28/08/2026
A Doutrina do Monoteísmo Ortodoxo (1.2)
No Credo Teshuvaíta, no 1º fundamento doutrinário, cremos:
1. No monoteísmo verdadeiro, isto é, na existência de um único Deus, subsistente em três pessoas: o Pai Yahuh, o Filho Jesus e o Espírito Santo; que somente Ele deve ser adorado, colocado como a maior prioridade em nossa vida, e amado com todo o nosso espírito, com toda a nossa alma e com todo o nosso corpo.
Parte 2 – Yahuh e Seu Filho Jesus Revelam Que Só Existe Um Deus
A soberania absoluta e a unicidade de Deus são expressas na oração do profeta Enoque, quando este reconhece que todo o poder pertence somente ao Criador, conforme está escrito em 4º Enoque 1.3-4: “Abençoado és Tu, ó Yahuh, Rei grande e poderoso em Tua grandeza, SENHOR de toda criatura do céu, Rei dos reis, Deus de todo o mundo, cujo reinado e majestade duram para sempre e sempre. De geração em geração Teu domínio existirá. Todos os céus são Teu trono para sempre, e toda a Terra, o escabelo de Teus pés para sempre e sempre.” A revelação contida nos escritos de Enoque confirma que não existe outro poder supremo no cosmos além de Yahuh, devendo Ele ser o único alvo de nossa total devoção e submissão.
O próprio Deus revela nas Escrituras que Ele é o único Deus, já que é Ele o único que preenche os requisitos para ser um Deus. A Bíblia toda mostra que Deus é o único que pode salvar e que não há outro além d’Ele que detenha todo o poder e é Ele mesmo que concede poder. O profeta Isaías demonstra isso, quando Deus fala através dele, no capítulo 45 e versículo 5: “Eis que Eu Sou Yahuh, o SENHOR, e não existe nenhum outro; além da Minha pessoa não há Deus! Eu te cinjo e te concedo poder, ainda que não percebas quem sou.” Não há outro que possa ocupar o trono de Deus e nem de ter Seus atributos; portanto, não podemos reconhecer nenhum poder (falso) vindo de algum deus falso. Devemos reconhecer Yahuh como único Deus verdadeiro.
A revelação da unicidade de Deus e a insensatez da idolatria são também corroboradas no livro de Sabedoria 13.1,5: “São insensatos por natureza todos os homens a quem falta o conhecimento de Deus, e que não souberam, através dos bens visíveis, ver Aquele que É, nem reconhecer o Artífice, considerando as Suas obras... Pois pela grandeza e beleza das criaturas se conhece, por analogia, o seu Criador.” A Escritura ensina que as obras visíveis do universo servem como um reflexo ontológico da grandeza de Yahuh, tornando inescusável o culto prestado à criatura e reafirmando a necessidade de colocar a divindade única no topo do nosso entendimento e da nossa adoração.
O SENHOR concedeu o discernimento ao ser humano para que reconhecesse a Sua soberania, conforme está escrito em Sirácida 17.7-8: “Encheu-os de sabedoria e de discernimento, e mostrou-lhes o bem e o mal. Pôs o Seu olhar sobre os seus corações, para lhes mostrar a grandeza das Suas obras.” O propósito dessa dádiva divina é que o homem reconheça a majestade do Seu santo nome e proclame Suas maravilhas, consolidando o dever sagrado de Yahuh ser amado e estabelecido como a prioridade absoluta em cada esfera da nossa vida.
O próprio Jesus Cristo, sendo o Messias e o Profeta, além de ser também o Filho Unigênito de Yahuh, o Deus supremo, nos ensina que existe um só Deus. Jesus Cristo, ao ser levado ao deserto, foi tentado por Satanás, o qual queria tomar o lugar de Deus (ainda que não tenha poder para tomar o trono de Deus, ele pode roubar o coração do ser humano e enganá-lo). Quando Satanás usou de uma artimanha para fazer Jesus se jogar de cima do Templo (o que de certa forma é uma instigação ao suicídio), o Cristo apenas usou as Escrituras para combatê-lo, conforme está escrito em Mateus 4.7: “Contestou-lhe Jesus: Também está escrito: ‘Não tentarás o SENHOR, teu Deus’.” Logo depois que Jesus cita as Escrituras, Satanás também tenta usar as Escrituras para fazer Jesus Cristo se prostrar diante dele (do Diabo); mas Jesus Cristo o repreendeu, afirmando que há um só Deus e que somente Ele pode ser adorado, conforme está escrito em Mateus 4.10: “Ordenou-lhe então Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘O SENHOR, teu Deus, adorarás e só a Ele servirás’.”
