26/11/2023
“Assim diz o Senhor Deus:
Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei.
Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que encontra a ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas.
Eu as livrarei de todos os lugares por ondem foram espalhadas no dia de nuvens e densas trevas.
Vou tirá-las no meio dos povos...
Vou apascentá-las nos montes junto a corrente de águas...
Deixarei que pastem em bons pastos...
Elas se deitarão em boa pastagem...
Eu as farei repousar...
Buscarei as perdidas...
Trarei de volta as desgarradas...
Curarei as doentes...
Mas destruirei as gordas e fortes.
Eu as apascentarei com justiça.”
Ezequiel 34.11-16
Essa palavra inicialmente foi dada para os exilados judeus, especialmente habitantes deportados de Jerusalém. A grande maioria da população permaneceu na Palestina e viveram as consequências de uma intervenção militar babilônica na região. Como viviam esses exilados na Babilônia? Eles enfrentaram um processo doloroso, com as longas caminhadas e com trabalhos bem difíceis. Na região onde foram deportados permaneceram e viveram juntos. Ficaram junto aos canais de água, mas em áreas despovoadas. Tiveram liberdade de movimento dentro do acampamento. Puderam expressar a sua fé em Deus. Não eram escravos no sentido mais amplo da palavra. Mas sofreram muito.
O texto nos fala da atuação de Deus como pastor e fala de Deus como rei. Traz a promessa de que ele mesmo vai agir. A ação do Pastor é descrita com vários verbos, como por exemplo: procura, busca, livra, tira, congrega, introduz na terra, apascenta, faz repousar, torna a trazer, liga, fortalece, suscita. É extremamente adequada a metáfora do pastor. Sua intimidade com as ovelhas, a preocupação com elas mostra seu profundo amor pela sua criação. E vejam que nada impede Deus de ir às últimas consequências. Jesus mesmo vai dizer depois: Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. João 10:11
Ezequiel diz que os agentes da morte são as ovelhas gordas e fortes (isso tem a ver com orgulho e arrogância). Essas, Deus destruirá e apascentará com justiça.
O sofrimento das pessoas possui diferentes desdobres. E essas histórias são motivos do ouvir atento de Deus. Ele se importa com nossas dores. Não no sentido de nos fazer simplesmente esquecer o sofrimento, mas ele tem interesse em reescrever nossa história, através do seu amor.
Nunca esqueçamos que há espaço para perdão e reconciliação. Há espaço para uma nova leitura da nossa história. A dor não é ignorada, nem as circunstâncias que determinaram nossas perdas, são ignoradas por Deus. E a comunhão cristã precisa oportunizar a expressão dessas dores e desses relatos. Precisa oportunizar esse cuidado pastoral para que haja cura.
Também é importante dizer que o olhar amoroso de Deus não é um olhar permissivo que ignora o sofrimento que nós impomos uns aos outros. Às vezes, por conta da ganância, do egoísmo ou da arrogância. Deus conhece quem compartilha com ele o mesmo amor e cuidado com os mais fracos. O amor que Deus nos dedica deve ser expresso concretamente por nós na relação com os nossos próximos. Quem diz que ama a Deus, mas não ama seu próximo, mente e demonstra não conhecer Deus (1Jo 4.😎. O juízo de Deus é um juízo sobre nossa responsabilidade de cuidar de nosso próximo, de compartilhar o seu amor e a sua misericórdia com as pessoas.
Que nos sintamos acolhidos por esse Bom Pastor nesse dia, e que nos sintamos enviados por ele para acolher o nosso próximo e cuidar dele. Amém
Missª Lúcia Helena Klug Roesel
Dia 26 de novembro de 2023
Novo Hamburgo