13/11/2020
UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA:
“Que alegria quando me disseram: vamos a casa do Senhor!” Salmo 121
Esta proclamação, é para nós hoje, motivo de grande alegria! Temos um templo para rendermos graças ao Senhor, nosso Deus! Neste ano marcado por tantas incertezas, esta Casa, completa 90 anos. Que alegria! Como temos motivos para agradecer a Deus por nos conceder este privilégio! Porém, como todo templo, nossa capela e nossa comunidade tem uma história, que talvez, muitos de nós não conhecemos, mas que perpassou por algumas gerações e contou com o trabalho de muitos homens e mulheres de boa vontade.
Certamente nas terras onde hoje está situado nosso bairro habitavam famílias de muita fé e esperança. Conta-se que no início do século 20 nosso bairro era pouco povoado, contendo apenas algumas famílias, que na época eram numerosas. No ano de 1913, a Companhia Ferroviária Mogiana inaugurou a estação do Moçambo, que hoje funciona a escola para nossas crianças. Como a estação virou ponto de embarque e desembarque de passageiros, nosso bairro passou por um aumento populacional. Como naquela época a religião predominante era o catolicismo as famílias católicas deviam se deslocar para a cidade para participar das celebrações na Igreja Matriz de Muzambinho. Naquele tempo, a Paróquia São José, que fora fundada em 1866, era assistida pelos Freis da Ordem Franciscana.
Certamente, com grande desejo de que houvesse, no bairro, um local de oração para que os sacerdotes pudessem celebrar com o povo, uma família de moradores do bairro se prontificou a doar um terreno para que a paróquia construísse então uma capela. No dia 04 de agosto de 1922, o Senhor Miguel Petrecca e sua esposa Olympia Maria de Jesus, fazem a doação do terreno para a paróquia cujo representante era o Frei Florentino Brolman, e este era procurador do bispo diocesano da época, Dom Ranulpho da Silva Farias. Conforme a escritura pública de doação, o terreno foi doado para que se construísse então uma capela em honra a Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. De acordo com o livro de tombo da Paróquia São José, os doadores do terreno também doaram os tijolos necessários para a construção da capela, as demais despesas foram pagas pela paróquia. Provavelmente após 8 anos de construção, no dia 12 de novembro de 1930, foi celebrada a primeira missa na capela de Nossa Senhora do Santíssimo Rosário. Quatro anos mais tarde, o senhor Paschoal Petrecca e sua esposa Rufina Chagas Petrecca fazem a doação do sino para a capela em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, conforme grafado e dedicado no próprio sino sob a data de primeiro 01 de novembro de 1934.
De lá pra cá, quase não existem registros históricos sobre a capela e a comunidade, mas é sabido e contam os moradores mais velhos, que desde que foi inaugurada, a capela teve assistência dos freis. Houveram missas, batizados, e até casamentos. Além das diversas expressões da piedade popular, como as festas de Maio e os Terços que reuniam, dezenas de fiéis.
Existe uma história que muitos anos atrás, os freis tinham certa atenção por esta capela, por ser uma das únicas capelas rurais daquele tempo e porque o bairro ainda era bastante movimentado e povoado pois a Estação veio a movimentar o lugar até os anos de 1966, quando a companhia Mogiana decretou seu fechamento. Nesse sentido as famílias mais antigas do bairro mencionam que houve um tempo em que os freis rezavam de quinze em quinze das e até semanalmente nesta capela. Nesse tempo, a comunidade tinha uma estrutura muito restrita, haja vista que até os anos de 1969 a missa era rezada em latim, com o sacerdote de costas ao povo. Além disso, se conta que a relação dos freis com os fiéis era bastante restrita e reservada. Nesse sentido não existia uma coordenação formada e equipes de pastoral, somente algumas pessoas que ajudavam na organização de algumas atividades.
A comunidade se mantinha com a ajuda da própria população local, e eram essas pessoas que auxiliavam na manutenção da capela. Entre tantos homens e mulheres que por aqui passaram nesta época mais antiga se recorda do Sr. Orgello Raggi e Dona Neusa. Ela que muitas vezes, não participava da missa para f**ar em casa fazendo comida para que o frei pudesse almoçar após a missa. Tantos outros colaboradores que de uma forma ou de outra ajudaram a manter a comunidade junto da orientação dos freis: Dona Leonides Leite, Sr. João Frutuoso, Sr. Armindo Almeida, Sr. Aldérico Silva.
