02/12/2020
Muito bom
O ELEMENTO NKISI NA ESPIRITUALIDADE CANDOMBLÉ, ANTES E DEPOIS DO Séc XVI :
Compreenda como é que o Nkisi passou a fazer parte do .
Assim como o conceito N'zambi foi corrompido pelo Cristianismo, o elemento Nkisi também não escapou tal aberrante conotação errónea e diabolizada pelo Cristianismo católico.
NKISI na língua Kikongo significa : "Medicamento."
Do ponto de vista da anciet espiritualidade Kôngo, o termo , vulgo, medicamento, tivera uma conotação muito profunda e centrada a realidade sociocultural política e espiritual do grupo etnolinguistico Kôngo. O termo medicamento (Nkisi) do ponto de vista sociológico e espiritual era compreendido e traduzido como : “O que é feito para curar o corpo e alma.”
Do ponto de vista espiritual, o elemento Nkisi na anciet cultura Kôngo, era por excelência um recipiente de forças espirituais que serviam de medicamentos para curar e superar problemas relacionados a vida espiritual 'e etc' dos Kôngo. E é aí onde entrava um dos elementos de capital importância conhecida por N'ganga. N'GANGA é nada mais ou nada menos que; "um médico especialista em rituais espirituais."
O termo era traduzido como : Médico Espiritual. E era um indivíduo bem treinado, preparado, sábio, conselheiro e mediador. Ou seja, era o Médico que tratava problemas relacionados ao estado espiritual e até mesmo físico. Os N'ganga usavam cada Nkisi para fins de tratamento, Cada peça esculpida que representasse um Nkisi possuía peculiaridades próprias.
Até chegar a colonização (com o seu Cristianismo) para mudar o curso da história. Todos esses elementos foram fortemente conotados à Bruxaria. Para ceifar da sociedade Kôngo tais práticas, os missionários (influenciando 'obviamente' o Rei) resolveram juntos banir todas as figuras esculpidas em madeira que representasse a simbologia Nkisi, e passaram a descrever e chamar de "fetiches", vulgo, "feitiço" a todos os objectos ligados ao culto religioso dos Kôngo e dos Afrikanos do modo geral.
Pois é, os Portugueses juntos com os Missionários Católicos no séc XVI conseguiram converter alguns dos Reis do Kongo, obrigando-os que tais elementos (como o Nkisi o N'ganga e etc) fossem banidos da sociedade Kôngo com o intuito de lançar a colonização e perpetuar o Cristianismo no seio do povo. O conceito do Nkisi como um elemento divino não era frequente dentro do Candomblé primitivo feito no Kôngo. Nkisi era como um veículo, na qual o condutor era somente o N'ganga, e não um objecto que na qual todo mundo tivera acesso em usá-lo para fins de interesses próprios. Era preciso ter formação na área para lhe dar com os Nkisi.
Levou largos anos para que o cristianismo fosse uma realidade na sociedade Kôngo. Porque a resistência estivara patente no seio do povo. Como represália, muitos daqueles que não aceitavam Cristo "na época" eram maltratados mortos ou levados como escravos pra algumas ilhas e países por esse mundo fora. Ou melhor, muitos foram afastados de suas "humanidade", e em grande escala levados a países como Brasil Haiti Jamaica EUA Trindade e Tobago Panamá, em suma, grande parte do continente Americano etc etc etc. E muitos desses escravos "por resistência" conseguiram perpetuar fora do seu hábitat Afrikano o seu modo espiritual e cultural de viver que traziam dos locais de origem a que pertenciam. O modo como se via a espiritualidade Kôngo e de todo seu aparato religioso foi mudando em função do tempo e 'sobretudo' moldado em função da realidade escravocrata e suas múltiplas perseguições missionáricas que tivera. E como resistência, elementos simbologicos como Nkisi foram introduzidos dentro do panorama religioso do Candomblé ou Kandombê para perpetuar a religiosidade Kôngo, e também para fazer frente face ao Cristianismo que proliferava por todo Reino. Razão pela qual o Kandombê ou Candomblé Umbanda e tantas outras espiritualidades e religiões de matriz Afrikana continuam a ser cultuadas até hoje no Brasil e por esse mundo, pese embora um pouco diferente de como era no passado.
Portanto, a colonização só foi uma realidade quando os missionários lavaram cerebralmente quase todo Reino, o Nkisi passou a ser conotado como um objeto maléfico o N'ganga como um demónio, e todas as religiãos do Kôngo foram identificadas como ceitas religiosas pagãs. E este conceito ainda vigora até na sociedade Kôngo e Afrikana do modo geral!
Narrativa e Autoria d&: João Niango Ngombo Kina O Mar Negro Moufty.