Jesus Cristo ensinou o monoteísmo e muitos hoje querem ensinar uma espécie de união entre cristianismo e as falsas religiões politeístas. Mas devemos seguir o exemplo de Jesus Cristo, professando a crença num Deus único e combatendo com as Escrituras os ensinos diabólicos do politeísmo e de qualquer crença que queira unir a fé cristã com outra fé falsa e errada. A própria doutrina apostólica nos mostra que ainda que muitos sejam chamados de deuses só existe um Deus, como podemos notar em 1ª Coríntios 8.5-6: “Pois, ainda que haja os chamados deuses, quer no céu, quer na Terra – como de fato há muitos deuses e senhores – para nós, contudo, há um único Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por intermédio de quem tudo o que há veio a existir, e por meio de quem também vivemos.” Como podemos perceber, só existe um Deus (Pai, Filho e Espírito Santo em uma essência) e um só Senhor (Jesus Cristo), o que significa que também não temos nenhuma “Senhora” (o que prova que a fé católica romana não é monoteísta de fato).
Na crença monoteísta ortodoxa só existe um Deus, subsistente em três pessoas, e um só Mediador (Jesus Cristo, o Filho de Yahuh), por isso nossa crença e nossa fé não são baseadas em achismos ou em palavras de homens, mas nas Escrituras Sagradas, conforme está escrito em 1ª Timóteo 2.5: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e o ser humano, Cristo Jesus, homem.” A Bíblia também nos diz que quem crê que só existe um Deus faz bem e que até os demônios creem que só existe um Deus, conforme está escrito em Tiago 2.19: “Crês, tu, na existência de um só Deus? Fazes bem! Até mesmo os demônios creem e tremem!” E isso significa que quem não crê que existe apenas um Deus (não crê em Yahuh, em Jesus Cristo e no Espírito Santo) faz mal e que quem não faz o bem comete pecado, já que fazer o bem é fazer o que Jesus Cristo ordenou (e o Cristo ordenou que crêssemos em apenas um Deus).
Deus é eterno porque não foi criado: Ele que criou tudo. Deus é atemporal porque não depende do tempo para existir, pois Ele também criou o tempo. E para começar um relacionamento com Deus é necessário crer que Ele existe e que premia aqueles que o buscam, como diz a Escritura. Jesus Cristo veio ao mundo para nos religar a Deus e é somente através do Cristo que podemos ter acesso a Deus Pai. Yahuh sempre nos espera e deu o Seu Filho Jesus Cristo como o único caminho para chegar até Ele. Então um dos nossos deveres é acreditar na existência de Yahuh e crer nEle como única divindade, confiando nEle de todo coração. E o maior mandamento está relacionado a essa crença monoteísta: amar a Deus acima de tudo e de todos. Deus é um. Deus é poderoso. Deus é soberano. Deus é a Suprema Bondade. Deus é imutável em Sua natureza. Deus é Yahuh, ao qual seja a honra, a glória, o poder para todo o sempre. Deus é uno em essência e trino em personalidade, como será explicado no ponto fundamental 46 do nosso Credo. Cremos em tudo isso porque cremos na Bíblia e nossa crença está fundamentada nas Escrituras.
🔖 Notas Explicativas:
[1] 4º Enoque 1.3-4 — A Soberania Universal e o Trono Eterno do Criador: Texto-chave em geʿez: “ቡሩክ ፡ አንተ ፡ እግዚኦ ፡ ንጉሥ ፡ ወዐቢይ ፡ ወኀያል” (Buruk ante Egzio, negus, wa'abiy wa-khayyal) — “Abençoado és Tu, ó Yahuh, Rei grande e poderoso”. Justino Mártir, em sua 1ª Apologia (cap. 13), sustenta que o Criador de todas as coisas é digno de louvor e adoração, pois os cristãos O adoram como o Criador do universo e Lhe oferecem orações, ações de graças e hinos. O patriarca Enoque proclama que o poder soberano não pertence a potestades criadas, mas exclusivamente a Yahuh, cujo domínio abrange todas as gerações.
