aos pobres. A mesma fé que reconhece Cristo presente no pão consagrado precisa reconhecê-lo presente no irmão necessitado. Uma espiritualidade verdadeiramente eucarística sempre gera serviço.

O Evangelho termina com uma promessa belíssima: “Se alguém me serve, meu Pai o honrará.” O mundo costuma honrar aqueles que possuem poder, riqueza, fama ou influência. Deus, porém, honra aquele que serve. No Reino dos Céus, os critérios são completamente diferentes dos critérios humanos.

Talvez ninguém veja determinados gestos de amor realizados durante nossa vida. Talvez ninguém agradeça uma renúncia, uma visita, uma ajuda silenciosa ou um sacrifício escondido. Contudo, o Pai vê. E Jesus garante que nenhuma vida entregue por amor f**ará sem fruto.

Hoje, a imagem do grão de trigo nos convida a perguntar: o que em mim ainda precisa morrer para que uma vida mais fecunda possa nascer? Talvez precise morrer algum orgulho, algum ressentimento, algum egoísmo, alguma necessidade de controlar tudo ou um apego excessivo às próprias vontades.

Nem toda morte é destruição. Há mortes interiores que são verdadeiros começos.

Quando morre o orgulho, nasce a humildade.
Quando morre o egoísmo, nasce a caridade.
Quando morre o ressentimento, nasce o perdão.
Quando morre a necessidade de possuir, nasce a liberdade.
Quando morre o medo de entregar-se, nasce uma vida fecunda.

Essa foi a experiência dos mártires. Eles perderam a vida exteriormente, mas sua fidelidade tornou-se semente para gerações inteiras de cristãos. Por isso, desde os primeiros séculos, dizia-se que o sangue dos mártires é semente de novos cristãos.

São Lourenço morreu, mas seu testemunho continua falando quase dezoito séculos depois. O grão caiu na terra, mas produziu muito fruto.

Diante desta Palavra, perguntemo-nos:

— O que ainda preciso deixar morrer dentro de mim para que minha vida produza mais frutos para Deus?
— Tenho vivido principalmente para conservar meus próprios interesses ou aprendido a entregar-me no serviço aos irmãos?
— Consigo reconhecer nos pobres, nos doentes e nos necessitados o verdadeiro tesouro que Cristo confia à sua Igreja?

Que São Lourenço interceda por nós e nos ensine a servir Cristo com generosidade e coragem. Que saibamos transformar nossa vida em oferta, sem medo de perder aquilo que entregamos por amor. E que, como o grão de trigo lançado à terra, também nós possamos produzir muitos frutos de fé, caridade e santidade.

Porque, no Reino de Deus, aquilo que é verdadeiramente entregue por amor nunca é perdido: torna-se semente de eternidade.

Amém.

(Pe. Wanderley Ramos dos Santos - Paróquia São Benedito - Diocese de Catanduva-SP)

08/08/2026 - Sábado18ª Semana do Tempo Comum🙏🏾 Evangelho (Mt 17,14-20) 🙏🏾“Se tiverdes fé do tamanho de uma semente de mo...
08/08/2026

08/08/2026 - Sábado
18ª Semana do Tempo Comum

🙏🏾 Evangelho (Mt 17,14-20) 🙏🏾
“Se tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, nada vos será impossível.”

Naquele tempo, chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se, ajoelhou-se diante de Jesus e disse:

“Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epiléptico e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo.”

Jesus respondeu:

“Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei f**ar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino.”

Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado. Os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular:

“Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo: se tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’, e ela irá. E nada vos será impossível.”

Reflexão:

Irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje acontece logo depois da Transfiguração. Jesus acaba de descer da montanha onde Pedro, Tiago e João contemplaram sua glória. No alto do monte havia luz, a voz do Pai e a manifestação da divindade de Cristo. Ao descer, porém, Jesus encontra novamente a realidade concreta do sofrimento humano: um pai desesperado, um filho atormentado e discípulos incapazes de ajudá-lo. É uma imagem muito bonita da própria vida cristã. Não podemos permanecer apenas no monte da contemplação; precisamos descer para o vale onde estão as dores concretas das pessoas.

O pai aproxima-se de Jesus e se ajoelha. Seu pedido é simples e profundamente humano: “Senhor, tem piedade do meu filho.” É a oração de alguém que já tentou tudo o que estava ao seu alcance. Ele havia levado o menino aos discípulos, mas eles não conseguiram ajudá-lo. Agora, já sem outros recursos, coloca a situação diretamente nas mãos de Cristo.

Há momentos em nossa vida em que fazemos exatamente essa experiência. Tentamos resolver determinados problemas com nossas próprias forças, procuramos caminhos, fazemos planos e recorremos aos recursos disponíveis, mas chega um momento em que percebemos nossos limites. É então que brota uma das orações mais sinceras que podemos fazer: “Senhor, tem piedade. Eu não consigo sozinho.” Reconhecer a própria impotência não é fraqueza; pode ser o começo de uma fé mais profunda.

A situação desse pai também nos faz pensar na força da intercessão. Quem está sofrendo diretamente é o filho, mas quem procura Jesus é o pai. Quantas graças recebemos porque alguém rezou por nós! Talvez uma mãe, um pai, um avô, um sacerdote ou um amigo tenha apresentado nossa vida silenciosamente diante de Deus. A oração de intercessão é uma das maiores formas de amor, porque signif**a carregar diante do Senhor a dor de outra pessoa.