Não se pode deixar de mencionar que houve um tempo que as festas da comunidade não contavam com a estrutura de hoje. E naquela época em que havia o famoso coreto no pátio da capela era o centro onde nosso povo se reunia para festejar. Nem os moradores mais antigos sabem dizer quando as festas do Mês de Maio começaram, porem todos sabem dizer o quanto era um momento feliz e importante para a comunidade. Tudo simples, sem muita estrutura, um pequeno barzinho, doces para as crianças, os leilões, o grito dos leiloeiros, as vezes tinha música, mas sempre tinha gente reunida. Os fiéis já mencionados acima também eram os festeiros, e ainda fazemos memória de outros como os grandes rezadores de terço que perpetuaram o respeito e a devoção durante anos, recordamos do Sr. Arlindo Madeira, Sr. José Madeira e Sr. João Grama. Lembramos também do Sr. Sebastião Sales que era leiloeiro e Dona Rita que cuidou da coroação durante um período, nesse tempo a casa dela foi local das crianças se prepararem para o momento mais especial das festividades: o Terço e a coroação. Há ainda quem se lembra de quando algumas jovens subiam até o sino para cantar aquele belo refrão, como se fossem as vozes dos anjos cantando: “No céu, no céu, com minha mãe estarei!” Recordamos ainda do trabalho das mulheres que ajudavam a manter a capela organizada e do trabalho de Dona Cândida, que doou seu trabalho para fazer e cuidar das toalhas e toalhinhas dos altares.
De certos anos pra cá, houve-se então a necessidade das festas contarem com equipes, e foi onde iniciaram as antigas diretorias da comunidade, que faziam as festas acontecerem. Nesses tempos recordamos dos trabalhos de alguns como Sr. Manoel Almeida, Antônio Sales e Sérgio Silva. Já nos tempos mais recentes, recordamos também dos trabalhos de outros irmãos nossos que também já partiram do nosso convívio. Joaquim de Deus, fiel colaborador, foi ministro da eucaristia e animador da comunidade durante muitos anos, até o momento de sua partida para a eternidade. Lembremos com carinho, do trabalho de nossa irmã Zuleide Gonçalves de Melo que foi a primeira missionária da Mãe Rainha em nosso bairro. Com sua dedicação ela instituiu o santuário-lar em sua casa e expandiu a peregrinação das imagens em nossas casas.
Fazemos menção também de nossa companheira Tatiane Cassia, a tati a quem fomos conhecedores de sua luta pela vida mas que nos deixou um grande testemunho de fé no Pai Eterno, recordo que ela sempre nos dizia “Que Deus só dá um fardo para quem ele sabe que vai dar conta de carregar”. Recordo ainda de sua mãe Maria Lúcia, que auxiliou na decoração de presépios e altares de Nossa Senhora por vários anos, para as crianças daquela geração, mais conhecida como Tia Lúcia, por ter cuidado da coroação por alguns anos. Nesses tempos últimos já nos deixa saudade a irreverencia de nossa amiga Margarida de Souza, sua presença e o seu trabalho para a festa das Crianças agora só f**a na nossa memória. E no ano passado, nossa irmã Irani Mendes Ferreira nos deixou, mas recordamos seu trabalho de cuidado com esta capela durante vários anos, e inda sua presença em tantas atividades promovidas pela comunidade.
Todos estes irmãos que citamos, já partiram de junto de nós, mas deixaram algum sinal impresso na vida desta comunidade. Do mais simples ao mais complexo trabalho que cada um exerceu, juntos formam o passado de nossa história. Passado este que deu suporte para que pudéssemos hoje continuar construindo esta trajetória. Reforço que o nome de alguém estar aqui descrito neste histórico não qualif**a ou desqualif**a nenhum fiel, mas exorta a todos, os falecidos e os vivos, que a comunidade precisa de nós. Nós somos a comunidade.
Dentre aqueles que ainda estão no meio de nós, nossa comunidade exportou lideranças para muitas outras comunidades, e tantos outros irmãos nossos que há algum tempo estiveram aqui trabalhando conosco, hoje continuam sua missão junto de outra porção do povo de Deus. Nesse sentido foram ser semente em outros campos. Que deus seja louvado pelo trabalho de tantos! Não é possível citar o nome de todos, pois certamente esqueceremos de alguns, mas Deus sabe, nós também sabemos quantos jovens, homens e mulheres deixaram suas marcas aqui.
E nós que ainda estamos aqui, que sejamos sempre fiéis a nossa missão, continuemos trabalhando para a messe do senhor! E juntos, em comunidade, vencendo os desafios de cada tempo, lutando por um mundo melhor. Educando nossas famílias no amor a Deus e a devoção à Virgem Maria. Certamente todos que por aqui passaram nestes 90 anos, enfrentaram muitas dificuldades, porém, também é certo que adiante deles sempre caminhou o nosso Deus. A cada dia, a cada mês e a cada ano um desafio diferente, mas para todos os desafios nós contamos com a poderosa intercessão da Virgem Maria a senhora do Rosário! Obrigado a cada um pelo seu trabalho que junto com o dos outros irmãos forma a nossa comunidade, Deus te abençoe!
E Não nos esqueçamos que “até aqui o Senhor nos conduziu e certamente, daqui pra frente ele também nos conduzirá!
Moçambo, aos 12 de Novembro de 2020.