28/06/2026
Um pouco da minha trajetória religiosa ao longo desses 43 anos de Fé ...
Mãe Marlene de Oyá: Uma Vida Dedicada à Fé, à Ancestralidade e à Verdade Religiosa
Com 43 anos de uma trajetória marcada pela dedicação, estudo e respeito aos fundamentos, Mãe Marlene de Oyá é uma referência de fé. Sua caminhada é um testemunho de resiliência, aceitação e profunda conexão com a espiritualidade de matriz africana.
O Chamado do Sagrado
A história de Mãe Marlene com o sagrado começou cedo, muito antes de ela mesma compreender o que acontecia. Ainda jovem, passou a receber a presença de Maria Padilha das Almas, sem, na época, entender a natureza dessas manifestações. Foi aos 16 anos, ao buscar respostas para essas experiências, que descobriu sua mediunidade.
Seu primeiro contato com a religião ocorreu no Ilê Fraternidade Ogum Narue, sob a orientação de Mãe Ilse do Exu Tranca Rua das Almas (in memoriam). Embora tenha se afastado inicialmente por não compreender plenamente o caminho da religiosidade, o chamado de seus ancestrais era mais forte. Anos depois, sentindo a necessidade de retomar sua jornada, encontrou em Mãe Rosa da Obá (in memoriam) a guia necessária. Foi com ela que aceitou sua vocação, iniciando seus fundamentos e o desenvolvimento de Maria Padilha das Almas através da Quimbanda.
Uma Trajetória de Aprendizado e Raízes
A jornada de Mãe Marlene é pautada pelo respeito à linhagem. Após sua iniciação na nação com Mãe Rosa, ela realizou o apronte de sua África com Pai Beto de Xangô Aganjú (in memoriam), vindo da Bacia de Mãe Nilda de Xangô do Morro do Coco, na nação Jeje Ijexá.
Ao longo de suas quatro décadas de vida religiosa, Mãe Marlene percorreu caminhos importantes:
Cabinda: Após o falecimento de Pai Beto, manteve-se nesta nação por 18 anos.
Nação de Oyó: Atualmente, Mãe Marlene é filha de santo de Pai Magno de Oxalá (Goa de Pai Ivo de Ogum), onde segue cultivando seus fundamentos.
Como sacerdotisa, Mãe Marlene é filha de Oyá e Xangô. Sua força espiritual é sustentada por seus Exus, Maria Padilha das Almas e Exu Tranca Rua das Almas, além da presença do Caboclo Ogum 7 Espadas.
Ética e Sacerdócio
Para Mãe Marlene, o sacerdócio vai muito além da ritualística; é a prática constante da verdade. Ela define sua postura religiosa com base em pilares fundamentais:
"Ser sacerdotisa é cultuar os Orixás com verdade. Cultivando com ética, honrando os fundamentos autênticos e a lealdade, que me foram passados ao longo da vida, embora eu me considere uma eterna aprendiz."
Um Legado de Reflexão
Diante da complexidade do cenário religioso atual, Mãe Marlene deixa um conselho valioso para aqueles que desejam trilhar o caminho dos Orixás:
"Em primeiro lugar, procure conhecer o sacerdote e sua raiz, sua história religiosa. Nos dias de hoje, acredito que estamos lutando pela essência que vem dos nossos ancestrais, algo que, infelizmente, pouco é cultuado de verdade. Tenham conhecimento da religião de matriz africana antes de ingressar nela. Busquem a essência do que ela realmente é para, assim, saberem se é isso que querem cultuar com amor e verdade."
A trajetória de Mãe Marlene de Oyá é um convite ao respeito às raízes e à seriedade que o sagrado exige, lembrando a todos que, na religião de matriz africana, a verdade e a ancestralidade são o norte para qualquer caminhada.
Produção de Texto: Fran Moreno Grande Axe