27/08/2026
27 DE AGOSTO - SANTA MÔNICA, VIÚVA
Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, o grande mestre da sabedoria sagrada, era natural da África. Foi duplamente mãe do santo, pois não só lhe deu a vida terrena, mas também a vida espiritual, regenerando-o para o Céu. Os pais dela, cristãos e de boas condições, educaram-na na modéstia e na virtude. Desde a infância, dedicou-se a exercícios de piedade. Tendo ouvido de sua mãe como é agradável aos olhos de Deus vencer o sono da noite e passar o tempo em oração, começou logo a levantar-se durante a noite e a rezar. Também não era menos dedicada aos pobres. Privava-se muitas vezes de comer para suprir as necessidades dos indigentes. Mônica nunca demonstrou qualquer prazer em enfeitar-se em vão, mas vestia-se sempre de acordo com sua posição na vida. Em todas as suas palavras e ações, esforçava-se por ser decente e reservada. Quando adulta, desejava viver na pureza virginal, mas era obediente aos pais, que preferiam que ela se casasse. Como esposa, sua conduta foi tão exemplar que pode ser considerada um modelo para todas as pessoas casadas. Patrício, seu marido, atormentava a piedosa mulher de inúmeras maneiras, pois era de temperamento violento, imoral e propenso a muitos vícios. Mônica, no entanto, tratava-o sempre com amor e doçura, nunca censurando-o por seus vícios. Jamais o contrariava quando ele, entregue à paixão, começava a esbravejar; ao contrário, esperava que a cólera passasse e lhe expunha as faltas com serenidade cristã. Rezando incessantemente a Deus pela conversão do esposo, a santa mulher o transformou tão completamente que ele finalmente passou a levar uma vida muito edificante. Suas vizinhas, que conheciam o temperamento apaixonado de Patrício, admiravam-se muitas vezes de que ele nunca a tivesse agredido ou tratado brutalmente, como seus maridos faziam com elas. Mas Mônica explicava-lhes a razão disso e as ensinava a ser submissas aos esposos, a tratá-los com amor e doçura e, sobretudo, a nunca contradizê-los quando estivessem zangados, suportando suas faltas com paciência e silêncio. Mônica estava igualmente empenhada em viver em amor e paz com seu marido, assim como estava decidida a não permitir conflitos e contendas na sua casa, e muito menos outros vícios. Teve três filhos, dois homens e uma mulher, e sua maior preocupação foi dar-lhes uma educação cristã. Porém, Agostinho, o primogênito, não foi obediente, sobretudo depois da morte do pai: levava uma vida desregrada e licenciosa, sem atender às admoestações, súplicas e advertências de sua piedosa mãe; até que, por fim, caiu na heresia dos maniqueus. Enquanto isso, Mônica vivia a viuvez de acordo com os preceitos que São Paulo dá na primeira epístola ao discípulo Timóteo: era generosa para com pobres, assistia diariamente à Santa Missa, escutava avidamente a palavra de Deus. Não se dedicava a mexericos ociosos, nem a passear; mas lia livros de devoção, rezava e trabalhava. Não lhe interessavam os prazeres mundanos e muito menos as roupas finas ou outras vaidades. Amava a solidão e levava uma vida discreta e tranquila, tendo como único problema a conduta viciosa do filho. Desfazendo-se em lágrimas, rezava quase dia e noite a Deus pela conversão de Agostinho, e pedia a outros cristão, tanto clérigos como leigos, que rezassem pelo mesmo objetivo. Um dia, ao pedir as orações de um bispo, este disse-lhe: “Vai em paz, um filho por quem a mãe derrama tantas lágrimas não pode perecer.” Tais palavras deram-lhe algum conforto, mas ela sentiu-se ainda mais consolada por uma visão em que Deus lhe anunciava claramente a conversão do filho. Entretanto, Agostinho desejava sair de Cartago, onde tinha estudado retórica, e seguir para Roma. Mônica tentou impedi-lo de ir, mas Agostinho partiu secretamente enquanto ela estava na igreja. No entanto, mal havia chegado a Roma, ficou perigosamente doente e atribuiu às orações da sua mãe o fato de não ter morrido enquanto estava mergulhado no pecado, certamente destinado à perdição eterna. Assim que Mônica soube onde estava o filho, decidiu ir procurá-lo para poder cuidar dele. Quando, depois de uma viagem marítima muito perigosa, chegou a Milão, encontrou-o lá, pois tinha sido chamado de Roma para ensinar retórica. Foi então que ela percebeu com alegria que havia sucedido uma mudança em Agostinho, graças às conversas do filho com Santo Ambrósio, que, naquela época, era bispo de Milão. Mônica suplicou ao bispo que não abrandasse o interesse por seu filho, até que ele se convertesse completamente. Por fim, Deus, em sua misericórdia, atendeu ao desejo da santa viúva. Agostinho renunciou à heresia maniqueísta e foi batizado por Santo Ambrósio aos 30 anos de idade. Pode dizer-se, verdadeiramente, que essa conversão foi fruto das orações e das lágrimas de Santa Mônica. A consolação que ela recebeu por causa da conversão do filho pode ser mais facilmente imaginada do que descrita. Pouco depois deste acontecimento, ela decidiu voltar com Agostinho para a África, mas, tendo chegado a Óstia, onde foram obrigados a esperar pela oportunidade de continuar a viagem, foi acometida de uma febre leve. Inicialmente, não parecia algo perigoso, e o próprio Agostinho conta como foi edificante uma conversa que teve com sua santa mãe sobre as glórias do Céu. Ela terminou a conversa com as seguintes palavras: “Meu filho, no que me diz respeito, nada mais espero deste mundo. Só tinha um desejo, que era ver-te católico antes de morrer. Deus concedeu-me mais do que eu pedia, porque vejo que não só o serves, mas que desprezas toda a felicidade terrena. Que me resta, pois, fazer na terra?” Nesse meio tempo, a doença agravou-se tão rapidamente que, nove dias depois, Santa Mônica, que há tanto tempo suspirava pelo Céu, entregou sua alma, adornada com tantas virtudes, nas mãos do seu Criador, aos 56 anos de idade. Santo Agostinho relata da seguinte forma o que Mônica pediu antes de morrer aos seus dois filhos que estavam com ela: “Depositai meu corpo onde quiserdes, e não permitais que nenhum pensamento vos perturbe. Só vos peço uma coisa: lembrai-vos de mim diante do Altar do Altíssimo, onde quer que estejais.” Ele descreve também como, depois de colocarem o corpo de sua santa mãe junto à sua sepultura aberta, lá ofereceu pelos mortos o sacrifício da nossa Redenção, a Santa Missa, antes de a enterrarem. Uma prova clara de que, naquela época remota, eles também acreditavam no Purgatório e rezavam pelos mortos, como nós, católicos, ainda fazemos hoje.