10/08/2026
📖 A igreja é frágil, Deus é Todo-Poderoso: uma visão da glória celestial de Deus.
Por Paulo Figueiredo
Os capítulos 1 a 3 do Apocalipse introduzem a realidade terrena da igreja, representada pelas sete igrejas da Ásia Menor. Cristo se apresentou com todos os seus atributos divinos e como alguém que está presente no meio da sua igreja, conhecendo plenamente a realidade dela. Era uma realidade de muitos confrontos, lutas e dificuldades.
A pergunta que surge é: Como a igreja — uma instituição frágil, sem armas e sem líderes influentes na sociedade — poderia enfrentar a força do Império Romano? A resposta: Deus está no trono. Eis o que João viu: “Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado” (Ap 4:2–3). O simbolismo do objeto é autoevidente: representa poder, autoridade e governo. A visão pretendia revelar ao povo de Deus que os tronos terrenos, por mais importantes que fossem, eram insignificantes diante do trono celeste.
João vê a glória de Deus, que reina assentado em seu trono de majestade. O Deus Todo-Poderoso e Soberano tem o louvor da criação (os quatro seres viventes) e de seu povo redimido (simbolizado na visão pelos vinte e quatro anciãos): “Quando esses seres viventes derem glória, honra e ações de graças ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4:9–11). Deus governa eternamente.
Qual era o objetivo dessa visão que João recebeu? Era que as igrejas do primeiro século d.C., na Ásia Menor, tivessem a noção de como são as coisas no céu para que, assim, a visão de como são as coisas na terra fosse modificada. Quando compreendemos esses aspectos da glória divina no céu, temos a capacidade de compreender melhor o mundo à nossa volta. Ou seja, a visão do significado do trono de Deus nos ajuda a compreender as situações “aqui embaixo”. O mundo não é resultado do acaso; o mundo é resultado de um propósito estabelecido por Deus, o Deus que reina soberano.
Olhar teologicamente para o céu faz com que passemos a ver a terra com outros olhos, porque “lá em cima” existe um trono, e isso faz com que os vários tronos aqui na terra diminuam de importância.
Na terra, vemos uma igreja limitada, frágil, pobre e perseguida, quase sempre ridicularizada pelo mundo; mas, no céu, vemos vinte e quatro tronos, e lá está a igreja gloriosa, coroada diante de Deus. Na terra, vemos uma criação se deteriorando, sendo destruída, explorada e usada por interesses de malfeitores; nos céus, vemos o verdadeiro propósito para essa criação de Deus, como razão de ser para o louvor Dele.
Lembremo-nos das palavras do apóstolo Paulo: “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória” (Cl 3:1–4). Amém.