[2] Isaías 45.5 — Texto-chave em hebraico: “אֲנִ֧י יְהוָ֛ה וְאֵ֥ין עֹוד זֹולָתִ֥י אֵ֣ין אֱלֹהִ֑ים” (Aní Yahuh ve’eyn od, zulati eyn Elohim) — “Eis que Eu Sou Yahuh, o SENHOR, e não existe nenhum outro; além da Minha pessoa não há Deus!”. A partícula zulati denota uma exclusão ontológica absoluta. Justino Mártir, em Diálogo com Trifão (cap. 11, par. 1), ensina que não existe outro Deus senão Aquele que criou e organizou o universo, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, invalidando qualquer divindade nacional ou pagã.
[3] Sabedoria 13.1,5 — A Insensatez da Idolatria e o Reconhecimento do Artífice: Texto-chave em grego (Septuaginta): “μάταιοι μὲν γὰρ πάντες ἄνθρωποι, οἷς οὐκ ἦν γνώμη θεοῦ... ἐκ γὰρ μεγέθους καὶ καλλονῆς κτισμάτων ἀναλόγως ὁ γενεσιουργὸς αὐτῶν θεωρεῖται” (mataioi men gar pantes anthrōpoi, hois ouk ēn gnōmē Theou... ek gar megethous kai kallonēs ktismatōn analogōs ho genesiourgos autōn theōreitai) — “São insensatos por natureza todos os homens a quem falta o conhecimento de Deus... Pois pela grandeza e beleza das criaturas se conhece, por analogia, o seu Criador.” Aristides de Atenas, em sua Apologia (cap. 1), apresenta a criação como testemunho da grandeza e da ordem do Criador e defende a superioridade do Deus único sobre os deuses das nações.
[4] Sirácida 17.7-8 — O Dom do Discernimento e a Consciência da Criação: Texto-chave em grego (Septuaginta): “ἔδωκεν αὐτοῖς διανοίαν καὶ γλῶσσαν καὶ ὀφθαλμοὺς καὶ ὦτα καὶ καρδίαν διανοεῖσθαι” (edōken autois dianoian kai glōssan kai ophthalmous kai ōta kai kardian dianoeisthai) — “Deu-lhes entendimento, língua, olhos, ouvidos e coração para compreender.” A Epístola a Diogneto (cap. 8), ao tratar do conhecimento de Deus, ressalta que o ser humano não poderia conhecê-Lo por suas próprias capacidades, mas que o próprio Deus Se revelou, manifestando Sua sabedoria e bondade.
[5] Mateus 4.7,10 — Texto-chave em grego: “Κύριον τὸν Θεόν σου προσκυνήσεις καὶ αὐτῷ μόνῳ λατρεύσεις” (Kýrion tòn Theón sou proskynḗseis kaì autō̂ mónō latreúseis) — “Ao SENHOR teu Deus adorarás e só a Ele servirás.” O uso do termo Latreia (λατρεία) por Jesus estabelece que o serviço sagrado é devido exclusivamente a Deus, sendo vedado a qualquer criatura. A resposta de Cristo a Satanás reafirma a ordem teocrática da adoração exclusiva. Inácio de Antioquia, ao exortar os fiéis à fidelidade absoluta a Deus e à rejeição de doutrinas estranhas, reforça implicitamente a necessidade de uma fé indivisa e centrada unicamente no Senhor (Epístola aos Filadélfos, cap. 3).
[6] 1ª Coríntios 8.5-6 — Texto-chave em grego: “εἷς Θεὸς ὁ Πατήρ... καὶ εἷς Κύριος Ἰησοῦς Χριστός” (heîs Theòs ho Patḗr... kaì heîs Kýrios Iēsoûs Christós) — “...para nós, contudo, há um único Deus, o Pai... e um só Senhor, Jesus Cristo.” Esta definição impossibilita a aceitação de qualquer “Senhora” ou intercessores paralelos. Irineu de Lyon, em Contra as Heresias 4.1.1, afirma que o mundo é governado por um só Deus e Pai, que opera todas as coisas por meio de Seu Filho e de Seu Espírito.
[7] 1ª Timóteo 2.5 — Texto-chave em grego: “εἷς γὰρ Θεός, εἷς καὶ μεσίτης” (heîs gàr Theós, heîs kaì mesítēs) — “Porque há um só Deus e um só Mediador”. A figura do Mediador (Mesítēs) é jurídica e ontológica. Tertuliano ensina que Cristo é Mediador porque une em Si a natureza divina e a humana, sendo distinto do Pai quanto à pessoa, mas unido quanto à substância (Sobre a Carne de Cristo, cap. 5; Contra Práxeas, cap. 27). Irineu de Lyon afirma que o Verbo recapitulou em si todas as coisas, reconciliando o homem com Deus e tornando-se o único elo legítimo entre ambos (Contra as Heresias 3.18.7; 5.1.1).
