14/02/2025
A membresia na igreja local não é apenas uma questão administrativa, mas também uma expressão da realidade espiritual do corpo de Cristo. A Bíblia apresenta a igreja como um povo distinto, chamado para refletir a glória de Deus no mundo. Isso exige clareza sobre quem pertence formalmente à comunidade da aliança e quem não pertence.
Sem uma membresia bem definida, o princípio bíblico da disciplina eclesiástica se torna inviável. Como uma igreja pode chamar alguém ao arrependimento, e se necessário, exercer disciplina, se não há uma distinção clara entre membros e não membros? A excomunhão, por exemplo, pressupõe que a pessoa estava, de fato, dentro de uma comunidade visível antes de ser colocada para fora. Paulo em 1 Coríntios 5 deixa isso evidente ao falar sobre a necessidade de remover da comunhão aquele que vivia em pecado impenitente.
O modelo do “tamu junto”, comum em algumas igrejas contemporâneas, gera confusão e enfraquece a vida eclesiástica. Sem uma membresia clara, as pessoas não desenvolvem um senso de responsabilidade mútua. Pastores não sabem quem realmente está sob seu cuidado, e os membros não sabem a quem prestar contas. Isso leva a uma fé superficial, onde as pessoas entram e saem sem compromisso, enfraquecendo a cultura do discipulado e da mutualidade cristã.
O Novo Testamento claramente aponta para uma estrutura de aliança dentro da igreja local, onde há presbíteros que pastoreiam e membros que se submetem à liderança espiritual (Hb 13:17). Em Atos e nas epístolas, vemos igrejas locais organizadas, onde havia distinção entre aqueles que pertenciam ao corpo e aqueles que estavam fora (At 2:41-47; 1 Tm 5:9).
Em resumo, uma igreja sem uma membresia definida se torna uma massa indistinta, sem compromisso real, sem disciplina bíblica e sem um senso claro de identidade. O resultado é um cristianismo raso, onde a comunidade da fé se torna apenas um agrupamento social e não um povo santo, chamado para ser luz no mundo.