05/03/2026
𝐏𝐀𝐈/𝐌Ã𝐄 𝐃𝐄 𝐒𝐀𝐍𝐓𝐎 𝐍Ã𝐎 𝐁𝐄𝐈𝐉𝐀 𝐀 𝐌Ã𝐎 𝐃𝐄 𝐒𝐄𝐔𝐒 𝐅𝐈𝐋𝐇𝐄𝐒
Nas tradições de matriz africana, o gesto de beijar a mão ao pedir bênção carrega consigo um profundo significado histórico e cultural. Originário da corte portuguesa desde o medievo, é completamente inexistente na África.
O significado do beija-mão lembra o papel paternal e protetor do rei, invoca o respeito e a submissão dos súditos. Adaptado à religião, este ato simboliza respeito, reverência e reconhecimento da sabedoria e autoridade dos mais velhos, especialmente dos pais e dos anciãos. É um gesto que não apenas demonstra deferência, mas também fortalece os laços comunitários ao honrar a experiência e a liderança dos mais velhos na transmissão de conhecimentos e valores. É uma saudação à PESSOA e não ao ÒRÌṢÀ dela.
Neste sentido, dentro dessa mesma tradição, o pai/mãe de santo não deve solicitar a bênção de seus filhos. Isso se deve à concepção hierárquica das relações familiares, onde os pais são vistos como os provedores de orientação e proteção, enquanto os filhos recebem essa orientação. Essa assimetria reflete a estrutura de autoridade familiar, onde a figura paterna e materna detém um papel central na formação e no direcionamento das gerações mais jovens.
Portanto, enquanto o gesto de beijar a mão para receber bênção é valorizado e praticado nas tradições de matriz africana como um elo de respeito e conexão comunitária, ele também reflete dinâmicas culturais e hierárquicas específicas dentro das famílias. Essa prática não apenas preserva tradições ancestrais, mas também perpetua valores de respeito mútuo e continuidade cultural, reforçando os laços entre gerações e a importância do conhecimento transmitido pelos mais velhos.
Nestas condições, não faz qualquer sentido que Babás e Iyás beijem as mãos de seus filhos.
Àṣẹ o
𝐏𝐫𝐨𝐟. 𝐃𝐫. 𝐁à𝐛á 𝐇𝐞𝐧𝐝𝐫𝐢𝐱 𝐒𝐢𝐥𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚
Bàbálórìṣà do Ilé Àṣẹ Òrìṣà Wúre. Professor, Afroteólogo e escritor.