[8] Tiago 2.19 — Texto-chave em grego: “καὶ τὰ δαιμόνια πιστεύουσιν καὶ φρίσσουσιν” (kaì tà daimónia pisteúousin kaì phríssousin) — “até mesmo os demônios creem e tremem!”. Hermas, em O Pastor (Tomo 2: Mandamentos, cap. 1, par. 1), ordena: “Primeiro, creias que há um só Deus, que criou e organizou todas as coisas do nada”, enfatizando que o monoteísmo ortodoxo exige não apenas o reconhecimento da unicidade, mas a submissão total ao temor santo.
[9] Contexto Teológico e Rejeição da Alegoria — A eternidade de Deus decorre de Sua natureza incriada. Nepos do Egito, em Refutação dos Alegoristas, combatia os que espiritualizavam as promessas de Deus; no Teshuvaísmo, cremos que se o SENHOR diz que é Único, isso é uma verdade literal que exclui qualquer ecumenismo ou a introdução de figuras femininas de mediação típicas do romanismo.
[10] Sumário do Dever Monoteísta (Deontologia) — O cristão tem o dever sagrado de:
A. Reconhecer Yahuh como a única divindade e fonte primária de todo o poder.
B. Rejeitar qualquer forma de politeísmo, idolatria ou ecumenismo com falsas religiões.
C. Adorar e servir exclusivamente a Deus, seguindo o padrão estabelecido por Jesus.
D. Confiar na mediação única e suficiente de Cristo para o acesso e comunhão com o Pai.
[11] Exclusão Ontológica Absoluta — Do grego ontos (ser/natureza). Refere-se à verdade de que, na própria natureza do ser, não existe possibilidade de haver outro Deus. A partícula hebraica zulati (além de mim/fora de mim) indica que Yahuh não é apenas o maior entre outros, mas que nenhum outro ser compartilha da substância divina.
[12] Mediador (Mesítēs) — Termo jurídico que designa um intermediário legal ou um árbitro que une duas partes separadas. No Teshuvaísmo, fundamentado em 1ª Timóteo 2.5, ensina-se que apenas Jesus Cristo possui a natureza necessária (Deus e Homem) para exercer essa função, tornando nula qualquer pretensão de intercessão por parte de “santos”, “senhoras” ou anjos.
[13] Latreia (Serviço Sagrado) — Termo grego que descreve a adoração e o serviço prestados exclusivamente a Deus. Diferencia-se de qualquer forma de honra civil. Jesus usa este termo em Mateus 4.10 para estabelecer que o culto religioso e a entrega total da vida não podem ser divididos com nenhuma criatura, nem mesmo com Satanás.
[14] Unigênito (Monogenēs) — Significa “único de sua espécie” ou “único gerado”. Refere-se à relação eterna e única entre o Filho (Jesus) e o Pai (Yahuh), indicando que Ele não é uma criatura como os anjos ou homens, mas compartilha da mesma essência do Pai, sendo o canal de toda a criação.
[15] Imutável em Sua Natureza — Atributo que define que Deus não muda em Seu caráter, essência ou propósitos. Ao contrário dos deuses falsos e das opiniões humanas que oscilam, Yahuh permanece o mesmo eternamente, garantindo que Suas promessas e Sua lei são confiáveis e constantes.
[16] Uno em Essência e Trino em Personalidade — A base da Triunidade ortodoxa. Uno em Essência significa que há apenas uma substância divina (um só Deus); Trino em Personalidade (ou subsistência) indica que essa essência única se manifesta nas três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, sem que haja três deuses (politeísmo) ou apenas uma pessoa com três “máscaras” (modalismo).
[17] Deontologia (Sumário do Dever) — Do grego deon (dever/obrigação). É o estudo dos deveres éticos e sagrados. No contexto do Credo, descreve as obrigações práticas do cristão em relação à adoração exclusiva e à rejeição ativa da idolatria.
🐦⬛ Em Cristo, 🐈⬛
♱ Pf. Tiago Reggio 🕷️
🦇 Arqui-sacerdote Regente da Igreja Cristã Ortodoxa Teshuvaíta. 🕊️