18/02/2026
"Salve Maria Padilha!
As Marias do mundo" foi o tema da apresentação cultural afro-religiosa do grupo de Afoxé Filhos de Dan, formado por membros, amigos e convidados do terreiro Ilé Àṣẹ Danlowo, em Nova Lima-MG.
Aos atos de racismo e intolerância religiosa que assolam templos, práticas e crenças das tradições afro religiosas e indígenas há séculos, a Egbé (comunidade) Oxumarê responde, ciente dessa cultura de afrocídio (morte dos corpos, cultura e religiosidade negras) e epistemicídio (morte dos saberes/conhecimentos afro-ancestrais), com o que se ensina e aprende de conduta individual e coletiva em seu terreiro como território ancestral: o Rumbê, a Educação de axé. Diz-se que, para ser de terreiro, tem que ter Rumbê. A Educação de Axé vivida com responsabilidade demonstra a vitalidade da fé e espiritualidade de terreiro. Os Filhos de Dan levaram às ruas da cidade mineira, como espaço público, também deles/as, parte de seu Rumbê ancestral. Firmaram sua Gira cultural em praça pública, no sábado de Carnaval, dia 14 de fevereiro de 2026. As homenageadas foram as mulheres: "As Marias do mundo", sob os cuidados da entidade Maria Padilha. O Afoxé Filhos de Dan mostrou a vivacidade da sua fé, a resistência de suas práticas religiosas e a alegria do pertencimento a uma parte da espiritualidade afro-religiosa, de culto religioso às entidades da Quimbanda, ao Povo de Exú e Pombogiras, religião que sofre marginalização social dentro e fora do mundo religioso, por causa dos esteriótipos e das etiquetas oriundas da colonização, sobretudo, de uma catequese e pregação herdadas de igrejas excludentes, fechadas ao diálogo inter-religioso e intercultural, e ainda entendem evangelização em termos coloniais, como conversão em massa, desrespeitando o direito à liberdade religiosa. Ressalte-se que todo esteriótipo é uma tentativa de controle do que é livre, de não ver e acolher o outro diverso em seus próprios termos. Esse ato socioeducativo, político, religioso e cultural entregou educação de axé pelo viés de um valor caro ao terreiro: o respeito às mulheres, homenageando-as. Continua nos comentários...