12/04/2025
1º de Maio — Dia do Doutrinador
Aproxima-se o grande dia: 1º de Maio, Dia do Doutrinador. Data sagrada para a Doutrina do Amanhecer e para todos os Mestres Jaguares. Este movimento espiritual é um legado celeste, revelado pelos santos olhos de nossa Mãe Clarividente, Tia Neiva. Um sacerdócio que nasceu sob o signo da missão sublime de servir, curar e libertar os aflitos, de acolher aqueles que buscam luz em meio às sombras.
Entretanto, ao contemplarmos os caminhos que muitos Jaguares têm trilhado, torna-se inevitável uma profunda reflexão sobre a crescente banalização desse compromisso divino. Observa-se, com pesar, um número cada vez maior de médiuns que se amparam em conveniências pessoais. Não, talvez não por maldade, mas por se permitirem interpretar os ensinamentos da Doutrina como se fossem herança de família: um espólio restrito por laços de sangue ou títulos conquistados no plano físico.
É imperioso lembrar que, na senda espiritual, pouco importa se o médium habita um palácio ou uma choupana. O verdadeiro valor do Mestre reside na consciência do seu mestrado. Muitos se esquecem de que nosso papel maior é o de servir, e não o de ser servido. A segregação disfarçada de patente tem custado caro: desestrutura a legítima hierarquia espiritual e fragiliza o Mestrado, onde o amor se esfria e o verdadeiro sentido da missão esvai-se silenciosamente.
*Esse quadro é agravado pelas frustrações humanas daqueles que se autoproclamam ou se auto-outorgam títulos que o céu jamais concedeu*. Cegos em sua ânsia por glórias terrenas, vivem em busca de ilusões, vangloriando-se de nomes e cargos, como fazem aqueles que ainda utilizam indevidamente o nome do saudoso Trino Ajarã. Tristes são esses homens, limitados em sua compreensão, quando afirmam com arrogância: “Eu sou!”
A nós, missionários deste sacerdócio divino, sobretudo na condição de Trinos Regentes, cabe a reflexão: jamais poderemos afirmar “Eu sou o Trino Sumanã”, pois, ainda que por ele sejamos autorizados, não somos ele. Estamos nesta condição por sua concessão, jamais por direito terreno ou por ambição. Todavia, esse não é o cerne da discussão. Não está na pauta de nosso Pai. A pauta primeira do Simiromba é o trabalho ancorado na Lei Cabalística: uma Lei absoluta, indivisível, alheia às conveniências humanas. Não há meia Lei, maior ou menor: ela é, simplesmente, Lei.
Nesse cenário frágil, os que mais sofrem são os novos médiuns: aqueles que deveriam ser acolhidos nos braços fraternos desta Doutrina perfeita e divina. Infelizmente, muitos Jaguares não compreenderam a essência do Adjunto Koatay 108, deturpando seu princípio sagrado: confundem liberdade com libertinagem. E o que fazer? Há muitos templos, muitos Adjuntos que, em sua limitação, moldam os novos médiuns com verdades distorcidas, frutos de suas vaidades, sempre enfeitadas de arrogância e vestidas de soberba.
É preciso recordar, com humildade, que não importam os anos de Doutrina, as patentes, as cores da indumentária ou os títulos que ostentamos. Diante de Deus, de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Pai Seta Branca, o que verdadeiramente importa é a pureza do coração que seja sincero, humilde, aberto ao Amor. Afinal, são as intenções que pesam na balança divina, e não as aparências alegóricas que vestimos.
É urgente resgatar o que se perdeu. Preservar os valores que alicerçam a Doutrina do Amanhecer é mais que um dever: é um compromisso sagrado com Cristo, com Nosso Pai Simiromba e com Tia Neiva. Precisamos retornar às origens, rever nossos passos, abdicar das vaidades e recordar que, acima de tudo, somos instrumentos da Luz. Que sejamos, de fato, soldados de um Exército de humildade, verdade e Amor, e não apenas figurantes de um ritual vazio.
É profundamente triste, para não dizer trágico, ver a Doutrina do Amanhecer ser utilizada como instrumento de perseguição, persuasão forçada ou indução disfarçada de zelo. Quando alguém, em nome da Doutrina, dos Mentores ou do próprio Amor, age para manipular consciências, fere-se, inevitavelmente, a essência mais sagrada do que professamos. Não há lógica, tampouco luz, em falar de Amor enquanto se viola a Lei do Amor. Pois Amor não constrange, não impõe, não violenta o livre-arbítrio. Ele acolhe, compreende e liberta. O verdadeiro Amor é silêncio respeitoso, é gesto sereno, é presença que jamais oprime.
Agir com dureza, instituindo quase que um coronelismo doutrinário sob o véu do sagrado, é tornar-se instrumento daquilo que a própria Doutrina combate: a vaidade, o ego, o poder travestido de espiritualidade. Que nunca esqueçamos: a luz não grita, não força, não julga. Ela simplesmente ilumina! Como me disse, certa vez, o Ministro Petanaro: “A luz não procura cantos; ela simplesmente se espalha em busca da escuridão...”
E que o Cristo Jesus, em sua divina humildade, nos relembre que só há verdade onde há Amor, e só há Amor onde há liberdade. Que o Amor de nossa Mãe Clarividente nos toque mais uma vez. Que possamos nos reconhecer como irmãos, unidos por uma verdade única. E que a Luz do Amanhecer jamais se apague em nossos corações.
Trino Petanaro
M. Márlio Kleber
REGENTE SUMANÃ