17/06/2026
Está na hora de reconhecer os frutos
Alguém avise ao Santo Padre que, passadas várias décadas desde o Concílio Vaticano II, é legítimo perguntar pelos frutos concretos das opções pastorais adotadas em seu nome. A proposta de um aggiornamento, isto é, de uma adaptação da evangelização ao mundo moderno, foi apresentada com a esperança de aproximar os homens de nosso tempo da fé católica. No entanto, diante da crise religiosa que atinge tantos países outrora católicos, da perda do senso do sagrado, da queda das vocações e da confusão doutrinária experimentada por muitos fiéis, não faltam aqueles que se perguntam se esse caminho produziu os resultados esperados.
As experiências litúrgicas que se multiplicaram em diversos lugares, muitas vezes afastando-se do espírito de reverência e sacralidade que caracterizava a tradição da Igreja, não parecem ter conduzido a um renovado fervor religioso. Os encontros ecumênicos e o esforço de diálogo com o mundo moderno, embora motivados pelo desejo da unidade e da evangelização, também suscitam a pergunta: aproximaram realmente os homens da plenitude da fé católica ou contribuíram, em certos casos, para enfraquecer a consciência da identidade católica?
Reconhecer que determinadas opções pastorais não alcançaram os frutos desejados não significa negar a assistência do Espírito Santo à Igreja, nem rejeitar a autoridade do Concílio. Significa, antes, admitir que iniciativas prudenciais e pastorais podem e devem ser avaliadas à luz de seus resultados. A Igreja não é chamada a inventar uma nova fé, mas a transmitir fielmente o depósito recebido dos Apóstolos.
Talvez tenha chegado a hora de uma reflexão serena e sincera, sem triunfalismos nem anátemas precipitados. Se certos caminhos não produziram os frutos esperados, não há desonra em reconhecê-lo. Ao contrário, a verdadeira renovação da Igreja sempre consistiu em retornar às fontes: à Sagrada Escritura, à Tradição, à liturgia celebrada com reverência, à clareza doutrinária e à santidade de vida. Pois não é a Igreja que deve conformar-se ao mundo, mas o mundo que é chamado a converter-se a Cristo.