O Evangelho nos diz que os discípulos haviam tentado expulsar o demônio, mas não conseguiram. Esse fracasso é importante. Eles já haviam recebido de Jesus autoridade para enfrentar o mal. Provavelmente tinham experimentado anteriormente resultados positivos em sua missão. Talvez justamente por isso tenham começado a confiar mais no poder recebido do que naquele de quem o poder vinha.

Aqui encontramos uma grande advertência para nossa vida espiritual: é possível fazer as coisas de Deus e, pouco a pouco, deixar de depender de Deus. Podemos anunciar o Evangelho, servir a comunidade, exercer um ministério, realizar muitas atividades religiosas e, mesmo assim, enfraquecer nossa vida de oração. Quando isso acontece, continuamos trabalhando para Deus, mas já não trabalhamos suficientemente com Deus.

Depois da cura, os discípulos fazem algo muito bonito: aproximam-se de Jesus em particular e perguntam: “Por que nós não conseguimos?” Eles poderiam ter escondido o fracasso, culpado o pai ou inventado justif**ativas. Em vez disso, reconhecem sua incapacidade e procuram o Mestre. Essa atitude é fundamental para amadurecermos. Quem nunca pergunta onde errou dificilmente cresce. A humildade começa quando temos coragem de admitir: “Desta vez eu não consegui. Senhor, ensina-me.”

Jesus responde diretamente: “Porque a vossa fé é demasiado pequena.” O problema não estava na falta de técnicas ou palavras corretas. Faltava confiança verdadeira em Deus.

Em seguida, Jesus utiliza uma imagem extraordinária: a semente de mostarda. É uma semente minúscula. Isso signif**a que Cristo não está exigindo uma fé gigantesca ou sentimentos extraordinários. Ele está dizendo que uma fé pequena, mas verdadeira, viva e colocada inteiramente em Deus, possui uma força surpreendente.

Aqui precisamos compreender corretamente a frase: “Nada vos será impossível.” Jesus não está ensinando que a fé seja uma espécie de poder mágico pelo qual conseguimos tudo aquilo que desejamos. A fé não obriga Deus a realizar nossa vontade. A verdadeira fé faz justamente o contrário: coloca nossa vida dentro da vontade de Deus. Não signif**a acreditar que Deus fará tudo o que queremos, mas confiar que Ele pode realizar em nós aquilo que corresponde ao seu projeto de salvação.

Jesus diz ainda que essa fé é capaz de mover montanhas. Na linguagem bíblica, a montanha pode representar aquilo que parece humanamente intransponível. Todos nós encontramos montanhas pelo caminho: um vício difícil de abandonar, uma ferida antiga, uma reconciliação que parece impossível, uma crise familiar, uma enfermidade, uma situação que se arrasta durante anos ou mesmo nossa própria dificuldade de mudar.

Talvez Deus nem sempre retire imediatamente a montanha. Algumas vezes Ele nos dá força para atravessá-la. Outras vezes abre um caminho que não conseguíamos enxergar. E existem ocasiões em que muda não a situação exterior, mas o nosso próprio coração diante dela. Em todos esses casos, a fé realiza algo que nossas forças sozinhas não conseguiriam.

Também chama atenção a rapidez com que Jesus age quando o menino é levado até Ele. Aquilo que os discípulos não conseguiram resolver encontra em Cristo uma resposta. O Evangelho nos recorda, assim, onde está a fonte de todo verdadeiro poder espiritual. Não somos nós que salvamos; é Cristo. Não somos nós que realizamos a obra; somos instrumentos daquele que realiza.

Essa consciência nos protege de dois perigos. O primeiro é o orgulho quando as coisas dão certo: imaginar que os resultados aconteceram por causa da nossa capacidade. O segundo é o desespero quando dão errado: pensar que tudo terminou porque nossas forças não foram suficientes. Nos dois casos precisamos voltar para Jesus. Se houve frutos, agradeçamos a Ele. Se houve fracasso, perguntemos como os discípulos: “Senhor, por quê? O que preciso aprender?”

Há uma continuidade muito bonita entre o Evangelho da Transfiguração e o de hoje. Ontem, no alto da montanha, o Pai dizia: “Este é o meu Filho amado… escutai-o.” Hoje, ao pé da montanha, descobrimos o que signif**a escutá-lo: confiar nele quando nossas próprias capacidades chegam ao limite.

Talvez a grande mensagem deste sábado seja justamente esta: não precisamos possuir uma fé enorme; precisamos colocar nossa pequena fé nas mãos de um Deus enorme. A força não está no tamanho da semente, mas naquele que faz a semente crescer.

Diante desta Palavra, perguntemo-nos:

— Qual é a “montanha” que hoje parece impossível de ser superada em minha vida?
— Tenho confiado verdadeiramente em Deus ou apenas nas minhas próprias capacidades?
— Quando alguma coisa não acontece como esperava, procuro Jesus para perguntar o que Ele deseja me ensinar?

Que o Senhor aumente nossa fé. Que saibamos apresentar-lhe nossas famílias, nossas dificuldades e principalmente aquelas situações diante das quais já não sabemos o que fazer. E quando nossas forças forem pequenas, recordemos a promessa de Cristo: basta uma fé do tamanho de uma semente de mostarda colocada inteiramente nas mãos de Deus para que aquilo que parece impossível comece a encontrar um caminho. Amém.

(Pe. Wanderley Ramos dos Santos - Paróquia São Benedito - Diocese de Catanduva-SP)

Endereço

Maria De Oliveira Soares
Pindorama, SP
15.830252

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