20/10/2022
Um assunto recorrente nos itans de Ogum é de como o orixá compartilha o conhecimento com os mais novos. Em um itan, Ogum ensina Oxóssi a caçar, que por sua vez, se torna o maior caçador existente. Em outro, Ogum ensina Exú a trabalhar, tornando o irmão mais responsável e capaz de fazer melhor uso da sua inteligência e sagacidade.
Ensinar aos mais novos o que se sabe é vital para a preservação e desenvolvimento do conhecimento de uma comunidade. De que adianta morrer com o que se sabe sem repassar a ninguém? Muitas vezes, na cultura ocidental, em que estamos inseridos, o ego nos leva a gostar de ser o único a ter ou saber de algo, mas a comunidade não precisa de pessoas egoístas, a comunidade precisa de quem saiba compartilhar o que aprendeu e, que dessa forma, o poder de realização possa circular e ser utilizado por mais pessoas.
Exemplo disso, é como no itan de Oxóssi e Ogum, Ogum pôde se dedicar a outras tarefas além da caça, uma vez que seu irmão agora poderia prover a comunidade com o alimento e protegê-la de perigos. O ensinamento passado para o mais novo trouxe mais força e segurança à comunidade como um todo.
Na capoeira é recorrente a referência aos mais velhos, àqueles que ensinaram o que sabem “iê viva meu Mestre/Iê quem me ensinou, camará/Iê a capoeira”. O legado também é uma forma de se manter vivo, mesmo após a própria passagem. Conversando com a espiritualidade kush*to-kemetica, podemos dizer que “enquanto seu nome for lembrado, você viverá”.
Para além do legado, ensinar os mais novos também tem sua importância para a união dos membros da comunidade. Em ambos os itans, Ogum fortaleceu laços com seus irmãos ao ensiná-los o que sabia. E uma comunidade unida é uma comunidade forte.