22/01/2026
Não sou e não gosto de muito palavras em rede social, minha mae arrasava adorava (kk) mas senti no coração em fazer isso!
Depois de um ano de luto, silêncio e recolhimento, hoje essa casa volta a respirar. Não porque a dor passou mas porque o axé ensinou que parar não é morrer, é respeitar o tempo.
No Candomblé, aprendemos que tudo tem fundamento, tudo tem razão e tudo tem hora. Esse ano foi de resguardo, de choro contido, de noites longas e de conversas silenciosas com os ancestrais. A casa fechou as portas, mas nunca perdeu o axé.
E se hoje eu estou aqui, de pé, reabrindo essa casa, é pela minha mãe.
Pelo nome dela. Pela história dela. Pela força dela.
Eu nunca vou deixar o nome da minha mãe morrer.
Enquanto eu existir, ela será honrada em cada reza, em cada folha, em cada passo dentro desse chão sagrado.
Ela e eu somos filha de Oyá, senhora dos ventos, das transformações e do renascimento.
E caminho com Ogum, o Orixá que abre estradas, que luta, que não abandona seus filhos na guerra. Que sempre me protegeu.
Oyá me ensinou que tudo muda até a dor.
Ogum me ensinou a não recuar, mesmo ferida. E não foi poucas feridas e perdas.
Ouvi muitas vozes dizendo que eu não conseguiria.
Vi olhares desacreditando.
Senti gente torcendo para que eu desistisse. O inimigo tentou (mas não conseguiu)
Mas quem conhece o axé sabe: quem anda com Orixá não anda só.
Eu venci.
Venci por ela.
Venci pelo amor à minha mãe.
Venci sustentada por Oyá, empurrada pelo vento que limpa e renova.
Venci guiada por Ogum, com a espada erguida, abrindo caminho onde diziam que não havia saída.
Essa reinauguração não é sobre provar nada a ninguém.
É sobre honrar quem veio antes.
É sobre mostrar que o luto não nos quebrou nos fortaleceu.
É sobre afirmar que essa casa segue viva, firme, protegida e com axé.
Que Oyá continue levando embora tudo o que não nos pertence.
Que Ogum siga guardando essa casa, abrindo estradas e sustentando esse chão.
Que os ancestrais sejam honrados hoje e sempre.
Depois de um ano de dor, escolhi continuar.
Escolhi permanecer.
Escolhi honrar.
Escolhi o Amor.
Escolhi o Ile rewa.
Escolhi mãe Oya.
Escolhi meu ancestral minha mãe.
E agradeço todos os dias por ter tido essas escolhas!
Oyá Iansã!
Ogum Yê!
Axé. 🌿
Viva ao Ilê Rewa