25/05/2026
25 DE MAIO - BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA, MÃE DA IGREJA
A Virgem Maria, Mãe da Igreja, constitui uma das celebrações marianas recentes, que pertencem ao calendário religioso do povo católico. Nesta celebração os cristãos honram e veneram a Mãe de Jesus dentro do mistério da comunidade eclesial. Motivados pela fé e piedade, os cristãos celebram o mistério da Mãe de Jesus de modo singular. Na “celebração anual dos mistérios de Cristo, a Santa Igreja venera com especial amor a Bem-aventurada Mãe de Deus, que por vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho. Nela admira e exalta o mais excelente furto da redenção e a contempla com alegria como uma puríssima imagem daquilo que ela mesma anseia e espera ser” (Concílio Vaticano II. Sacrosanctum Concilium, no. 103). O mistério da Virgem Santíssima está presente na liturgia da Igreja por meio das celebrações marianas inseridas no decorrer do ano litúrgico, na lembrança de que dela se faz nas diversas orações eucarísticas, na evocação dos grandes temas mariais e na coletânea de missas de Nossa Senhora, contidas em seu lecionário. A pessoa de Maria é ainda evocada na liturgia das horas e outros ritos sacramentais e orações da Igreja. As celebrações marianas expressam o culto oficial que a Igreja presta à Virgem Maria. Esse culto “encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus” (Catecismo da Igreja Católica, nº. 971). No decorrer do ano litúrgico, a Igreja realiza três tipos de celebrações marianas, de acordo com sua importância: solenidades, festas e memórias. Essas celebrações ressaltam a beleza da figura de Maria na obra salvífica de Jesus e na vida da Igreja. As solenidades são as celebrações marianas mais importantes, com um sabor peculiar. São dias relevantes do calendário litúrgico. Suas celebrações se iniciam com as primeiras vésperas na tarde precedente. As solenidades têm três leituras próprias na missa e também na liturgia das horas. As solenidades são quatro: Santa Maria, Mãe de Deus (1º. de janeiro), Anunciação do Senhor (25 de março), Assunção de Nossa Senhora (15 de agosto) e Imaculada Conceição de Maria (8 de dezembro). No Brasil há também a solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, sua padroeira principal (12 de outubro). As festas são celebrações marianas que, em ordem de importância, vêm depois das solenidades. São realizadas nos limites do dia natural. Não têm as primeiras vésperas. Mas têm tudo próprio, tanto as leituras e orações da missa, com os textos da liturgia das horas. As festas são os dias em que os cristãos rompem a monotonia do ordinário e celebra algum acontecimento de Maria com alegria, gratidão e tranquilidade. As principais festas são: apresentação do Senhor (2 de fevereiro), visitação de Nossa Senhora (31 de maio) e natividade de Maria (8 de setembro). No Brasil e outros países latino-americanos, há a festa de Nossa Senhora de Guadalupe (12 de dezembro), padroeira da América Latina. As memórias são celebrações marianas de menor importância. São obrigatórias ou facultativas. São harmonizadas com a liturgia do dia da semana corrente. As memórias são: Nossa Senhora de Lourdes (11 de fevereiro), Nossa Senhora de Fátima (13 de maio), Imaculado Coração de Maria (sábado depois da solenidade do Sagrado Coração de Jesus), Nossa Senhora do Carmo (16 de julho), Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior (5 de agosto), Nossa Senhora Rainha (22 de agosto), Nossa Senhora das Dores (15 de setembro), Nossa Senhora do Rosário (7 de outubro) e apresentação de Nossa Senhora (21 de setembro). Na semana os cristãos dedicam os sábados à memoria da Virgem Santíssima. Recordam a participação constante de Nossa Senhora na vida de Jesus e nas existências das pessoas. Se no sábado não há nenhuma festa ou memória obrigatória, pode-se celebrar pela manhã a missa de Nossa Senhora. Essa tradição mariana remonta ao século IX. A Virgem Maria, Mãe da Igreja constitui uma memória litúrgica. Está integrada no conjunto das celebrações marianas que os cristãos celebram durante o ano. A memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja, é recente na liturgia cristã. Mas seu título é antigo, proveniente da literatura patrística do século IV. A denominação de Maria como Mãe da Igreja foi utilizada pela primeira vez por Santo Ambrósio de Milão (338-397). Esse dado foi redescoberto por Hugo Rahner, um jesuíta, que era irmão do renomado teólogo Karl Rahner. O próprio Santo Agostinho (354-430) afirmava que Maria é mãe dos membros de Cristo, porque cooperou, com sua caridade, para o renascimento dos fiéis na Igreja. São Leão Magno (440-461), papa e doutor da Igreja, quando diz que o nascimento da Cabeça é, também, o nascimento do Corpo, indica que Maria é, ao mesmo tempo, Mãe de Cristo, o Filho de Deus, e Mãe do seu Corpo Místico, isto é, a Igreja. Na Idade Média, a partir do século IX, os pregadores, os escritores e os devotos empregavam com maior frequência a maternidade eclesial e espiritual de Maria. Eles também usaram diversos títulos equivalentes, como Mãe dos seres humanos, Mãe dos discípulos, Mãe dos cristãos, Mãe dos redimidos e Mãe de todos aqueles que renascem em Cristo. A invocação torna-se comum nos pronunciamentos e documentos dos papas dos últimos séculos. No dia 29 de junho de 1943, o