21/05/2026
"Jr 6.16" - Deus nos chama à fidelidade. Como esse versículo bate de frente com a "falácia do Pragmatismo, e mais ainda, contra o Pragmatismo Cristão?
O texto diz:
"Assim diz o Senhor: Ponham-se nas encruzilhadas e olhem; perguntem pelos caminhos antigos, perguntem pelo bom caminho e sigam-no, e a alma de vocês encontrará descanso. Todavia, vocês disseram: 'Não seguiremos!'"
Para entender como esse versículo despedaça o pragmatismo, precisamos primeiro alinhar o que é essa filosofia e como ela se disfarça no ambiente cristão.
1. O choque com a "Falácia do Pragmatismo"
O pragmatismo, como corrente filosóf**a, defende que a verdade ou o valor de uma ideia é determinado pela sua utilidade prática e pelos seus resultados. Se funciona, se traz o resultado esperado, então é bom e válido.
A falácia lógica do pragmatismo mora no seguinte erro: confundir eficácia com integridade (ou verdade). Só porque algo "funciona" para atingir um objetivo imediato, não signif**a que seja moralmente correto, verdadeiro ou bom a longo prazo.
Jeremias 6:16 bate de frente com isso em três movimentos ordenados por Deus:
"Parem nas encruzilhadas e olhem": O pragmatismo odeia parar. Ele exige pressa, ação imediata e inovação constante para gerar resultados rápidos. Deus manda frear e analisar.
"Perguntem pelos caminhos antigos... qual é o bom caminho": Para o pragmatismo, o "antigo" é obsoleto e o "novo/recente" é melhor porque é mais eficiente. Deus inverte a lógica: o critério de escolha de uma rota não é a velocidade ou a novidade, mas a sua natureza moral ("o bom caminho").
A promessa de descanso: O pragmatismo gera uma ansiedade crônica (a busca incansável pelo próximo método que funciona). Deus afirma que o descanso da alma não vem do sucesso mensurável do atalho que nós criamos, mas da obediência no caminho que Ele já estabeleceu.
2. O confronto direto contra o "Pragmatismo Cristão"
Se o pragmatismo secular já é problemático, o Pragmatismo Cristão é uma distorção perigosa da fé. Ele acontece quando a igreja ou o cristão individual adota a lógica de mercado: substitui-se a fidelidade aos mandamentos pelos métodos de resultados.
No pragmatismo cristão, o foco muda:
Em vez de perguntar: "Isso é fiel às Escrituras?", pergunta-se: "Isso vai encher os bancos? Vai aumentar a arrecadação? Vai me dar relevância?"
O culto vira entretenimento (porque "funciona" para atrair pessoas).
A pregação bíblica profunda é trocada por palestras de autoajuda e coach (porque "funciona" para manter o público confortável).
A vida de santidade oculta e oração é trocada pelo ativismo e pelas aparências (porque o ativismo gera "métricas" visíveis).
O diagnóstico de Jeremias
O povo dos dias de Jeremias estava afundado no pragmatismo cristão (ou melhor, israelita). Se você ler os versículos seguintes (Jr 6:20), Deus diz: "De que me serve o incenso trazido de Sabá... Os seus holocaustos não são aceitáveis".
Eles continuavam oferecendo sacrifícios e rituais porque, pragmaticamente, achavam que isso "funcionava" como uma apólice de seguro contra os inimigos. Eles queriam os benefícios de Deus sem o custo da obediência a Deus. Quando Deus os manda voltar às "veredas antigas" (a Lei, a Aliança, a fidelidade simples), a resposta do coração pragmático é imediata e rebelde: "Não seguiremos!".
Por que eles disseram não? Porque o caminho antigo da fidelidade parece lento, arcaico, custoso e sem "retorno garantido" aos olhos humanos. O pragmatismo prefere fabricar bezerros de ouro (que respondem rápido visualmente) a esperar no monte pelo Deus invisível.
O veredito das Escrituras:
Para Deus, o sucesso nunca é medido por estatísticas, tamanho ou eficácia aparente, mas pela fidelidade. O pragmatismo cristão tenta usar Deus como um meio para alcançar um fim (o crescimento, o sucesso, a auto-realização). Jeremias 6:16 nos lembra que Deus e a Sua Palavra são o próprio Fim. O bom caminho já foi pavimentado; a nossa função não é inventar um atalho mais eficiente, mas ter a coragem de andar nele.