02/04/2025
Hoje, o silêncio tomou o lugar dos cantos, e o coração da nossa casa de fé pulsa mais devagar. Perdemos não apenas uma filha de santo, mas uma alma rara, cuja força, luz e devoção foram faróis para todos que cruzaram seu caminho.
Márcia não foi apenas parte do terreiro — ela foi alicerce, foi direção, foi exemplo. Com sua alegria inconfundível, seu sorriso sempre pronto e uma fé que jamais vacilou, ela ensinou, acolheu e fortaleceu a todos ao seu redor. Sua presença era ordem no caos, era paz na tempestade. Gostava das coisas certas, e por isso, era justiça viva. Sua dedicação era tamanha que não se limitava ao trabalho espiritual — ela se tornou família, elo forte de uma corrente que agora chora por sua ausência.
Foram anos de entrega verdadeira, de presença constante, de amor pelo sagrado e pelos irmãos e irmãs de fé. Márcia era dessas pessoas que fazem morada no coração da gente, que deixam marcas profundas, que se tornam eternas.
Hoje, diante dessa partida, o vazio é imenso. A dor é aguda, a saudade já é infinita. Mas sabemos que os Orixás a acolheram com honras, reconhecendo sua trajetória de luz. Sua luta contra o câncer foi corajosa, foi digna, foi mais uma prova da mulher imensa que ela era. Não perdeu a fé, mesmo nos dias mais difíceis. Ela partiu como viveu: firme, linda e cheia de amor.
A casa de santo jamais será a mesma. Mas cada canto, cada ritual, cada ensinamento transmitido ecoará a presença de Márcia. Ela vive em cada gesto de respeito, em cada palavra dita com verdade, em cada passo dado com fé. Ela vive em nós.
Que os Orixás a recebam com Axé, que sua alma encontre descanso e luz, e que sua lembrança continue a nos guiar. Gratidão eterna, Márcia. Por tudo. Por tanto. Por ser quem foi, e por tudo o que continuará sendo dentro de nós.