Papa Pio XII (1939-1958) já preconizava Maria, a nova Eva, como Mãe de todos os cristãos na Igreja. Maria, que “era fisicamente Mãe da nossa divina Cabeça, foi, com novo título de dor e de glória, feita espiritualmente mãe de todos os seus membros” no Calvário (Carta Encíclica Mystici Corporis, no. 106). Ela é “Mãe santíssima de todos os membros de Cristo, a cujo Coração Imaculado confiadamente consagramos todos os homens, e agora em corpo e alma refulge na glória e reina juntamente com seu Filho, nos alcance dele que sem interrupção corram os caudais da graça da excelsa Cabeça para todos os membros do Corpo Místico” (Carta Encíclica Mystici Corporis, no. 107). Na Igreja Católica, o título de Mãe da Igreja foi dado oficialmente à Maria pelo Papa Paulo IV (1963-1978), em meados dos anos 60. Bem acolhido pelos cristãos, foi rapidamente divulgado dentro da cristandade. Diversas igrejas e capelas passaram a ter como patrona a Mãe da Igreja. Aos 21 de novembro de 1964, ao encerrar a terceira sessão do Concílio Vaticano II, Paulo VI declarou a Mãe de Jesus como Mãe da Igreja. Foi durante a promulgação da Constituição Dogmática sobre a Igreja: “Lumen Gentium”, documento considerado a pedra angular da doutrina conciliar, pois faz uma profunda meditação sobre a natureza e a missão da Igreja à luz de Jesus Cristo. Para o Papa, a missão maternal de Maria na Igreja é expressão de sua bondade, solicitude e caridade atenta e afetuosa. A invocação de Mãe da Igreja sempre foi querida e reconhecida dentro do povo de Deus. Foi também sugerida por muitos ministros ordenados, teólogos, religiosos e leigos de diversos seguimentos, lugares e partes do mundo. Paulo VI afirmou que Maria é Mãe de todo o povo de Deus, tanto os cristãos leigos como o clero. Em seu discurso oficial, ele pontuava: “Para a glória da Virgem e para nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima ‘Mãe da Igreja’, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis como dos pastores que lhe clamam Mãe amorosíssima; e queremos que com este título suavíssimo seja a Virgem doravante ainda mais honrada e invocada por todo o povo cristão”. Em seu pronunciamento, o Papa precisa, por três vezes, que Maria é mãe de todos os membros da Igreja. O título de Mãe da Igreja, oficializado por Paulo VI, alicerça-se na união de Maria com Jesus. “Com esse título, se expressa a realidade do vínculo mais profundo de Maria com o Senhor e, nele, conosco. Sua maternidade em relação à comunidade cristã é derivação do dom e da tarefa que recebeu do próprio Deus” (Pe. Angel L. Strada, teólogo e escritor). Em 13 de maio de 1967, Paulo VI propôs a Exortação Apostólica Signum Magnum, dedicada ao culto da Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de todas as virtudes. O Papa exorta os cristãos a honrarem, com veneração especial, Nossa Senhora como Mãe espiritual perfeita da Igreja e a imitarem suas virtudes como caminho seguro de fidelidade ao seguimento de Cristo. Em 1975, por ocasião do Ano Santo da Reconciliação, a Sé Apostólica propôs uma missa votiva em honra de Santa Maria, Mãe da Igreja. A celebração foi inserida no Missa Romano. Em 1980, durante o pontificado de João Paulo II, a Sé Apostólica concedeu a possibilidade de acrescentar a invocação de Mãe da Igreja na Ladainha Lauretana. Em 1986, publicou também outros formulários de missas votivas com o título de Mãe e Imagem da Igreja na Coletânea de Missas de Nossa Senhora. Para alguns países, dioceses e institutos religiosos, autorizou a inserir a celebração da Mãe da Igreja em seu calendário particular. Considerando toda a tradição cristã e a importância da maternidade eclesial no mistério da Igreja, Papa Francisco instituiu a memória de Maria, Mãe da Igreja, no calendário romano geral. Determinou que a celebração mariana fosse feita todos os anos na segunda-feira depois da solenidade de Pentecostes. A instituição da memória está no Decreto “Ecclesia Mater”, da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. O documento foi assinado pelo Cardeal Robert Sarah, prefeito do Dicastério, em 11 de fevereiro de 2018, quando se comemorara o centésimo sexagésimo aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora em Lurdes, França. O Decreto foi publicado no dia 3 de março de 2018. O documento orienta que a memória de Maria, Mãe da Igreja, deva figurar em todos os calendários e livros litúrgicos para a celebração da missa e da liturgia das horas. A memória litúrgica visa favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja nos pastores, nos religiosos e nos leigos. Busca também incrementar o senso materno na genuína piedade mariana. Para instituir a celebração mariana, o Papa Francisco considerou o valor fundamental da presença de Maria na comunidade cristã primitiva, quando se esperava o Espírito Santo em Pentecostes (At 1,14). Desde então, a Mãe de Jesus sempre se ocupou maternalmente com a Igreja peregrina no tempo. A memória mariana auxilia a recordar e a reforçar que a vida cristã, para progredir, deve ser ancorada no mistério da redenção de Jesus na cruz e no mistério de Maria, a Mãe do Redentor e dos redimidos, como Virgem oferente no Calvário. Esses são mistérios que Deus deu ao mundo para orientar, fecundar e santificar os cristãos. Tais mistérios visam também conduzi-los a Jesus Cristo, o Senhor Ressuscitado.