23/01/2026
Três décadas após o Brasil assegurar, em 1996, a oferta gratuita e universal da terapia antirretroviral combinada (o chamado coquetel) pelo Sistema Único de Saúde, por meio da criação do Programa Nacional de DST/Aids (Lei nº 9.313/96), tornam-se evidentes os impactos de uma política pública sustentada de acesso universal à saúde sobre o perfil das pessoas que vivem com HIV/Aids. Essa política garantiu tratamento contínuo e acompanhamento clínico de longo prazo, permitindo que a primeira geração de pessoas em terapia antirretroviral alcançasse a meia-idade e o envelhecimento sob cuidado regular dos serviços de saúde.
No Serviço de Atendimento Especializado em Infectologia da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista, esse processo já se consolidou. Atualmente, a maior parte dos pacientes acompanhados nesse local, centro de referência regional no cuidado de pacientes com a infecção, tem 50 anos ou mais, refletindo a transformação do HIV em uma condição crônica e o impacto acumulado da política brasileira de acesso ao tratamento.
Melhores resultados entre a população 50+
Estudo realizado sob minha coordenação, com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e feito em parceria com o Center for Global Health da Georgetown University, analisou os desfechos clínicos dessa população atendida pelo SUS e identificou um padrão relevante. Os resultados, publicados em 22 de janeiro deste ano no The Brazilian Journal of Medical and Biological Research (BJMBR), evidenciaram que indivíduos 50+ ou acima apresentaram maior efetividade terapêutica, refletida em desfechos virológicos e imunológicos mais favoráveis, do que aqueles observados em adultos mais jovens.
Este é um trecho da matéria original. Leia na íntegra em https://l1nq.com/cIYXC.