03/05/2026
Quando o culto perde o sentido do sagrado.
A Santa Missa não é um encontro humano qualquer, nem uma assembleia centrada no homem. Ela é, antes de tudo, o Sacrifício do Calvário tornado presente de modo incruento, oferecido a Deus em adoração, ação de graças, reparação e súplica. Como ensina o Santo Tomás de Aquino, o culto externo deve refletir a ordem interior da alma que se submete reverente à majestade divina.
Quando, porém, o culto é marcado por abusos, irreverências ou mesmo profanações, rompe-se a harmonia própria daquilo que é sagrado. Aquilo que deveria elevar a alma a Deus acaba por distrair, confundir e, em certos casos, escandalizar os fiéis. O que foi instituído para a glória de Deus não pode ser tratado como palco de criatividade humana ou adaptação ao espírito do mundo.
A tradição da Igreja sempre ensinou que Deus deve ser adorado “em espírito e em verdade” (cf. Jo 4,23), o que implica fidelidade às formas recebidas e respeito profundo ao mistério celebrado. O Concílio de Trento reafirmou com clareza a natureza sacrifical da Missa e a necessidade de preservar sua dignidade contra qualquer abuso.
Diante de situações em que há verdadeira profanação ou grave desordem no culto, o fiel deve agir com prudência e reta consciência. Não se trata de desprezar o preceito dominical, mas de reconhecer que a obrigação primeira é para com Deus, e não para com práticas que deformam o culto que Lhe é devido. Sempre que possível, deve-se buscar um lugar onde a Santa Missa seja celebrada com dignidade, reverência e fidelidade à tradição.
Mais do que uma crítica, isso deve ser um chamado à reparação. O coração católico, ferido pelo desrespeito ao sagrado, responde com amor mais intenso, com orações de desagravo e com o firme propósito de permanecer fiel àquilo que a Igreja sempre ensinou e viveu.
Que jamais percamos o senso do sagrado, pois é nele que reconhecemos a presença de Deus e nos colocamos, humildemente, diante de Sua infinita majestade.